A injustiça epistémica e as obrigações morais para africanizar o currículo de filosofia em Angola: problemas e perspectivas
Palavras-chave:
Injustiça epistémica, Currículo de Filosofia, Obrigações moraisResumo
O presente artigo fundamenta-se numa adaptação teórica centrada na reflexão sobre a injustiça epistémica e nos fundamentos éticos kantianos e utilitaristas, mobilizados como instrumentos analíticos para justificar a necessidade moral de africanizar o currículo de Filosofia em Angola. Inspirado no texto do filósofo nigeriano Edwin Etieyibo, o estudo insere-se no debate contemporâneo sobre a autodeterminação do ensino e do pensamento filosófico em África, defendendo a africanização curricular como via para enfrentar as injustiças hermenêutica e testemunhal no contexto educativo angolano. O objectivo geral consiste em analisar os fundamentos éticos e epistémicos que legitimam a africanização do currículo de Filosofia em Angola, tendo como objectivos específicos examinar as bases morais kantianas e utilitaristas dessa obrigação, contribuir para a superação das injustiças epistémicas no ensino da Filosofia e propor directrizes para um currículo enraizado nas realidades angolana e africana. A metodologia adoptada é qualitativa, de abordagem bibliográfica e documental, apoiada em normativos legais e em textos de filósofos africanos contemporâneos, recorrendo a um método analítico e discursivo. Conclui-se que a africanização do currículo de Filosofia em Angola constitui uma exigência moral inadiável, orientada pelo respeito à autonomia, à dignidade humana e à maximização do bem colectivo.
Downloads
Referências
Akpan, C. O. (2005). «Feyerabend’s Philosophy of Science and its Implications for National Development in Africa», in Journal of Indian Council of Philosophical Research (JICPR), Vol. xxii, No. 4 (October– December), pp. 45-64.
Angola. Assembleia Nacional. Decreto Presidencial n.º 273/ 20 de 21 de Outubro: Regime jurídico da Formação Inicial de Educadores de Infância, de Professores do Ensino Primário e de Professores do Ensino Secundário. (2020). Imprensa Nacional E.P.
Angola. Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação (INIDE). Programa de Filosofia 11.ª classe: 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral. (2014). (2a ed.). Editora Moderna, S.A.
Angola. Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação (INIDE). Programa de Filosofia 12.ª classe: 2.º Ciclo do Ensino Secundário Geral. (2014). (2a ed.). Editora Moderna, S.A.
Chemhuru, M. (2016). Pursuing the Agenda of Africanising Philosophy in Africa: Some Possibilities. South African Journal of Philosophy. 35 (4), pp. 418–428. http://dx.doi.org/10.1080/0258016.2016.12422209.
Chimakonam, J. (2016). Can the Philosophy Curriculum be Africanised? An Examination of the Prospects and Challenges of Some Models of Africanisation. Cross River State: South African Journal of Philosophy. 35 (4), pp. 513-522. http://dx.doi.org/10.1080/02580136.2016.124555.
Chimakonam, J. O. e Nweke, V. (2018). Why the “Politics against African Philosophy” should be discontinued. Dialogue. 57 (2), pp. 277-301. http://dx.doi.org/10.1017/50012217317000907.
Etieyibo, E. (2016). Why Ought the Philosophy Curriculum in Universities in Africa be Africanised? South African Journal of Philosophy. 35 (4), pp. 404-417. http://dx.doi.org/10.1080/02580136.2016.1242208.
Graness, A. (2015). Questions of Canon Formation in Philosophy: The History of Philosophy in Africa. Phronimon 16 (2), pp. 78-96.
Hountondji, P. (1977). Sur la “Philosophie Africaine”. Critique de L’ethnophilosophie. Paris-Ve.
Imbamba, J. M. (2010). Uma Nova Cultura para Mulheres e Homens Novos: Um projecto Filosófico para Angola do Terceiro Milénio à luz da Filosofia de Battista Mondin. (2a ed.). Instituto Missionário Filhas de São Paulo.
Kandjimbo, L. (2024). Filosofia e Cultura Angolana. Tópicos e Problemas. FH-UAN.
Kandjimbo, L. (2025). Introdução ao Estudo da Filosofia Contemporânea. Sumários Desenvolvidos. FH-UAN.
Nyamnjoh, F. B. (2011). A Relevant Education for African Development: Some Epistemological Considerations. In Keita, L. Philosophy and African Development. Theory and Practice (139-154). Dakar: CODESRIA (Council for the Development of Social Science Research in Africa).
Polanyi, M. (2010). «Conhecer Tácito», in A Dimensão Tácita. [Trad. Eduardo Beira]. Inovatec.
Msila, V. (20 de Jan. 2025). Transforming University Through Africanised Research: in Search of the Indigenous, in African Identities. ISSN: 1472-5843 ((Print) 1472-5851 (online) Routledge Tylor & Francis Group, pp. 1-14. https://doi.org/10.1080/14725843.2024.2439440.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Mupanda: Revista Científica Multidisciplinar

Este trabalho encontra-se publicado com a Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0.