Revista Científica do ISCED-Huíla  
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Caracterização e mapeamento da vegetação do Parque  
Nacional do Bicuar no sudoeste de Angola  
Characterization and mapping of the vegetation of Bicuar National Park in  
Southwestern Angola  
Caracterización y mapeo de la vegetación del Parque Nacional de Bicuar en el  
suroeste de Angola  
Manuel Jundo Cachissapa1  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Universidade Estadual de Montes Claros, Laboratório de Ecologia Evolutiva, MG  
Marina Filomena Francisco Rafael2  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Universidade de Lisboa-Center for Ecology, Evolution Envrioment Change (CE3C),  
Tropical Plants and Systems  
António Valter Chisingui3  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Resumo  
O conhecimento sobre as formações vegetais de uma dada região assume um papel  
importante no manuseamento e gestão dos recursos florísticos. O estudo foi  
realizado no Parque Nacional do Bicuar, localizado na província da Huíla, com uma  
extensão histórica de 6800 km² e teve como objectivo principal caracterizar e  
,
mapear a vegetação do parque, com recurso aos Sistemas de Informação Geográfica  
e técnicas de Deteção Remota. Para o levantamento da vegetação fez-se recurso às  
parcelas 20 × 50 m, contendo uma subparcela menor de 10 × 10 m², considerada  
como unidade independente da subunidade maior, e foram medidos todos os  
indivíduos com DAP ≥ 5 cm, da subparcela menor, seguindo o protocolo de  
treinamento do mapeamento da vegetação, em que foram amostrados 350  
indivíduos. Os dados obtidos no inventário florestal foram analisados com auxílio  
do Microsoft Excel. A análise das classes e a análise de similaridade entre as parcelas  
para classificação da vegetação foi feita no programa estatístico PAST (versão 4.11).  
Os resultados das métricas fenológicas foram obtidos processando os dados no  
TIMESAT, a fim de analisar o comportamento da vegetação tendo em conta as  
1Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo ISCED-Huíla  
2Mestre em Sistema de Informação Geográfica e Modelação Territorial Aplicado ao Ordenamento,  
Universidade de Lisboa (IGOT), Portugal  
3Doutor em Ciências do Ambiente, Universidade de Évora, Portugal.  
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variedades ambientais. O resultado foi a composição de um mapa com as classes de  
vegetação do Parque Nacional do Bicuar, dando ênfase à classe de Brachystegia  
utilis, que não foi descrita anteriormente. A classificação final a distribuição das  
espécies correspondentes a cada classe de vegetação baseou-se na abundância de  
espécies, tendo sido estratificada em 5 classes de vegetação com recurso a imagens  
do sensor MODIS.  
Palavras-chave: Vegetação, Mapeamento, Parque Nacional do Bicuar  
Abstract  
Knowledge about plant formations of a given region plays an important role in the  
handling and management of floristic resources. The study was carried out in Bicuar  
National Park, located in the province of Huíla, with a historical extent of6800km2,  
and its main objective was the vegetation of the park, using Information Systems  
Geographies and Remote Detection Techniques. To survey the vegetation, 20 × 50  
m plots were used, containing a smaller subplot of 10 × 10 m2, considered as an  
independent unit of the larger subunit, and all individuals with DAP≥ 5 cm, from  
the smaller subplot???, following the vegetation mapping training protocol, in which  
350 individuals were sampled. The data obtained from the forest inventory were  
analysed using Microsoft Excel. Class analysis and similarity analysis between plots  
for vegetation classification were performed using the PAST statistical program  
(Version 4.11). The phenological metrics results were obtained by processing the  
data in TIMESAT to analyse vegetation behavior, considering environmental  
variations. The result was the completion of a map showing the vegetation classes of  
Bicuar National Park, emphasizing the Brachystegia utilis class, which had not been  
previously described. The final classification of the species distribution  
corresponding to each vegetation class was based on species abundance and was  
stratified into five vegetation classes using MODIS imagery.  
Keywords: Vegetation, Mapping, Bicuar National Park  
Resumen  
Conocimiento sobre las formaciones vegetales de una región determinada  
desempeña un papel importante en el manejo y gestión de los recursos. Florística.  
