Copyright © 2025. Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias Ekuikui II
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Revista Cientíca
de Estudos Multidisciplinares
do Planalto Central
REME
Revista Científica de Estudos Multidisciplinares do Planalto Central, V. 1, N. 2, Julho-Dezembro, p. 10-14, 2024
EDITORIAL
Educação em Angola: desafios e estratégias para a qualidade do ensino
Education in Angola: challenges and strategies for quality teaching
Educación en Angola: retos y estrategias para una enseñanza de calidad
A Revista Multidisciplinar do Planalto Central (REME), publicação do Instituto Superior
Politécnico do Humanidades e Tecnologia Ekuikui II, publica o seu segundo número,
dedicado ao tema "Educação em Angola: Desafios e Estratégias para a Qualidade
do Ensino".
Nesta edição convidamos todos os leitores a realizar uma reflexão profunda e crítica
sobre o desenvolvimento da Educação em Angola, cuja história exerce um impacto
significativo na realidade atual. A construção de uma sociedade, equitativa e próspera
depende da formação de cidadãos conscientes, críticos e preparados para enfrentar os
desafios do século XXI. Embora o sistema educativo angolano tenha alcançado
avanços notáveis nas últimas décadas, com um aumento do número de vagas
disponíveis e uma expansão da rede escolar, ainda enfrentamos desafios persistentes
que merecem atenção para melhorar a qualidade do ensino e dificultam o acesso à
educação de excelência.
Esta edição tem como objetivo analisar alguns dos principais desafios que se colocam
à educação em Angola, bem como apresentar estratégias para a melhoria da qualidade
do ensino.
Em síntese, Angola enfrenta uma série de desafios significativos no setor educacional,
que podem ser destacados da seguinte forma:
a) Acesso desigual: o acesso limitado à educação, ainda não é universal em
Angola, especialmente nas áreas rurais e comunidades mais vulneráveis onde
se verifica desigualdade de género.
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b) Baixa qualidade do ensino: A falta de professores qualificados, inadequação
dos currículos escolares, escassez de materiais didáticos e infraestruturas
escolares precárias colocam em causa a qualidade do ensino em Angola.
c) Professores desvalorizados: A falta de formação adequada, condições de
trabalho desfavoráveis e os baixos salários desmotivam os professores
d) Gestão ineficiente: As dificuldade de planeamento, burocracia, corrupção e
falta de transparência prejudicam a qualidade do ensino e dificultam a
implementação de políticas educativas eficazes.
e) Financiamento insuficiente: A falta de recursos financeiros limita a construção
de novas escolas, a aquisição de materiais didáticos, a formação de professores
e a execução de programas voltados para a melhoria da qualidade do ensino.
f) Tecnologia limitada: A integração das tecnologias da informação e
comunicação (TIC) na educação é essencial mas a falta de infraestruturas
tecnológicas, a escassez de recursos digitais e a formação inadequada dos
professores são um sério obstáculo à sua utilização eficaz.
Para superar os desafios enfrentados na educação, precisamos estabelecer estratégias
para melhorar a qualidade do ensino em Angola, a saber:
1. Investir na formação de professores: Garantir a formação inicial e contínua de
professores, assegurando as competências necessárias para oferecer um
ensino de alta qualidade; oferecer salários justos e boas condições de trabalho
para atrair e reter talentos.
2. Revisar e atualizar currículos: Garantir que os currículos sejam relevantes,
atendam às necessidades do país e estejam alinhados com as melhores
práticas internacionais.
3. Melhorar as infraestruturas escolares: Construir e reabilitar escolas, fornecer
equipamentos e materiais didáticos, além de assegurar o acesso a água potável
e saneamento básico.
4. Promover inclusão e equidade: Garantir o acesso à educação de qualidade
para todos, independente da sua orugem, género ou condição social.
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5. Investir em tecnologia e inovação: Integrar as tecnologias na educação, criar
plataformas digitais e capacitar os professores em TIC.
6. Fortalecer a gestão educacional: Implementar políticas de planeamento,
monitorização e avaliação, com transparência e responsabilidade.
7. Aumento do financiamento: O overno deve priorizar o investimento na
educação, com alocação eficiente de recursos.
8. Parcerias e colaborações: O governo deve colaborar com a sociedade civil,
setor privado e organizações internacionais para torcar experiências e recursos.
9. Parcerias internacionais para formação de professores: Em um período de
transição, estabelecer parcerias com instituições de ensino internacionais de
língua portuguesa pode ajudar a suprir a falta de professores qualificados,
especialmente nas províncias do interior, usando plataformas digitais.
