Revista Científica do ISCED-Huíla  
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Produção de Mudas de Espécies Arbóreas Nativas como  
Estratégia de Educação Ambiental e Reflorestamento.  
Production of Seedlings of Native Tree Species as a Strategy for Environmental  
Education and Reforestation.  
Producción de Plántulas de Especies Arbóreas Nativas como Estrategia de  
Educación Ambiental y Reforestación.  
José João Tchamba1  
ISCED-Huíla, Angola  
David Manuel Mande Chicomo2  
ISCED-Huíla, Angola  
Manuel Jundo Cachissapa3  
ISCED-Huíla, Angola  
Resumo  
A degradação ambiental na província da Huíla, Angola, desafia a sustentabilidade ecológica  
e o bem-estar das comunidades. Este estudo avaliou a produção de mudas de espécies  
nativas (Burkea africana, Pterocarpus angolensis e Colophospermum mopane) como  
estratégia de educação ambiental e reflorestamento. Foram aplicados métodos de  
propagação por sementes e estacas, com diferentes tratamentos. Os resultados revelaram  
que C. mopane apresentou 100% de germinação em todos os métodos testados, enquanto  
as demais exigem tratamentos específicos. Conclui-se que a produção de mudas nativas é  
eficaz tanto para recuperação ambiental quanto como ferramenta pedagógica.  
Palavras-Chave: Educação ambiental, Reflorestamento, Biodiversidade.  
Abstract  
Environmental degradation in the province of Huíla, Angola, challenges ecological  
sustainability and community well-being. This study evaluated the production of seedlings  
of native species (Burkea africana, Pterocarpus angolensis, and Colophospermum mopane)  
as a strategy for environmental education and reforestation. Seed and cutting propagation  
methods were applied, with different treatments. The results revealed that C. mopane  
showed 100% germination in all methods tested, while the others required specific  
treatments. It is concluded that the production of native seedlings is effective both for  
1
Mestre em Biologia da Conservação pela Universidade de Évora, Portugal  
2
Licenciado em Ensino da Biologia pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla  
3Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo Instituto Superior de Ciências da Educação  
da Huíla  
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environmental recovery and as an educational tool.  
Keywords: Environmental education, Reforestation, Biodiversity.  
Resumem  
La degradación medioambiental en la provincia de Huíla, Angola, supone un reto para la  
sostenibilidad ecológica y el bienestar de las comunidades. Este estudio evaluó la  
producción de plántulas de especies autóctonas (Burkea africana, Pterocarpus angolensis y  
Colophospermum mopane) como estrategia de educación medioambiental y reforestación.  
Se aplicaron métodos de propagación por semillas y esquejes, con diferentes tratamientos.  
Los resultados revelaron que C. mopane presentó una germinación del 100 % en todos los  
métodos probados, mientras que las demás especies requieren tratamientos específicos. Se  
concluye que la producción de plántulas nativas es eficaz tanto para la recuperación  
ambiental como para la enseñanza.  
Palabras clave: Educación ambiental, Reforestación, Biodiversidad  
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Introdução  
A restauração florestal baseia-se na utilização de elevada diversidade de espécies  
vegetais, de forma a promover a resiliência ecológica, assegurar a sustentabilidade  
das comunidades restauradas e reduzir custos. Recentemente, têm ganho relevância  
metodologias que privilegiam os mecanismos ecológicos da sucessão natural e da  
organização das comunidades florestais (Calegari et al., 2010).  
A destruição de habitats naturais compromete a biodiversidade e o funcionamento  
dos ecossistemas (Cipullo, 2016). A deflorestação e a exploração de recursos  
florestais de formas não sustentáveis têm provocado impactos negativos na  
natureza. Filho, (2016) considera a restauração ecológica, de habitas com espécies  
adaptadas à região como uma solução viável.  
A ecorregião do miombo compreende uma extensão de 2,7 milhões de km2 de área,  
desde o extremo oeste no Oceano Atlântico prolongando-se até ao extremo leste,  
próximo ao Oceano Índico, entre os paralelos 3°S a 26°S (Malmer, 2007), sendo a  
principal fitofisionomia florestal de países como Angola, Botsuana, Malawi,  
Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue (Chidumayo, 2013).  
