Revista Científica Visão XXI
Catimba Matias Anacleto
desenvolvimento nacional, regional e local. Hoje, além da instituição educacional, há que
se considerar as demais Instituições que a ela se interligam como a família, os meios de
comunicação de massa, a comunidade com suas normas e valores, as organizações
públicas e privadas que, em conjunto, formam uma ligação que precisa ter seu respaldo
no cenário social, pois não se deseja fragmentar ou isolar o conhecimento científico.
A importância do estudo da história local nas escolas está na tentativa de fazer com que
o aluno aprenda e valorize a história da sociedade, mostrando que o mesmo é partícipe da
mesma, tornando também este ensino importante para sua vida. Isto pode desconstruir a
ideia de que o ensino da história não lhe diz respeito, rompendo, portanto, a forma de
ensino tradicional de memorização sistemática de datas e factos para a construção de um
estudo participativo e investigativo por parte do professor e do aluno. Deste modo, pode-
se reafirmar a importância e a necessidade da interacção escola e comunidade, dando o
incentivo a reconstrução histórica da mesma.
Como afirma Gadotti (2000), uma escola cidadã é aquela que assegura o conhecimento
historicamente acumulado e promove respeito à diversidade, a autonomia e a dignidade
humana. No ensino da história, isso implica em aproximar os conteúdos escolares da
realidade dos alunos e estimular a reflexão sobre os processos históricos que moldam a
sua vida quotidiana. Sendo assim, a escola deve assegurar uma formação que auxilie a
transformação dos educandos em sujeitos pensantes, capazes de utilizar seu potencial para
a construção e reconstrução de conceitos, habilidades e valores.
É papel das instituições escolares formar cidadãos críticos, proporcionar aos alunos
ensinamentos que eles necessitam para viver e trabalhar neste mundo em evolução, bem
como orientá-los para a vida, mas isso só acontece, se a escola definir como meta trabalhar
os conteúdos a serem estudados de uma forma que os jovens possam desenvolver uma
mentalidade que priorize e valorize o exercício da cidadania.
Assim, no nosso contexto, a escola deve assegurar ao educando uma formação que
consiga levá-lo a reflectir sobre temáticas quotidianas e interferir positivamente em seu
meio, sobretudo, em sua vida, para transformá-la. Onde “a didáctica de História deve ser
centrada na formação do cidadão angolano, com base aos valores democráticos, justiça
social e valorização das narrativas locais” (Kambol, 2022, p.10).
Infelizmente, nem sempre ou quase sempre a escola não cumpre o objectivo da educação
que desejamos. A instituição que forma para a cidadania deve contemplar alguns
elementos básicos como criticidade e autonomia, inserindo os alunos em conteúdos
escolares considerados relevantes para a formação do cidadão participativo e actuante em
seu meio, influenciando o desenvolvimento, a socialização e o exercício democrático da
cidadania, refutando ou reformulando os conhecimentos e as imposições de crenças e
Revista Científica Visão XXI | Vol. 01 | N. 01 | Janeiro – Julho | pp. 42 - 53 | Ano 2026
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