
Revista Científica Multidisciplinar Nkwa Zayi | Vol. 01 | N. 01 | Janeiro – Junho | pp. 48 - 63 | Ano 2026
A investigação multidisciplinar face aos
desafios da Excelência Científica
entendimento de que os líderes africanos incorporam nos modos de fazer a educação
o sangue colonial (ideologia colonial).
Apesar da pseudo-vontade do colonizador em educar os indígenas, um dos
constrangimentos que se verificou nesse período tem a ver com impossibilidade de
universalizar o acesso à educação. Por um lado, a localização das escolas, possibilitava
apenas aos indígenas residentes próximos das principais cidades, onde se encontravam
localizadas a escolas e, por sinal, os locais de grande concentração de brancos. E, por
outro lado, a questão da cidadania, ou seja, os indígenas não tinham acesso às escolas
a menos que fossem detentores do estatuto de africano assimilado, corroborando,
deste modo, com a visão de Paxe (2014) quando apresenta a localização longínqua das
escolas e o estatuto de assimilado com o principais obstáculos enfrentados pelos
indígenas no acesso à educação. Logo após o alcance da independência, o Estado
preocupou-se em eliminar as barreiras enfrentadas no acesso à educação, e, para tal,
realizou-se primeiro Congresso do MPLA de 1977 que visou
A consolidação da independência e do poder popular, pôr fim à
luta de classes, implantar a sociedade socialista comunista com
ideologia marxista-leninista; integração e coerência da Educação
com as necessidades da sociedade; proporcionar o
desenvolvimento integral e
universal da personalidade humana, «criação de um homem
novo» e promover um futuro melhor à nova geração (Mangens,
2016, p. 7).
Nessa linha de reflexão, percebe-se que, tendo em conta as dificuldades que o Estado
angolano viria a enfrentar, e, de modos a minimizar a situação da educação e ensino, o
governo angolano estabeleceu uma cooperação com o Estado cubano, para desenvolver
a educação e o ensino no território angolano, nos diversos campos tidos prioritários.
Ou seja, a participação cubana, na história da educação angolana teve grande
relevância pelo seu carácter peculiar, pois, para além dos professores cubanos virem
para Angola no intuito da cooperação estabelecida, os estudantes angolanos
deslocavam-se a Cuba, a fim de serem formados, com bolsas de estudos, concedidos na
cooperação feita entre estes dois países (Neto, 2010 apud Emídio & Santos 2023).
Ainda de acordo com as decisões saídas desse Congresso, foi aprovado um plano
nacional de ação para a educação de todos, que previa a alfabetização das crianças e