Neste contexto, é aconselhável o uso de espécies nativas o que aumenta ainda mais  
a probabilidade de sucesso de um trabalho de reflorestação. Isto porque ocorrem  
naturalmente em condições de clima, hidrologia, topografia e solo semelhantes aos  
da área a ser reflorestada e, consequentemente, já estão adaptadas e interagem  
adequadamente com a fauna local (Filho, 2016). A produção de mudas de plantas  
nativas não apenas colabora com a recuperação da vegetação local, mas também  
serve como ferramenta didática para a educação ambiental (Soares & Martins,  
2023).  
Na província da Huíla, diversas iniciativas de reflorestação têm sido implementadas  
com o objetivo de recuperar áreas degradadas e fortalecer a resiliência ambiental.  
Destaca-se o programa-piloto de dispersão de “bolas de sementes” (seed balls),  
desenvolvido pelo FRESAN em parceria com o Instituto de Desenvolvimento  
Florestal, que distribuiu milhares de sementes em municípios como Humpata,  
Gambos e Chicomba (FRESAN & IDF, 2025). Além disso, o projeto “Uvandje”,  
apoiado pela Universidade Mandume Ya Ndemufayo e pela ASA-Huíla, tem  
contribuído para a restauração florestal e capacitação local (Fascination of Plants  
Day, 2024).  
As plantas dependem dos animais para a manutenção de processos ecológicos tais  
como a polinização, dispersão de propágulos, herbívora e predação (Kageyama &  
Gandara, 2015). Já os animais dependem das plantas para abrigo e fonte de  
alimento (Galetti et al. 2003). Dessa forma, o uso de espécies nativas da região  
permite a manutenção desse equilíbrio nas interações entre a flora e a fauna. O uso  
de plantas regionais também evita um sério problema ambiental, que é a degradação  
do ambiente natural por espécies exóticas invasoras. Este estudo tem como objetivo  
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analisar métodos de propagação de três espécies nativas da região da Huíla, entre as  
espécies escolhidas encontram-se: Burkea africana, Pterocarpus angolensis e  
Colophospermum mopane.  
Metodologia  
Área de estudo  
O viveiro foi implantado na horta escolar do ISCED-Huíla, no município Lubango  
província da Huíla, Angola. A região apresenta características ecológicas e climáticas  
que favorecem o desenvolvimento de espécies nativas, tornando-a apropriada para  
produção de mudas e educação ambiental. Do ponto de vista geográfico, a zona está  
localizada entre as coordenadas -14.91781, 13.48513 UTM, com altitudes médias  
que variam entre 1784 metros acima do nível do mar.  
Figura 1: Mapa de localização da área de estudo, em amarelo.  
Materiais e Métodos  
A investigação fundamentou-se em métodos teóricos e empíricos, articulando  
revisão bibliográfica e análise e síntese, que permitiram reunir, organizar e  
interpretar  
criticamente  
informações  
provenientes  
de  
diferentes  
fontes,  
consolidando a base teórica do estudo (Andrade, 2006; Gil, 2008; Will, 2012).  
No campo empírico, recorreu-se ao método experimental (Fonte, 0000), à  
observação, à abordagem qualitativa e ao método estatístico, os quais possibilitaram  
compreender relações de causa e efeito, identificar e delimitar o problema de  
investigação, interpretar perceções e experiências no processo de produção de  
mudas e analisar objetivamente os dados obtidos. Esta combinação metodológica  
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garantiu robustez, consistência e profundidade à investigação, assegurando a  
validade científica dos resultados.  
Procedimentos metodologicos  
A recolha de dados incluiu observação direta e participante, registos fotográficos e  
análise documental, assegurando uma triangulação que aumentou a validade e  
profundidade da investigação. A observação direta permitiu acompanhar todas as  
fases do processo de produção de mudas, desde a colheita de sementes até ao  
desenvolvimento das plantas, enquanto os registos fotográficos documentaram  
visualmente a evolução. A análise documental complementou estas informações  
com referenciais técnicos e científicos. A implementação do viveiro seguiu as  
orientações da EMBRAPA Florestas (2007), incluindo preparação do solo, controlo  
de pragas e seleção de condições adequadas, o que assegurou a qualidade e  
viabilidade das mudas produzidas.  
Critérios de seleção das espécies em estudo  
A seleção das espécies em estudo baseou-se na sua importância para o meio  
ambiente e para a sociedade, abrangendo os níveis social, económico e político.  
Estas espécies possuem elevado valor comercial e são amplamente utilizadas pelos  
habitantes rurais na medicina tradicional, apicultura e produção de combustível,  
representando importantes recursos florestais ecológicos e socioeconómicos  
(Figueira et al., 2019).  
