Revista Científica Visão XXI  
ARTIGO CIENTÍFICO  
Dados do Artigo  
Desafios e oportunidades da aprendizagem baseada em problemas  
no desenvolvimento de competências  
Challenges and opportunities of problem-based learning in skills development  
25/Janeiro/2025  
02/Março/2025  
Rectos y oportunidades del aprendizaje basada en problemas en el desarrollo de  
competencias  
Orloque Vidal Muquendengue Já1  
1Departamento de Ciências da Educação, Instituto Superior Politécnica do Moxico, Luena, Angola  
Resumo  
A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é um método inovador, amplamente  
adoptado, para desenvolver competências profissionais, como autonomia, pensamento  
crítico e resolução de problemas. Apesar de sua eficácia, a implementação da ABP em  
contextos de ensino superior em economias emergentes, como é o caso de Angola,  
enfrenta desafios significativos, incluindo a deficiência de recursos e a resistência por  
parte dos docentes. O presente estudo realizado no Instituto Superior Politécnico do  
Moxico (ISP-Moxico) visa descrever os desafios e as oportunidades da ABP para o  
desenvolvimento de competências profissionais nos estudantes. A pesquisa tem uma  
abordagem descritiva e quantitativa, utilizando questionários estruturados aplicados aos  
docentes da instituição. O instrumento foi validado para garantir a consistência dos dados,  
e os resultados foram analisados estatisticamente. Os principais resultados indicaram que  
a maioria dos docentes possui conhecimento limitado sobre a ABP, o que compromete sua  
aplicação prática. Além disso, as barreiras como a falta de recursos didácticos e a  
resistência à mudança foram identificadas como obstáculos significativos. No entanto, os  
participantes consideraram o potencial da ABP para desenvolver competências técnicas e  
comportamentais, incluindo habilidades de trabalho em equipa, pensamento crítico e  
autonomia dos estudantes. Com base nos dados colectados, foram propostas estratégias de  
capacitação docente, investimento em recursos pedagógicos específicos e a criação de  
uma cultura institucional que favorece a inovação. Este estudo contribui para a  
compreensão dos desafios e oportunidades da ABP no contexto angolano e oferece  
subsídios práticos para gestores e educadores específicos na implementação de práticas  
pedagógicas mais eficazes.  
Palavras-chave:  
Aprendizagem  
baseada  
em  
problemas,  
Desenvolvimento  
de  
competências, Metodologias activas.  
Abstract  
Problem-Based Learning (PBL) is an innovative method widely adopted to develop  
professional skills such as autonomy, critical thinking and problem solving. Despite its  
effectiveness, the implementation of PBL in higher education contexts in emerging  
economies, such as Angola, faces significant challenges, including lack of resources and  
resistance from teachers. This study realized at the Instituto Superior Politécnico do  
Moxico (ISP-Moxico) and aimed to describe the challenges and opportunities of PBL for  
the development of professional skills in students. The research has a descriptive and  
quantitative approach, using structured questionnaires applied to the institution's teachers.  
The instrument was validated to ensure data consistency, and the results were statistically  
analyzed. The main results indicated that the majority of teachers have limited knowledge  
about PBL, which compromises its practical application. Furthermore, barriers such as  
lack of teaching resources and resistance to change were identified as significant obstacles.  
However, participants considered the potential of PBL to develop technical and behavioral  
skills, including teamwork skills, critical thinking and student autonomy. Based on the  
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data collected, strategies for teacher training, investment in specific pedagogical resources  
and the creation of an institutional culture that favors innovation were proposed. This  
study contributes to the understanding of the challenges and opportunities of PBL in the  
Angolan context and offers practical support for managers and specific educators in  
implementing more effective pedagogical practices.  
Keywords: Problem-based learning, Skills development, Active methodologies.  
Resumen  
El Aaprendizaje Basado en Problemas (ABP) es un método innovador, ampliamente  
adoptado, para desarrollar competencias profesionales como la autonomía, el pensamiento  
crítico y la resolución de problemas. A pesar de su eficacia, la implementación del ABP  
en contextos de educación superior en economías emergentes, como es el caso de Angola,  
enfrenta desafíos significativos, entre ellos la carencia de recursos y la resistencia por parte  
del profesorado. El presente estudio realizado en el Instituto Superior Politécnico del  
Moxico (ISP-Moxico) y tuvo como objetivo describir los desafíos y oportunidades del  
ABP para el desarrollo de competencias profesionales en los estudiantes. La investigación  
adoptó un enfoque descriptivo y cuantitativo, utilizando cuestionarios estructurados  
aplicados al cuerpo docente de la institución. El instrumento fue validado para garantizar  
la consistencia de los datos, y los resultados fueron analizados estadísticamente. Los  
principales hallazgos indicaron que la mayoría de los docentes poseen un conocimiento  
limitado sobre el ABP, lo que compromete su aplicación práctica. Además, se  
identificaron barreras como la falta de recursos didácticos y la resistencia al cambio como  
obstáculos significativos. No obstante, los participantes reconocieron el potencial del ABP  
para desarrollar competencias técnicas y comportamentales, incluyendo habilidades de  
trabajo en equipo, pensamiento crítico y autonomía estudiantil. Con base en los datos  
recopilados, se propusieron estrategias de capacitación docente, inversión en recursos  
pedagógicos específicos y la creación de una cultura institucional que fomente la  
innovación. Este estudio contribuye a la comprensión de los desafíos y oportunidades del  
ABP en el contexto angoleño y ofrece aportes prácticos para gestores y educadores en la  
implementación de prácticas pedagógicas más eficaces.  
