Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright © 2026.  
Avaliação do potencial de germinação de duas espécies  
florestais nativas: Afzelia quanzensis (Welw.) e  
Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.) J.Kirk ex  
J.Léonard  
Assessment of the germination potential of two native forest species: Afzelia  
quanzensis (Welw.) and Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.) J.Kirk ex  
J.Léonard  
Evaluación del potencial de germinación de dos especies forestales nativas:  
Afzelia quanzensis (Welw.) y Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.) J.Kirk  
ex J.Léonard  
Miriam Simão1  
Liceu No. 134 do Nambambi, Lubango-Angola  
Resumo  
A regeneração natural de espécies florestais nativas depende da viabilidade e do potencial  
de germinação das suas sementes. Afzelia quanzensis e Colophospermum mopane são duas  
espécies de relevância ecológica e económica nos ecossistemas tropicais, porem há pouca  
informação disponível sobre a sua germinação. O presente estudo teve como objetivo avaliar  
o potencial germinativo destas espécies fora do seu habitat natural sob a influência de  
diferentes tratamentos pré-germinativos. Para tal, as sementes foram embebidas em água  
para a sua desinfecção, imersas em água quente por períodos de 24 a 48 horas à temperatura  
média de 25 a 28ºC e, por último, colocadas em estufa sob condições controladas de rega,  
luminosidade, temperatura, humidade e ventilação. Os resultados mostraram que a quebra  
de dormência não teve um impacto significativo na germinação das sementes, pois ambas  
germinam com e sem pré-tratamento, todavia teve influência nas sementes submetidas à  
pré-germinação por 48 horas comparativamente às que foram submetidas por 24h.  
Observou-se uma maior precocidade na germinação, crescimento mais rápido, maior  
uniformidade no desenvolvimento da plântula e ainda a obtenção de plântulas mais  
saudáveis. A espécie de A. quanzensis foi a que apresentou os melhores resultados,  
atingindo uma taxa de germinação de 90,47% face aos 80,95% da C. mopane, apresentando  
os mesmos indicadores para o potencial de germinação e a taxa de sobrevivência das  
plântulas. Os resultados preliminares mostram que a A. quanzensis pode vir a ter um  
potencial bastante promissor se utilizada em programas de reflorestação e recuperação de  
áreas degradadas.  
Palavras-chave Afzelia quanzensis, Colophospermum mopane, semente, germinação  
1Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo Instituto Superior de Ciências da Educação  
da Huíla  
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Revista Científica do ISCED - Huíla, Lubango |v. 3, n.1 |pp 115-130| Janeiro-Junho|2022  
 
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Abstract  
The natural regeneration of native forest species depends on the viability and germination  
potential of their seeds. Afzelia quanzensis and Colophospermum mopane are two species  
of ecological and economic relevance in tropical ecosystems, but there is little information  
available on their germination. The present study aimed to evaluate the germination  
potential of these species outside their natural habitat and under the influence of different  
pre-germination treatments. For this purpose, the seeds were soaked in water for  
disinfection and immersed in hot water for periods of 24-48 hours at an average  
temperature of 25-28ºC and then placed in a greenhouse under controlled conditions of  
watering, light, temperature, humidity, and ventilation. The results showed that breaking  
dormancy did not have a significant impact on seed germination, as both seeds germinate  
with or without pre-treatment; however, it did influence seeds subjected to pre-germination  
for 48 hours, compared to those that were subjected to 24 hours. It was observed that there  
was earlier germination, faster growth, greater uniformity in seedling development, and the  
production of healthier seedlings. The species A. quanzensis showed the best results,  
reaching a germination rate of 90.47% compared to 80.95% for C. mopane, showing the  
same indicators for germination potential and seedling survival rate. The preliminary  
results indicate that A. quanzensis could have a very promising potential if used in  
reforestation programs and the recovery of degraded areas.  
Keywords: Afzelia quanzensis, Colophospermum mopane, seeds, germination.  
