Revista Científica Visão XXI  
ARTIGO CIENTÍFICO  
Dados do Artigo  
O ensino da história como instrumento para a construção da  
cidadania  
The teaching of history as an instrument for the construction of citizenship  
11/Setembro/2024  
18/Março//2025  
La enseñanza de la historia como instrumento de construcción de ciudadanía.  
Catimba Matias Anacleto 1  
1 Departamento de Música, Universidade de Luanda, Luanda, Angola  
Resumo  
O presente trabalho visa analisar o papel da educação histórica como promotora da  
cidadania, discutir a importância do ensino da história local na construção da identidade  
cultural e da cidadania e contribuir para o debate metodológico no ensino de História. A  
metodologia adoptada é qualitativa, fundamentada na revisão bibliográfica e na análise  
documental. Os resultados obtidos revelaram que o ensino de História local é visto como  
essencial para a construção da identidade cultural e da cidadania. Ao conhecer a própria  
história, os alunos desenvolvem uma consciência crítica sobre o mundo em que vivem e  
se percebem como agentes activos na construção da sociedade. A valorização do  
conhecimento histórico local contribui para a formação de uma cidadania mais  
participativa e engajada. Conclui-se que no contexto actual, a escola tem a  
responsabilidade de formar cidadãos críticos e conscientes, promovendo uma educação  
que vá além da memorização de factos históricos. Ela deve proporcionar um ensino que  
relacione os conteúdos escolares com as questões sociais e contemporâneas, para enfrentar  
os desafios da cidadania numa sociedade em constante transformação.  
Palavras-chave: Ensino de História, Cidadania e Identidade Cultural.  
Abstract  
The theme in question addresses the relationship between the teaching of History and the  
formation of critical citizenship, reflecting on the pedagogical practice and the role of the  
school in this process. Historically, the teaching of History has been used to promote civic  
and patriotic citizenship. However, in recent decades, a critical approach has emerged  
aimed at forming autonomous and socially engaged citizens who are able to actively  
participate in society and make informed decisions. History, as a discipline, has the  
potential to stimulate the collective sense and struggle for citizenship, transforming  
teachers and students into historical subjects who act to change society. In our view, the  
teaching of local history is seen as essential for the construction of cultural identity and  
citizenship. By knowing their own history, students develop a critical awareness of the  
world in which they live and perceive themselves as active agents in the construction of  
society. The appreciation of local historical knowledge contributes to the formation of a  
more participatory and engaged citizenship. In the current context, the school has the  
responsibility to form critical and conscious citizens, promoting an education that goes  
beyond the memorization of historical facts. It must provide teaching that relates school  
content to social and contemporary issues, to face the challenges of citizenship in a society  
in constant transformation.  
Keywords: History Teaching; Critical, Cultural Identity  
Resumen  
El tema en cuestión aborda la relación entre la enseñanza de la Historia y la formación de  
una ciudadanía crítica, reflexionando sobre la práctica pedagógica y el papel de la escuela  
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en este proceso. Históricamente, la enseñanza de la Historia se ha utilizado para promover  
la ciudadanía cívica y patriótica. Sin embargo, en las últimas décadas ha surgido un  
enfoque crítico orientado a formar ciudadanos autónomos y socialmente comprometidos,  
capaces de participar activamente en la sociedad y tomar decisiones informadas. La  
historia, como disciplina, tiene el potencial de estimular el sentido colectivo y la lucha por  
la ciudadanía, transformando a docentes y estudiantes en sujetos históricos que actúan  
para cambiar la sociedad. Desde nuestro punto de vista, la enseñanza de la historia local  
es considerada esencial para la construcción de la identidad cultural y la ciudadanía. Al  
conocer su propia historia, los estudiantes desarrollan una conciencia crítica del mundo en  
el que viven y se perciben a sí mismos como agentes activos en la construcción de la  
sociedad. La valoración del conocimiento histórico local contribuye a la formación de una  
ciudadanía más participativa y comprometida. En el contexto actual, la escuela tiene la  
responsabilidad de formar ciudadanos críticos y conscientes, promoviendo una educación  
que vaya más allá de la memorización de hechos históricos. Debe proporcionar una  
enseñanza que relacione los contenidos escolares con las problemáticas sociales y  
contemporáneas, para enfrentar los desafíos de la ciudadanía en una sociedad en constante  
transformación.  
Palabras clave: Enseñanza de la historia, Ciudadanía, Identidade Cultural.  