Palabra clave: Aprendizaje basado en problemas, Desarrollo de habilidades,  
Metodologías activas  
1
Introdução  
A educação superior em Angola enfrenta desafios significativos, especialmente no que  
diz respeito à adopção de metodologias pedagógicas inovadoras capazes de preparar os  
estudantes, para as demandas de um mercado de trabalho dinâmico e globalizado. A  
Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é amplamente reconhecida como uma  
abordagem eficaz para o desenvolvimento de competências críticas, resolução de  
problemas e trabalho em equipa. No entanto, sua implementação em instituições de  
ensino superior em Angola, como o Instituto Superior Politécnico do Moxico (ISP-  
Moxico), enfrenta barreiras como a falta de recursos adequados, resistência à mudança  
por parte dos docentes e lacunas na formação técnica.  
Diante dos pressupostos referidos, surge a seguinte questão central:  
Quais são os desafios e oportunidades na implementação da Aprendizagem Baseada em  
Problemas (ABP) no Instituto Superior Politécnico do Moxico, e como esta metodologia  
contribui para o desenvolvimento de competências nos estudantes?  
Esta pesquisa foi desenvolvida com objectivo geral de Descrever os desafios e as  
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oportunidades da implementação da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) para  
promover o desenvolvimento de competências profissionais nos estudantes do Instituto  
Superior Politécnico do Moxico (ISP-Moxico). Para o cumprimento de tal desiderato  
trabalhou-se com os seguintes objectivos específicos:  
1. Avaliar o grau de conhecimento e uso da metodologia ABP pelos docentes do  
ISP-Moxico.  
2. Investigar as percepções dos docentes sobre a contribuição da ABP no  
desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais dos estudantes.  
3. Identificar os principais desafios enfrentados pelos docentes na adopção da ABP.  
4. Elaborar estratégias práticas e adaptadas ao contexto do ISP-Moxico para superar  
as barreiras à implementação da ABP.  
2
Enquadramento teórico  
A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), ou Problem-Based Learning (PBL), é  
um método educativo que surgiu em 1965 na Escola de Medicina de McMaster, no  
Canadá. Seu objectivo inicial era aprimorar o conhecimento e as habilidades médicas dos  
estudantes por meio de trabalho colectivo e a resolução de problemas realistas (Oliveira-  
Pereira et al., 2023; Borochovicius & Tassoni, 2021; Rosa, 2021; Lopes, 2021; Oliveira  
et al., 2020).  
Ao contrário do ensino tradicional, onde o estudante é um receptor passivo de  
informações, a ABP coloca o estudante como protagonista no desenvolvimento de suas  
competências, englobando saberes teóricos e práticos. O papel do professor se transforma  
em mediador do aprendizado, facilitando o processo sem centralizar o conhecimento  
(Savin-Baden, 2000; Rosa, 2021).  
Constatou-se recentemente no Perú, num estudo realizado por Dávila et al. (2025) sobre  
Impacto das metodologias activas, na aquisição de competências de estudantes  
universitários, em uma universidade privada em Huancayo, que entre as metodologias  
activas tais como Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), Estudo de Casos  
(CASO), Método de Experts (EXP), Estudo Compartido (ECO) e Estudo dirigido (EDI),  
a ABP é o método mais efectivo para o desenvolvimento do sistema de habilidades e  
valores sobrepondo aos outros métodos.  
2.1 Breve caracterização contexto do estudo para implementação da ABP  
Inaugurado aos 14 de julho de 2011, sob a liderança do Vice-presidente da República de  
Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, como Escola Superior Politécnica do  
Moxico, desde sua criação, passou por várias reorganizações administrativas até se tornar  
um instituto autónomo (DP n.º 299/21, 2021). O actual ISP-Moxico é uma instituição  
pública que se destaca na Província do Moxico sobretudo por ser a única estatal até a data  
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actual.  
Localizado na cidade do Luena, o ISP-Moxico possui infra-estrutura adequada para  
atender até 4.050 estudantes. A instituição conta com múltiplas salas de aula, laboratórios  
semi-equipados e espaços destinados à prática pedagógica. O ISP-Moxico oferece oito  
cursos nas áreas de Ciências da Educação, Ciências da Saúde e Ciências Técnicas e  
Engenharias. Sua missão é promover formação académica e profissional de alto nível,  
alinhada às necessidades sociais e ao desenvolvimento científico (DP n.º 299/21, 2021).  