Resumen  
La regeneración natural de especies forestales nativas depende de la viabilidad y del  
potencial de germinación de sus semillas. Afzelia quanzensis y Colophospermum mopane  
son dos especies de relevancia ecológica y económica en los ecosistemas tropicales, pero hay  
poca información disponible sobre su germinación. El presente estudio tuvo como objetivo  
evaluar el potencial germinativo de estas especies fuera de su hábitat natural y bajo la  
influencia de diferentes tratamientos pre-germinativos. Para ello, las semillas se empaparon  
en agua para su desinfección y también se sumergieron en agua caliente durante períodos  
de 24 a 48 horas a una temperatura media de 25-28 ºC, y posteriormente se colocaron en  
estufa bajo condiciones controladas de riego, luminosidad, temperatura, humedad y  
ventilación. Los resultados mostraron que la ruptura de la dormancia no tuvo un impacto  
significativo en la germinación de las semillas, ya que las semillas germinan con o sin  
pretratamiento, aunque sí influyó en las semillas sometidas a pre-germinación. por 48  
horas, en comparación con las que fueron sometidas a 24 h. Se observó una mayor  
precocidad en la germinación, un crecimiento más rápido, mayor uniformidad en el  
desarrollo de la plántula y, además, la obtención de plántulas más saludables. La especie A.  
quanzensis fue la que presentó los mejores resultados, alcanzando una tasa de germinación  
del 90,47% frente al 80,95% de C. mopane, mostrando los mismos indicadores para el  
potencial de germinación y la tasa de supervivencia de las plántulas. Los resultados  
preliminares muestran que A. quanzensis podría tener un potencial bastante prometedor si  
se utiliza en programas de reforestación y recuperación de áreas degradadas.  
Palabras-clave: Afzelia quanzensis, Colophospermum mopane, semillas, germinación.  
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Introdução  
As questões relacionadas com as alterações climáticas constam actualmente das  
agendas políticas dos mais diversos governos mundiais (Lesolle, 2012). Os  
fenómenos causados pelas alterações climáticas constituem um factor determinante  
para muitos dos males que afectam hoje os países e as populações, tornando-os mais  
vulneráveis e pouco resilientes aos seus efeitos, o que acentua as desigualdades e  
agrava as necessidades sociais (Ramos, 2016). Angola possui uma diversidade de  
ecossistemas com um enorme potencial de extracção de recursos florestais lenhosos  
e não-lenhosos. Apesar deste potencial, assistimos diariamente ao abate  
indiscriminado de espécies florestais nativas para exportação e produção de carvão,  
facto que contribui para a destruição da floresta nativa (Kussumua, 2021). Como  
consequência, o país tem vindo a enfrentar sérios problemas ambientais e, embora  
exista alguma legislação visando a protecção ambiental como é o caso da Lei de  
Bases do Ambiente, Lei nº 5/98, de 19 de Junho de 1998 (República, 2022), a  
verdade é que, continuamos a assistir a devastação das florestas nativas, o que vem  
contribuindo para a destruição dos ecossistemas naturais, alguns dos quais de  
elevada importância global, como é o caso do miombo.  
Na província da Huíla, em particular no município do Lubango, é comum, na época  
de cacimbo (época seca), observarem-se queimadas, sobretudo nas encostas das  
montanhas que circundam a cidade. É consensual que estas actividades são  
realizadas por populações carenciadas que em geral actuam pela sua sobrevivência  
dedicando-se a exploração do remanescente florestal, sem a emissão de qualquer  
parecer das autoridades, por se considerar uma actividade de subsistência. A  
inexistência de programas de repovoamento florestal, sobretudo com espécies da  
flora local, tem sido o maior impasse na mitigação deste problema, colocando  
grandes desafios para a gestão e recuperação das áreas degradadas e da  
biodiversidade aí existente. Por esta razão, a investigação do potencial de  
germinação, e, consequentemente, a reprodução de mudas florestais, visando o  
repovoamento das áreas degradadas, são de grande importância, na medida em que  
as acções são consideradas como uma das vias para a mitigação dos efeitos causados  
pelo desflorestamento.  