1
Introdução  
No cenário actual, a reflexão sobre a prática pedagógica no ensino de História nos leva à  
necessidade de uma análise crítica da realidade, fundamentada em um aprofundamento  
teórico. A relação entre o ensino de História e a cidadania é histórica e complexa.  
A escola desempenha um papel essencial, na formação cidadã, sendo espaço onde os  
alunos desempenham as competências necessárias para a participação activa na  
sociedade. Em nosso contexto, marcado por desigualdades sociais, políticas e  
económicas, é fundamental que a escola actue como agente de transformação e justiça  
social. Para isso deve assumir o compromisso de promover uma educação histórica critica  
e contextualizada.  
Durante muito tempo, prevaleceu uma abordagem cívica, centrada na formação de  
patriotas e cidadãos de uma nação. No entanto, nas últimas décadas, novos enfoques vêm  
sendo discutidos, defendendo um ensino mais crítico, voltado para a formação de uma  
cidadania autónoma, capaz de preparar os jovens para participar activamente da sociedade  
e tomar decisões livres sobre seu futuro e o do mundo.  
Diante dessas reflexões iniciais, surgem alguns questionamentos fundamentais:  
• De que forma o ensino da história pode se constituir em instrumento para a  
construção da cidadania?  
• Como garantir que o indivíduo se torne um sujeito histórico activo na construção  
da cidadania?  
A História pode ser compreendida como o resultado das relações humanas nas suas lutas  
pela sobrevivência ao longo do tempo e do espaço. Essas relações, muitas vezes marcadas  
por conflitos, privilegiam determinados grupos enquanto marginalizam outros. Nesse  
contexto, o conhecimento histórico deve incentivar tanto professores quanto estudantes a  
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tornarem-se sujeitos históricos, capazes de agir e transformar a sociedade. Essa  
transformação ocorre através de acções colectivas, que emergem a partir de debates no  
seio da comunidade em que estão inseridos. Essa prática pode ser entendida como uma  
construção efectiva da cidadania, pois se baseia em condições humanas concretas e leva  
os indivíduos a superar a exclusão e actuar nos diversos espaços sociais.  
Concordamos com Pagès (2011) ao afirmar que a aprendizagem da História pode ser uma  
ferramenta poderosa para controlar não apenas o tempo, mas, principalmente, o futuro.  
Nesse sentido, a História pode servir como uma arma para a liberdade, promovendo a  
formação de uma cidadania livre e solidária. Tendo em vista esses aspectos, este trabalho  
organiza-se em torno dos seguintes objectivos:  
• Analisar o papel da educação histórica como promotora da cidadania;  
• Discutir a importância do ensino da história local na construção da identidade  
cultural e da cidadania;  
• Contribuir para o debate metodológico no ensino de História.  
2
Revisão da Literatura  
Ao explorar as contribuições de Pagès (2011) sobre a educação para a cidadania, percebe-  
se a importância de destacar que o ensino de história vai além da transmissão de  
informações. Ele deve engajar os alunos em uma reflexão crítica sobre a sociedade actual  
e seu papel dentro dela. Com base nessa visão, vê-se o ensino de história como uma  
oportunidade de questionar narrativas dominantes, ajudando os estudantes a  
reconhecerem as complexidades da cidadania e a se posicionarem de maneira activa e  
crítica na sociedade.  
Uma reflexão e um engajamento comunitário e social sugere a prática da cidadania, para  
isto a história pode contribuir, pois é uma “disciplina fundamentalmente educativa,  
formativa, emancipadora e libertadora (...) da consciência histórica dos homens,  
possibilitando a construção de identidades, a elucidação do vivido, a intervenção social e  
práxis individual e colectivo1.  
Achamos que a História não é apenas um encadeamento de datas, um agregado de factos,  
uma cronologia, mais do que isso, ela é o resultado da relação dos homens com os outros  
homens, mediados pelas relações com a natureza e por um determinado modo de  
produção.  
Contudo, ao analisarmos o ensino de história é possível constatar que por muito tempo a  
disciplina contribuiu para a ideia de que cidadão com valores e direitos eram somente os  
heróis. Essa característica restringiu muito a participação da população, pois a maioria  
1
FONSECA, Selva Guimarães. Didáctica e prática de ensino de história, p. 89.  