El estudio se realizó en el Parque Nacional Bicuar, ubicado en la provincia de Huiallí,  
con un alcance histórico de 6800 km2, y su objetivo principal era caracterizar y  
mapear la vegetación del parque, utilizando sistemas de información geográfica y  
técnicas de detección remota. Para el estudio de la vegetación se utilizaron parcelas  
de 20 × 50 m,que contienen una subparcela más pequeña de 10 × 10 m2,  
considerada como una unidad independiente de la subunidad más grande, y todos  
los individuos con SALTO≥ 5 cm, de la subparcela más pequeña, siguiendo el  
protocolo de entrenamiento para el mapeo de vegetación, en el que se muestrearon  
350 individuos. Los datos obtenidos del inventario forestal se analizaron con  
Microsoft Excel. El análisis de clases y el análisis de similitud entre parcelas para la  
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clasificación de la vegetación se realizaron con el programa estadístico PAST  
(versión 4.11). Los resultados de las métricas fenológicas se obtuvieron mediante el  
procesamiento de los datos en TIMESAT, con el fin de analizar el comportamiento  
de la vegetación considerando las variaciones ambientales. El resultado fue la  
elaboración de un mapa que muestra las clases de vegetación del Parque Nacional  
Bicuar, con énfasis en la clase Brachystegia utilis, la cual no se había descrito  
previamente. La clasificación final de la distribución de especies correspondiente a  
cada clase de vegetación se basó en la abundancia de especies y se estratificó en cinco  
clases de vegetación utilizando imágenes MODIS.  
Palabras clave: vegetación, metro Desembarco, Parque Nacional Bicuar  
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Introdução  
O conhecimento sobre a distribuição espacial da vegetação e a composição das  
espécies é fundamental para a gestão sustentável dos recursos naturais,  
planeamento da conservação e a compreensão das dinâmicas ecológicas dos  
ecossistemas (Revermann et al., 2018). A vegetação constitui a base estrutural dos  
ecossistemas terrestres, servindo de habitat para inúmeros organismos e refletindo  
interações complexas entre fatores bióticos e abióticos, como relevo, solo, hidrologia  
e o clima (Revermann et al., 2018). A análise e o mapeamento da vegetação  
permitem compreender os padrões de diversidade, produtividade e resiliência  
ambiental, sendo ferramentas necessárias e indispensáveis para a gestão do  
território e a monitorização de mudanças nos habitats.  
Em Angola, os primeiros esforços de caracterização da vegetação remontam a  
Gossweiler (1939), com a elaboração da primeira carta fitogeográfica nacional.  
Posteriormente, Grandvaux Barbosa (1970) aperfeiçoou esse trabalho, tornando-o  
uma referência fundamental na classificação das comunidades de vegetação do país.  
Estudos mais recentes, como os de Gonçalves (2008), que apresentou resultados de  
um extenso trabalho de campo, realizado em algumas zonas da província, onde foi  
feita colheita de espécimes, que depois de identificados foram herborizados e  
introduzidos numa checklist de plantas da província da Huíla. Tchamba (2017)  
apresenta a descrição das comunidades de vegetação do município do Chipindo,  
utilizando a mesma metodologia de parcelas. Fez igualmente a análise de alguns  
índices de diversidade e de riqueza, que permitiu identificar parcelas mais ricas e  
mais biodiversas, e Revermann e Finckh (2018) ampliaram o conhecimento sobre  
as formações de vegetação angolana, fazendo recurso a metodologias de parcelas e  
técnicas de geoprocessamento, consolidando bases de dados sobre a estrutura e  
composição da vegetação na região sudoeste do país.  
Por seu lado, o Parque Nacional do Bicuar (PNB), localizado na província da Huíla,  
representa uma das áreas de conservação mais significativas do sul de Angola.  