2.2 Reptos para o cumprimento dos objectivos gerais do subsistema do ensino  
superior  
De acordo com a Lei n.º 32/20 (2020) que altera a 17/16 de Bases do Sistema de Educação  
e Ensino em Angola, os objectivos gerais do subsistema de ensino superior incluem:  
a) Preparar quadros com alto nível de formação científica, técnica, cultural e  
humana.  
b) Realizar formação em estreita ligação com a investigação científica orientada para  
a solução dos problemas locais.  
c) Preparar e assegurar reflexão crítica e participação na actividade económica.  
d) Ministrar cursos que assegurem a formação superior.  
Para o cumprimento destes objectivos gerais do subsistema de ensino superior, deve-se  
conhecer, compreender e explorar as oportunidades identificadas nos currículos dos  
cursos, tendo em conta os princípios que regem as normas curriculares para superar os  
desafios na ABP para o desenvolvimento de competências profissionais no ISP-Moxico.  
2.3 Oportunidades curriculares, princípios das normas curriculares e desafios da  
ABP no ISP-Moxico  
As oportunidades curriculares para a implementação da ABP, no contexto angolano em  
geral, estão directamente alinhadas aos princípios estabelecidos nas normas curriculares  
constantes em Decretos Presidenciais (DP), Leis ou normativos educativos vigentes; ao  
estudá-los percebe-se a flexibilidade e oportunidades nos currículos académicos e a  
possibilidade de promoção de parcerias estratégicas, para garantir a formação contínua  
de docentes, ao fazer isso as instituições não estarão apenas atendendo às exigências  
educacionais actuais, mas também estarão preparando melhor seus estudantes para os  
desafios do mercado de trabalho. Essa abordagem não só melhora o desempenho  
académico dos estudantes, mas também contribui significativamente para sua formação  
como profissionais competentes e preparados.  
Quadro 1.  
Oportunidades, princípios das normas curriculares e desafios  
Oportunidade  
Integração da ABP  
Princípio Relacionado  
Desafio  
Princípio da Integralidade da Formação: A  
Resistência à mudança  
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nas Aulas  
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ABP contribui para a articulação entre os  
objectivos formativos e o desenvolvimento  
social, preparando os estudantes para resolver  
problemas comuns em suas áreas de  
conhecimento (Art. 4.º do DP n.º 183/18,  
2018).  
por parte de alguns docentes  
que  
estão  
habituados  
tradicionais  
a
métodos  
ensino.  
de  
Princípio da Satisfação das Necessidades da  
Sociedade: Os planos curriculares devem estar  
em harmonia com as necessidades do  
mercado, garantindo que os estudantes  
Dificuldade em adaptar os  
conteúdos das unidades  
Alinhamento com as  
curriculares e os sistemas de  
avaliação de forma eficaz.  
Normas Curriculares  
adquiram  
capacidades  
investigativas  
e
competências para o trabalho (DP n.º  
183/18, 2018; Lei n.º 32/20, 2020).  
Princípio  
da  
Interdisciplinaridade:  
Os  
Falta de colaboração entre  
currículos dos cursos observam a relação entre  
diferentes unidades curriculares e áreas de  
conhecimento, promovendo uma inter- relação  
adequada entre conteúdos (Art. 4.º  
coordenações de cursos  
e
Desenvolvimento de  
competências  
Departamento para desenvolver  
projectos interdisciplinares.  
profissionais  
interdisciplinares  
do DP n.º 183/18, 2018).  
Princípio da Relação Teoria-Prática:  
O
Dificuldades na formalização  
de  
parcerias  
devido  
à
processo de ensino-aprendizagem deve  
burocracia ou falta de interesse  
das organizações externas.  
vincular teoria à prática, combinando métodos  
de organização do ensino- aprendizagem em  
aulas teóricas e práticas  
Parcerias  
co  
m Entidades Externas  
(Art. 4.º do DP n.º 183/18, 2018).  
Princípio da Aplicação de Tendências  
Pedagógicas Contemporâneas: A formação  
contínua deve incluir metodologias activas  
Falta de recursos ou tempo  
disponível para a formação  
contínua dos docentes.  
como  
a
ABP, promovendo  
a
avaliação  
Formação Contínua  
dos Docentes  
contínua e o trabalho independente (Art. 4.º  
do DP n.º 183/18, 2018).  
Princípio da Flexibilidade na Formação: Os  
planos curriculares dos cursos permitem a  
inclusão de conteúdos transversais e opções  
que utilizem tecnologias digitais para  
Limitações dos estudantes no  
acesso à tecnologi e dificuldade dos  
docentes na adopção de novas  
ferramentas digitais  
Uso de Tecnologias  
Educativas  
enriquecer  
o
processo educativo (DP n.º  
183/18, 2018; Lei n.º 32/20, 2020).  