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estava excluída de todo o processo de construção social, legitimando assim “a concepção  
liberal de cidadania abstracta dominante na elite. Portanto, a cidadania possui um carácter  
humano e construtivo, em condições concretas de existência, que leva o sujeito a superar  
a exclusão e actuar nos diversos espaços de vivência.  
Em linha com as ideias de Freire (1996, p. 39), acreditamos que o ensino de história deve  
ser um processo dialógico, onde o professor actua como mediador do conhecimento,  
permitindo que os alunos desenvolvam suas próprias perspectivas sobre o mundo ao seu  
redor. Ao seguir essa abordagem, defendemos que o ensino de história pode promover  
uma compreensão mais profunda das responsabilidades sociais e dos direitos dos  
indivíduos, ao mesmo tempo, em que prepara os estudantes para a participação  
democrática. Incorporando esta abordagem crítica, vê-se o ensino de história como uma  
ferramenta de transformação social. Argumento que, sem o estímulo ao pensamento  
crítico e à participação activa, o ensino da história corre o risco de perpetuar  
desigualdades e de formar cidadãos passivos, sem senso de agência  
2.1 Ensino de História com Enfoque Crítico e Transformador  
O ensino da história tem sido tradicionalmente compreendido como uma ferramenta  
crucial para a formação de cidadãos informados e críticos. Nesse sentido, a história,  
enquanto disciplina escolar, não se restringe apenas à transmissão de factos passados, mas  
desempenha um papel central na formação de identidades e na promoção de uma  
consciência cidadã. Para compreender como o ensino da história pode actuar como um  
instrumento de construção da cidadania, assim como o papel social da história no  
currículo escolar. Este argumento, é rebatido por Gomes (2020, p. 33), quando afirma,  
que “a história, pode e deve ser uma ferramenta para a educação da cidadania, ajudando  
os alunos a compreenderem os desafios da democracia e da participação cívica”  
A cidadania pode ser definida como a condição que permite aos indivíduos o exercício  
pleno de seus direitos e deveres na sociedade. Segundo Marshall (1950), a cidadania  
envolve três dimensões principais: direitos civis, políticos e sociais. Esses direitos são  
adquiridos e consolidados através de processos educativos que capacitam os indivíduos a  
se tornarem cidadãos críticos e participativos.  
No contexto educacional, Gomes (2007) argumenta que “o ensino da cidadania implica  
não apenas a transmissão de normas e valores, mas a promoção de uma educação que  
estimule a reflexão crítica sobre as estruturas sociais e as relações de poder”. Isso significa  
que a formação de cidadãos não pode se limitar à memorização de leis e constituições,  
mas deve incluir o desenvolvimento de habilidades que permitam o engajamento activo  
e consciente na vida pública.  
O ensino tradicional de História, centrado na memorização de datas e factos, deve ser  
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superado por abordagens que promovam o pensamento crítico, a análise de múltiplos  
pontos de vista e o desenvolvimento da consciência histórica. A história deve ser  
entendida como um campo dinâmico e interpretativo, no qual os alunos possam reflectir  
sobre as continuidades e rupturas do passado, compreendendo seu papel na sociedade.  
A história, neste sentido, não deve ser ensinada sob a ilusão de neutralidade absoluta, uma  
vez que toda narrativa histórica carrega escolhas interpretativas. No entanto, é  
fundamental que esse processo de ensino se baseie em evidências rigorosas, respeite os  
factos e promova o pensamento crítico. O objectivo não é deturpar os acontecimentos,  
mas oferecer aos alunos ferramentas para compreender diferentes perspectivas e construir  
suas próprias análises com base no diálogo entre fontes e contextos. Como destacam  
Schmidt e Garcia (2010, p. 63), “a neutralidade no ensino da História é uma ficção;  
ensinar com responsabilidade é reconhecer as disputas de memória e os conflitos de  
interpretação, sem abandonar o rigor metodológico e a ética profissional.”  
No contexto da educação para a cidadania, é essencial que o ensino da história aborde  
temas como direitos humanos, igualdade, democracia e participação cívica. Segundo  
Silva (2011), a educação histórica deve ser inclusiva e plural, permitindo que os  
estudantes se reconheçam nas narrativas contadas e que compreendam a diversidade de  
experiências que compõem a história nacional e global. Através da história, os alunos  
podem desenvolver um senso de pertença à comunidade e uma compreensão dos desafios  
sociais que ainda precisam ser enfrentados.  
