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Prática Pedagógica supervisionada na formação inicial de professores do ensino
primário: percurso e evidências
Supervised teaching practicum in initial teacher education for primary school teachers:
process and empirical evidence
Práctica pedagógica supervisada en la formación inicial del profesorado de educación
primaria: trayectoria y evidencias
Jorge Tamayo Pupo
1
Instituto superior politécnico independente, Angola
jtmayop2005@gmail.com
Carla Marisa Black
2
Instituto superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola
black.carla@gmail.com
Dania Cuenca Rodriguez
3
Instituto superior politécnico independente, Angola
danialub13@gmail.com
Ana Miranda
4
Instituto superior politécnico independente, Angola
claudimira1992@gmail.com
Resumo:
O presente artigo descreve o funcionamento da unidade curricular Observação e Prática
Pedagógica, ministrada aos estudantes do Curso de Formação de Professores do ISPI.
Apresentam-se os resultados de uma investigação realizada no Instituto Superior
Politécnico Independente do Lubango – ISPI – cujo problema de investigação incide na
necessidade de melhorar a qualidade da formação científico-pedagógica dos estudantes
do curso de Licenciatura em Formação de Professores. Verifica-se que os estudantes
manifestam dificuldades em realizar a sua Prática Pedagógica nas respectivas escolas de
aplicação como resultado não apenas das condições para a sua realização, como também
das competências essenciais que não são desenvolvidas durante a sua formação de base.
Utilizou-se uma metodologia predominantemente qualitativa, com recurso a técnicas
quantitativas para o tratamento estatístico dos dados, visando aprofundar a compreensão
1
Doutor em Ciências Pedagógicas, Professor Catedrático e Coordenador do Programa de Pós-Graduação de Formação
de Professores Universitários no Instituto Superior Politécnico Independente (ISPI), Lubango, Angola.
2
Doutoranda em Didáctica das Línguas, Docente no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED-Huíla),
Angola, e Membro do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa (CLUNL).
3
Mestre em Ensino Superior e Professora Auxiliar no Departamento de Ciências da Educação do Instituto Superior
Politécnico Independente (ISPI), Lubango, Angola.
4
Licenciada em Ensino Primário e Chefe do Departamento de Ciências da Educação / Formação de Professores,
Angola.
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do problema e a triangulação dos dados. O estudo permitiu concluir que a prática
pedagógica possibilitou aos estudantes experienciar de forma contextualizada a
articulação teoria-prática, base para a formação profissional do professor, contudo
persistem competências pedagógicas limitadas e o uso frequente do modelo tradicional,
impondo-se a necessidade de repensar este processo e continuar a aperfeiçoá-lo.
Palavras-chave: Prática pedagógica, Formação de professores, Ensino Primário.
Abstract:
This article describes the organisation and implementation of the “Observation and
Teaching Practicum” curricular unit delivered to students on ISPI’s teacher education
degree programme. It reports findings from a study conducted at the Instituto Superior
Politécnico Independente (Lubango) that addresses the need to enhance the scientific
pedagogical quality of the Bachelor’s programme in Teacher Education. The data indicate
that students encounter difficulties in undertaking their school-based practicum, due not
only to the conditions under which it takes place but also to essential competences that
are not sufficiently developed during their initial preparation. A predominantly qualitative
methodology was used, supplemented by quantitative techniques for statistical data
analysis, with the aim of deepening our understanding of the problem and triangulating
the data. The study concluded that the pedagogical practice enabled students to experience
the integration of theory and practice in a contextualized manner a foundation for teacher
training yet limited pedagogical skills and the frequent use of the traditional model persist,
highlighting the need to rethink this process and continue to refine it.
Keywords: Teaching practice, Teacher education, School-based.