As espécies analisadas apresentam diferenças marcantes quanto à sua tolerância ao  
fogo (Cauldwell & Ziegler, 2000). Compreender essas variações é fundamental para  
identificar quais espécies possuem maior resistência e quais são mais vulneráveis às  
queimadas. Essas informações são essenciais para subsidiar práticas de manejo e  
estratégias de conservação que contribuam para a manutenção da biodiversidade  
(Dewees, 2010).  
Descrição botânica e ecológica das espécies escolhidas  
As espécies Colophospermum mopane, Pterocarpus angolensis e Burkea africana,  
pertencentes à família Fabaceae, destacam-se como componentes essenciais das  
savanas arborizadas e florestas secas do sul de África, desempenhando um papel  
relevante na estabilidade ecológica e na regeneração ambiental. C. mopane é uma  
árvore de médio a grande porte, facilmente reconhecida pelas suas folhas bilobadas  
em forma de borboleta, adaptada a regiões quentes e áridas, com precipitação média  
anual entre 250 e 500 mm, e notável pela capacidade de fixar azoto atmosférico, o  
que melhora a fertilidade do solo (Makhado et al., 2014). P. angolensis, conhecida  
como girassonde ou mucula, pode atingir até 30 metros de altura, apresenta flores  
amarelo-alaranjadas perfumadas e prefere solos arenosos bem drenados em  
florestas de Miombo, com precipitação anual entre 700 e 1500 mm, sendo sensível  
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às geadas e tolerante ao fogo (Caro et al., 2005).  
Por sua vez, B. africana, denominada localmente de muxexe, é uma árvore decídua  
de médio porte, de casca escamosa e folhas compostas pinadas, amplamente  
distribuída em solos arenosos de savanas e florestas secas, onde contribui para a  
estrutura e diversidade da vegetação (Mojeremane et al., 2020). Essas espécies  
possuem elevado valor ecológico e silvicultural, sendo importantes aliadas em  
programas de reflorestação e educação ambiental por sua resiliência e funções  
ecológicas no ecossistema.  
Tratamento aplicado as espécies  
A escolha do método de superação de dormência dependeu do tipo de dormência e  
da espécie em estudo (Carvalho & Nakagawa, 2012). Neste trabalho foram aplicados  
diferentes tratamentos tais como, vernalização, sementeira direta com casca e  
sementeira direta sem casca. A vernalização, procedimento que consiste na  
exposição das sementes a variações de temperatura, foi utilizado em  
Colophospermum mopane e Burkea africana (embebição em água fria durante  
24h), Pterocarpus angolensis (embebição em água fria durante 48h) , esta técnica  
é bastante recomendada para sementes com dormência física (Santos et al., 2016).  
Por seu lado, a sementeira direta com casca foi utilizada como alternativa viável para  
sementes com casca dura, mantendo a proteção natural da semente e favorecendo o  
desgaste gradual da casca no solo, o que contribuiu para a germinação (Silva, 2012).  
Por sua vez, a sementeira direta sem casca foi aplicada com remoção parcial ou total  
da casca facilita a absorção de água e acelera o processo de germinação (Marques,  
2008).  
Assim, a aplicação destas diferentes técnicas deveu-se ao facto de existirem poucos  
estudos sobre a germinação destas sementes no contexto em estudo. Estes  
procedimentos permitiram adquirir diferentes resultados durante o processo de  
germinação, conforme se irá verificar na apresentação dos resultados que a seguri  
serão expostos.  
Resultados  
Colophospermum mopane  
Os resultados obtidos revelam diferenças claras entre a germinação de sementes e a  
brotação de estacas. Nas sementes, observou-se uma forte consistência consoante o  
tratamento aplicado atingindo uma taxa de germinação de 100% em ambos casos.  
Nas estacas, observou-se uma forte variação consoante o tratamento aplicado:  
tratamento com vernalização apresentou uma taxa de brotação de 100%, enquanto  
a plantação direta registou apenas 47%, demonstrando assim uma diferença  
significativa na eficiência entre os dois métodos testados.  
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100E% stacas  
10  
Sementes  
100%  
100%  
47%  
8
9
7
5
3
1
6
4
2
0
100%  
Vernalização Sementeira Sementeira  
Vernalização  
Plantação directa  
com casca  
sem casca  
Tratamento  
Tratamento  
Figura 2: Comparação da germinação de sementes e da brotação de estacas sob diferentes  
tratamentos da Colophospermum mopane.  