O parque foi criado em 1938, tendo sido estabelecido como Reserva Parcial de Caça  
(Portaria N.º 2620 de 16 de abril de 1938), tendo passado posteriormente à  
categoria de Parque Nacional pelo  
N.º.nº 3527 de 26 de dezembro de 1964  
(Huntley, 1974). O objectivo da criação do mesmo foi para servir como reserva de  
caça. Durante a guerra civil, o Parque permaneceu sem uma administração, o que  
facilitou a invasão pelas comunidades vizinhas e algumas propriedades agrícolas  
(Fazendas) que acabaram por penetrar no interior do mesmo, obrigando o  
redimensionamento do mesmo nos últimos anos, depois da reposição do sistema de  
gestão com uma administração e fiscais em 2008, pelo Ministério do Ambiente  
(Delgado, 2025; Chicomo, 2018).  
Inserido em uma zona de transição climática entre o norte mais húmido e o Sul mais  
seco (Huntley, 1970; Huntley, 2023), o PNB apresenta elevada heterogeneidade  
ambiental, refletida na diversidade de suas formações vegetais, que incluem bosques  
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abertos de Brachystegia e Julbernardia, bosques de Baikiaea e Burkea e savanas  
arbustivas intercaladas com áreas de drenagem e mulolas (Godlee, 2019). Os fogos  
descontrolados e o acesso do gado são os principais factores que estão a alterar os  
recursos vegetais do parque e devem ser geridos activamente (Elizalde et al., 2020;  
Delgado, 2025).  
Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivos: a) realizar o  
levantamento da vegetação em parcelas representativas dos principais habitats do  
PNB; b) determinar as métricas fenológicas da vegetação a partir de dados de  
detecção remota e compreender como a brotação e senescência respondem às  
diferentes condições ambientais ao longo do ano; e c) elaborar o mapa de coberto  
do solo do PNB, a partir de imagens MODIS.  
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Materiais e Métodos  
Área de estudo  
O estudo decorreu no PNB, localizado na província da Huíla entre os municípios da  
Matala, Quipungo, Gambos e Chibia, conforme figura 1. O mesmo ocupa uma área  
de 6800 km² atualmente, no entanto, estas dimensões são objecto de discussão  
devido à existência de fazendas agrícolas ao longo da margem sul do mesmo e à  
perda de território nas regiões de Matala (Capelongo) e Quipungo (Nongalafa e  
Ombo).  
Figura 1: Angola, com destaque à província da Huíla à direita e à localização do Parque Nacional do  
Bicuar em vermelho na província da Huíla à esquerda  
Segundo Mendelson & Mendelson (2018), o PNB situa-se entre os 1200 e 1400  
metros de altitude, apresentando um clima tropical seco com temperaturas médias  
anuais, máxima de 23°C e mínima de 15°C. A precipitação anual varia entre os 650  
e 900 mm/ano (figura 2).  
Figura 2: Gráfico da temperatura e pluviosidade anuais no Parque Nacional do Bicuar (Fonte:  
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A distribuição da precipitação na área de estudo não é homogénea, tendo algumas  
regiões que apresentam valores mais altos em relação às outras. O parque encontra-  
se numa zona de transição climática entre o norte mais húmido e o sul mais seco,  
essencialmente ao longo da zona de influência do deserto do Calahari. As chuvas  
aumentam significativamente em direcção ao norte (média de 850 mm/ano), que  
recebe quase 200 mm mais que o Sul (650 mm/ano).  
Vegetação  
A vegetação do Parque Nacional do Bicuar apresenta uma estrutura muito  
interessante, influenciada por diversos elementos do meio. Para Diniz (1991), o PNB  
está inserido dentro da zona fitogeográfica de Floresta aberta “Mata de Panda” e  
savanas arbustivas, constitui a comunidade fito-climática do centro planáltico  
angolano, que se caracteriza por uma alternância de estação chuvosa e seca, bem  
definidas. A “Mata de Panda” inclui formações afins de savana-bosque que são  
caracteristicamente dominadas por um estrato superior de Brachystegia  
spiciformis, Brachystegia tamarindoides e Julbernadia paniculata e um estrato  
inferior arbustivo, dominado por Diclorinchus condilocarpon, Baphia massaensis  
e Combretum spp.  
Parque Nacional do Bicuar se encontra numa zona que compreende três ecorregiões  
(ER), designadamente o miombo (ER 49 - Angolan Miombo Woodland), bosques  
de Baikiaea com dominância de Baikiaea plurijuga e Baphia massaiensis sp.  
obovata (ER 51 - Zambezian Baikiaea Woodland) e bosques de Mopane (ER 55 -  
Angolan Mopane Woodland) (Burgess et al., 2004).  