Resumen:
Este artículo presenta los resultados de una investigación desarrollada en el Instituto
Superior Politécnico Independiente (ISPI) de Lubango, centrada en la necesidad de
fortalecer la formación científico-pedagógica de los estudiantes de la Licenciatura en
Formación de Profesores. El estudio surge al detectar dificultades persistentes en el
desarrollo de las Prácticas Pedagógicas por parte de los alumnos. El objetivo principal es
describir y analizar el desarrollo de dichas prácticas para comprender mejor su impacto
en la formación docente. Se empleó una metodología predominantemente cualitativa,
complementada con técnicas cuantitativas para el procesamiento estadístico, lo que
permitió triangular los datos y obtener una visión integral del fenómeno. Los resultados
permiten concluir que, si bien la práctica pedagógica facilita una vinculación
contextualizada entre la teoría y la práctica —pilar fundamental del crecimiento
profesional—, los estudiantes aún muestran competencias pedagógicas limitadas y una
marcada tendencia hacia modelos de enseñanza tradicionales. En consecuencia, se
subraya la necesidad de repensar y perfeccionar continuamente este proceso para elevar
la calidad del desempeño docente en las aulas.
Palabras clave: Práctica pedagógica, Formación de profesores, Enseñanza primaria.
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Introdução
No desenvolvimento global do mundo, a formação inicial dos professores é fundamental.
Por isso, o cenário educativo do futuro tem de estar preparado para enfrentar os desafios
do mercado de trabalho em permanentes mudanças, tornando claro que educar para a
mudança não é uma tarefa simples, pois, como afirma António Agostinho Neto (1978,
p.6), “não se transforma a consciência de um homem de um momento para outro”.
Segundo Zau (2018, p.51), “a falta de qualidade no ensino em Angola resulta
principalmente do baixo perfil profissional do nosso docente, que terá de ser munido de
competências resultantes de um saber, de um saber fazer e de um saber situar-se”. A
constatação deste facto levou o levou o Presidente da República de Angola, João Manuel
Gonçalves Lourenço (em 2018), no Encontro Nacional da Educação, a destacar a
necessidade de se melhorar a qualidade dos serviços da Educação de Base.
O crescimento acelerado das escolas de Ensino Primário, em Angola, justifica a
necessidade de formação de professores com alto nível de qualificação, com
competências para lidar com uma população escolar numerosa e capacitados para um
mundo em constante mudança, oferecendo a segurança de caminhos flexíveis e abertos,
para poder enfrentar os problemas e desafios da educação no século XXI, o que requer
profundas transformações na Educação.
Recentemente, a Ministra da Educação, Luísa Maria Alves Grilo (2025), na sua visita ao
ISCED-Huíla, destacou a importância da formação de professores para o
desenvolvimento do país. No encontro, foram discutidas as propostas para a criação de
escolas de aplicação e o fortalecimento das Práticas Pedagógicas, significando que uma
Prática Pedagógica de qualidade, do professor em formação, é imprescindível no âmbito
académico e social.
À luz destas orientações com carácter oficial, o ISPI vê reforçada a sua responsabilidade
institucional na formação de professores, o que implica rever práticas, consolidar a
supervisão pedagógica e intensificar a articulação teoria–prática na unidade curricular
Prática Pedagógica.
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Os resultados de aprendizagem dos estudantes, obtidos nos últimos anos do curso de
formação de professores e especificamente na unidade curricular Prática Pedagógica,
revelam insuficiências na aplicação do sistema de princípios de ensino aprendizagem
expressos na Lei de Base do Sistema Educativo Angolano (Lei de base 32/20, de 12 de
Agosto de 2020). Coloca-se, assim, a seguinte questão de investigação: Em que medida
a unidade curricular Observação e Prática Pedagógica contribui para a formação dos
estudantes do curso de Ciências da Educação: Formação de Professores do ISPI?
Nessa perspectiva, para responder ao problema levantado, define-se os seguintes
objectivos:
Geral: Analisar o desenvolvimento da unidade curricular Prática Pedagógica no Curso
de Formação de Professores do ISPI, com identificação de potencialidades e fragilidades
e formulação de recomendações de melhoria.
Específicos:
Descrever práticas de articulação teoria–prática evidenciadas por professores
supervisores e estudantes.
Identificar dificuldades recorrentes e evidências de aprendizagem reportadas/observadas.
Formular recomendações de melhoria alinhadas com a Lei n.º 32/20 e com o plano de
estudos unificado do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Enquadramento teórico
Segundo Romanowski (2018), citado por Macêdo e Romanowski (2025), ʻʻas pesquisas
sobre o tema pouco focam nos processos de formação de professores, ainda que abordem
intensas análises sobre os cursos de licenciatura”.