Fonte: Elaboração própria  
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3
Metodologia da pesquisa  
Este estudo utilizou um desenho não experimental com abordagem quantitativa,  
caracterizando-se como uma pesquisa descritiva e exploratória. Essa abordagem foi  
escolhida para permitir um diagnóstico abrangente do uso actual da metodologia ABP  
entre os docentes do ISP-Moxico. Segundo Creswell (2014), uma pesquisa descritiva  
permite a colecta de dados que descrevem as características de uma população ou  
preferências, o que é essencial para identificar as percepções e práticas dos docentes em  
relação à ABP.  
3.1 População e amostra  
A população foi composta por 81 docentes do ISP-Moxico sendo a amostra constituída  
por 46. A amostragem foi realizada por conveniência durante um seminário sobre ABP,  
garantindo a participação de professores directamente envolvidos na prática pedagógica.  
De acordo com a literatura, a amostragem por conveniência é frequentemente utilizada  
em contextos educacionais para facilitar a colecta de dados quando o acesso à população  
é limitado (Fraenkel et al., 2012).  
Este estudo utilizou a amostragem não probabilística por conveniência, aplicada aos  
docentes que demonstraram disponibilidade em participar de um seminário sobre  
Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). Dos 46 docentes da instituição, dezanove  
(19) responderam ao questionário, o que reflecte as condições de acesso à população no  
momento da colecta de dados. Embora essa técnica seja prática e adequada para estudos  
exploratórios, reconhece-se que os resultados não são generalizáveis para toda a  
população. No entanto, os dados colectados oferecem contribuições importantes sobre as  
percepções e práticas dos participantes, servindo como base para futuras investigações  
mais amplas e representativas.  
3.2 Instrumento de colecta de dados  
O questionário foi estruturado para colecta de dados relacionados aos seguintes  
indicadores:  
• Demográficos: Idade, tempo de serviço e área de especialização.  
• Uso da ABP: Familiaridade e experiência com a metodologia.  
• Percepções sobre ABP: Opiniões sobre sua eficácia no desenvolvimento de  
competências.  
• Desafios e Oportunidades na Implementação: Dificuldades enfrentadas na  
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aplicação da ABP.  
O questionário foi elaborado com base em literatura relevante sobre ABP e  
desenvolvimento de competências, garantindo que as perguntas fossem claras e  
pertinentes ao contexto angolano (Dillman et al., 2014).  
3.3 Procedimentos para colecta de dados e sua análise  
1. Preparação do Questionário: O questionário foi revisado com base em revisões da  
literatura sobre ABP e desenvolvimento profissional.  
2. Distribuição: O questionário foi aplicado durante o seminário, onde os docentes  
puderam discutir a metodologia.  
3. Colecta: As respostas foram recolhidas de forma anónima ao final do evento para  
garantir a confidencialidade dos participantes, conforme recomendado por Fowler  
(2014).  
Os dados foram analisados utilizando técnicas estatísticas descritivas e inferenciais:  
• Análise Quantitativa: Utilizou-se o aplicativo SPSS Statistic 20 para calcular as  
medidas de tendências central, dispersões e correlações.  
• Análise Qualitativa: Uma análise de conteúdo das respostas abertas foi realizada  
para identificar temas recorrentes e percepções dos docentes sobre a ABP,  
seguindo as directrizes propostas por Braun e Clarke (2006).  
3.4 Metodologia utilizada  
Durante o seminário, a implementação da ABP foi organizada em etapas sistemáticas,  
permitindo que os professores experimentassem o método em um ambiente controlado:  
1. Identificação do Problema: Apresentou-se um problema real aos participantes.  
2. Formação de Grupos: Criaram-se grupos com funções definidas.  
3. Tempestade de Ideias (Brainstorming): Realizaram-se sessões para explorar  
soluções.  
4. Planeamento da Investigação: Os grupos elaboraram planos.  
5. Execução da Pesquisa: Colecta prática de dados.  
6. Apresentação das Soluções: Discussão das soluções propostas.  
7. Reflexão sobre o Aprendizado: Análise crítica das actividades realizadas.  
4
Resultados  
Durante o seminário, ao observar as etapas de aplicação do método de Aprendizagem  
Baseada em Problemas (ABP), foi apresentado um problema real em forma de pergunta  
reflexiva: “Quais são os desafios e/ou dificuldades enfrentados pelos professores na  
aplicação do método ABP ou de outros métodos similares ao orientarem trabalhos  
autónomos em grupo?”.  
