A Projecção da identidade cultural angolana e o papel das Instituições de Ensino Superior: um ensaio reflexivo estratégico

Autores

Palavras-chave:

Identidade cultural; Ensino superior; Produção científica.

Resumo

A projecção da identidade cultural nacional é um dos desafios centrais das nações em processo de consolidação política e simbólica. No caso de Angola, a questão torna-se ainda mais urgente diante da crescente globalização e das dinâmicas de dominação cultural. Este ensaio tem como finalidade discutir o papel das Instituições de Ensino Superior (IES) na promoção externa da cultura angolana, articulando conceitos de soberania cultural, soft power e epistemologia africana. Nestes termos, o presente estudo parte da seguinte questão: como as Instituições de Ensino Superior angolanas podem contribuir para a projecção da identidade cultural nacional à escala mundial? Para responder a esta interrogação, adota-se uma metodologia de natureza qualitativa e exploratória, fundamentada em pesquisa bibliográfica e documental. A análise ancora-se na tipologia da UNESCO sobre políticas culturais, na literatura africana sobre epistemologias locais e nos dados secundários sobre a produção científica no continente, estabelecendo um diálogo crítico com autores que abordam a cultura como instrumento de poder. A partir deste cruzamento teórico-empírico, argumenta-se que a universidade deve desempenhar um papel central na produção e difusão do conhecimento local, sugerindo caminhos para que as Instituições de Ensino Superior deixem de ser apenas reprodutoras de saberes externos e se tornem polos de afirmação cultural e científica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografias Autor

Kelsom Mutelela Chavonga, Instituto Superior Politécnico Maravilha, Angola

Doutorando em Estudos Globais e do Desenvolvimento na Universidade do Porto, onde desenvolve investigação no domínio das dinâmicas contemporâneas do desenvolvimento, governação e capital humano. É Mestre em Gestão de Recursos Humanos, com especialização em Comunicação Organizacional e Desenvolvimento do Capital Humano pela Universidade Lusíada de Angola – Polo de Benguela. É Licenciado em História pelo Instituto Superior Politécnico Maravilha de Benguela e possui Pós-Graduação em Agregação Pedagógica para o Ensino Superior e em Tendências Internacionais da Formação Universitária pela Universidade Óscar Ribas. Detém, igualmente, especialização em Administração Pública e Gestão de Conflitos, consolidando uma formação interdisciplinar que articula história, governação, gestão e políticas públicas.

Eduardo Ernesto Vicente, Instituto Superior Politécnico Maravilha, Angola

Pós-graduado em Desenvolvimento Curricular e Inovação Educativa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação de Benguela – ISCED, Mestrando em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Licenciado em História. Docente do Instituto Superior Politécnico Maravilha

Referências

Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar.

Bennett, W. L., & Livingston, S. (2018). The disinformation order: Disruptive communication and the decline of democratic institutions. European Journal of Communication, 33(2), 122–139. [https://doi.org/10.1177/0267323118760317](https://doi.org/10.1177/0267323118760317)

Cabral, A. (1974). Unity and struggle: Speeches and writings (1st ed.). New York: Monthly Review Press.

Diop, C. A. (1981). Civilization or barbarism: An authentic anthropology. Brooklyn, NY: Lawrence Hill Books.

Huntington, S. P. (1996). The clash of civilizations and the remaking of world order. New York: Simon & Schuster.

Kandjimbo, L. (2014). Ensaios de crítica cultural. Luanda: Chá de Caxinde.

Kouamé, A. (2019). African universities and epistemic freedom: Between autonomy and dependence. CODESRIA Bulletin, (1–2), 70–83. https://codesria.org/?p=10697

Mbembe, A. (2016). Crítica da razão negra (M. da Costa, Trad.). Lisboa: Antígona. (Original publicado em 2013)

Miller, T. (2021). Cultural citizenship: Cosmopolitanism, consumerism, and television in a neoliberal age. Temple University Press.

Nascimento, D. do. (2020). Cultura e identidade nacional em Angola: Caminhos e contradições. Revista Angolana de Ciências Sociais, 5(1), 50–63. https://racsvs.sciendo.com

Napoli, P. M. (2019). Social media and the public interest: Media regulation in the disinformation age. Columbia University Press.

Ngũgĩ wa Thiong’o. (2009). Descolonizar a mente: A política da linguagem na literatura africana (1ª ed.). São Paulo: Companhia das Letras.

Teta, P. (2017). Educação e desenvolvimento em Angola: Perspectivas e desafios. Luanda: MayambaEditora.

Thussu, D. K. (2013). Communicating India’s soft power: Buddha to Bollywood. PalgraveMacmillan.

Thussu, D. K., & de Burgh, H. (2020). China's Media Go Global: International Practices of the Chinese Media. Routledge.

UNESCO. (2009). Investing in cultural diversity and intercultural dialogue. Paris: UNESCO Publishing. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000184755

UNESCO. (2010). UNESCO science report: The current status of science around the world. Paris: UNESCO Publishing.https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000189753

UNESCO Institute for Statistics. (2020). Global investment in R&D and researcher distribution. http://uis.unesco.org.

Varela, F. (2013). Universidade, desenvolvimento e sociedade: O papel da extensão universitária. Revista Científica da UAN, 5(1), 45–59. Universidade Agostinho Neto.

Zakaria, F. (2011). The post-American world: Release 2.0. New York: W. W. Norton & Company.

Downloads

Publicado

2026-04-17