Em concordância com Rodrigues “a formação torna-se peça fundamental nas
transformações das Práticas Pedagogicas, bem como no alcance de metas educacionais já
estabelesidas pela sociedade” (Rodrigues, 2021, p.18).
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Para Horruitiner (2006, p.17). “o termo formação usa-se na Educação Superior para
caracterizar o processo de desenvolvimento nas universidades com o objectivo de
preparar integralmente o estudante num determinado Curso Universitario”.
Como afirma Paulo Freire (2021), “ninguém nasce professor”. Significa que o acto de ser
professor é um processo contínuo de formação e não uma condição natural. O individuo
forma-se como educador através da prática pedagógica constante, da reflexão sobre a
prática e do diálogo com os estudantes e com o mundo, integrando saberes e experiências.
O professor é um sujeito em constante formação e um agente de mudança.
Segundo o referenciado, infere-se que formação é um conceito fundamental da
Pedagogia, pois define o “educativo” e assenta num processo de humanização, ou seja, a
construção do sujeito alinhado a determinados ideais e fins sociais. O professor não
nasce formado, sendo, portanto, necessário formá-lo: dotá-lo de conhecimentos,
habilidades, competências e valores que conferem um sentido à sua Prática Pedagógica e
pode traduzir-se em actividades de iniciação à vida prática pré-profissional.
Os desafios relacionados com a formação dos professores impulsionam novas pesquisas
acerca do desenvolvimento da Prática Pedagógica, o que implica, segundo Macêdo e
Roimanowski (2025. p.2), “investigações voltadas ao desenvolvimento de acções
formativas, no âmbito da formação de professores”.
Concordamos com Ribeiro (2013, p.10), quando afirma que “as características específicas
das estratégias de formação devem estar orientadas para o desenvolvimento de
aprendizagem reflexivas, de auto-consciencialização e de construção pessoal dos modos
de aprender a aprender, de aprender a ensinar e de aprender a comportar-se”.
Compreender a Prática Pedagógica no Ensino Primário no momento actual da sociedade
angolana requer a utilização da categoria totalidade, entendida como a expressão das
características marcantes da sociedade que influenciam a realidade educacional. A
presente investigação considera fundamental, para analisar os múltiplos determinantes da
Prática Pedagógica, ter como ponto de partida os aspectos da formação socio-económica
angolana, as relações de produção, classes sociais e a cultura como prática social.
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Para Macêdo e Romanowski (2025, p.4) “a Prática Pedagógica é uma actividade
individual e colectiva, sistemática e organizada, que contribui para a avaliação da
qualidade da formação, ou seja, conhecendo os processos vividos na formação se verifica
a possibilidade de avaliá-la”.
Entretanto, para Martins (2009, p.88), “a prática nos cursos de formação dos professores
caracteriza-se como componente curricular do processo formativo, voltado a mostrar o
como, o porque e o para que aprender a ser professor”.
Do referenciado, pode-se inferir que a Prática Pedagógica em contexto de formação se
concebe como o conjunto de situações dentro da sala de aula que configuram o que fazer
do professor em formação e dos alunos, em função de determinados objectivos de
formação que orientam o conjunto de actuações que incidem directamente sobre o
processo de ensino aprendizagem.
É de salientar que Prática Pedagógica no ISPI é uma unidade curricular anual. Durante a
frequência desta cadeira, o estudante vivencia experiências de planificação a curto, médio
e longo prazo, bem como o primeiro contacto, no caso de principiante, com a realidade
escolar e a futura profissão. Portanto, é a cadeira que lhe conferirá a habilitação
profissional necessária ao exercício da profissão docente. Trata-se, neste sentido, por um
lado, do desenvolvimento de competências que iniciam o principiante nas suas práticas
de ensino, e, por outro, do aperfeiçoamento das referidas competências para os estudantes
que já se encontram a exercer a profissão.
Concorda-se com Rodrigues (2021, p.18) quando diz que “há uma fomentação de
pesquisas sobre a crise na formação dos professores de ensino Primário”. Esta situação
também se apresenta, em alguma medida, na formação dos professores no ISPI.