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A partir dessa questão, os participantes foram organizados em três grupos, com o  
objectivo de explorar suas compreensões básicas sobre o tema. Inicialmente, foi realizada  
uma dinâmica de tempestade de ideias, na qual os participantes, de forma voluntária,  
compartilharam diferentes perspectivas. Em seguida, foi dado um período para que cada  
grupo pudesse planificar suas actividades e, em cerca de 10 minutos, elaborar uma lista  
dos principais desafios e dificuldades identificados.  
Para garantir a qualidade das apresentações e promover a aprendizagem colaborativa,  
todos os grupos foram incentivados a concluir suas listas antes do início das exposições,  
assegurando que todos os participantes prestassem atenção aos resultados apresentados  
pelos colegas.  
Entre os principais desafios e dificuldades levantados pelos grupos, destacaram-se os  
seguintes pontos, com algumas coincidências entre os grupos:  
1. Resistência de professores e estudantes aos métodos activos, com preferência  
pelos métodos tradicionais reprodutivos.  
2. Dificuldades na elaboração de problemas reais relacionados à disciplina,  
adequados para a abordagem ABP.  
3. Limitações na orientação metodológica para a fase de pesquisa, dificultando o  
desenvolvimento dos trabalhos.  
4. Interpretação inadequada dos problemas, levando os estudantes a buscarem  
conteúdos não relacionados ao tema.  
5. Dificuldades na definição de fontes confiáveis de dados teóricos.  
6. Falta de disponibilidade e interesse dos estudantes trabalhadores, para executar os  
trabalhos propostos.  
7. Uso predominante de bibliografias desactualizadas, comprometendo a qualidade  
dos resultados.  
8. Incidência elevada de plágios nos trabalhos.  
9. Dificuldades no uso de métodos de investigação científica.  
10. Falta de acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), limitando  
a elaboração dos trabalhos.  
11. Problemas na formação de grupos para os trabalhos de pesquisa, frequentemente,  
gerando desentendimentos.  
12. Adaptação insuficiente dos estudantes ao rigor científico exigido pelo método  
ABP.  
13. Tempo inadequado para a aplicação completa do método ABP.  
14. Capacitação insuficiente dos professores para utilizar o método ABP de forma  
eficaz.  
Diante das dificuldades identificadas, percebeu-se a necessidade de esclarecer algumas  
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concepções equivocadas sobre o método, que poderiam estar na base de sua baixa  
aplicação ou até mesmo rejeição no processo de ensino e aprendizagem. Foram feitos os  
seguintes apontamentos:  
Tempo necessário para o método ABP: Cada problema ou questão de pesquisa exige um  
tempo específico para ser resolvido, variando de acordo a sua complexidade e o contexto.  
O professor deve, portanto, ajustar o tempo disponível de forma adequada. Alguns  
problemas podem ser resolvidos em duas ou três horas de aula, enquanto outros podem  
demandar semanas ou até meses. Contudo, é importante evitar comparações com  
projectos de maior escala, como os Trabalhos de Fim de Curso (TFC).  
Métodos de pesquisa científica: A aplicação do método ABP não exige, necessariamente,  
o uso rigoroso de metodologias científicas. Dependendo do ano de formação e dos  
conteúdos já trabalhados com os estudantes, o professor pode decidir pela simplificação  
do método, priorizando o desenvolvimento de competências básicas. Como exemplo, no  
seminário, a aplicação da ABP foi conduzida de forma prática e eficiente, sem  
necessidade de longo tempo ou aplicação aprofundada de métodos científicos, já que o  
objectivo não era a realização de uma pesquisa científica formal, mas sim a vivência de  
uma metodologia activa de aprendizagem.  
O estudo realizado por Paulino et al. (2023) mostra a aplicação da ABP na aula, sem  
necessidade de tanto tempo ou o uso de metodologia de investigação cientifica, ao  
desenvolver o método partir de um problema sobre a velocidade de decolagem de um  
avião, os participantes tiveram debates potencializadores de aprendizagem, em que  
apresentaram diversas indagações que foram abordadas pelo professor e ao solicitar a  
resolução do problema para encontrar a velocidade, os discentes usaram as equações e  
destacaram a ABP como metodologia que permitiu as discussões ao longo das aulas.  
Esses esclarecimentos buscaram demonstrar que o método ABP é flexível e pode ser  
adaptado a diferentes contextos educacionais, sempre respeitando os objectivos de ensino  
e aprendizagem. A superação das dificuldades identificadas requer, além disso, um  
compromisso com a formação contínua de professores e o incentivo à cultura de métodos  
activos no ambiente educacional.  
Após o seminário, deu-se tratamento aos dados colectados com recurso ao inquérito por  
questionário como se apresenta a seguir:  
De acordo com a tabela nº 1 a idade média dos docentes é de 40,6 anos, com uma  
dispersão significativa (DP = 8,3), enquanto o tempo médio de serviço é de 9,2 anos. Os  
docentes de Ciências da Educação têm uma maior média de tempo de serviço (12,5 anos)  
o que sugere maiores experiências entre os Departamentos de ensinos e Investigação. A  
área de Ciências Técnicas/Engenharia apresenta os docentes mais jovens e com menor  
tempo de serviço médio.  