Considera-se que a utilização de espécies nativas pode aumentar a probabilidade de  
êxito nos programas de reflorestação, uma vez que estas espécies ocorrem,  
naturalmente, em condições de clima, hidrologia, topografia e solo semelhantes aos  
da área a serem reflorestadas, facilitando a sua adaptação e uma interação adequada  
com a fauna local (Mori et al., 2012). Por esta razão, propusemos-nos avaliar o  
potencial de germinação das sementes de duas espécies florestais nativas Afzelia  
quanzensis (Welw.) e Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.) J.Kirk ex  
J.Léonard, destinadas a serem usadas no reflorestamento de áreas actualmente  
antropizadas dos municípios de Caconda e do Lubango. Este tipo de actividades  
destina-se não apenas à conservação do património florestal como também à  
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produção de matéria-prima para estudos científicos, com o fim de se obterem  
resultados que permitam o aproveitamento máximo da floresta (Costa, 1978).  
Materiais e Métodos  
Aquisição das sementes  
As sementes florestais das espécies foram colhidas com o apoio das comunidades  
locais nos municípios de Caconda, Afzelia quanzensis (Welw.) e dos Gambos,  
Colophospermum mopane (J.Kirk ex Benth.) J.Kirk ex J.Léonard e foram  
gentilmente cedidas pela fazenda Shangri-Lá, afecta ao Projecto Social e Ambiental  
da Fábrica de Águas Preciosa.  
Preparação do substrato  
Como meio para a germinação das sementes, foi preparado um substrato contendo  
terra de pinhal, areia sílica e estrume orgânico (esterco bovino). A terra de pinhal,  
vulgo terra preta ou argilosa, foi selecionada para poder reter a humidade no  
composto e, também, contribuir, juntamente com o adubo orgânico, para a  
formação do complexo argilo-húmico, concentração importante, não só para a  
germinação da semente, mas, sobretudo, para servir como suporte de crescimento e  
desenvolvimento das plântulas germinadas, (Kämpf, 2012).  
O papel da areia de sílica, neste complexo, resume-se em estabelecer um adequado  
nível de humidade no substrato, talvez como regulador da humidade e,  
simultaneamente, em arejador, proporcionando, de acordo com a sua integração,  
um composto mais leve e arejado evitando, por isso, a podridão da radícula das  
sementes (damping-off). As quantidades de matéria orgânica julgadas necessárias  
ou até convenientes para a composição do referido substrato, em cada cultura,  
basearam-se nas texturas formadas, como se vê nas tabelas abaixo:  
Tabela 1: Composição do substrato para a germinação das sementes de A. quanzensis e C. mopane.  
Composição do substrato 10 lts (Afzelia quanzensis)  
Argila (%)  
2,5 partes  
Matéria orgânica (%)  
1,5 partes  
Areia sílica (%)  
6 partes  
Composição do substrato 10 lts (Colophospermum  
mopane)  
Argila (%)  
Matéria orgânica (%)  
2,5 partes  
Areia sílica (%)  
6 partes  
Fonte: A autora  
Para a semente de A. quanzensis preparou-se um substrato com cerca de 25% de  
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terra preta, 62,5% de areia sílica e 12,5% de adubo orgânico. Este substrato possuía  
uma textura mais arenosa, dada a preferência da espécie por solos bem drenados  
como afirma (Orwa, 2009). Para a semente de C. mopane, foi preparado um  
substrato com 62,5% de terra preta, 25% de areia sílica e 12,5% de adubo orgânico.  
O substrato para esta espécie possuía no final um aspecto mais argiloso e textura  
fina, dada a preferência da espécie por solos deste tipo (Madams, 1990).  