Os desafios relacionados à formação do professor de ensino primário no ISPI motivou a
realização desta pesquisa acerca da Prática Pedagógica. Neste artigo, destacam-se os
aspectos teóricos que orientam o desenvolvimento da Prática Pedagógica no ISPI, para
posteriormente analisar as reflexões dos intervenientes no espaço escolar, em específico
na sala de aula das escolas de aplicação do Ensino Primário na província da Huíla.
Portanto, as reflexões aqui empreendidas são oriundas das inquietações surgidas
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da pesquisa bibliográfica e das reflexões dos professores orientadores da Prática
Pedagógica, dos estudantes e do trabalho realizado nas escolas de aplicação.
Esta pesquisa perpassa pelo interesse social no que diz respeito às contribuições para a
educação do professor. Na formação dos estudantes do curso de licenciatura no ISPI há
uma contradição entre o evidenciado nas Práticas Pedagógicas nas escolas de aplicação,
vivenciadas pelos professores supervisores, e o referencial teórico abordado nos módulos
presentes na grelha curricular deste curso.
Metodologia
Partindo da problemática apresentada e dos objectivos, realizou-se o estudo, com recurso
à metodologia predominantemente qualitativa, de intervenção na Prática Pedagógica,
adoptando uma abordagem descritiva. O estudo apoiou-se na pesquisa bibliográfica e na
pesquisa de campo realizada nas escolas de aplicação. Complementa-se com o tratamento
estatístico dos dados obtidos de inquéritos por questionário aplicados aos estudantes e de
entrevistas semiestruturada aplicadas aos professores supervisores da Prática Pedagógica.
A população esteve constituída por 517 estudantes do 4º ano, do ano lectivo 2024 – 2025
e por 31 professores de Observação e Prática Pedagógica deste ano curricular. A amostra
é composta por 234 estudantes e 19 professores que representam 45% dos estudantes e
61 % dos professores orientadores da Prática Pedagógica. A sua dimensão é
considerada adequada para as análises efectuadas.
A análise documental permitiu seleccionar quatro (4) indicadores para avaliar e descrever
o desenvolvimento da unidade curricular Observação e Prática Pedagógica do curso de
Formação de Professores no ISPI. Os indicadores foram seleccionados da Revista Njinga
& Sepé, Revista Internacional de Cultura, Línguas Africanas e Brasileiras, com base num
trabalho publicado por investigadores do ISPI (Tamayo, J., Teixeira, M., e Cangue, J,
2023, p.50-66) e são os seguintes:
1. A Grelha Curricular do Curso e a relação estudante/professor orientador;
2. A metodologia de ensino. Os estudantes e a sua aprendizagem;
3. Infraestrutura;
4. Credibilidade no mercado de trabalho.
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Estes quatro (4) indicadores para avaliar o desenvolvimento da unidade curricular
Observação e Prática Pedagógica do curso de Formação de Professores no ISPI foram as
dimensões analíticas para a elaboração do guião da entrevista semiestruturada aplicada
aos professores supervisores da Prática e o inquérito por questionário aplicado aos
estudantes, cujos objectivos foram:
• Analisar a grelha curricular e sua incidência na Prática Pedagógica;
• Descrever a metodologia de ensino e a sua influência na aprendizagem dos
estudantes;
• Caracterizar a infra-estruturas para a realização das Práticas Pedagógicas no ISPI
e;
• Valorar a credibilidade no mercado de trabalho dos regressados do curso de
Formação de Professores;
Os resultados da aplicação das técnicas de investigação permitiram descrever o
funcionamento da unidade curricular de Observação e Prática Pedagógica ministradas no
curso de Formação de Professores do ISPI, como se apresenta a continuação:
A Grelha Curricular do Curso e a relação estudante/professor orientador no ISPI
Segundo Ascom (2019), as IES, ao apresentarem ao mercado um curso, devem
disponibilizar uma grelha curricular actualizada, que explicite as disciplinas oferecidas
ao longo do percurso formativo e assegurar um corpo docente capacitado e qualificado.
