Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright © 2026.  
Comparação de dois métodos de amostragem da vegetação  
em parcelas de área variável no Parque Nacional do Bicuar,  
Huíla-Angola  
Comparison of two vegetation sampling methods in plots of variable area in  
Bicuar National Park, Huíla-Angola  
Comparación de dos métodos de muestreo de la vegetación en parcelas de área  
variable en el Parque Nacional de Bicuar, Huíla-Angola  
Felisberto Armando1  
ISCED-Huíla, Angola  
Resumo  
O presente trabalho comparou os dois métodos de amostragem da vegetação no Parque  
Nacional do Bicuar, sendo 30 parcelas (20m × 50m) e 3 parcelas (100m × 100m), em termos  
de suficiência amostral – calculada pela curva de acumulação de espécies, descrição da  
estrutura e composição de espécies – calculada pelos parâmetros fitossociológicos, bem como  
diversidade, dominância e riqueza específica – calculadas pelo Índice de Diversidade de  
Shannon (H’), Índice de Dominância de Simpson (D’), Índice de Riqueza de Margalef (I’) e a  
Equitabilidade calculada pelo Índice de Equitabilidade de Jaccard (J’). Os resultados obtidos  
apontam para uma densidade de 1415 indivíduos, pertencentes a 15 famílias e 46 espécies no  
método de 20 m × 50 m e 1422 indivíduos, de 9 famílias e 28 espécies no método de 100 m ×  
100 m. Sendo a família Fabaceae a mais representativa. Relativamente a suficiência amostral,  
as 30 parcelas de amostragem mostraram-se suficientes para descrever a composição de  
espécies para o presente estudo, uma vez que a curva atingiu a estabilidade com este número  
de unidades amostrais. Entretanto em termos de diversidade, dominância, riqueza as  
parcelas de 100 m × 100 m apresentaram melhor eficácia, o que pressupõe dizer que nas  
parcelas maiores existe maior possibilidade de abarcar maior diversidade, pela chance que  
existe de amostrar espécies novas que não foram a princípio amostradas no conjunto de  
parcelas de tamanhos menores. Nos dois métodos houve uma certa uniformidade entre as  
espécies, com o valor do índice de similaridade acima do 0,50. Importa ainda referir que  
apesar dos custo operacionais, as parcelas de maior tamanho, instaladas com carácter  
permanente, oferecem a possibilidade de remedição futura dos indivíduos, o que permite  
monitorar a dinâmica da vegetação, tendo em conta os vários factores de perturbação de  
várias origens que hoje ameaçam o parque.  
Palavras-chave: Parque Nacional do Bicuar, Amostragem da vegetação, Parcelas  
Diversidade Equitabilidade.  
1Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo Instituto Superior de Ciências da Educação  
da Huíla  
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Abstract  
The present work compared the two vegetation sampling methods in the Bicuar National  
Park, with 30 plots (20 m × 50 m) and 3 plots (100 m × 100 m), in terms of sampling  
sufficiency – calculated from species accumulation curve; description of structure and species  
composition – calculated from the principal phytosociological parameters, as well as  
diversity, dominance and specific richness – calculated from Shannon Diversity Index (H’)  
Simpson Dominance Index, (D’), Margalef Richness Index (I’) and equitability calculated by  
the Jaccard Equitability Index (J’). The obtained results points to a density of 1415  
individuals, belonging to 15 botanical families and 46 species with 20 m × 50 m method and  
1422 individuals, of 9 families and 28 species using the method of 100 m × 100 m. Being  
Fabaceae the most representative family. Relatively sampling sufficiency, the 30 sampling  
plots showed to be enough to describe the composition of species for this study. As long as  
the curve reached the stability with this number of sampling unities. However, in terms of  
diversity, dominance, richness the plots of 100 m × 100 m showed to be more efficient,  
implying that in bigger plots there are more possibilities to include major diversity, by the  
existing chance of sampling new species which have not sampled in the group of smaller plots.  