Pterocarpus angolensis  
A germinação das sementes apresentou taxas extremamente reduzidas em todos os  
tratamentos, chegando a atingir 40% por sementeira com casca. Em contraste, a  
propagação por estacas mostrou resultados expressivamente superiores. No  
tratamento de vernalização, a taxa de brotação atingiu 100%, enquanto na plantação  
direta foi de aproximadamente 33%. Esses dados demonstram diferenças  
significativas entre os métodos de propagação, indicando maior eficácia do uso de  
estacas.  
Sementes  
Estacas  
100%  
10  
8
10  
9
8
7
6
6
33%  
5
4
4
40%  
3
2
2
1
0
Vernalização Sementeira Sementeira  
Vernalização  
Plantação directa  
com casca  
sem casca  
Tratamento  
Tratamento  
Figura 3: Comparação da germinação de sementes e da brotação de estacas sob diferentes  
tratamentos da pterocarpus angolensis.  
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Burkea africana  
Os resultados evidenciam diferenças claras entre a germinação de sementes e a  
brotação de estacas. No caso das sementes, a taxa de germinação foi de 0%, em  
contraste,  
a
propagação  
vegetativa  
por  
estacas  
mostrou  
resultados  
significativamente superior o tratamento de vernalização apresentou 100% de  
brotação, confirmando sua alta eficiência em estimular a atividade metabólica e a  
quebra de dormência, o que possibilitou a emissão de brotos em todas as estacas  
testadas. Já a plantação direta apresentou uma taxa de 47% de brotação,  
desempenho expressivamente maior do que o obtido pelas sementes, embora  
inferior ao tratamento com vernalização.  
V E R N A L I Z A Ç Ã O  
P L A N T A Ç Ã O D I R E C T A  
TRATAMENTO  
Figura 4: Germinação de estacas sob diferentes tratamentos da Burkea africana.  
Discussão  
Colophospermum mopane  
Os resultados obtidos indicam que a propagação por sementes foi altamente eficaz,  
uma vez que ambos os tratamentos testados conduziram a uma taxa de germinação  
de 100%. Este desempenho consistente sugere que as sementes utilizadas possuíam  
elevada viabilidade e que as condições experimentais foram adequadas ao  
desencadeamento do processo germinativo. A ausência de diferenças significativas  
entre os tratamentos pode indicar que as sementes da espécie em estudo apresentam  
uma dormência reduzida ou inexistente, o que facilita a sua utilização em programas  
de produção de mudas e reflorestação.  
Por outro lado, a propagação por estacas revelou uma maior sensibilidade ao tipo de  
tratamento aplicado. A vernalização destacou-se como um método extremamente  
eficaz, atingindo 100% de brotação, ao passo que a plantação direta apresentou  
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apenas 47%. Esta discrepância pode estar associada ao facto de a vernalização  
favorecer a ativação metabólica, quebrar a dormência e estimular a formação de  
tecidos radiculares e caulinares, enquanto a plantação direta, sem este estímulo  
prévio, sujeita as estacas a maior stress fisiológico, resultando em menor taxa de  
sucesso.  
De forma geral, estes resultados sugerem que, embora a propagação por sementes  
seja eficiente e garanta elevada taxa de germinação, a utilização de estacas,  
sobretudo quando sujeitas a vernalização, constitui uma alternativa viável para a  
multiplicação vegetativa. Assim, a escolha entre sementes e estacas deve considerar  
não apenas a eficiência germinativa ou de brotação, mas também os objetivos do  
projeto — diversidade genética no caso das sementes ou uniformidade e rapidez de  
produção no caso das estacas.  
Pterocarpus angolensis  
Os resultados obtidos demonstram que a germinação das sementes, embora tenha  
atingido até 40% no tratamento com casca, foi consideravelmente inferior quando  
comparada à propagação vegetativa por estacas. A baixa taxa de germinação pode  
estar relacionada à presença de mecanismos de dormência, comuns em espécies  
nativas, que retardam ou impedem a emergência das plântulas (Ferreira &  
Borghetti, 2004). Além disso, fatores como impermeabilidade do tegumento,  
imaturidade fisiológica do embrião e ausência de tratamentos pré-germinativos  
específicos podem ter contribuído para a limitação da germinação (Carvalho &  
Nakagawa, 2012).  