A melhoria da qualidade do ensino em Angola é um desafio complexo, como o foi em
outras partes do mundo, mas é plenamente alcançável.
Se assumirmos esse compromisso e envolvermos todos os setores da sociedade,
podemos construir um sistema educativo de excelência, capaz de formar cidadãos
conscientes, críticos e preparados para impulsionar o desenvolvimento do país.
Esta edição apresenta cinco artigos que exploram diferentes aspetos da educação em
Angola, oferecendo insights valiosos e propostas concretas para a melhoria do
sistema.
Os artigos que abordam temas como a Formação Contínua dos Professores e
Qualidade do Processo de Ensino/Aprendizagem, destacando a sua relevância para
a qualidade do ensino e defendendo políticas eficazes e práticas ativas. Outro, um
estudo de caso na Província do Huambo, analisa os fatores do insucesso escolar no
ensino primário propondo soluções de melhoria. outro artigo discute os desafios à
formação docente em Angola, avaliando o impacto das reformas educativas e a
eficácia das metodologias de formação. No campo da matemática, um artigo propõe
estratégia didática inovadora para resolução de problemas matemáticos,
combinando teórica e prática com o uso de tecnologias. Por fim um programa de
alfabetização por rádio para crianças de zonas rurais fora do sistema de ensino
demonstra a eficácia da rádio na promoção da alfabetização.
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Queremos aproveitar o ensejo para fazer um breve balanço acerca dos artigos
submetidos para publicação.
Após um ano de funcionamento da REME, é com satisfação que observamos o
crescente interesse da comunidade académica em submeter seus trabalhos para
avaliação. Este aumento no número de submissões demonstra a relevância e o
potencial da revista como um espaço de divulgação científica de qualidade. No
entanto, é importante ressaltar que a qualidade dos artigos submetidos ainda precisa
ser melhorada para que a REME alcance seu pleno potencial. A estrutura e a
argumentação dos textos carecem de rigor, reflexo da falta de doutores e da sobrecarga
de trabalho dos docentes, que priorizam outras atividades em detrimento da pesquisa.
Um artigo científico visa apresentar descobertas relevantes, exigindo pesquisa
aprofundada e referências atualizadas. A comprovação das teorias é crucial, e a escrita
científica deve comunicar resultados de forma clara e eficaz. Se o investigador não
desenvolver a sua ideia, outro teórico poderá fazê-lo e receber os créditos. Portanto,
não hesite em arriscar! Sua ideia pode despertar interesse e servir de base para futuras
investigações.
A escrita científica é uma habilidade que se aprende, não um dom inato. Requer,
porém, o domínio do idioma e do vocabulário específico da área.
Para a redação dos artigos bem como a consulta das normas em vigor sugerimos a
consulta do site, (https://portalpensador.com/index.php/REME/autores).
A Equipa Editorial compromete-se a apoiar os autores na adequação aos padrões
internacionais, reconhecendo a importância da excelência na produção científica para
a pesquisa angolana.
Acreditamos no potencial da comunidade científica angolana para se destacar
globalmente e convidamos os autores a colaborarem conosco nesta jornada de
aperfeiçoamento contínuo.
Estamos à disposição para esclarecer dúvidas e oferecer suporte, promovendo um
ambiente científico colaborativo e de excelência.
Convidamos investigadores, académicos e profissionais a submeterem artigos para as
próximas edições da REME. Acreditamos que a revista continuará a ser um espaço de
excelência para a publicação científica. A REME mantém o compromisso com a
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qualidade, oferecendo publicação gratuita e garantindo um processo rigoroso de
revisão por pares, seguindo os mais elevados padrões de qualidade.
Agradecemos profundamente a todos os colaboradores, autores e revisores que
tornaram possível a Segunda Edição. O trabalho de todos é essencial para o sucesso
da REME e para impulsionar a ciência e educação em Angola e no mundo lusófono.
Seguiremos buscando novas perspectivas e soluções para os desafios da educação e
da sociedade.
Bem-vindos, a Equipa Editorial.
Editora Chefe
Marta Santos Vieira, PhD, Universidade Lusófona-Centro Universitário de Lisboa,
Portugal / Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias Ekuikui II,
Angola
Editores Associados
Professor Doutor Adelino Sanjombe, PhD, Instituto Superior Politécnico de
Humanidades e Tecnologias Ekuikui II, Angola
Josemar Agnaldo do Nascimento Vitorino, PhD, Instituto Superior Politécnico de
Humanidades e Tecnologias Ekuikui II, Angola
Este artigo está licenciado sob a licença: Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0
International License. Ao submeter o manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam
para a Revista Científica de Estudos Multidisciplinares do Planalto Central.