Revista Científica do ISCED-Huíla
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plataformas digitais (M = 2,30; DP = 1,359) e de preparação para aulas on-line (M =
2,26; DP = 1,449), o que reforça a existência de dificuldades no uso pedagógico das
tecnologias.
O uso predominante de plataformas como o WhatsApp sugere uma adaptação
baseada em soluções acessíveis, mas pedagogicamente limitadas. Apoiados por
pesquisas recentes que indicam que, em contextos do Sul Global, muitos estudantes
dependem de dispositivos e dados móveis para aceder a conteúdos académicos, o que
restringe a participação plena em ambientes virtuais mais exigentes (Dhawan, 2020;
Msomi & Behara, 2026). Além disso, a exclusão digital ocorre em múltiplos níveis,
não apenas no acesso à tecnologia, mas também nas competências digitais e no
suporte institucional disponível (World Bank, 2021).
As desigualdades socioeconómicas observadas neste estudo reforçam a noção de
“divisão digital”, amplamente documentada na literatura sobre ensino superior em
África. A forte concentração de constrangimentos nas dimensões técnica e financeira
ajuda a explicar os níveis relativamente baixos de satisfação com o ensino on-line (M
= 2,33; DP = 1,459) e com os recursos digitais, nomeadamente a quantidade de
plataformas (M = 1,22; DP = 0,889). A falta de infraestruturas adequadas, os custos
elevados de conectividade e de dispositivos, bem como as lacunas nas políticas
institucionais continuam a limitar a implementação eficaz do e-learning (Adedoyin &
Soykan, 2023; AHMED J. et al., 2024; UNESCO, 2020). Estes factores não apenas
dificultam o acesso, mas também criam experiências de aprendizagem desiguais
entre os estudantes, o que é corroborado pelos elevados desvios-padrão observados
nos indicadores de satisfação.
Apesar destes desafios, verificou-se uma capacidade significativa de adaptação por
parte dos estudantes, evidenciada pelo desenvolvimento de competências de auto-
aprendizagem, autonomia e literacia digital básica. A percepção relativamente
positiva da aprendizagem ao longo do ano (M = 2,99; DP = 1,251) sugere que, mesmo
diante de limitações estruturais, os estudantes mantêm algum nível de engajamento
académico. Esta resiliência tem sido igualmente observada em outros contextos
africanos, onde os estudantes demonstram elevada motivação para integrar
tecnologias digitais no seu percurso académico, mesmo em condições adversas
(Dhawan, 2020; Halubanza et al., 2025). Entretanto, essa adaptação não elimina as
limitações estruturais que continuam a afectar a qualidade da aprendizagem.
A preferência manifestada pelos estudantes pelo ensino presencial, refletida em
níveis ligeiramente superiores de satisfação (M = 2,47; DP = 1,139) em comparação
com o ensino on-line, confirma tendências identificadas em diversos estudos, que
apontam para limitações do ensino digital em termos de interacção social,
acompanhamento pedagógico e sentimento de pertença.
A ausência de contacto directo com docentes e colegas reduz as oportunidades de
aprendizagem colaborativa e pode afectar negativamente a motivação e o
Revista Científica do ISCED - Huíla, Lubango |v. 3, n.1 |pp 41-59| Julho-Dezembro|2022
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