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Tabela 1.  
Perfil dos Docentes que responderam ao questionário  
Faixa Etária  
Tempo de Serviço  
Total de  
Área de actuação  
(Média ± DP)  
42,5 ± 7,2  
44,3 ± 10,2  
33,7 ± 4,1  
40,6 ± 8,3  
(Média ± DP)  
12,5 ± 4,8  
8,0 ± 2,6  
Docentes  
Ciências da Educação  
Ciências da Saúde  
8
5
Ciências Técnicas/Engenharia  
3,0 ± 3,1  
4
Total Geral  
9,2 ± 4,7  
17  
Fonte: Elaboração própria  
Com base na tabela nº 2 a totalidade dos docentes conhece o método ABP, e a maioria  
(93%) já o utilizou, embora apenas 57% o utilize com frequência. A dispersão nos dados  
de frequência de uso (DP = 10,2) sugere variações importantes nos hábitos de aplicação.  
Quanto à formação, ela é insuficiente para muitos, sendo predominantemente breve  
(menos de 1 dia).  
Tabela 2.  
Uso e experiência com ABP  
% Média ± Desvio  
Padrão (DP)  
100,0 ± 0,0  
93,0 ± 5,3  
Questão  
Frequência  
Já ouviu falar sobre a ABP?  
Sim  
Sim  
Já utilizou ABP em suas aulas?  
Frequentemente  
Ocasionalmente  
Sempre  
57,0 ± 10,2  
36,0 ± 8,4  
Frequência de uso  
7,0 ± 2,8  
Formação sobre ABP  
Sim  
86,0 ± 7,6  
Menos de 1 dia  
Mais de 3 dias  
50,0 ± 12,5  
43,0 ± 10,8  
Duração da formação  
Fonte: Elaboração própria  
Os resultados da tabela nº 3 mostram que 71% dos docentes consideram o método eficaz,  
enquanto 21% o avaliam como muito eficaz. A variabilidade nos dados (DP = 11,4)  
demonstra diferenças na percepção individual, mas nenhum docente o acha pouco eficaz.  
Tabela 3  
Eficácia percebida da ABP  
Eficácia Percebida  
Frequência  
% Média ± Desvio Padrão (DP)  
Muito eficaz  
Eficaz  
3
10  
1
21,0 ± 8,2  
71,0 ± 11,4  
7,0 ± 3,5  
Neutro  
Pouco eficaz  
0
0,0 ± 0,0  
Fonte: Elaboração própria  
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Segundo a tabela nº 4 o pensamento crítico e a resolução de problemas são as  
competências mais destacadas, ambas com alta frequência e pouca variabilidade (DP <  
10%). A comunicação e a integração interdisciplinar são desenvolvidas em menor grau.  
Tabela 4  
Principais competências desenvolvidas pela ABP  
Competência Desenvolvida  
Frequência  
% Média ± Desvio  
Padrão (DP)  
86,0 ± 8,7  
Pensamento crítico  
12  
11  
10  
7
Resolução de problemas  
Trabalho em equipa  
79,0 ± 7,9  
71,0 ± 10,6  
50,0 ± 10,2  
43,0 ± 8,4  
Comunicação  
Desenvolvimento de habilidades práticas  
6
Integração  
de  
conhecimentos  
7
50,0 ± 9,3  
interdisciplinares  
Fonte: Elaboração própria  
Conforme mostra a tabela nº 5 os desafios mais frequentes estão relacionados à falta de  
recursos materiais (64%) e à resistência dos estudantes e docentes (50%). As variações  
nos dados indicam experiências heterogéneas entre os docentes.  
Tabela 5.  
Principais desafios enfrentados  
Desafio Encontrado  
Frequência  
% Média ± Desvio  
Padrão (DP)  
Falta de recursos materiais tecnológicos e  
bibliográficos  
9
64,0 ± 11,7  
Resistência dos estudantes e docentes  
Tempo insuficiente para planeamento  
7
6
5
50,0 ± 9,6  
43,0 ± 10,3  
36,0 ± 8,4  
Falta de formação específica  
Fonte: Elaboração própria  
Segundo a tabela nº 6 a melhoria na aprendizagem activa é a oportunidade mais  
reconhecida (86%), com baixa dispersão nos dados (DP = 8,7). O desenvolvimento de  
habilidades práticas e a integração interdisciplinar também se destaca como potencial da  
ABP com uma média de 64%.  
Tabela 6.  