De acordo com as pesquisas feitas, as duas espécies ocorrem em solos geralmente  
neutros, pelo que procuramos proporcionar às espécies valores de pH neutro ou um  
meio próximo do neutro (7,2), valor que acreditámos ser favorável para as sementes  
em estudo. Antes dos substratos serem colocados nos sacos de polietileno, estes  
foram devidamente peneirados com uma peneira de rede milimétrica usada na  
construção civil, permitindo a eliminação de partículas grandes como, raízes,  
pedaços de paus, pedras, entre outros, obtendo-se assim maior homogeneidade e  
qualidade do substrato.  
Pré-tratamento das sementes  
Orientados pelo princípio defendido por (Scarpa, 2018), de que a germinação de  
uma semente é o processo pelo qual esta obtém um crescimento activo da sua  
estrutura embrionária, procedeu-se uma sequência ordenada das actividades  
metabólicas, que se iniciou com a embebição das sementes, estabelecendo-se, desta  
forma, a retomada do desenvolvimento do embrião para a formação de uma  
plântula. Por observação directa, foram eliminadas todas as sementes que não  
reuniam as condições adequadas para serem utilizadas (Figura 1).  
Figura 1: Seleção das sementes viáveis de A. quanzensis e C. mopane para o ensaio da germinação  
A
B
As sementes seleccionadas foram desinfectadas e submetidas a uma pré-  
germinação. Utilizou-se dois métodos de quebra de dormência diferentes, conforme  
a tabela abaixo:  
Tabela 2: Processos utilizados na quebra da dormência das sementes de A. quanzensis e C. mopane.  
Processos de quebra de dormência utilizados  
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Embebição em água  
Desinfecção da semente por 10 minutos com  
hipoclorito de sódio.  
Imersão  
quente  
em  
água Por períodos de 24h e de 48h à temperatura média de  
25ºC - 28ºC.  
Fonte: A autora  
Ensaio germinativo  
Para estudo, Organizou-se e preparou-se 126 sacos de polietileno e, antes de os  
mesmos receberem as sementes, foram devidamente regados com a mesma  
quantidade de água, para se determinar o pH e a humidade do solo, procedimento  
que se manteve até ao final do ensaio. Para o efeito usou-se o medidor de solo três  
vias (MV-331 Minipa), aparelho que também serviu como luxímetro para a  
determinação dos valores de intensidade luminosa, em lux. A medição da  
intensidade da luz era efectuada diariamente e os factores edáficos eram  
periodicamente analisados para se evitar excessos. Com a ajuda de uma vara como  
bitola, abriram-se os covachos nos sacos com cerca de 3,5 cm de profundidade,  
tendo em conta o tamanho da semente de A. quanzensis e da vagem de C. mopane.  
De seguida, com auxílio de uma pinça desinfectada, colocou-se as sementes nos  
vasos (Figura 2), respeitando a posição que correspondia a semente de cada espécie  
para proporcionar uma maior superfície de contacto entre a semente e o substrato  
(Santos, 2013). Posteriormente, pulverizaram-se os vasos por nebulização, para  
humedecer a camada superficial do vaso.  
Figura 2: Processo de colocação das sementes das duas espécies em sacos de polietileno contendo  
substrato previamente preparado  
.
Depois da colocação das sementes nos vasos, iniciou-se o plano de controlo e gestão  
da sementeira, que incluiu o registo dos horários de rega, a monitorização da  
humidade, da temperatura, da luz e da ventilação e o registo das observações de  
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outras ocorrências. Embora a quantidade de água da rega tivesse de obedecer as  
características de cada espécie, podendo por isso variar de uma espécie para outra,  
neste caso, foram submetidas às mesmas condições hídricas e climatéricas de  
germinação, para uma melhor observação dos parâmetros comportamentais das  
duas sementes.  
Segundo (Pes & Arenhardt, 2015), no processo de germinação da semente, a radícula  
é o primeiro órgão que emerge e dada a sua grande importância para o crescimento  
da plântula, observamos o desenvolvimento radicular das sementes das espécies em  
estudo nos primeiros 7 e 15 dias após a sementeira (Figura 3).  