Procedimentos de obtenção dos dados da vegetação e de satélite  
A colecta de dados da vegetação foi realizada durante a estação chuvosa, entre os  
anos  
2022 e 2023, para tal fez-se recurso às parcelas. No total foram amostradas  
55 parcelas, nos diferentes tipos de vegetação do PNB, cada uma destas parcelas  
possuía 20×50 m (1.000 m²), com subparcelas de 10×10 m (100 m²) no interior da  
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parcela principal, considerada como unidade amostral independente (Freitas &  
Magalhães, 2012; Revermann et al., 2013).  
Esta abordagem metodológica foi escolhida por ser eficiente e prática em  
levantamentos de vegetação de savana, permitindo estimar com precisão a  
composição florística, a estrutura e a densidade das espécies e poder amostrar  
muitas áreas em tempo razoável. Alguns dados recolhidos incluíam em cada parcela  
o registo do nome de todas as espécies cujos indivíduos se encontravam na mesma,  
no estrato arbóreo-arbustivo todos os indivíduos com diâmetro à altura do peito  
(DAP) ≥ 5 cm foram medidos e registados, todos aqueles que não foi possível  
identificar no campo, foram recolhidas amostras de herbário, que foram  
posteriormente identificadas no herbário LUBA (Revermann et al. 2013). Além  
dessas outras informações consideradas importantes, foram recolhidas, tais como a  
quantidade de manta morta, a regeneração, as perturbações e outras características  
do terreno (Gonçalves et al., 2021; Tchamba, 2017).  
Outra componente de estudo incluía as métricas fenológicas, para as determinações  
destas foram processadas imagens de coberto do solo, obtidas pelo sensor MODIS  
(Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer) a bordo dos satélites Terra e  
Aqua, que possuem uma resolução espacial de 250 m, nas Banda 1 (vermelho: 0.62–  
0.67 µm) e Banda 2 (NIR: 0.84–0.88 µm), usadas principalmente para monitorar  
vegetação e cobertura do solo.  
Foram descarregadas imagens referentes aos anos (2021, 2022, 2023) para gerar  
dados fenológicos; estes anos foram selecionados por serem os últimos da série que  
antecederam ao estudo. O processamento foi feito no software TIMESAT com o  
objectivo de criar as métricas fenológicas (DOY Start Green; Amplitude; Latent  
Integral; Total Integral).  
As métricas mostraram grande capacidade para classificar a vegetação do PNB.  
Depois de seleccionadas, as mesmas foram classificadas usando o método ISODATA  
(técnica iterativa de análise de dados auto-organizada), que é um método de  
classificação não-supervisionada de imagens de satélite com grande aplicabilidade,  
para agrupar pixels com características semelhantes em classes e a exclusão de  
classes.  
O método usa uma abordagem iterativa que incorpora vários procedimentos  
heurísticos (tentativa e erro) para calcular classes. O método de classificação  
ISODATA é semelhante ao método K Means, mas incorpora procedimentos para  
dividir, combinar e descartar classes experimentais para obter um conjunto ideal de  
Análise de dados  
Os dados recolhidos foram primeiramente lançados num ficheiro do Microsoft  
Excel, que permitiu o armazenamento, a interpretação e análise das informações das  
espécies da vegetação, que compõem a área de estudo. A identificação botânica das  
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espécies cujos indivíduos foram registados nas parcelas foi feita com recurso aos  
guias de identificação de plantas de Van Wyk (2013); Koekemoer et al. (2013). E  
através da comparação com espécimes de herbário, presentes no herbário LUBA. A  
nomenclatura das espécies seguiu Estrela & Smith (2008) e o sítio Plants of the  
World Online (POWO) (2024), disponível em https://powo.science.kew.org/ . Os  
dados permitiram fazer uma análise relacionada ao período em que a vegetação das  
parcelas sofreu com a acção dos últimos fogos, à estrutura e composição. As  
informações coletadas foram comparadas com (Chisingui et al.2018).  