Oportunidades percebidas na implementação da ABP  
Oportunidade Identificada  
Frequência  
% Média ± Desvio  
Padrão (DP)  
86,0 ± 8,7  
Melhoria na aprendizagem activa  
12  
9
Desenvolvimento de habilidades práticas  
64,0 ± 10,4  
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9
8
64,0 ± 9,7  
Integração  
de  
conhecimentos  
interdisciplinares  
Aumento do engajamento dos estudantes  
57,0 ± 10,8  
Fonte: Elaboração própria  
De acordo com a tabela nº 7 a formação contínua dos docentes é a principal sugestão  
(79%), destacando-se pela menor variabilidade nos dados. Outras propostas, como  
adequação curricular e disponibilização de recursos, apresentam dispersões moderadas,  
reflectindo diferenças nas prioridades dos docentes.  
Tabela 7  
Sugestões para melhorar a implementação da ABP  
Sugestão  
Frequência  
% Média ± Desvio  
Padrão (DP)  
79,0 ± 9,8  
Capacitação contínua dos docentes  
11  
7
Adequação do currículo aos desafios locais  
Disponibilização de recursos materiais adequados  
50,0 ± 10,4  
43,0 ± 9,2  
6
Maior  
envolvimento  
dos  
departamentos  
5
36,0 ± 8,1  
académicos  
Fonte: Elaboração própria  
5
Discussão de resultados  
A análise dos dados empíricos obtidos, em confronto com a literatura académica e as  
discussões promovidas no seminário, permitiu identificar elementos estruturantes para a  
compreensão dos desafios e potencialidades na implementação da Aprendizagem  
Baseada em Problemas (ABP) no Instituto Superior Politécnico do Moxico (ISP-  
Moxico). Esta discussão segue três eixos principais: desafios operacionais, benefícios  
percebidos e recomendações baseadas na integração curricular e nas condições locais.  
1. Desafios Operacionais: confronto entre a realidade institucional e a demanda da ABP  
Apesar da participação reduzida dos docentes, 36% deles, com um desvio padrão de 8,4%,  
reconhecem que a falta de formação específica e a resistência dos estudantes e docentes  
(50%) constituem entraves para a implementação da ABP. Domingues e Júnior (2023) ao  
identificarem as mesmas dificuldades sobre a necessidade de capacitação dos professores  
e a resistência à mudança concluíram que “para superar esses desafios, é fundamental  
investir em formação de professores, disponibilizar materiais didácticos contextualizados  
e promover uma cultura de inovação e experimentação no ensino de Estatística” (p. 70).  
Durante o seminário, constatou-se que a ausência de formações sistemáticas reduz a  
confiança dos professores na transição de uma pedagogia transmissiva para uma  
abordagem centrada no estudante. Barboza et al. (2024) afirmam que um dos principais  
obstáculos na implementação da ABP, até a nível institucional, é a resistência cultural e  
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metodológica dos docentes que, muitas vezes, é alimentada pela insegurança em relação  
à eficácia do método associado às limitações estruturais e de recursos e ao medo de perder  
o controlo tradicional da sala de aula.  
Mas também, deve-se criar condições a nível institucional para o sucesso da  
implementação do método, pois “a falta de infra-estrutura adequada, como salas de aula  
equipadas e acesso à materiais didácticos específicos, pode dificultar a aplicação efectiva  
da ABP em instituições de ensino públicas” (Klein, 2013, p. 290, citado por Barboza et  
al., 2024, pp. 7-8).  
Entre as dificuldades dos docentes no uso da ABP, no seminário registou-se o relato das  
dificuldades em formular problemas relevantes. Essa lacuna reforça os argumentos de  
Hung et al. (2008) que destacam a necessidade de construir problemas que equilibrem  
complexidade e relevância, promovendo desafios que estimulem o pensamento crítico.  
Adicionalmente, a carência de recursos tecnológicos e bibliográficos, mencionada por  
64% dos docentes na tabela nº 4, reflecte limitações estruturais que dificultam a adopção  
de metodologias activas. Segundo Dole et al. (2016), a infra-estrutura adequada é  
fundamental para que a ABP funcione como um elemento catalisador de inovações  
pedagógicas.  
2. Benefícios percebidos: potencial transformador da ABP  
Embora os desafios sejam significativos, os dados indicam um forte reconhecimento do  
potencial transformador da ABP. Na tabela nº 5, 64% dos docentes acreditam que a  
metodologia promove habilidades transversais, como o pensamento crítico e a resolução  
de problemas. Essa percepção está alinhada à literatura académica, como enfatizado por  
Barrows (1996), que considera a ABP uma estratégia essencial para preparar estudantes  
para cenários complexos e imprevisíveis, e com Rosa et al. (2021) quando declaram que  
esse método apresenta diversas vantagens evidenciadas em estudos diversos sobre várias  
áreas cujos resultados apontam o seu potencial para desenvolvimento de competências  
específicas nos estudantes, e com as constatações de Dávila et al. (2025) sobre a ABP ser  
um método efectivo para o desenvolvimento do sistema de habilidades e valores.  