Figura 3: Emergência da radícula e respectiva medição do desenvolvimento radicular das sementes  
de A. quanzensis (a) e C. mopane (b)  
Para o controlo da temperatura e da humidade do ar, instalou-se no interior do  
estufim (estufa em pequenas dimensões), um termo-higrómetro (MRKEAN-  
9176765424038) e no seu exterior um simulador de um pluviómetro. Os valores da  
temperatura e da humidade, dentro do estufim, foram registados em dois períodos:  
de manhã, 7 horas, e de tarde, 14 horas. Neles foram tidos em conta os valores de  
máximos e mínimos da temperatura e também da humidade registadas no dia e,  
igualmente, a temperatura e humidade no momento do registo. Reunidas as  
condições, iniciou-se o processo de germinação das sementes. Determinou-se a  
quantidade de sementes que germinaram na primeira e segunda semana e, de  
seguida, determinou-se a taxa de germinação com recurso a seguinte expressão:  
(
)
퐍ú퐦퐞퐫퐨 퐝퐞 퐬퐞퐦퐞퐧퐭퐞퐬 퐠퐞퐫퐦퐢퐧퐚퐝퐚퐬  
퐓퐚퐱퐚 퐝퐞 퐆퐞퐫퐦퐢퐧퐚çã퐨 =  
× ퟏퟎퟎ  
(퐍ú퐦퐞퐫퐨 퐝퐞 퐬퐞퐦퐞퐧퐭퐞퐬 퐩퐥퐚퐧퐭퐚퐝퐚퐬)  
Pelo facto de a expressão referenciada limitar-se para o cálculo da quantidade de  
sementes que germinaram com sucesso dando-nos apenas a informação da  
viabilidade imediata da semente, para um conhecimento mais preciso do poder  
germinativo de ambas, determinou-se o potencial de germinação das sementes com  
recurso a expressão abaixo:  
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(
)
퐍ú퐦퐞퐫퐨 퐃퐞 퐒퐞퐦퐞퐧퐭퐞퐬 퐆퐞퐫퐦퐢퐧퐚퐝퐚퐬 ∗  
퐏퐨퐭퐞퐧퐜퐢퐚퐥 퐝퐞 퐆퐞퐫퐦퐢퐧퐚çã퐨 =  
× ퟏퟎퟎ  
(퐍ú퐦퐞퐫퐨 퐝퐞 퐬퐞퐦퐞퐧퐭퐞퐬 퐩퐥퐚퐧퐭퐚퐝퐚퐬)  
Porém, na expressão do potencial de germinação, o número de sementes  
germinadas seguido de um asterisco corresponde às sementes que germinaram e  
sobreviveram as condições a que foram submetidas, ou seja, sementes que deram  
origem a plântulas saudáveis e posteriormente a planta. Deste modo, o potencial de  
germinação forneceu-nos dados mais precisos do vigor, da qualidade e do  
desempenho esperado da semente.  
Resultados e discussão  
As sementes utilizadas no ensaio germinativo estiveram sob condições climatéricas  
diferentes daquelas encontradas no seu habitat natural. O ensaio germinativo teve  
início no mês de fevereiro de 2024 e contou com duas fases fundamentais: a  
primeira, na época chuvosa, que inclui os meses de Fevereiro, Março e Abril, e a  
segunda, na época seca, incluindo os meses de Maio, Junho e Julho. Na primeira  
fase deste estudo, foram determinados a taxa de germinação e do potencial de  
germinação das duas espécies. Dentro do estufim, foram registadas temperaturas  
que variaram entre 12ºC de mínima e 32ºC de máxima, registando-se assim uma  
amplitude térmica de 20ºC. Observou-se que os valores de temperaturas registados,  
dentro do estufim, estavam em consonância com as temperaturas ideais descritas  
por (Mapaure, 1994) sobre as regiões de ocorrência da vegetação de Mopane. Pelas  
razões descritas concluir-se-ia que as temperaturas observadas tiveram um efeito  
favorável às duas espécies, por possuírem uma elevada capacidade de adaptação a  
condições climatéricas adversas, da Mopane (Makhado et al., 2014) e da  
A.  
quanzensis (Dlamini & Silulu, 2006).  
