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Editorial
A Revista Científica do Kilamba (RCK) possui como lema
Scientia Liberat
e foi idealizada no
âmbito das actividades do Centro de Investigação Científica e
Desenvolvimento, do Instituto
Superior Politécnico Privado Kilamba (ISPP-Kilamba). A ideia surgiu com o intuito de promover
e
alavancar
a
produção
científica,
contribuindo
para
que
se
possa
analisar,
profunda
e
criteriosamente, os acontecimentos do meio científico.
Deve-se pensar globalmente e agir localmente, por isso, a RCK veio preencher essa lacuna como
periódico
científico
com
foco
multidisciplinar
para
a
produção
científica
ao
nível
nacional
e
internacional. Espera-se que a Revista Científica do Kilamba seja um meio de interacção entre
diversas áreas de conhecimento, instituições, investigadores, professores, estudantes e todos que
fazem parte do meio científico, tendo uma periodicidade anual.
O
Instituto
Superior
Politécnico
Privado
do
Kilamba
(ISPP-Kilamba),
como
instituição
de
ensino, investigação, extensão, desenvolvimento e inovação, apresenta a primeira edição da sua
Revista Científica. O número inaugural tem como título «Sociedade, Educação e Direitos em
Angola: Contribuições interdisciplinares contemporâneas». A relação entre sociedade, educação
e
direitos
em
Angola
reflecte
os
desafios
de
reconstrução
pós-conflito
e
de
consolidação
democrática,
onde
análises
interdisciplinares
—
integrando
Sociologia,
Pedagogia,
Direito
e
Economia — evidenciam profundas assimetrias sociais e económicas e regionais. Nesse cenário,
a educação posiciona-se como vector central para a cidadania activa e a superação de gargalos
históricos,
como
a
exclusão
escolar
e
o
analfabetismo.
Para
isso,
defende-se
a
melhoria
da
infraestrutura,
a
valorização
docente
e
uma
revisão
curricular
que
contemple
a
diversidade
cultural e linguística angolana, transformando a escola em um espaço legítimo de emancipação.
Por
fim,
a
efectivação
dos
direitos
fundamentais
no
país
depende
intrinsecamente
do
fortalecimento do espaço público, da actuação da sociedade civil e de instituições transparentes.
A
literatura
contemporânea
reforça
que
o
acesso
universal
e
equitativo
a
uma
educação
de
qualidade é a precondição para o exercício pleno de todos os demais direitos civis, políticos e
sociais garantidos pela Constituição de 2010. Assim, a articulação entre esses três eixos torna-se
o
caminho
indispensável
para
a
promoção
da
justiça
social
e
do
desenvolvimento
humano
sustentável em Angola.
REVISTA CIENTÍFICA DO KILAMBA
Copyright © 2026
.
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Revista Científica do Kilamba - RCK, Luanda, v. 1, n.1, pp. 8 - 11, Jul-Dez., 2026
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Esta edição apresenta oito artigos. O primeiro, “Política Educativa em Angola e a Garantia do
Direito
na
Educação”,
de
Faustino
Moma
Tchipesse,
articula-se
directamente
ao
título
do
número ao analisar a política educativa angolana sob a óptica da relação intrínseca entre Estado,
sociedade e garantias fundamentais, ao estabelecer uma distinção crítica entre o mero acesso
formal
à
escola
e
a
efectivação
do
“direito
na
educação”
mediante
critérios
de
gratuidade,
compulsoriedade, inclusão e qualidade. Por meio de uma abordagem interdisciplinar que cruza
a dogmática jurídica constitucional, a sociologia do currículo e a gestão pedagógica, o estudo
evidencia que problemas estruturais — como as assimetrias na distribuição dos saberes locais, o
obstáculo linguístico do ensino exclusivo em português e as falhas nas políticas públicas de apoio
escolar — perpetuam a exclusão socioeconómica, demonstrando que a oferta de uma educação
democrática,
intercultural
e
emancipatória
é
o
pressuposto
indispensável
para
o
combate
às
desigualdades, a promoção dos direitos humanos e o pleno desenvolvimento humano e social
em Angola.
O artigo “Preparação de Professores para a Inclusão em Educação Física: Estudo nos Complexos
Escolares do Cubango”, da autoria de Anastácio Sangola Tchinanga,
a
rticula
e
ducação
,
i
nclusão
s
ocial
e
d
ireitos
f
undamentai
s
.
O
estudo
investiga
as
lacunas
na
formação
d
ocente
(inicial
e
contínua) no
E
nsino
P
rimário na Província do Cubango para atender alunos com Necessidades
Educativas Especiais (NEE
)
. Relaciona
-
se com a dimensão dos direitos ao demonstrar
que a
efe
c
tivação da Política Nacional de Educação Especial e do direito universal à educação exige a
capacitação prática e metodológica dos professore
s
.
