Revista Científica do ISCED-Huíla
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Como observado, a SR em Angola apresenta números alarmantes, colocando o país
entre os que têm a SR como uma das principais causas de morte. Considerando que o
ser humano é o principal causador e também o mais afectado pelos acidentes, a sua
educação apresenta-se como uma das medidas mais viáveis, seguras e duradouras para
combater este fenómeno (Cardoso, 2013). Deste modo, evidencia-se a necessidade de
implementar a Educação Rodoviária nas escolas, em todos os ciclos de ensino,
especialmente no pré-escolar e no primeiro ciclo, de forma que os indivíduos, desde
tenra idade, sejam capazes de interiorizar, de maneira lúdica, as regras gerais de
circulação rodoviária (Rosa & Meireles-Coelho, 2011).
O combate à SR é um dever de todos. Portanto, cabe às instituições de ensino integrar
a Educação Rodoviária nos seus planos de estudo (André et al., 2020).
Em Angola, diversas entidades governamentais e não governamentais têm
desenvolvido acções com o objectivo de introduzir a Educação Rodoviária nas escolas.
Essas acções tiveram início em Luanda, com palestras realizadas junto aos alunos do
Lar Kuzola, e foram posteriormente estendidas a outras escolas da província. Diante
da avaliação positiva, o subinspector Manuel Paulo (2014) ponderou a possibilidade de
inserir temas sobre regras e sinais de trânsito nos programas curriculares do ensino
primário.
No caso da cidade do Lubango, embora as informações sejam escassas, há evidências
de actividades do género. Por exemplo, a Direcção Provincial de Viação e Trânsito, em
parceria com a Direcção do Colégio nº 57/1.º de Dezembro, realizou uma campanha de
sensibilização, onde os alunos actuaram como agentes de trânsito, distribuindo
cartazes com conselhos sobre condução responsável (Polícia Nacional de Angola -
Huíla, 2024).
Educação Rodoviária e as Campanhas de Sensibilização
A fraca promoção de campanhas de sensibilização dos utentes das vias públicas é
apontada por diversos autores como uma das causas relevantes para a ocorrência da
SR. Segundo Cardoso (2013) e Seco et al. (2008, p. 19), “a ausência de acções contínuas
e eficazes de sensibilização contribui significativamente para os elevados índices de
acidentes”. Assim, a realização de campanhas de sensibilização é essencial para a
melhoria da segurança nas vias públicas. Cordeiro & Afonso (2014) defendem que as
campanhas devem ser reforçadas e ampliadas, de modo a abranger todas as classes
sociais e desconstruir a percepção equivocada de que a educação rodoviária se destina
apenas aos condutores. Para que essas campanhas sejam eficazes, Peixoto (2006)
destaca que é necessário, antes de tudo, identificar o público-alvo e as acções mais
adequadas para alcançá-lo. Assim, torna-se imprescindível definir programas
específicos de sensibilização, incluindo acções, temas, estratégias e abordagens,
direccionados às diferentes categorias de indivíduos.
Em Angola, várias campanhas já foram realizadas, tanto por entidades estatais quanto
por organizações não governamentais e associações civis. Segundo a Direcção Nacional
de Viação e Trânsito (DNVT, 2016), cerca de 471 campanhas de sensibilização foram
Revista Científica do ISCED - Huíla, Lubango |v. 3, n.2 |pp 8-25| Julho-Dezembro|2022
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