In both methods there was a certain uniformity between species, with the similarity index  
value to be above 0,50. It should be noted that, despite the operational costs, larger plots,  
installed permanently, offer the possibilities of future re-measurement of individuals, which  
allows us monitoring the vegetation dynamics, taking into account the various factors of  
disturbance from different sources that today threaten the park.  
Keywords: Bicuar National Park, Vegetation sampling, Plots Diversity Equitability.  
Resumen  
El presente trabajo comparó los dos métodos de muestreo de vegetación en el Parque  
Nacional del Bicuar, siendo 30 parcelas (20m × 50m) y 3 parcelas (100m × 100m), en  
términos de suficiencia muestral – calculada por la curva de acumulación de especies,  
descripción de la estructura y composición de especies – calculada por los parámetros  
fitosociológicos, así como diversidad, dominancia y riqueza específica – calculadas por el  
Índice de Diversidad de Shannon (H’), Índice de Dominancia de Simpson (D’), Índice de  
Riqueza de Margalef (I’) y la Equitatividad calculada por el Índice de Equitatividad de Jaccard  
(J’). Los resultados obtenidos apuntan a una densidad de 1415 individuos, pertenecientes a  
15 familias y 46 especies en el método de 20 m × 50 m, y 1422 individuos, de 9 familias y 28  
especies en el método de 100 m × 100 m. Siendo la familia Fabaceae la más representativa.  
En relación con la suficiencia muestral, las 30 parcelas de muestreo demostraron ser  
suficientes para describir la composición de especies para el presente estudio, ya que la curva  
alcanzó la estabilidad con este número de unidades muestrales. Sin embargo, en términos de  
diversidad, dominancia y riqueza, las parcelas de 100 m × 100 m presentaron mejor eficacia,  
lo que sugiere que en las parcelas más grandes existe una mayor posibilidad de abarcar mayor  
diversidad, debido a la oportunidad de muestrear nuevas especies que en un principio no  
fueron muestreadas en el conjunto de parcelas de menor tamaño. En ambos métodos hubo  
cierta uniformidad entre las especies, con un valor del índice de similitud superior a 0,50.  
Cabe destacar también que, a pesar de los costos operativos, las parcelas de mayor tamaño,  
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instaladas con carácter permanente, ofrecen la posibilidad de remedición futura de los  
individuos, lo que permite monitorear la dinámica de la vegetación teniendo en cuenta los  
diversos factores de perturbación de varios orígenes que hoy en día amenazan al parque.  
Palabras clave: Parque Nacional de Bicuar, Muestreo de la vegetación, Parcelas  
Diversidad Equitabilidad.  
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Introdução  
As populações têm na maioria dos países os recursos florestais como a sua principal  
fonte de subsistência, estimativas sugerem que entre 1095 a 1745 biliões de pessoas  
dependem directamente da floresta como meio de subsistência (Langat, 2016).Os  
recursos florestais encontram-se ameaçados devido a desflorestação e a gestão  
insustentável, com taxas de perdas líquidas globais estimadas em cerca de 129  
milhões de hectares de florestas (naturais e plantadas) perdidas, o que representa  
por exemplo, para Angola uma taxa de perda anual estimada em cerca de 0,13% só  
no período de 1990-2015 (IFN, 2019; Chao, 2012; Langat, 2016). Estes indicadores  
sugerem a necessidade da existência de mecanismos adequados para a quantificação  
dos recursos florestais para fazer uma análise mais apropriada da composição  
florística, com o objectivo de fornecer informações, que permitam melhorar o  
conhecimento da riqueza e diversidade florística do país, bem como da gestão  
(Whitmore, 1990).  
Angola possui uma enorme diversidade de plantas, estimada actualmente em cerca  
de 6.735 registos, distribuídos por 250 famílias e cerca de 1.745 géneros (Goyder &  
Gonçalves, 2019; Figueiredo & Smith, 2008). Em comparação com as floras de  
outros países africanos, com particular realce à região austral de África, o país parece  
ser o segundo mais rico em termos de diversidade florística, depois da África do Sul.  