O ensino da história é um campo privilegiado para o desenvolvimento do pensamento  
crítico e reflexivo. Através da análise de fontes históricas, interpretação de eventos  
passados e debates sobre o significado desses eventos, os alunos são incentivados a  
questionar verdades estabelecidas e a pensar de forma independente. Para Rüsen (1992),  
a consciência histórica é um elemento fundamental na formação do pensamento crítico,  
ao permitir que os indivíduos reflictam sobre as relações entre passado, presente e futuro.  
Portanto, o ensino da história, quando orientado por uma abordagem crítica e inclusiva,  
pode desempenhar um papel transformador na construção da cidadania. Ele não somente  
transmite conhecimentos sobre o passado, mas também prepara os estudantes para  
participarem activamente na vida democrática, reflectindo sobre os desafios  
contemporâneos e actuando como agentes de mudança em suas comunidades.  
3
Metodologia e Dados  
Nesta pesquisa, a abordagem metodológica adoptada é qualitativa, fundamentada na  
revisão bibliográfica e na análise documental. Como considera Gil (2008), a pesquisa  
bibliográfica é essencial para mapear o estado da arte sobre o ensino da história e a  
construção da cidadania. Essa estratégia também permitiu a análise de abordagens  
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educacionais que já foram implementadas em diferentes contextos, trazendo  
contribuições práticas para a pesquisa.  
Por outro lado, a análise documental oferece a oportunidade de sugerir ajustes no  
currículo de história, promovendo uma maior ênfase na cidadania activa e participativa.  
Propõe que as escolas adoptem uma abordagem mais interdisciplinar, conectando a  
história com temas actuais, como direitos humanos, meio-ambiente e igualdade social,  
para tornar o ensino mais relevante e engajador para os alunos.  
Na sequência, Lakatos e Marconi (2003, p. 83) consideram que a revisão bibliográfica é  
particularmente relevante para este estudo. Na medida em que o tema envolve a formação  
de cidadãos conscientes, é necessário abordar uma diversidade de autores e perspectivas.  
A combinação de diferentes contribuições permite uma visão plural e crítica sobre como  
o ensino de história pode ser utilizado como um mecanismo eficaz para a construção da  
cidadania.  
4
Resultados  
A utilização da análise documental, conforme sugerido por Bardin (2011, p. 95), é um  
aspecto crucial desta pesquisa. A análise de documentos curriculares e materiais  
didácticos de história não só oferece insights sobre como a cidadania está sendo abordada  
na prática, mas também permite identificar possíveis deficiências ou viés na maneira  
como esses conceitos são apresentados aos alunos. Ao adoptar essa técnica, é possível  
propor melhorias no currículo e nos métodos de ensino, visando uma educação mais  
inclusiva e voltada para a cidadania crítica.  
Na sequência, os resultados do presente estudo originaram-se das leituras aos seguintes  
autores: Schmid e Garcia (2010); Hobsbawm (1990); Matias (2022); Chicata (2017);  
Gadotti (2000); Afonso, (2023); Cupata e Costa (2022) e Kambol, (2022).  
A argumentação de Schmidt e García (2010, p. 59), segundo a qual o ensino de história  
deve promover a cidadania activa, defende que a sala de aula é um espaço de  
transformação social. A educação histórica precisa empoderar os alunos para que eles  
compreendam seu papel na sociedade e possam agir de maneira informada e responsável.  
Esse objectivo justifica a escolha metodológica de analisar como os materiais didácticos  
e currículos abordam a cidadania, fornecendo subsídios para o desenvolvimento de uma  
pedagogia mais crítica e reflexiva.  
A história tem o poder de moldar a identidade colectiva de uma nação. Ao ensinar sobre  
o trajecto do país, da sua cultura e dos movimentos sociais que o transformaram, o  
professor não está apenas transmitindo conhecimento factual, mas também contribuindo  
para a formação da identidade cívica dos alunos, desse modo, Hobsbawm (1990) destaca  
que “a história é uma narrativa que legitima identidades, sendo utilizada por grupos e  
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nações para fortalecer um sentimento de pertença e coesão social”.  
Além disso, o ensino crítico da história promove a autonomia dos estudantes ao encorajá-  
los a investigar o passado por si e a desenvolver suas próprias interpretações baseadas em  
evidências. Que na visão de Matias (2022, p.41), “a disciplina de história tem  
responsabilidade de formar consciências críticas, capazes de analisar os acontecimentos  
do passado e agir eticamente no presente” Este processo ajuda a formar cidadãos capazes  
de analisar criticamente as narrativas políticas, sociais e culturais que são apresentadas a  
eles, tornando-os mais resilientes frente à manipulação ideológica e à desinformação.  