Todavia, pelo facto do estudo ter decorrido na época chuvosa, foram registados  
valores de humidade relativamente bastante altos durante o período da manhã,  
valores que variavam entre 30-100% e 37-79% no período da tarde dependendo da  
pluviosidade. Foram igualmente determinados os valores médios da variação da  
humidade relativa, nos três primeiros meses de estudo, que foram 59,70%, 58,50%  
e 56,00% respetivamente, valores que não sofreram grandes alterações e que se  
consideraram favoráveis para o estudo, pois encontram-se em níveis de 50-70%,  
valores considerados ideias para a maior parte das plantas em estufa, por ajudarem  
a manter as plantas hidratadas ao mesmo tempo que evitam o risco de doenças  
bacterianas e fúngicas (Firmino, 2024).  
A luminosidade, por sua vez, foi um outro factor tido em conta na germinação das  
sementes, embora estas não necessitem de luz para germinarem, apenas da sua  
energia, segundo (Dlamini & Silulu, 2006), as duas espécies necessitam de luz plena  
após a germinação. No entanto, a diferença dos luxes foram variando muito, ao  
longo deste período, com valores mínimos de 100 lux registados pela manhã, o que  
pensamos ser desfavorável para as espécies, uma vez que elas ocorrem em zonas  
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semiáridas, savanas onde a luminosidade é intensa, e valores máximos de 2000  
luxes observados no período após o meio-dia solar. Observou-se uma grande  
variação do lux nos meses de Fevereiro, Março e Abril, valores que estiveram muito  
abaixo dos observados no habitat natural das duas espécies.  
Para que a humidade nos vasos não fosse irregular, foi implementado um sistema  
de rega que permitiu adicionar a cada saco a mesma quantidade de água,  
confirmando, posteriormente, o grau de humidade do solo, porque, segundo (Baskin  
& Baskin, 2001), a seca e o excesso de humidade são factores que afectam  
negativamente a germinação de sementes, podendo comprometer todo o trabalho  
de sementeira. Deste modo, num universo de 63 sementes de cada uma das espécies,  
colocadas nos vasos, dentro do estufim, germinaram 57 de Afzelia quanzensis  
(Welw.) e 51 de Colophospermum mopane (Benth.) Leonard, correspondendo às  
percentagens obtidas e apresentadas no gráfico 1:  
Gráfico 1: Representação da taxa de germinação das duas espécies estudadas, nomeadamente  
Afzelia quanzensis e Colophospermum mopane  
Taxa de germinação  
92,00%  
90,47%  
90,00%  
88,00%  
86,00%  
84,00%  
82,00%  
80,00%  
78,00%  
76,00%  
80,95%  
Afzelia quanzensis  
Colophospermum mopane  
Analisando o gráfico acima, pudemos verificar que as duas sementes tiveram um  
comportamento semelhante à dos autores da bibliografia consultada, apresentando  
altos valores de germinação, segundo (Gérard & Louppe, 2011) referindo-se a  
Afzelia quanzesnsis (Jordaan & Wessel, 1999) e a Colophospermum mopane  
(Benth.) Leonard. Para a obtenção de uma visão mais ampla da qualidade e do vigor  
da semente, isto é, avaliar a capacidade da semente de germinar e desenvolver-se  
nas condições criadas, determinou-se o potencial de germinação das duas sementes  
tendo-se obtido os resultados conforme o gráfico 2:  
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Gráfico 2: Representação do potencial de germinação das duas espécies, nomeadamente Afzelia  
quanzensis e Colophospermum mopane  
Potencial de Germinação  
100,00%  
88,88%  
90,00%  
80,00%  
65,07%  
70,00%  
60,00%  
50,00%  
40,00%  
30,00%  
20,00%  
10,00%  
0,00%  
Afzelia quanzensis  
(muvandje)  
Colophospermum  
mopane (mutiati)  
Pela análise do gráfico, é possível observar que a espécie de afzélia quanzensis  
