A mulher na libertação angolana: representações e narrativas nos currículos escolares (1960–1975)

Autores

Palavras-chave:

Mulheres, Luta de Libertação Nacional, Currículos Escolares

Resumo

A participação feminina no processo de libertação de Angola (1960–1975) permanece marginalizada na historiografia oficial e no ensino de História, apesar do papel decisivo desempenhado pelas mulheres nas frentes de combate, na logística, na mobilização política e na diplomacia. O presente estudo analisa os mecanismos de invisibilização da agência feminina nas narrativas hegemónicas da luta anticolonial, problematizando representações que tendem a enquadrar as mulheres em arquétipos restritivos, como o da “mãe heróica” ou da “combatente institucionalizada”. O objectivo central é examinar as múltiplas formas de actuação feminina no processo de independência e compreender como essas trajectórias são representadas, silenciadas ou hierarquizadas nos currículos e manuais da disciplina de História no ensino secundário angolano. A pesquisa adopta uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, baseada na análise documental e na leitura crítica de fontes textuais e visuais, incluindo materiais de propaganda política e acervos arquivísticos consultados em Angola e em Portugal. Os resultados evidenciam experiências femininas plurais que ultrapassam a dicotomia entre retaguarda e frente de combate. Conclui-se que o ensino de História tende a reproduzir uma memória homogénea, indicando a necessidade de uma revisão curricular crítica que reinscreva as mulheres como sujeitos históricos centrais da luta anticolonial angolana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Oliveira Adão Miguel, Instituto Superior de Ciências da Educação - Huíla, Angola

Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade. Actualmente Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Professor Efectivo no Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla), Angola.

Referências

Angola. (2020). Lei n.º 32/20, de 12 de Agosto. Altera a Lei de Bases de Educação e Ensino (Lei n.º 17/16). Diário da República, Luanda.

https://sys.portais.gov.ao/uploads/13lei_32_20_de_12_de_Agosto_lei_de_bases_de_educacao_e_ensino_alteracao_a_lei_17_137004928963237a670211f_16_compressed_28b9365abc.pdf

Araújo, S. G. (2022). Contribuições das mulheres nas frentes de batalha da independência à luz da literatura. Revista Científica UNILAB, 2.

Fernando, E. (2012). Jonas Savimbi: No lado errado da história (3.ª ed., 364 p.; ISBN 978-972-20-4944-3). Dom Quixote, Alfragide, Portugal.

Haguette, T. M. F. (1994). Metodologias qualitativas na sociologia. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, 75(179–181), 63–77.

Lisboa, C. M. S. (2023). O silenciamento das mulheres na história: Uma análise da caça às bruxas nos livros didácticos do sétimo ano do ensino fundamental. Mundo Livre: Revista Multidisciplinar, 9(1), 205–236.https://periodicos.uff.br/mundolivre/article/view/55903

Luca, T. R. de. (2022). Práticas de pesquisa em história. Contexto.

Maiunga, H. (2021). Proposta para implementação de uma educação intercultural em Angola: Desafios e possibilidades à inclusão da tribo Khoisan no sistema educativo (Dissertação de mestrado). Universidade da Beira Interior.

Marconi, M. A., & Lakatos, E. M. (2004). Metodologia científica (4.ª ed.). Atlas.

Mateus, D. C., & Mateus, A. (2009). Purga em Angola (8.ª ed.). Editores.

Miguel, O. A., & Jeremias, B. (2014). O boom político em Angola (1992–2002). Trabalho de fim de curso, Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla), Lubango, Angola.

Neto, M. C. (2015). A memória como matéria inflamável: Reflexões a partir do caso angolano. In V Colóquio da Faculdade de Ciências Sociais. Universidade Agostinho Neto.

Oliveira, S. R. (2014). Ensino de história das mulheres: Reivindicações, currículos e potencialidades. Editora Mulheres.

Pacheco, J. A., & Morgado, A. C. (2002). Construção e avaliação do projecto curricular de escola. UNESP.

Paredes, M. (2015). Mulheres na luta armada em Angola: Memória, cultura e emancipação. ISCTE-IUL.

Perrot, M. (2007). Minha história das mulheres (A. M. S. Corrêa, Trad.). Contexto.

Reis, F. R. C. (2023). Olhar a face escondida da lua: Uma reflexão em torno do papel da mulher na luta de libertação nacional: O caso do MPLA (1960–1965). Muiraquitã: Revista de Letras e Humanidades, 11(1), 175–190.

https://doi.org/10.29327/210932.11.1-11

Roldão, M. C. (1999). Gestão flexível do currículo: Fundamentos e práticas. DEB/ME.

Sacristán, J. G. (1999). Poderes instáveis em educação. Artmed.

Silva, A. (2005). Aconteceu: António Oliveira Salazar. RTP.

Silva, D. A. S. (2021). Na cobertura da retaguarda: Mulheres angolanas na luta anticolonial (1961–1974) (Tese de doutorado). Universidade de Brasília.

https://repositorio2.unb.br/handle/10482/43515

Silva, S. T., & Cavalheiro, R. M. (2021). A educação feminina e os estereótipos da socialização: O currículo escolar como instrumento de reprodução. In I Congresso Internacional de Humanidades (p. 4). CUAG.

Thompson, E. P. (1987). A formação da classe operária inglesa. Paz e Terra.

Wheeler, D., & Pélissier, R. (2009). História de Angola. Tinta-da-China.

Downloads

Publicado

2026-06-16

Como Citar

Adão Miguel, O. (2026). A mulher na libertação angolana: representações e narrativas nos currículos escolares (1960–1975). Mupanda: Revista Científica Multidisciplinar, 1(1), 122–144. Obtido de https://portalpensador.com/index.php/RMU/article/view/1062