cultural, herança histórica, paisagem natural, relações sociais e intercâmbio de
informações interculturais. Como uma prática social, envolve o corte com rotinas
estabelecidas, representando assim uma ruptura no quotidiano cujo propósito é
experimentar algo extraordinário (Carvalho, 2020; Henriques, 2015). Ademais, o turismo
pode ser entendido como um fenómeno social multidimensional, no qual o espaço
turístico é, respectivamente, “actor e palco das relações sociais, susceptíveis às mutações
das experiências históricas e da própria dinâmica da paisagem” (Pinto & Baptista, 2020,
p. 5). Algumas vezes, as comunidades visitadas transformam-se em palcos de
“encenações” com o único objectivo de satisfazer as representações imaginárias que os
visitantes carregam na bagagem (Abreu, 2014; Bourdeu, 2021). Além dos diferentes
papéis desempenhados pelos autores envolvidos, também existe uma diferença cultural
que, supostamente, seria catalisadora desta experiência prodigiosa (Silveira, 2019).
Turismo Religioso
Se, por um lado, o turismo cultural representa um sector enriquecedor para quem o
pratica, por outro lado, o turismo religioso é, assim, caracterizado por uma ligação íntima
entre o fenómeno turístico e o fenómeno religioso (Henderson, 2001).
No contexto actual, falar sobre a religião é penetrar num campo que envolve um conjunto
de narrativas e descrições, em que muitas vezes são salutares mas noutras não, e as razões
são diversas, considerando que, de acordo com André (2012), “a religião tornou-se um
resultado de outras tantas formas de dominação, aculturação e colonização que se
repetem, por outros meios mais sofisticados” ( p. 48). Ao escavarmos arqueologicamente
a questão do turismo religioso, fomos convocados a percorrer as suas origens, que nos
remetem a um encontro desde as mais antigas manifestações religiosas tanto cristãs
quanto não-cristãs. Para os cristãos, no movimento das Cruzadas, constavam as práticas
como peregrinações ao túmulo de Cristo e de mais autoridades religiosas e, nesta ordem
de ideia, foi-se realizando um conjunto de movimentações para diversos lugares, com
finalidade dupla: religiosa e turística. Na visão de Pernas ( 2022, p.22), “as peregrinações
eram feitas nas mais duras condições, num espírito de sacrifício e purificação”.
No caso do turismo religioso, constitui-se num importante segmento que envolve dois
dos mais importantes fenómenos sociais do mundo contemporâneo (Martins & Silva,
2021). As descrições sobre as articulações entre o turismo e a religião são tão antigas que
contam, desde o segundo milénio, a esperança do retorno de Cristo a Jerusalém e ainda