(Welw.) foi aquela que apresentou maior potencial de germinação face as condições  
a que foram submetidas. A segunda fase do estudo decorreu na época fria (cacimbo),  
meses de Maio, Junho e Julho. Nesta época, houve um acentuado arrefecimento,  
sobretudo noturno, das temperaturas, com valores mínimos de 1ºC e máximos de  
26ºC dentro do estufim. O estufim não possuía um sistema de aquecimento que  
permitisse a estabilização da temperatura ideal para a manutenção das plantas em  
estado vegetativo mais adequado, por isso houve a necessidade em se manter  
fechado o estufim desde o final do dia, quando as temperaturas começavam a baixar,  
até a meio da manhã do dia seguinte para que se pudesse conservar a maior  
quantidade de calor necessário ao desenvolvimento das plantas, evitando-se uma  
amplitude térmica que pudesse pôr em causa a sua qualidade vegetativa, através de  
choques térmicos de calor-frio.  
O procedimento, descrito no parágrafo anterior, embora fosse o mais recomendado,  
na verdade, também, apresentava algumas lacunas. O calor e humidade em  
determinados valores são, por assim dizer, geradores de condições óptimas para a  
formação e desenvolvimento de uma actividade bacteriana e/ou fúngica e que pode  
comprometer a vida das plantas numa superfície coberta, portanto a vigilância  
contínua e permanente não podia ser descurada. Assim, dada a situação  
apresentada, foi constatado o surgimento, nas plantas da espécie de  
Colophospermum mopane (Benth.) de dois tipos diferentes de fungos, conforme a  
figura 4.  
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Figura 4: Planta de Colophospermum mopane (Omutiati) com fungos (direita) e enrugamento das  
folhas embrionares (esquerda)  
Na figura (A), parece estar representado um fungo muito semelhante ao míldio, cuja  
razão do seu surgimento apontamos para os valores de temperatura baixa  
associados aos valores altos de humidade que se registavam durante a noite, ou seja,  
de uma forma mais simples, a formação de geada. No segundo caso, figura (B), é  
declaradamente um caso de podridão - Botrytis - que afectou a parte aérea da planta  
causando-lhes a podridão mole. Este fungo é muito susceptível de aparecer quando  
o tempo decorre insistentemente e bastante húmido associado a alguma  
temperatura (próxima de 11ºC a 13ºC) sem que haja arejamento constante e, porque  
as condições de trabalho não foram as mais favoráveis, não foi possível evitar os  
excessos de humidade dentro do estufim, especialmente durante a madrugada,  
altura em que se registavam valores altos de humidade e muito baixos de  
temperaturas.  
Ainda neste período, as plantas sofreram um choque térmico “hibernaram” não  
tendo sido, por isso, observada alguma alteração positiva na fisionomia das duas  
espécies. Assim, com estes resultados, determinou-se a viabilidade das espécies em  
estudo, depois de terem sido analisados os comportamentos nas duas épocas:  
chuvosa e seca. Estes resultados constam do gráfico que a seguir se apresenta:  
Gráfico 3: Representação da taxa de sobrevivência das plántulas  
Percentagem de sobrevivência das  
100,00%  
plantas  
76,20%  
80,00%  
60,00%  
47,70%  
40,00%  
20,00%  
0,00%  
Afzelia quanzensis  
Colophospermum mopane  
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O gráfico 3 apresenta a taxa de sobrevivência das espécies Afzelia quanzensis  
(muvandje) e Colophospermum mopane (mutiati) face as variações das condições a  
que foram submetidas. É de se realçar que a Afzelia quanzensis (muvandje) para  
além ter sido aquela que melhor germinou, foi a que melhor se adaptou às alterações  
climáticas apresentando resultados mais interessantes e em linha com os objectivos  
deste estudo.  
