Gráfico 1. Evolução da dívida (%PIB)
Com o fim efectivo da guerra civil angolana em 2002, deu-se o surgimento de uma nova
era na economia angolana. Por um lado, a redução dos gastos militares levou à diminuição
de uma boa parte da dívida pública que era destinada ao sustento militar (logística,
armamentos e fardamento, etc.); e, por outro lado, o bom momento que gozou o mercado
petrolífero a nível global com preços elevados, fez com que a economia angolana
conseguisse arrecadar uma boa receita verificada, na época que contribuiu bastante para
a diminuição da dívida pública angolana de (133,9%, em 2000, para 47,7%, em 2004) e
para um bom ritmo de crescimento económico. Entre 2005 e 2008, a dívida pública
angolana demonstrou uma relativa estabilidade, com uma média de 23.7%, beneficiando
de um bom crescimento das receitas, principalmente em 2007 e 2008. Em 2009, a dívida
pública registou um relativo aumento para 56,3%, algo que foi motivado pela diminuição
das receitas (sobretudo petrolíferas) devido à crise financeira global e, entretanto, voltou
a diminuir para 42,8% no ano seguinte.
Com o empenho na reconstrução do país no pós-guerra e o bom desempenho do sector
petrolífero, as aplicações das receitas geradas pelo mesmo sector na dinamização da
economia deram um impulso significativo no crescimento da actividade económica, o
que permitiu ao país registar uma das maiores taxa de crescimento económico do mundo
entre os países menos desenvolvidos, pese embora o país, neste período, não tenha
aproveitado para conduzir reformas económicas estruturantes, o que foi sentido nos anos
posteriores, o resultado de uma politica económica que se preocupou apenas com o
momento em que vivia. Entre 2010 e 2014, verifica-se um período de estabilização do
stock da dívida, por volta dos 33% do PIB, (ver a gráfico 1 em cima). Enquanto, no
período compreendido entre 2014 e 2019, identifica-se um crescimento contínuo do stock
da dívida pública, com um crescimento de 39%, em 2014, para 84%, em 2018 (ver gráfico
1), em resultado de uma economia fortemente dependente do petróleo, pouco
diversificada e competitiva, com estruturas produtivas em outros sectores ainda
incipientes com margem de progressão, mas sem os investimentos necessários para
transformar o potencial em real.
Em detalhe, este crescimento da dívida pública angolana deveu-se a quedas constantes
nos preços do petróleo por barril no mercado internacional a partir de 2014, o que levou
a redução drástica das receitas, de 50 mil milhões de dólares em 2013 para 23 mil milhões
de dólares, em 2018. Para Rocha (2020), Diva (2024), Guerra e Júnior (2025), este