Porém, encontrar informação sobre a flora e vegetação do país não é fácil, existindo  
estudos em curso, que incluem levantamentos de campo, visando a caracterização  
da vegetação das regiões de maior diversidade (Figueiredo & Smith, 2008ª;  
Tchamba, 2017).  
Actualmente existe uma grande diversidade de parcelas utilizadas para amostrar a  
vegetação, este problema é particularmente importante para Angola, com uma  
grande diversidade de ecossistemas, o que dificulta em geral a adopção de um único  
método de amostragem, associado ao facto da falta de consenso, quer a nível  
nacional, ou da região em que nos encontramos no que se refere ao tamanho das  
unidades amostrais, bem como ao défice de trabalhos relacionados com a  
amostragem da vegetação, e comparação dos principais parâmetros ecológicos,  
resultantes das dimensões das parcelas utilizadas (Nero et. al., 2015 & Vianna et. al.,  
2010).  
Os estudos fitossociológicos obedecem a um conjunto de métodos e procedimentos  
para melhor identificação das comunidades vegetais (Lima, 2015 & Druszcz et. al.,  
2010) que pode ser feita por meio de métodos de amostragem de área fixa ou de área  
variável (Lima, 2015 & Durigan, 1999). A escolha do método de amostragem a ser  
empregue num estudo envolvendo diferentes tipos de vegetação não é fácil, e tem  
necessariamente de produzir resultados precisos, e que possam ser comparáveis  
(Dias & Couto, 2005; Husch et. al., 2002).  
Hoje, existe a tendência de cada pesquisador desenvolver e escolher o seu próprio  
sistema de amostragem e produzir resultados, mas que nem sempre são  
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comparáveis com outros estudos, mesmo quando são realizados em um mesmo  
ecossistema, como é o caso de uma área de conservação ou parque (Lima, 2015).  
Urge por isso, a necessidade de se estudar, interpretar e analisar melhor os  
resultados dos vários métodos existentes, avaliar as suas vantagens e desvantagens,  
antes de serem aplicados em diferentes projectos de estudo, que visam o  
levantamento e caracterização de determinada vegetação.  
Este trabalho pretende comparar dois métodos de amostragem da vegetação  
utilizada simultaneamente no Parque Nacional Bicuar, no âmbito do projecto  
SASSCAL - Southern African Science Service Centre for Climate Change and  
Adaptive Land Management (2012-2018), e mais recentemente no âmbito do  
projecto SEOSAW - A Socio-Ecological Observatory for Studying African  
Woodlands (2016-2024), com a finalidade de contribuir na tomada de decisão para  
a escolha da melhor metodologia de amostragem da vegetação, permitindo assim a  
obtenção de dados mais fiáveis, e que sejam comparáveis com outros estudos  
levados a cabo na região e não só, o que facilitaria qualquer iniciativa de  
inventariação dos recursos florestais do PNB.  
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Referencial Teórico  
As primeiras pesquisas que abordam as comunidades vegetais e a sua organização  
surgiram por volta do século XIX, por meio de iniciativas de pesquisadores, como:  
J.B.E. Pohl, J.E.B. Warming e A. von Humboldt, dentre outros, sendo também estes  
os percursores no reconhecimento dos principais grupos e comunidades vegetais  
(Freitas & Magalhães, 2012a). Desde então, as comunidades vegetais começaram a  
ganhar destaque nos estudos ecológicos, segundo Isernhagen, Silva & Galvão (2011),  
a necessidade de se avançar na compreensão dos recursos florísticas originou  
diferentes linhas de pensamento, representadas pelas escolas fitossociológicas de  
Zürich-Montpellier (Braun-Blanquet), Du Rietz, Ramenski e Sukatschew e Tansley,  
Clements e Gleason só para citar alguns exemplos.  