A análise de similaridade entre as parcelas para classificação da vegetação foi feita  
no programa estatístico PAST versão 4 (Hammer & Harper, 2024), o que permitiu  
comparar a composição e a estrutura das comunidades vegetais; as parcelas foram  
agrupadas tendo em conta a similaridade entre elas. O mapa de vegetação da área  
de estudo foi então importado para o QGIS (versão 3.28) para a sua respectiva  
classificação.  
A estruturação das informações e dos dados foi obtida através do trabalho de campo  
e das imagens do sensor MODIS. A partir da digitalização das diferentes classes de  
vegetação constantes no mapa de Teixeira (1968), foi feita a georreferenciação dos  
lugares para confrontar as informações colhidas no campo com as classes que  
Teixeira discrimina.  
Técnicas de edição e generalização de mapas  
O mapa primário importado para o Qgis é classificado. Por outro lado, o mapa de  
Teixeira (1963) foi submetido à vectorização no mesmo programa; a representação  
das unidades cartográficas levantadas exigiu um trabalho aturado para representar  
todas as curvas. Quanto aos dados recentes, foi possível agregar mapas  
complementares, como de localização geográfica do território mapeado,  
hipsometria, geologia, climatologia, pedologia e vegetação potencial, para evitar  
erros na leitura do mapa (Farinelli 1989).  
Em cada fase do levantamento e durante a elaboração definitiva do mapa, é sempre  
indispensável proceder a uma generalização que envolva tanto o aspecto botânico  
(Isachenko,1962) como o aspecto cartográfico à escala do mapeamento  
(Topfer,1979).  
A generalização geográfica pode ser acentuada mais ou menos de acordo com o  
detalhe a ser alcançado e a escala em que se trabalha, devendo, portanto, submeter-  
se aos critérios da generalização, ou seja, aqueles utilizados para a topografia,  
hidrografia, hipsometria. Para o aspecto botânico, deve-se abrir mão de representar  
todos os detalhes colectados em campo, por dois motivos principais: um de natureza  
gráfica, eliminando todos aqueles detalhes que são muito difíceis de mostrar no  
mapa; e de natureza científica, na medida em que o conteúdo do mapa não é apenas  
uma “fotografia” da vegetação no campo, mas apresenta uma interpretação  
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científica homogênea da mesma em todos os pontos da área pesquisada. O grau de  
detalhe da representação deve ser sempre o mesmo em toda a área estudada.  
Quanto ao aspecto cartográfico (limites da vegetação), a generalização consiste  
sobretudo na eliminação de alguns dos vértices limitantes de modo a torná-los mais  
lineares, compatíveis com o nível de precisão previamente definido.  
Resultados e discussão  
O levantamento da vegetação feito nas parcelas do Parque Nacional do Bicuar  
possibilitou amostrar perto de 350 indivíduos. No estudo desenvolvido fez-se  
apenas a identificação botânica das espécies arbóreas e arbustivas. Neste trabalho,  
não foi feita a identificação das gramíneas; o resultado no mapa de vegetação da  
classe de gramíneas foi feito a partir da análise dos resultados das métricas  
fenológicas.  
Mapeamento da vegetação  
O mapa de vegetação do Parque Nacional do Bicuar obtido pela análise de  
similaridade das parcelas amostradas e pela análise das métricas fenológicas  
resultou em cinco principais classes de vegetação (Figura 3). Respectivamente, 1)  
Mosaico de savana com Vachellia spp., uma formação em que a dominância recai  
para as espécies da família Fabaceae, com espinhos de Mimosa pigra, Vachellia  
nilótica e Copaifera bauniana; 2) Os bosques de Brachystegia utilis e Julbernadia  
paniculata constituem a formação dominante na maior parte do parque, onde se  
encontra algum estrato ocupado por gramíneas; nessa formação é frequente  
encontrar-se também Combretum psidioides e Terminalia sericea. 3) Pradarias de  
Hyparrhenia rupha e outras gramíneas e sufrutices cobrem as vastas margens das  
linhas de água (mulolas) na parte Sul do PNB, com poucas árvores que surgem  
nas zonas mais altas; 4) Bosques de Burkea africana, sempre acompanhados por  
Guibourtia coleosperma, que não atinge o estado adulto devido à perturbação  
pelos elefantes. Outras espécies acessórias são Ochna pulchra e Pericopsis  
angolensis. Estas formações são menos sensíveis ao fogo, visto que as espécies  
principais apresentam características que lhes permitem resistir aos incêndios. E  
por último 5) Bosques de Baikiaea plurijuga e Baphia massaiaensis, distribuídos  
na parte Sul do PNB, onde se pode encontrar árvores de grande porte, que podem  
atingir os 15 metros de altura. Refira-se aqui que nesta formação, a Baikiaea  
plurijuga foi em grande parte devastada por causa da qualidade da sua madeira.  