A desactualização desse plano coloca em risco a formação do estudante, não permitindo
o desenvolvimento de competências necessárias à sua inserção no mercado de trabalho.
Na grelha curricular do Curso de Formação de Professores do ISPI, aprovado pelo
Decreto Executivo nº 402/12 de 8 de Outubro de 2012, pode-se observar que está
integrada por quatro (4) componentes:
• Disciplinas de Ciências Básicas e de Humanidades;
• Disciplinas das Ciências da Educação;
• Metodologias de Ensino;
• Prática Pedagógica.
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Nestas componentes, pouco destaque é dado à unidade curricular de Prática
Pedagógica com uma carga horária muito limitada para a formação profissional: apenas
180 horas no quarto ano.
Dos dados encontrados no arquivo do departamento de Ciências da Educação e da
entrevista realizada à Coordenação das Práticas Pedagógicas, o ano lectivo 2024-2025 foi
marcado pelo aumento significativo do número de estudantes no quarto ano, com uma
matrícula de 517 estudantes. A coordenação destacou a necessidade de ampliar a rede de
escolas de aplicação e o número de professores formadores. A relação estudante da
Prática Pedagógica/supervisores da Prática apresenta-se no gráfico 1, resultando na
seguinte distribuição:
Gráfico 1. Relação número de estudantes / supervisor (professor do ISPI)
Fonte: Relatório Anual de Observação e Prática Pedagógica do ISPI, ano 2024-2025 (p.
2).
No ano lectivo 2024-2025, a média de estudantes/professor formador foi de 17 o que
significa um processo de ensino e aprendizagem de qualidade reduzida, considerando que
a média de estudantes por professor, segundo o regulamento do ISPI, para
acompanhamento em contexto de Prática Pedagógica deve ser até 10 estudantes.
Os professores desempenharam um papel especial no funcionamento da unidade
curricular de Observação e Prática Pedagógica. Assim, foi conveniente analisar critérios
como carga horária, formação profissional, qualificação profissional do corpo docente e
disponibilidade para o acompanhamento da Prática Pedagógica.
A metodologia de ensino, os estudantes e a sua aprendizagem
Da revisão dos informes da Prática Pedagógica e dos resultados das entrevistas realizadas
aos supervisores, foi possível conhecer que, para facilitar a comunicação entre
professores e estudantes, se criou uma sala virtual para colocar conteúdos, orientar tarefas
bem como outras actividades pedagógicas.
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O WhatsApp, o email e o Classroom funcionaram como salas virtuais para conectar toda
comunidade da Prática Pedagógica, constituída por Supervisores e estudantes, garantindo
a circulação de informações, não apenas do ponto de vista informativo, mas, também, do
conhecimento, esclarecimento de dúvidas, elaboração de planos de aula e programação
de todo o trabalho a ser realizado durante a semana.
O uso de outras ferramentas digitais como o Padlet contribuiu para um grau de
envolvimento e de partilha de experiências entre a comunidade académica, em tempo
real, envolvendo diferentes mídias como texto, som, imagem e vídeo.
Dentre os vários métodos utilizados ao longo das sessões de formação, destaca-se o
denominado Fliped classroom/sala de aula invertida, actualmente Aprendizagem
Invertida. O método em referência consiste em disponibilizar os conteúdos numa
plataforma digital e, de seguida, convidar os estudantes à leitura e análise do material
para assegurar que no momento da aula presencial haja interacção entre o supervisor /
estudantes e professor (formando) e alunos durante a pré-observação, observação e pós-
observação.
Neste caso, a função do supervisor foi de mediador das aprendizagens e não de um
sujeito que deposita conhecimentos nos estudantes. Os conhecimentos e as competências
foram construídos pelos estudantes em interacção entre os meios de ensino, os colegas,
os professores formadores e os alunos da escola de aplicação.
Evidenciaram-se, neste sentido, o desenvolvimento de competências didácticas e
pedagógicas, para elaborar planos de aula, para lecionar as aulas e para avaliá-los, para
aprendizagem autónoma e em equipa, para comunicar-se com os colegas dentro e fora da
sala de aula e para as diferentes formas de avaliação.
