Revista Científica do ISCED-Huíla  
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Editorial  
Ecossistemas do Sul de Angola: Biodiversidade,  
Inventariação, Dinâmicas Socioecológicas e Estratégias de  
Conservação  
Ecosystems of Southern Angola: Biodiversity, Inventorying, Socio-Ecological  
Dynamics, and Conservation Strategies  
Ecosistemas del Sur de Angola: Biodiversidad, Inventariación, Dinámicas  
Socioecológicas y Estrategias de Conservación  
A biodiversidade do país é considerada como uma das mais ricas e diversificadas da  
região, sendo igualmente uma das menos exploradas e documentadas do  
continente. Enfrenta, igualmente enormes desafios ligados à sobreexploração,  
aliada à fraca fiscalização e a quase inexistência de mecanismos de gestão dos  
recursos naturais da região. Nos últimos 15 anos, tem sido notável o aumento da  
produção científica sobre a biodiversidade do país, com ênfase para o sudoeste  
angolano, como resultado de algum esforço das instituições académicas desta  
região, consubstanciado na formação do capital humano, com a criação de cursos  
de pós-graduação nestas instituições de ensino superior, no domínio da Ecologia e  
Gestão dos Recursos Naturais no ISCED-Huíla, e mais recentemente em  
Biodiversidade, Genética e Conservação na Universidade Mandume Ya Ndemufayo,  
o que tem resultado em trabalhos de investigação de  
reconhecida qualidade,  
cobrindo diversos tópicos, desde a inventariação e monitorização da biodiversidade,  
gestão e conservação dos recursos naturais, gestão e conservação de coleções  
científicas entre outros tópicos. Foi nesta perspectiva que propusemos a publicação  
deste número especial, intitulado: Ecossistemas do Sul de Angola: Biodiversidade,  
Inventariação, Dinâmicas Socioecológicas e Estratégias de Conservação.  
Os artigos científicos avaliados, selecionados e publicados nesta edição especial  
resultam maioritariamente de dissertações da 2ª Edição do Mestrado em Ecologia  
e Gestão de Recursos Naturais, ministrado no ISCED-Huíla, desde 2018. Esta  
edição especial traz, também, artigos científicos desenvolvidos por investigadores  
afectos aos centros de investigação do ISCED-Huíla, num verdadeiro exercício de  
iniciação científica para estes jovens recém formados. Assim, o primeiro artigo:  
Caracterização e mapeamento da vegetação do Parque Nacional do Bicuar no  
Sudoeste de Angola, que abre o número da revista, estabelece um enquadramento  
ecológico mais amplo, ao mapear as classes de vegetação de uma área de  
conservação vital da nossa região - o Parque Nacional do Bicuar, combinando  
Sistemas de Informação Geográfica e Detecção Remota e as Métricas Fenológicas,  
com imagens em tempo real, que mostram as principais variações nas diferentes  
estações do ano, definindo, desta forma, a linha de base da biodiversidade nativa da  
região.  
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A discussão acerca das metodologias e técnicas de amostragem da vegetação são  
discutidas e apresentadas no segundo artigo: Comparação de dois métodos de  
amostragem da vegetação em parcelas de área variável no Parque Nacional do  
Bicuar, Huíla-Angola. Este artigo aprofunda o rigor científico e metodológico das  
técnicas de amostragem, usando parcelas de área fixa e diferentes tamanhos.  
Fornece uma discussão acerca das ferramentas cruciais para a tomada de decisão  
sobre a metodologia a adoptar para inventariar e monitorizar a dinâmica florestal,  
assim como descreve a riqueza e a diversidade de espécies, como a vegetação  
constitui um sistema dinâmico, resultante das várias acções do homem sobre o  
meio;  
A Análise da regeneração natural da vegetação nas áreas afectadas pela exploração  
mineira na Serra do Cristo Rei, Lubango-Angola é apresentada e discutida no quarto  
artigo, que convida os leitores a reflectirem sobre os processos de degradação  
ambiental como uma ameaça real nesta região. O estudo marca uma mudança de  
enfoque no percurso temático da edição ao evidenciar as perturbações antrópicas,  
sobretudo as decorrentes da actividade mineira,  
avaliando a capacidade de  
resiliência e regeneração natural da vegetação nativa nestes espaços severamente  
degradados. Este estudo procura clarificar que, perante uma regeneração apenas  
incipiente, são necessárias estratégias de restauração mais eficazes.  