As classes de vegetação obtidas no mapa final resultaram de uma classificação não  
supervisionada tendo em conta as características espectrais. A análise dos dados, o  
resultado das métricas fenológicas bem como o teste de similaridade feito, permitiu  
classificar as formações de vegetação que compõem o PNB, conforme a figura  
abaixo.  
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Figura 3: Mapa final das classes de vegetação do PNB, à esquerda, mapa de Teixeira (1968) e à  
direita, resultado do processamento do coberto do solo.  
O mapa final gerado foi comparado com a Carta de Vegetação do PNB, que foi  
elaborada por Teixeira (1968), com o propósito de se verificar algumas semelhanças,  
mudanças e a existência de novas classes não descritas antes, especialmente a  
comunidade dominada pela Brachystegia utilis.  
Métricas Fenológicas  
As métricas fenológicas têm um papel de destaque no mapeamento da cobertura da  
vegetação, pois elas oferecem informações que levam à compreensão sobre o  
comportamento e a dinâmica das plantas ao longo do tempo. A fenologia da  
vegetação descreve as fases ou estágios sazonais do ciclo de vida dos diferentes tipos  
de vegetação moldados por padrões climáticos, desde o verdejamento, brotamento  
e floração até o desenvolvimento do dossel e senescência (Kimball, 2015).  
As mudanças nas métricas fenológicas podem apontar para um determinado  
distúrbio ambiental, como seca, aumento ou diminuição drástica da temperatura. O  
mapeamento dessas mudanças pode ajudar na gestão dos recursos naturais e na  
conservação da biodiversidade. Assim, as séries temporais dos índices de vegetação  
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derivados de medições espectrais de satélite podem ser usadas para obter  
informações sobre a evolução sazonal da vegetação (Eklundh e Jönsson 2017).  
Segundo Eklundh & Jönsson (2017), na versão actual do TIMESAT uma série de  
parâmetros-chave de sazonalidade, como o período de início e fim da temporada, o  
maior valor e a amplitude, é calculada para cada uma das temporadas completas na  
série temporal. Os parâmetros de sazonalidade foram extraídos a partir do  
TIMESAT, o que permitiu determinar os diferentes ciclos fenológicos (início e fim  
da estação de crescimento, a partir dos dados suavizados). O resultado dos dados  
processados no TIMESAT permitiu analisar a mudança temporal na cobertura  
vegetal do PNB, conforme se vê nos mapas que se seguem.  
A fenologia da vegetação corresponde aos estágios de desenvolvimento sazonais no  
ciclo de vida das plantas, incluindo a emergência foliar, o crescimento da copa, a  
floração e a senescência, que estão estreitamente ligados à sazonalidade dos padrões  
climáticos (Stellmes et al. 2013).  
O Doy start green (dia do ano do início da coloração verde da vegetação), no caso de  
vegetação caducifólia, corresponde ao surgimento das folhas no fim da estação seca.  
Segund0 a  
figura 4, pode-se visualizar o início dos estágios fenológicos em  
diferentes dias do ano das classes existentes, sendo que a norte, centro e sul, são os  
lugares onde verifica-se os valores mínimos devido as espécies que ali se encontram,  
gramíneas e herbáceas próximo as linhas de água começando muito cedo com o  
processo de crescimento das folhas, ocorrendo nos dias 275 (Setembro), os máximos  
observam-se a Este, onde encontra-se a Brachystegia spiciformis, Julbernadia  
paniculata, Burkea africana Baikiaea plurijuga que começam mais tarde com o  
processo de crescimento das folhas, ocorrendo nos dias 285 a 316 (Outubro e  
Novembro).  