Segundo a opinião da Coordenadora das Práticas Pedagógica, foram programadas
reuniões para o balanço das actividades realizadas e de análise do aproveitamento
académico, tendo em vista os estudantes do ISPI com mais dificuldades e as possíveis
estratégias para a sua superação. As reuniões decorreram num ambiente de harmonia,
permitindo encontrar soluções para superar as dificuldades apresentadas pelos estudantes.
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Entre as dificuldades encontradas destacam-se: dificuldades de leitura e de escrita, de
leccionação, de assiduidade e responsabilidade no cumprimento das aulas práticas e,
ainda, dificuldades dos estudantes com necessidades educativas especiais. Alem disso
verificou-se a utilização de métodos tradicionais, passivos, alguma debilidade na
elaboração de planos de aula e a ausência de propostas de actividades devidamente
desenvolvidas que permitam compreender o trabalho que se vai realizar em contexto de
sala de aula. Portanto, os planos são demasiado sintéticos o que promove o improviso
durante a aula.
Em relação às dificuldades de leitura e de escrita, incluindo a caligrafia, sugeriu-se um
curso de caligrafia, propostas de trabalhos no quadro a giz com os estudantes e a criação
de clubes de leitura. Sobre as dificuldades de leccionação, decidiu-se que os estudantes
com dificuldades deveriam leccionar aulas de reforço.
Sobre os estudantes com necessidades educativas especiais, avançou-se a possibilidade
da criação de um Gabinete de Apoio ao Estudante e ao Docente. Quanto à assiduidade e
responsabilidade dos estudantes, recomendou-se a apresentação dos parâmetros de
avaliação desta cadeira, permitindo-lhes perceber que a sua ausência seria penalizada em
termos de classificação final.
O paradigma de avaliação que tem vigorado na Prática Pedagógica é a
formativa/qualitativa por se considerar o mais adequado para este tipo de formação
profissionalizante. Nela, integra-se a auto-avaliação, a co-avaliação e a hetero-avaliação.
É nesta perspectiva que a estratificação das escalas na avaliação do curso pelos estudantes
incluiu as seguintes categorias: Insuficiente, Suficiente, Bom, Muito Bom e Excelente.
Para avaliar o desenvolvimento das componentes didácticas e as considerações dos
estudantes sobre a formação recebida na unidade curricular de Prática Pedagógica e do
trabalho realizado, elaborou-se um inquérito por questionário. O questionário e os
resultados alcançados apresentam-se na tabela 1.
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Tabela 1. Opinião dos estudantes sobre a Prática Pedagógica no ISPI
Legenda: MB - Muito Bom, B – Bom, S – Suficiente, N – Negativo ou não suficiente,
Nm –não marcou, PP - Prática Pedagógica
Nº
INDICADORES A AVALIAR
MB
B
S
Nm
01
Qual é a sua opinião sobre o programa curricular da PP e da grelha
do curso de Formação de Professores?
112
48%
66
28%
8
3%
44
19%
02
Os objectivos do programa da PP foram atingidos?
104
44%
70
30%
38
16%
22
9%
03
Como considera a sua formação no ISPI?
98
41%
102
44%
16
7%
14
6%
04
Como considera a sua formação ao nível de conteúdos
curriculares ?
112
48%
92
40%
22
9%
6
3%
05
Como considera a sua formação pedagógica para trabalhar no
Ensino Primário?
128
54%
76
32%
22
9%
2
1%
06
Como considera a sua formação científica para trabalhar no Ensino
Primário?
86
37%
112
49%
22
9%
8
3%
07
Os conteúdos leccionados pelos professores de PP foram
adequados?
102
43%
76
32%
36
15%
14
6%
08
Avalie os métodos utilizados pelos professores de PP, no ISPI?
108
46%
90
38%
20
9%
6
3%
09
Avalie a organização das PP no ISPI.
128
54%
76
32%
26
11%
0
0%
10
Avalie os meios utilizados pelos professores de PP, no ISPI.
124
53%
82
35%
22
9%
0
0%
11
Avalie os meios didácticos utilizados na escola onde realizou a PP.
70
30%
104
44%
24
10%
26
11%
12
Avalie a formação dos supervisores (professores de PP)?
