Revista Científica do ISCED-Huíla
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Introdução
O conhecimento sobre a distribuição espacial da vegetação e a composição das
espécies é fundamental para a gestão sustentável dos recursos naturais,
planeamento da conservação e a compreensão das dinâmicas ecológicas dos
ecossistemas (Revermann et al., 2018). A vegetação constitui a base estrutural dos
ecossistemas terrestres, servindo de habitat para inúmeros organismos e refletindo
interações complexas entre fatores bióticos e abióticos, como relevo, solo, hidrologia
e o clima (Revermann et al., 2018). A análise e o mapeamento da vegetação
permitem compreender os padrões de diversidade, produtividade e resiliência
ambiental, sendo ferramentas necessárias e indispensáveis para a gestão do
território e a monitorização de mudanças nos habitats.
Em Angola, os primeiros esforços de caracterização da vegetação remontam a
Gossweiler (1939), com a elaboração da primeira carta fitogeográfica nacional.
Posteriormente, Grandvaux Barbosa (1970) aperfeiçoou esse trabalho, tornando-o
uma referência fundamental na classificação das comunidades de vegetação do país.
Estudos mais recentes, como os de Gonçalves (2008), que apresentou resultados de
um extenso trabalho de campo, realizado em algumas zonas da província, onde foi
feita colheita de espécimes, que depois de identificados foram herborizados e
introduzidos numa checklist de plantas da província da Huíla. Tchamba (2017)
apresenta a descrição das comunidades de vegetação do município do Chipindo,
utilizando a mesma metodologia de parcelas. Fez igualmente a análise de alguns
índices de diversidade e de riqueza, que permitiu identificar parcelas mais ricas e
mais biodiversas, e Revermann e Finckh (2018) ampliaram o conhecimento sobre
as formações de vegetação angolana, fazendo recurso a metodologias de parcelas e
técnicas de geoprocessamento, consolidando bases de dados sobre a estrutura e
composição da vegetação na região sudoeste do país.
Por seu lado, o Parque Nacional do Bicuar (PNB), localizado na província da Huíla,
representa uma das áreas de conservação mais significativas do sul de Angola.
O parque foi criado em 1938, tendo sido estabelecido como Reserva Parcial de Caça
(Portaria N.º 2620 de 16 de abril de 1938), tendo passado posteriormente à
categoria de Parque Nacional pelo
N.º.nº 3527 de 26 de dezembro de 1964
(Huntley, 1974). O objectivo da criação do mesmo foi para servir como reserva de
caça. Durante a guerra civil, o Parque permaneceu sem uma administração, o que
facilitou a invasão pelas comunidades vizinhas e algumas propriedades agrícolas
(Fazendas) que acabaram por penetrar no interior do mesmo, obrigando o
redimensionamento do mesmo nos últimos anos, depois da reposição do sistema de
gestão com uma administração e fiscais em 2008, pelo Ministério do Ambiente
(Delgado, 2025; Chicomo, 2018).
Inserido em uma zona de transição climática entre o norte mais húmido e o Sul mais
seco (Huntley, 1970; Huntley, 2023), o PNB apresenta elevada heterogeneidade
ambiental, refletida na diversidade de suas formações vegetais, que incluem bosques
Revista Científica do ISCED - Huíla, Lubango |v. 3, n.1 |pp 10-26| Janeiro-Junho|2022
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