Os depoimentos colectados durante o seminário corroboram essa visão, evidenciando que  
o engajamento dos estudantes aumenta significativamente quando a aprendizagem é  
contextualizada em problemas reais. Herold (2019) reforça que a ABP não apenas  
estimula a aprendizagem activa, mas também promove a colaboração entre pares, criando  
uma dinâmica de aprendizagem que vai além da sala de aula.  
3. Integração curricular e condições locais  
O alinhamento entre a ABP e os princípios curriculares do ISP-Moxico foi destacado por  
86% dos docentes, ao reconhecerem que ela melhora a aprendizagem activa, e por 64%  
dos docentes (tabela nº 6) que reconhecem a compatibilidade da metodologia com a  
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interdisciplinaridade e a integração teoria-prática. Com base em Oliveira et al. (2020) a  
ABP tem sido cada vez mais implementada em diversas unidades curriculares e em  
diversos subsistemas de educação e ensino. Fernandes e Rodrigues (2021) sugerem que a  
ABP é particularmente eficaz em ambientes educacionais que promovem a articulação  
entre diferentes áreas do saber, permitindo uma abordagem holística dos problemas.  
No entanto, a capacitação contínua dos docentes recomendada por 79% deles e o maior  
envolvimento dos departamentos académicos (36%), segundo a tabela nº 7 identificam-  
se como obstáculos significativos.  
6
Conclusões  
A implementação da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), no ISP-Moxico,  
apresenta-se como uma oportunidade estratégica para transformar o processo educativo,  
promovendo uma abordagem mais homologada à exigência do mercado de trabalho  
contemporâneo e às demandas sociais por competências transversais. Contudo, sua  
eficácia requer a superação de desafios críticos identificados no estudo, incluindo a  
resistência cultural a métodos activos, a capacitação insuficiente dos docentes, e as  
limitações de infra-estrutura e recursos pedagógicos.  
A análise comparativa entre os dados empíricos e os fundamentos teóricos confirmaram  
que a ABP é uma metodologia com elevado potencial transformador, capaz de promover  
o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, resolução de problemas,  
trabalho em equipa e autonomia. No entanto, o seu sucesso depende de estratégias, tais  
como:  
1. Capacitação contínua dos docentes para fornecer o domínio teórico e prático da  
metodologia;  
2. Modernização da infra-estrutura, com foco na disponibilização de tecnologias  
educacionais e acesso às fontes bibliográficas actualizadas;  
3. Revisão cultural e curricular para promover um ambiente mais receptivo à  
inovação pedagógica e facilitar a integração da ABP no currículo.  
Além disso, os docentes podem aproveitar a flexibilidade na implementação dos  
currículos a nível das competências docentes, para alinhar a implementação da ABP aos  
princípios normativos do ensino superior angolano, como interdisciplinaridade e relação  
teoria-prática, essenciais para garantir a sua eficácia. Essas iniciativas reforçam a  
potencialidade da ABP não apenas como ferramenta pedagógica, mas também como um  
cenário para elevar o desempenho académico e preparar os estudantes para enfrentar os  
desafios de um mercado de trabalho dinâmico e globalizado.  
Por fim, a transformação do ensino no ISP-Moxico por meio da ABP requer um  
compromisso colectivo entre docentes, gestores e estudantes, enfatizando a formação  
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contínua, a pesquisa educacional e a cultura de inovação. Este caminho, embora  
desafiador, é promissor para construir uma educação mais relevante, inclusiva e  
conectada às demandas do século XXI.  
7
Recomendações  
Os resultados obtidos sugerem a necessidade de uma abordagem multifacetada, para  
superar os desafios da implementação da ABP no ISP-Moxico. Recomenda-se:  
1. Investir na capacitação contínua: Programar formações voltadas à elaboração e  
condução de actividades baseadas em problemas visando o aumento da confiança  
dos docentes e o melhoramento da qualidade da prática docente.  
2. Melhorar a infra-estrutura: Acesso aos recursos tecnológicos, bibliográficos  
actualizados e ambientes de aprendizagem colaborativos devem ser priorizados,  
para viabilizar a implementação efectiva da ABP.  
3. Fomentar a colaboração interdepartamental: A criação de grupos de trabalho  
interdisciplinares pode facilitar a integração curricular e promover a troca de  
experiências entre os docentes.  
4. Apoio político-institucional: É fundamental que a liderança do ISP-Moxico crie  
infra-estrutura adequada e adopte medidas que incentivem à inovação pedagógica,  
oferecendo incentivos e reconhecimentos para os docentes que lideram iniciativas  
na área.  
A discussão dos resultados evidencia que, apesar das limitações estruturais e formativas,  
o ISP-Moxico apresenta condições potenciais para a implementação da ABP como  
metodologia de ensino. O desafio está em converter o reconhecimento de seu potencial  
em acções concretas que transformem a prática docente, promovendo um ambiente de  
aprendizagem mais dinâmico, inclusivo e orientado à formação de competências  
profissionais essenciais para o século XXI.  
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