Em Angola, provavelmente, as primeiras colheitas botânicas foram feitas no século  
XVII pelo Reverendo Francis Mason e John Kirckwood em Luanda e Cabinda (Goyder  
& Gonçalves, 2019). Seguiram-se depois alguns trabalhos colheitas de plantas feitas  
pelo naturalista carioca Joaquim José da Silva, realizadas ao longo do litoral angolano  
e também da escarpa ocidental, nos finais do século XVIII (Figueiredo et. al., 2008).  
De forma sistemática as explorações botânicas em Angola tiveram início na metade  
do século XIX com destaque para as colheitas do botânico Austríaco Friedrich  
Welwitsch, e mais tarde seguiram-se as expedições botânicas de Hugo Baum ao  
sudoeste angolano, e John Gossweiler, que colheu mais de 14.000 espécimes, o que  
possibilitou a criação da primeira Carta da Vegetação de Angola, publicada em 1939  
por Gossweiler & Mendonça (Figueiredo & Smith, 2008).  
A flora de Angola não é incluída nem tratada em nenhuma das maiores floras  
regionais, como é o caso da Flora Zambeziaca ou da Flora Tropical da África Oriental,  
em vez disso, foi tratada separadamente no CFA - Conspectus Florae Angolensis,  
iniciado por Luiz W. Carrisso, estudo que teve início com os botânicos Arthur Wallis  
Excell e Francisco de Ascensão Mendonça, ainda nos anos 1930 (Revermann, 2016),  
nesta altura um grande volume de artigos foram sequencialmente publicados tais  
como: Excell & Mendonça publicados entre 1937 - 1955; Excell & Fernandes (1962 e  
1966); Excell, Fernandes & Mendes (1970); Schelpe, Jermy & Launert (1977) e assim  
sucessivamente (Diniz, 2006). E relação ao conhecimento e inventariação da flora  
lenhosa, destaca-se o trabalho desenvolvido no distrito de Silva Porto, hoje província  
do Bié (Monteiro, 1970), pelo facto de representar o primeiro estudo que se conhece  
sobre à inventariação dos recursos florestais com a utilização de parcelas, tendo  
resultado no primeiro mapa de vegetação da região, com três principais associações  
de plantas e quatro sub-associações (Revermann et al. 2017).  
Todos estes trabalhos contribuíram para a criação de um acervo de plantas da flora  
nacional, que se encontra hoje depositada nos três principais herbários do país,  
nomeadamente Luanda (LUAI), Huambo (LUA) e Lubango (LUBA), e em vários  
herbários no estrangeiro (Figueiredo & Smith, 2008). Infelizmente, devido a situação  
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de instabilidade política que o país viveu após a sua independência em 1975,  
relegando a investigação científica neste domínio para o segundo plano.  
Hoje, com o fim do conflito armado no país, verificou-se um renascer para aquilo que  
são os trabalhos de inventariação e documentação da biodiversidade de Angola, no  
âmbito dos vários projectos de investigação que contam com o suporte e participação  
de várias instituições académicas e científicas da Alemanha, Portugal, Espanha,  
África do Sul, Estados Unidos da América e Brasil.  
Assim, hoje, além da prática convencional que se resumia simplesmente na colheita  
de espécimes botânicos para a inventariação da flora, existe um esforço muito grande  
com vista a documentação e caracterização dos principais habitats que ocorrem no  
país, com recurso a metodologia de parcelas para a amostragem da vegetação.  
Apesar da diversidade em tamanho e forma das diferentes parcelas usadas,  
considera-se ser essencial a adopção e utilização de uma única metodologia para cada  
tipo de vegetação, como é o caso das parcelas de 1000 m2 (20 m × 50 m), resultante  
da Rede de Observatórios de Biodiversidade do BIOTA África (Jurgens, et al., 2012),  
adoptada igualmente no âmbito do projecto SASSCAL (2012 - 2017), visando a  
classificação e estratificação da vegetação, tendo-se ainda definido um critério de  
inclusão para a medição das comunidades arbóreo-arbustivas.  
