A mulher na libertação angolana: representações e narrativas nos currículos escolares (1960–1975)
Palavras-chave:
Mulheres, Luta de Libertação Nacional, Currículos EscolaresResumo
A participação feminina no processo de libertação de Angola (1960–1975) permanece marginalizada na historiografia oficial e no ensino de História, apesar do papel decisivo desempenhado pelas mulheres nas frentes de combate, na logística, na mobilização política e na diplomacia. O presente estudo analisa os mecanismos de invisibilização da agência feminina nas narrativas hegemónicas da luta anticolonial, problematizando representações que tendem a enquadrar as mulheres em arquétipos restritivos, como o da “mãe heróica” ou da “combatente institucionalizada”. O objectivo central é examinar as múltiplas formas de actuação feminina no processo de independência e compreender como essas trajectórias são representadas, silenciadas ou hierarquizadas nos currículos e manuais da disciplina de História no ensino secundário angolano. A pesquisa adopta uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, baseada na análise documental e na leitura crítica de fontes textuais e visuais, incluindo materiais de propaganda política e acervos arquivísticos consultados em Angola e em Portugal. Os resultados evidenciam experiências femininas plurais que ultrapassam a dicotomia entre retaguarda e frente de combate. Conclui-se que o ensino de História tende a reproduzir uma memória homogénea, indicando a necessidade de uma revisão curricular crítica que reinscreva as mulheres como sujeitos históricos centrais da luta anticolonial angolana.
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