104
44%
104
44%
14
6%
10
4%
13
Avalie o trabalho realizado pelos Supervisores.
74
31%
96
41%
32
14%
16
7%
14
As suas opiniões foram tidas em conta pelos professores?
58
24%
96
41%
48
21%
12
5%
15
Considera que as PP vão influenciar positivamente no seu trabalho
como professor?
144
61%
78
33%
12
5%
0
0%
TOTAL DE INDICADORES A AVALIAR = 15
Med.
10%
Med.
5%
Fonte: Elaboração própria.
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Dos resultados do questionário, na tabela 1, pode-se apreciar que é satisfatória a opinião
dos estudantes, quando 81% dos inquiridos apresentam respostas avaliadas entre Muito
Bom e Bom. Apenas 10 % dos estudantes consideram Suficiente o desenvolvimento da
Prática Pedagógica, 3 % consideraram Insuficiente e 5 % preferiram não opinar.
Do ponto de vista dos supervisores, as opiniões também são favoráveis. Segundo
estes, durante a entrevista, a Prática Pedagógica tem impactado significativamente no
saber, no saber-fazer e no saber-ser.
Infraestrutura e Credibilidade no mercado de trabalho
Segundo Tamayo, Teixeira e Cangue (2023, p.50-66), as infra-estruturas e a credibilidade
no mercado de trabalho são aspectos fundamentais para o funcionamento de um curso e
consequentemente das respectivas unidades curriculares. Deste modo, os resultados
obtidos indicam-nos a necessidade de uma atenção especial a estes pormenores,
nomeadamente “a localização da instituição, as condições de manutenção e limpeza do
prédio, a existência de espaços de convivência, a infraestrutura tecnológica, a qualidade
do acervo da biblioteca, a organização das salas de aula, entre outros”. As condições
físicas ideais variam, dependendo da instituição.
Segundo as ideias apresentadas pelos supervisores entrevistados e pelos resultados da
investigação sobre Avaliação do Curso de Formação dos Professores no ISPI, realizada
por Tamayo, Teixeira e Cangue (2023), são fundamentais para o desenvolvimento da
Prática Pedagógica uma sala de aula bem estruturada, o acesso a meios de ensino e um
ambiente agradável que favoreça a motivação para os estudos.
Embora com alguns limites de espaço escolar em função do número de estudantes, o ISPI
apresenta boas condições de trabalho, como, por exemplo, o Laboratório de Prática
Pedagógica que permite o acesso a diversos recursos didácticos, contribuindo para uma
boa formação teórica e prática do futuro professor do Ensino Primário. No entanto, as
estruturas das escolas de aplicação na Huila, nem sempre são as melhores. Alguns dos
estudantes referem a falta de condições de trabalho das salas de aulas nas escolas de
aplicação o que foi confirmado durante as entrevistas aos supervisores.
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Algumas escolas de aplicação apresentam poucas salas e muitos estudantes matriculados.
Há carência de meios didácticos e recursos (a maior parte dos alunos não tem manual,
por exemplo) para criar um ambiente apropriado para a aprendizagem, dificultando a
Prática Pedagógica e, consequentemente, a formação do futuro professor do Ensino
Primário, pelo que se torna prioritária a melhoria das condições das infraestruturas
existentes e dos recursos/meios didácticos nas escolas de aplicação para realizar a Prática
Pedagógica com a qualidade requerida.
ʻʻA credibilidade da instituição de ensino superior também é essencial para favorecer o
progresso dos estudantes. A sua reputação e o nível de empregabilidade dos alunos são
informações significativas para tomar uma decisão” (Ascom, 2019, p.2).
Observando todos estes pontos, a possibilidade de os estudantes optarem por uma
instituição de qualidade será muito maior. Ainda que cada um possa considerar algum
critério mais relevante do que outro, estas são as qualidades que uma instituição de ensino
superior deve ter.
Segundo os entrevistados, os professores formados no ISPI são valorizados no mercado
de trabalho, por apresentarem uma preparação sólida para o exercício da docência. Essa
preparação resulta de uma formação que integra metodologias de ensino, aulas simuladas
e práticas em contexto real que os qualificam para a sua futura profissão.