Chicata (2017) afirma que estudar questões locais é fundamental para os alunos  
compreenderem melhor as relações existentes entre sua região e o restante do planeta,  
pois esta compreensão os ajuda a analisar historicamente os acontecimentos, lhes  
proporciona uma visão crítica sobre os factos de suas vidas, contribuindo para uma  
mudança de atitude com relação à própria vida.  
Em Angola, os programas e livros didácticos de História ainda apresentam lacunas no  
tratamento da história local, priorizando conteúdos de abrangência nacional e  
internacional. Embora alguns manuais incluam referências pontuais a contextos  
regionais, observa-se uma ausência sistemática de abordagens que valorizem a história  
vivida nas comunidades dos próprios alunos, dificultando a conexão entre o conteúdo  
escolar e o quotidiano local. Esta ideia é fundamentada por Afonso (2023, p. 7), ao afirmar  
que “a história ensinada nas escolas angolanas continua distante das vivências dos alunos,  
com pouca valorização dos contextos locais e regionais”.  
Embora tenha havido um trabalho complementar no acto de planificações conjuntas dos  
professores nas Zonas de Influências Pedagógicas, com o foco a contextualizações das  
vivências de cada comunidade não é suficiente para tal facto ser uma realidade. Nesta  
ordem de ideias, colaborando com os argumentos de Cupata e Costa (2022, p. 5).  
“valorizar a história de África e da comunidade local é fundamental para promover uma  
cidadania activa, informada e enraizada na realidade dos estudantes.”  
Nesta perspectiva, achamos que a história local, permite ao educando perceber-se como  
sendo parte integrante da história, não simples espectador do ensino desta, mas como  
objecto e sujeito, construtor de factos e acontecimentos não lineares, mas permeados de  
descontinuidades próprias do processo histórico. Enquanto estratégia de aprendizagem, a  
história local, pode garantir o domínio do conhecimento histórico. Seu trabalho no ensino  
possibilita a construção de uma História mais plural, que não silencie a multiplicidade das  
realidades.  
Em relação ao processo de desenvolvimento do conhecimento local, o sentido social da  
educação é veículo à transmissão do conhecimento de qualquer sociedade com foco no  
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desenvolvimento nacional, regional e local. Hoje, além da instituição educacional, há que  
se considerar as demais Instituições que a ela se interligam como a família, os meios de  
comunicação de massa, a comunidade com suas normas e valores, as organizações  
públicas e privadas que, em conjunto, formam uma ligação que precisa ter seu respaldo  
no cenário social, pois não se deseja fragmentar ou isolar o conhecimento científico.  
A importância do estudo da história local nas escolas está na tentativa de fazer com que  
o aluno aprenda e valorize a história da sociedade, mostrando que o mesmo é partícipe da  
mesma, tornando também este ensino importante para sua vida. Isto pode desconstruir a  
ideia de que o ensino da história não lhe diz respeito, rompendo, portanto, a forma de  
ensino tradicional de memorização sistemática de datas e factos para a construção de um  
estudo participativo e investigativo por parte do professor e do aluno. Deste modo, pode-  
se reafirmar a importância e a necessidade da interacção escola e comunidade, dando o  
incentivo a reconstrução histórica da mesma.  
Como afirma Gadotti (2000), uma escola cidadã é aquela que assegura o conhecimento  
historicamente acumulado e promove respeito à diversidade, a autonomia e a dignidade  
humana. No ensino da história, isso implica em aproximar os conteúdos escolares da  
realidade dos alunos e estimular a reflexão sobre os processos históricos que moldam a  
sua vida quotidiana. Sendo assim, a escola deve assegurar uma formação que auxilie a  
transformação dos educandos em sujeitos pensantes, capazes de utilizar seu potencial para  
a construção e reconstrução de conceitos, habilidades e valores.  
É papel das instituições escolares formar cidadãos críticos, proporcionar aos alunos  
ensinamentos que eles necessitam para viver e trabalhar neste mundo em evolução, bem  
como orientá-los para a vida, mas isso só acontece, se a escola definir como meta trabalhar  
os conteúdos a serem estudados de uma forma que os jovens possam desenvolver uma  
mentalidade que priorize e valorize o exercício da cidadania.  
