No âmbito da luta de libertação, emergem também nomes de mulheres que marcaram
este processo: Odete Sorte Vinene Muekalia, Elisete Aurora Nambundo Uliengue,
Isabel Ferreira, Joana Mucolo Tchimbinde Fronteira, Domingas dos Santos Kibota,
Maria de Fátima Miguel Kapache (“Fatita”), Ana Maria da Silva Nzagi, Maria da
Conceição Boaventura, Maria Luísa Guimarães Quarta, Joana André Domingos, Elisa
Glória Calado Henda, Domingas Tito, Domingas Congo Jondila, Ana Maria da
Conceição Fernandes, Isalina Kawina, Helena Bonguela, Rodeth Teresa Makina dos
Santos Gil, Fernanda Machiai Kalukango Miranda, Jovita Minervina Nunes, Maria
Simão Paím Gomes, Ruth Adriano Mendes, Bernarda Cristóvão de Jesus, Maria
Mambo Café, Luzia Bebiana de Almeida Sebastião, Olívia Tchindongo, Luzia Pereira
de Sousa Inglês Van-Dúnem, Maria de Fátima Jesus Moreira Paiva, entre outras. Estas
trajectórias estiveram presentes em momentos-chave como o processo dos 50, a
insurreição de 4 de Fevereiro, o 8 de Março e nas lutas subsequentes que culminaram na
independência de Angola.
A presença destas mulheres legitimou práticas de subversão da norma ao integrar a
dimensão bélica e política, configurando novas formas de reconhecimento e de agência.
No combate armado, muitas delas reivindicavam igualdade com os homens ao
desempenharem tarefas como patrulhamento, rondas, segurança e maneio de armas.
Contudo, apesar da retórica em torno da emancipação feminina e da construção de uma
sociedade nova, persistia a divisão sexual do trabalho: enquanto os homens ocupavam
posições de comando, as mulheres eram em grande medida direccionadas para
actividades domésticas nos campos e para o cuidado de crianças e órfãos (Paredes,
2015).
As memórias destas mulheres, entretanto, não se apresentam de modo consensual, uma
vez que são atravessadas por disputas políticas e ideológicas. Os partidos que
conduziram a luta e conquistaram a independência empenharam-se em construir
narrativas próprias da sua trajectória histórica, elaborando galerias de heróis e vilões e
produzindo justificações sobre o que foi feito ou omitido (Neto, 2015). O processo de
rememoração, comemoração e celebração de datas nacionais — como o “Dia da
Fundação dos Partidos Políticos”, o “Dia do Herói Nacional”, o “Dia da Juventude” ou
o “Dia da Mulher” (este último, geralmente associado à OMA e à morte de Deolinda
Rodrigues) — operou como mecanismo de consolidação de temas, figuras e