Adelson Fernando Ntyamba Cambinda e Nelson Braz Ndala Cambinda examinam, no artigo “A
Matemática que Existe no Jogo Não te Irrites ou Ludo” como um jogo tradicional e recreativo
amplamente
difundido
na
sociedade
angolana
(
Não
Te Irrites
/
Ludo
)
contém
conceitos
de
probabilidade,
estatística
e
raciocínio
lógico.
Ele
demonstra
como
a
valorização
dos
saberes
culturais locais pode ser transformada em ferramenta didáctica inclusiva no ambiente escolar,
garantindo o direito a uma aprendizagem significativa.
As “Percepções do Professor do Ensino Primário sobre Estereótipo de Género” é o título do
artigo de Ilídio Domingos Gaspar. Nele, unem-se Sociologia da Educação, Estudos de Género e
Direitos Humanos. O autor analisa as percepções de docentes do Ensino Primário na Província
do Bengo em relação aos papéis de género na sala de aula. Discute o funcionamento da escola
como um microcosmo social capaz de reproduzir ou desconstruir preconceitos e assimetrias,
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reforçando
a
importância
do
ambiente
escolar
na
promoção
da
equidade
e
na
garantia
da
igualdade de direitos entre meninos e meninas.
“O Peso do Silêncio: Sofrimento Mental entre Trabalhadores do
Sector Público-privado em
Angola”, da autoria de Américo Custódio Hungulo, conecta saúde ocupacional, psicodinâmica
do
trabalho
e
direitos
trabalhistas.
O
artigo
analisa
o
impacto
das
estruturas
organizacionais
rígidas, da sobrecarga e do silêncio institucional na saúde mental dos trabalhadores em Angola.
Associa-se ao tema global ao defender o direito a um ambiente de trabalho psicologicamente
seguro, alertando para a necessidade de políticas organizacionais que priorizem a saúde mental e
o bem-estar social.
Nuno
Osvaldo
Tiago,
em
“Avaliação
Psicológica
Forense
de
Homicídio
na
Prisão
de
Calomboloca de 2020 a 2021”, explora as áreas do Direito Penal, da Criminologia e da Psicologia
Forense.
Centrado
no
contexto
penitenciário
de
Calomboloca,
analisa
as
metodologias
e
os
desafios enfrentados pelos psicólogos na avaliação do estado mental e na determinação do risco
de reincidência de homicidas. Discute o papel da perícia técnica no auxílio ao sistema judiciário
angolano e na promoção do respeito pelos Direitos Humanos e pelas garantias constitucionais.
Deste modo, chega-se ao artigo de Juvenal Pelo Quicassa, intitulado “O Perfil do Diplomata
Angolano
na
Era
Contemporânea:
Desafios
e
Perspectivas”,
no
qual
articulam-se
Relações
Internacionais, Direito Internacional e Economia Política. Examina a evolução da política externa
angolana desde 1975 até à adopção da diplomacia económica contemporânea. O texto reflecte
sobre
o
papel
de
Angola
no
cenário
global,
destacando
a
necessidade
de
modernização
tecnológica
e
capacitação
profissional
para
defender
os
interesses
soberanos,
promover
o
desenvolvimento económico e assegurar a inserção do país em blocos internacionais.
Finalmente, “A Queda do Bajulador após a Exoneração da Chefia: Análise Teórica da Literatura
Existente”, da autoria de Afonso Nginamau Kevena e Jovaine Kunsdsato Caritas relaciona-se com
a Sociologia das Organizações, a Psicologia Social e a Cultura Política. Aborda o fenómeno do
“bajulismo” e das relações de patronato/clientelismo nas instituições. Contribui para o debate
sobre
o
desenvolvimento
da
sociedade
angolana
ao
discutir
a
importância
da
ética,
da
meritocracia
e
da
integridade
nas
instituições
públicas
e
privadas
como
condição
para
o
fortalecimento da cidadania e dos direitos.
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Cada um sinta-se comovido e convidado com forte convicção de que a união faz a força, na
continuação deste gérmen para sua periodicidade anual.
Afonso Nkuansambu, PhD
Editor-Chefe da Revista
Creative
Commons
Attribution-Non
Commercial
4.0
International
License
.
Ao
submeter
o
manuscrito, o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a Revista Científica do
Kilamba,
do
Instituto
Superior
Politécnico
Privado
do
Kilamba,
que
mantém
com
fundos
próprios a Revista.
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