Por outro lado, os resultados com estacas foram expressivamente superiores,  
sobretudo no tratamento de vernalização, que obteve 100% de brotação. Este  
desempenho pode estar associado ao estímulo fisiológico proporcionado pela  
exposição ao frio, que favorece a ativação metabólica e a quebra de dormência,  
desencadeando a formação de brotos (Hartmann et al., 2011). Já a plantação direta  
apresentou 33% de brotação, resultado ainda acima da germinação por sementes, o  
que reforça o potencial da propagação vegetativa como estratégia eficiente de  
multiplicação.  
Esses achados indicam que a utilização de estacas representa uma alternativa mais  
viável e produtiva para programas de reflorestamento e educação ambiental,  
sobretudo quando há restrições à germinação sexual. A escolha por métodos  
vegetativos pode não apenas aumentar a taxa de sobrevivência das mudas, mas  
também reduzir o tempo de produção em viveiros, garantindo maior eficiência em  
projetos de restauração ecológica.  
Burkea africana  
Os resultados obtidos demonstram que a propagação por sementes não foi eficiente,  
uma vez que não ocorreu germinação em nenhum dos tratamentos testados. A  
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ausência de germinação pode estar associada à baixa viabilidade das sementes, à  
presença de dormência tegumentar ou fisiológica e à falta de tratamentos pré-  
germinativos adequados, fatores já amplamente relatados como limitantes para a  
regeneração sexual de muitas espécies florestais nativas (Ferreira & Borghetti,  
2004; Carvalho & Nakagawa, 2012).  
Por outro lado, a propagação vegetativa por estacas mostrou-se consideravelmente  
mais eficiente, sobretudo no tratamento de vernalização, que apresentou 100% de  
brotação. Este desempenho pode estar relacionado ao efeito do frio sobre o  
metabolismo celular, promovendo alterações fisiológicas que favorecem a quebra de  
dormência e estimulam a formação de novos brotos (Hartmann et al., 2011). Já o  
método de plantação direta apresentou uma taxa de 47% de brotação, o que, embora  
inferior ao da vernalização, ainda representa uma estratégia mais viável que a  
propagação por sementes.  
Esses resultados confirmam que a propagação vegetativa é uma alternativa eficaz  
para superar limitações germinativas, garantindo maior taxa de sucesso na  
formação de mudas. Do ponto de vista prático, a utilização de estacas,  
principalmente associada a técnicas de vernalização, pode acelerar programas de  
reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental,  
assegurando maior uniformidade e sobrevivência das mudas produzidas.  
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Conclusões  
Os resultados obtidos neste estudo demonstram que a eficiência dos métodos de  
propagação varia significativamente entre as espécies analisadas. Em  
Colophospermum mopane, a germinação de sementes foi elevada, alcançando 100%  
em ambos os tratamentos, mas a propagação por estacas também mostrou  
resultados expressivos, sobretudo com vernalização (100% de brotação). Para  
Pterocarpus angolensis, em contrapartida, a germinação por sementes revelou  
taxas bastante reduzidas (até 40%), enquanto a propagação vegetativa destacou-se  
como a técnica mais eficaz, atingindo 100% de brotação no tratamento com  
vernalização. Já em Burkea africana, a propagação por sementes foi totalmente  
ineficaz (0%), sendo a multiplicação por estacas, especialmente com vernalização, a  
única via de regeneração viável, também com 100% de sucesso.  
De forma geral, os dados evidenciam que a propagação vegetativa por estacas, em  
particular quando associada ao tratamento de vernalização, é o método mais  
consistente e eficiente entre as três espécies estudadas, superando amplamente a  
propagação por sementes. A vernalização revelou-se determinante para a quebra de  
dormência e estímulo metabólico, garantindo taxas máximas de brotação. Embora  
a plantação direta de estacas tenha apresentado desempenho inferior à vernalização,  
seus resultados ainda foram superiores à germinação de sementes em P. angolensis  
e B. africana.  
Assim, conclui-se que a propagação por estacas, sobretudo com vernalização,  
constitui uma estratégia eficaz e sustentável para a produção de mudas das três  
espécies analisadas, oferecendo um caminho promissor para programas de  
reflorestação, conservação da biodiversidade e ações de educação ambiental.  
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Recebido:16/10/2026  
Aceite:29/05/2026  
manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a REVISTA CIENTÍFICA  
DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências de Educação da Huíla, que mantém com  
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