O artigo: Impactos ambientais da companhia siderúrgica do Cuchi: uma avaliação  
para a sustentabilidade socioambiental, mostra como o desenvolvimento  
económico, muitas vezes, colide com a conservação ambiental. Neste sentido, a  
exploração dos recursos naturais quase sempre acarreta impactos ambientais, que  
variam na sua severidade, nos casos em que as medidas de mitigação e as medidas  
compensatórias não são em geral levadas em consideração na exploração mineira.  
Nesta abordagem sobre a exploração do minério de ferro no município do Cuchi,  
actual província do Cubango, o estudo identificou a existência de cerca de 477  
impactos negativos, contra apenas 110 impactos considerados positivos pelos  
entrevistados.  
Os resultados obtidos evidenciam a urgência do desenvolvimento de estratégias de  
mitigação eficazes, visando a sustentabilidade ambiental da região e a promoção de  
um desenvolvimento económico saudável, aliado a preservação ambiental. As  
ameaças à biodiversidade da região são uma preocupação premente, pois a região é  
detentora de alguns dos ecossistemas mais sensíveis, contendo algumas das espécies  
endémicas e emblemáticas da nossa flora e que sofre bastante com a pressão do  
crescimento urbano e a ausência de estratégias eficazes de conservação.  
No artigo seguinte: Caracterização florística da Reserva Ambiental Nativa  
“Preciosa”, no Município da Humpata, Angola, os autores chamam a atenção para a  
riqueza florística do planalto da Humpata, com um registo de 15 espécies endémicas,  
o que amplia o conhecimento botânico da região e fornece subsídios para estratégias  
de gestão e conservação da biodiversidade regional. A conservação das espécies da  
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flora da região requer, muitas vezes, a adopção de outras estratégias de conservação  
nas reservas privadas, visando a mudança de paradigma nos principais programas  
de reflorestação, que, em regra, são usados com recurso a espécies de crescimento  
rápido. No entanto, pouca atenção tem sido dada às espécies nativas, consideradas  
difíceis de serem reproduzidas em viveiros.  
O artigo seguinte: Avaliação do potencial de germinação de duas espécies florestais  
nativas: Afzelia quanzensis (Welw.) e Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.)  
J.Kirk ex J.Léonard apresenta a ciência base para a solução. Uma vez que a  
regeneração natural não é suficiente, é necessário perceber como viabilizar a  
reflorestação. O estudo avalia os tratamentos pré-germinativos e o potencial de  
quebra de dormência de sementes, cruciais para a recuperação de áreas degradadas  
no Sul de Angola.  
O artigo: Produção de mudas de espécies arbóreas nativas como estratégia de  
educação ambiental consolida o conhecimento gerado sobre a propagação de  
espécies e aplica-o no terreno, transformando o desenvolvimento de viveiros numa  
ferramenta simultânea de recuperação ecológica e educação ambiental nas escolas  
e nas comunidades locais. A vegetação e as suas características típicas constituem  
uma componente importante, pois ao longo dos anos têm moldado o modo de vida  
das populações, essencialmente a agropastoril.  
Finalmente,  
o
artigo:  
Caracterização  
Socioecológica  
dos  
Corredores  
de  
Transumância no Município dos Gambos, Província da Huíla, foca-se nas  
comunidades agropastoris do Sul de Angola, na sua organização social hierárquica  
e nas deslocações sazonais do gado em busca de pasto e de água. Para além de  
abordar a flora apenas do ponto de vista estrutural, avalia-a como recurso de  
sobrevivência (forragem) para as comunidades, destacando a relação do homem e  
do gado com as formações de Mopane e o Miombo.  
Francisco Maiato  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Herbário do Lubango  
Ao submeter o manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a  
REVISTA CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências de  
Educação da Huíla, que mantém com fundos próprios a Revista.  
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