Figura 4: Métrica fenológica Day Start Green, NO Parque Nacional do Bicuar, veja-se o destaque  
nas zonas mais baixas.  
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Tendo em conta a figura 4 do início do desenvolvimento vegetativo no PNB, percebe-  
se que as primeiras folhas surgem a partir do dia 280, isto é, no mês de setembro.  
Apesar de existir, uma classe que começa no decorrer dos dias 275 (setembro).  
As caixas de bigode mostram a relação existente entre as classes de vegetação e o dia  
em que começam com a emergência foliar, realçando a caixa da classe seis, que  
apresenta o crescimento das folhas mais tardio, tem o início do processo de foliação  
a partir dos dias 285, as demais classes estão entre os dias 280. Apesar da diferença  
existente no início da estação, pode-se ver uma sincronização entre as diferentes  
classes no que diz respeito ao início das primeiras folhas.  
Tendo em conta as condições ambientais do PNB, verifica-se uma associação ou  
sincronização entre as classes de vegetação, conforme ilustra o mapa da figura 5;  
isso deve-se às espécies que ocupam uma maior área, como a Julbernadia,  
Brachystegia, as classes de vegetação, existentes no PNB, onde os valores máximos  
registam-se na parte central do parque.  
Figura 5: Métrica fenológica, Latent integral.  
Segundo a figura 5, não existe uma associação significativa entre as classes 1 e 6,  
devido à dominância da Burkea que apresenta uma copa maior, não permitindo o  
desenvolvimento das outras espécies. A associação forte entre as classes é notória,  
em que as classes 2, 3, 4 e 5 apresentam uma forte interligação. No mapa obtido é  
possível observar que a variação do total integral não é muito acentuada.  
O total integral, figura 6, foi muito expressivo no centro do PNB, onde há uma  
dominância de Brachystegia spiciformis, Baphia masaiensis e Burkea africana,  
apesar de ser uma vegetação caducifólia, retém folhas consideráveis o ano todo, nos  
extremos Norte, Sul, Este e Oeste, havendo pouca concentração de biomassa.  
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A vegetação da área de estudo, apesar de ser caducifólia, vê-se no gráfico que  
algumas classes levam maior tempo em conservar a sua biomassa, classes 3 e 4.  
Figura 6: Métrica fenológica, total integral, indicando vegetação mais densa.  
Isso significa que a métrica Total Integral explica 69% da variação nas classes de  
vegetação, e a métrica Latent Integral explica 77% da variação nas classes de  
vegetação.  
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Conclusões  
Os resultados deste estudo mostram que o Parque Nacional do Bicuar (PNB) perdeu  
uma parte considerável da sua área e consequente cobertura vegetal ao longo do  
tempo, principalmente devido à expansão das fazendas, que provocaram  
desmatamentos significativos na zona sul do parque. Com base nos dados recolhidos  
nas parcelas de amostragem, foi possível classificar a vegetação em cinco classes  
distintas, distribuídas ao longo de toda a área do PNB. O inventário florestal revelou  
que as formações de Brachystegia utilis, Julbernadia paniculata e Baikiaea  
plurijuga ocupam posição de destaque na cobertura vegetal do parque. Apesar de  
não ter sido determinado o valor da área basal, observou-se que Baikiaea plurijuga  
e Burkea africana são as espécies de maior porte.  
A caracterização da vegetação permitiu elaborar um mapa temático detalhado, com  
classes bem diferenciadas. A comparação com a carta de vegetação de Teixeira  
(1968) mostrou uma correspondência significativa, visto que ambas destacam  
Brachystegia e Julbernadia como as formações que ocupam as maiores extensões do  
parque. O presente trabalho contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre as  
formações vegetais do PNB, a sua distribuição espacial e as principais características  
ecológicas. Contudo, o método de parcelas é o mais adequado para o levantamento  
da vegetação nesta região e o uso de técnicas de deteção remota representa uma  
ferramenta essencial para o mapeamento rápido e preciso da cobertura vegetal.  
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Recebido:04/11/2025  
Aceite:04/12/2025  
submeter o manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a  
REVISTA CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de  
Ciências de Educação da Huíla, que mantém com fundos próprios a Revista.  
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