Assim, no nosso contexto, a escola deve assegurar ao educando uma formação que  
consiga levá-lo a reflectir sobre temáticas quotidianas e interferir positivamente em seu  
meio, sobretudo, em sua vida, para transformá-la. Onde “a didáctica de História deve ser  
centrada na formação do cidadão angolano, com base aos valores democráticos, justiça  
social e valorização das narrativas locais” (Kambol, 2022, p.10).  
Infelizmente, nem sempre ou quase sempre a escola não cumpre o objectivo da educação  
que desejamos. A instituição que forma para a cidadania deve contemplar alguns  
elementos básicos como criticidade e autonomia, inserindo os alunos em conteúdos  
escolares considerados relevantes para a formação do cidadão participativo e actuante em  
seu meio, influenciando o desenvolvimento, a socialização e o exercício democrático da  
cidadania, refutando ou reformulando os conhecimentos e as imposições de crenças e  
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valores. Os conteúdos escolares, ensinados, devem estar em harmonia com as questões  
sociais que marcam cada momento histórico.  
5
Conclusão  
A prática da cidadania envolve reflexão e engajamento comunitário, e o ensino de história  
tem o potencial de contribuir significativamente para esse processo. A história, enquanto  
disciplina educativa e formativa, desempenha um papel central na construção de  
identidades, esclarecimento do vivido e intervenção social, tanto no plano individual  
quanto colectivo.  
Compreendemos que a história vai além da simples cronologia de factos e datas; ela é o  
resultado das interacções humanas, mediadas pelo ambiente natural e pelas condições  
sócio-económicas de cada época. No entanto, o ensino de história, por muito tempo,  
restringiu-se a valorizar apenas os “heróis”, o que limitava a participação da maioria da  
população no processo de construção social. Como resultado, a cidadania era vista como  
um privilégio de poucos, enquanto a grande maioria permanecia excluída.  
A história local é essencial para superar essa limitação, pois permite que os estudantes se  
percebam como parte integrante do processo histórico. Ao estudar a história de suas  
próprias comunidades, os alunos entendem que são sujeitos activos, não apenas  
espectadores. Esse entendimento fortalece sua identidade cultural e seu papel como  
cidadãos. Dessa forma, a história local configura-se como uma das ferramentas  
indispensáveis na construção da identidade dos alunos e sua compreensão, além de  
proporcionar um engajamento cívico perante a sociedade.  
Entretanto, em Angola, os programas escolares de história ainda estão distantes dessa  
abordagem. O currículo e os livros didácticos tendem a se concentrar em narrativas  
nacionais e universais, ignorando a história local. Isso reforça a concepção tradicional de  
história como uma simples memorização de fatos e datas, em vez de um processo  
participativo e investigativo.  
Portanto, a educação histórica deve ser uma prática colectiva que contribua para o  
desenvolvimento da cidadania e da identidade cultural. O envolvimento da escola com a  
comunidade e o ensino da história local podem garantir que o conhecimento histórico não  
seja fragmentado e isolado, mas que promova a compreensão integral da realidade social.  
Em virtude dos factos mencionados, achamos que os estabelecimentos de ensino atento  
às evoluções do mundo e deve mostrar às novas gerações a importância de cada indivíduo  
e seu papel na sociedade, enquanto cidadãos conscientes de seus direitos e deveres,  
considerando-o sujeitos de múltiplas relações, e que por estarem em processo de  
transformação, devem ser analisados na sua totalidade. Mesmo conhecedores de que estes  
princípios, citados no trabalho, com relação às questões de convivência e cidadania,  
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deveriam ser seguidos por todos os docentes, normalmente estas questões se remetem aos  
professores de História, isto é para que os conteúdos da disciplina contribuam para  
fortalecer o espírito colectivo e estimulem a luta pela cidadania.  
Em vista dos argumentos, a educação para a cidadania é uma preocupação intrínseca ao  
sistema educativo no sentido de preparar os alunos para uma intervenção cívica activa. O  
que se pretende é que os alunos, nas aulas de História, adquirissem não só conhecimentos  
científicos, mas também competências e atitudes que lhes permitam assumir o seu lugar  
enquanto cidadãos, com um papel crítico e interveniente na sociedade.  
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Revista Científica Visão XXI | Vol. 01 | N. 01 | Janeiro – Julho | pp. 42 - 53 | Ano 2026  
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