Os depoimentos dos docentes entrevistados evidenciam que uma proporção significativa
dos formandos do ISPI tem sido bem-sucedida nos concursos públicos para provimento
de vagas no Ensino Primário, obtendo admissão nas redes escolares. Regista-se, contudo,
a exclusão de alguns candidatos por fragilidades formativas, sobretudo nos domínios da
comunicação oral e escrita. Ainda assim, de modo geral, a maioria apresenta desempenho
satisfatório.
Relativamente à Pergunta 15 do questionário aplicado aos estudantes: “Considera que a
Prática Pedagógica influenciará positivamente o seu trabalho como professor?”, este
constituiu o indicador mais bem avaliado (ver Tabela 1). O resultado cumulativo (relativo
à variável Bom e Muito Bom) é expressivo: 94% afirmam que a Prática Pedagógica terá
impacto favorável no desempenho docente e declaram sentir-se motivados para o
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exercício da profissão. Além disso, os resultados da Pergunta 14 permitem inferir a
necessidade de os supervisores valorizarem mais a opinião dos estudantes.
Conclusão
O estudo teórico realizado e as evidências empíricas obtidas nesta pesquisa permitiram
dar respostas ao objectivo da investigação e chegar às seguintes conclusões e
recomendações:
A Prática Pedagógica deve ser uma actividade planificada, sistematizada, faseada e
consciente, em que o “Futuro Professor” realiza actividades sob orientação do professor
orientador da Prática Pedagógica, com vista à aquisição de conhecimentos, habilidades e
valores éticos e morais que conformam as competências conducentes ao exercício
docente, além do desenvolvimento de capacidades de mobilização dos saberes
disciplinares e pedagógicos necessários para a solução dos problemas colocados no
quotidiano das escolas.
A Prática Pedagógica realizada durante a unidade curricular Observação e Prática
Pedagógica é uma actividade necessária e indispensável na formação do professor, pois
contribui para o desenvolvimento das competências para realizar a planificação, elaborar
planos de aula, leccionar, avaliar e, ainda, para o desenvolvimento de competências para
o trabalho em equipa e resolução de problemas escolares. Afirma-se, de modo geral, que
os supervisores foram capazes de conduzir o processo de supervisão pedagógica com
êxito. No entanto, alguns dos estudantes mostraram competências científico -
pedagógicas limitadas para o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, pelo
que é necessário repensar este processo e continuar a aperfeiçoá-lo.
As condições precárias das infra-estruturas de algumas escolas de aplicação condicionam
a qualidade da Prática Pedagógica, limitando o desenvolvimento do processo de formação
de professores.
Os resultados indicam que o uso do modelo tradicional de ensino, focado na memorização
dos conteúdos e a aprendizagem mecânica predominante nas escolas de aplicação, em
detrimento de modelos propiciadores de ambientes de aprendizagem significativa, podem
desvalorizar e desencorajar a Prática Pedagógica dos estudantes em Formação para
leccionar no Ensino Primário.
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Do ponto de vista do funcionamento da unidade curricular Observação e Prática
Pedagógica no ISPI, o estudo indica que o aumento significativo de estudantes no ano
2024-2025 e, consequentemente, o aumento de supervisores não permite um
acompanhamento adequado de todas as actividades por parte da Coordenação. Assim,
torna-se necessário a contratação de coordenadores-adjuntos para um melhor
acompanhamento deste processo.
Em relação ao processo de colaboração entre o ISPI e as escolas de aplicação, recomenda-
se um trabalho de colaboração mais eficiente entre estas instituições. Neste sentido, torna-
se importante, para o devido enquadramento dos estudantes no contexto educativo das
escolas de aplicação, um trabalho antecipado, ou seja, a troca de informações sobre o
funcionamento da escola e o número de estudantes que serão enquadrados nas respectivas
escolas, o que significa um trabalho colaborativo com os Recursos Académicos de modo
que se possa ter, logo no início do ano lectivo, o número definitivo de estudantes
matriculados na Prática Pedagógica.
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Recebido: 2025-10-06
Aceite: 2026-02-25