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Conclusão  
Ao longo deste trabalho, investigamos a germinação de duas sementes florestais  
nativas, Afzélia quanzensis (muvandje) e Colophospermum mopane (mutiati) em  
condições climáticas diferentes das do seu habitat natural, onde tivemos a  
oportunidade de analisar os processos de pré-germinação e de desenvolvimento das  
plântulas, as suas características e níveis de exigências para que se pudesse  
reproduzir estas espécies em condições mais favoráveis, de modo a colmatar o  
fenómeno da sua destruição a nível da floresta nativa. Assim, obtivemos as seguintes  
conclusões:  
Ambas as sementes germinam com ou sem pré-germinação, o que está de acordo  
com a bibliografia consultada. A pré-germinação alterou a estrutura das duas  
sementes. A semente da Afzelia quansensis (Welw.) produziu uma substância  
gelatinosa transparente desconhecida na região do arilo e a semente de  
Colophospermum mopane (Benth.) Leonard rompeu o tecido tegumentar. O grupo  
de sementes submetidas a pré-germinação, por 48h, revelou um comportamento  
mais satisfatório e condizente com os objectivos propostos inicialmente para este  
estudo, pois foi o sector onde se observou uma maior precocidade na germinação,  
crescimento mais rápido, maior uniformidade no desenvolvimento da plântula e,  
ainda, a obtenção de plântulas mais saudáveis. A plântula de Afzélia quanzensis  
(Welw.) foi a que apresentou um crescimento mais rápido o que está de acordo com  
o que afirmaram os autores que estudaram a espécie. A semente da  
Colophospermum mopane (Benth.) Leonard foi a que primeiro iniciou o seu  
processo germinativo, isto é, 7 dias após a sementeira e terminou 11 dias depois, e a  
semente da Afzélia quanzensis (Welw.) germinou apenas 21 dias após a sementeira  
tendo terminado o processo após 12 dias. A observação deste processo permitiu-nos  
concluir que o desenvolvimento do sistema radicular da espécie Colophospermum  
mopane (Benth.) Leonard aconteceu primeiro, muito por conta do seu tecido  
tegumentar ser muito mais permeável comparado com o da semente de Afzelia  
quanzensis (Welw.), pois a dureza do tegumento impede a embebição e interfere no  
processo de germinação. A semente de muvandje foi a que apresentou uma maior  
taxa de germinação, 90,47%, assim como um maior potencial de germinação,  
88,88%, face as condições a que foram sujeitas. As baixas temperaturas, baixa  
luminosidade, alta humidade do ar e o stress hídrico afectaram negativamente as  
plântulas das duas espécies, com o aparecimento de fungos e, até, a morte de  
algumas plântulas. Condições de boa ventilação e luz plena mostraram-se muito  
favoráveis ao desenvolvimento das plântulas. As plantas de Afzelia quanzensis  
(muvandje) apresentaram uma maior percentagem de sobrevivência, 76,2%,  
comparada com a espécie de Colophospermum mopane (mutiati) que registou o  
valor de 47,75%. Pelo resultado conseguido, a Afzelia quanzensis (muvandje)  
revelou que é uma cultura viável em estufim e a mais produtiva para a utilização  
eficaz em projectos de reflorestamento na floresta nativa, confirmando o seu  
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importante papel ecológico para a recuperação de áreas degradadas da floresta do  
Miombo, na Província da Huíla.  
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Recebido:16/10/2025  
Aceite:30/05/2026  
manuscrito, o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a REVISTA CIENTÍFICA  
DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências de Educação da Huíla, que mantém com  
fundos próprios a Revista.  
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