A metodologia, adoptada neste e noutros projectos, contribuiu para a realização de  
novos inventários em toda a extensão da província da Huíla por exemplo, incluindo o  
PNB, tendo resultado na primeira classificação das principais dos principais tipos de  
vegetação, com ênfase à vegetação lenhosa da província da Huíla (Chisingui et. al.,  
2018).  
Materiais e Métodos  
O presente estudo, foi realizado no Parque Nacional do Bicuar (PNB), localizado na  
Província da Huíla, entre os municípios da Matala, Quipungo e Gambos (Figura 1),  
com uma área anteriormente estimada em cerca de 7.900 km2, hoje consideram-se  
apenas cerca de 6.750 km2, devido a um Decreto colonial que desproclamou áreas à  
norte do parque e nordeste do parque, visando a expansão do Colonato de Capelongo  
(Huntley et al., 2019). Criado no ano de 1938, inicialmente estabelecido como Reserva  
Parcial de Caça (Portaria Nº 2620 de 16 de Abril de 1938), tendo passado  
posteriormente à categoria de Parque Nacional pelo Diploma Legislativo Nº 3527, de  
26 de Dezembro de 1964 (Huntley et. al., 2019).  
Com um clima tropical húmido na parte norte e seco na parte sul (Campos, 2010),  
temperatura que varia entre os 10º e 25º C, precipitação anual varia entre os 600 e  
900 mm/ano, os solos na sua maioria cromopsâmicos, associados aos solos  
Psamóficos pardacentos (Teixeira, 1968). Quanto a flora há poucos estudos e os  
existentes são da década de 60 e 70 (Teixeira, 1968; Barbosa, 1970). A fauna foi  
severamente afectada pela exploração inadequada dos seus recursos, mas hoje a  
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biodiversidade do Bicuar, até pouco tempo, desconhecida tem revelado a existência  
de uma rica herpetofauna (Butler et al. 2019; Baptista et al. 2019; Beja, et al., 2019).  
Figura 1: Área de estudo, correspondente ao PNB na Província da Huíla (delimitado).  
Para este estudo, utilizaram-se dados resultantes de dois principais projectos de  
investigação, que decorreram na região, incluindo o PNB, que utilizou igualmente  
métodos de amostragem diferentes para a caracterização da flora e vegetação do  
parque. No âmbito do projecto SASSCAL (2012 - 2018), o processo de amostragem  
foi feito com recurso às parcelas de 20 m × 50 m (Figura 2), para a medição  
essencialmente das espécies arbóreas, sendo que no interior desta existe uma  
subparcela de 10 m × 10 m (100 m2) exclusivo para amostragem e quantificação da  
vegetação herbáceo-arbustiva e também de gramíneas, seguindo o modelo proposto  
por Braun-Blanquet (Poore, 1955).  
Figura 2: Forma e tamanho das parcelas de amostragem da vegetação usadas no âmbito do projecto  
SASSCAL no PNB (adaptado de Jürgens et al. 2012).  
Por outro lado, no âmbito do projecto SEOSAW (2017 - 2024) optou pela utilização  
de parcelas maiores, de um hectare (Figura 3) para amostragem da vegetação lenhosa,  
nos dois casos dentro de cada unidade amostral, todas as árvores com diâmetro a  
altura do peito igual ou superior a 5 cm (DAP ≥ 5 cm), foram medidas a 1.30 m do  
solo com uma fita diamétrica. A altura das árvores foi estimada com auxílio de um  
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clinómetro digital (Häglof Vertex), ou com um Rangefinder (Nikon Forestry Pro)  
respectivamente. Outras informações importantes, como o nome binomial das  
espécies foi feita graças a experiência dos membros da equipa e com auxílio de floras  
(Checklists) disponíveis para a região austral do continente e para Angola (Klopper,  
et al., 2006; Figueiredo & Smith, 2008), ou recurso à literatura botânica  
especializada, disponível para a região (Wyk & Wyk, 1997; Smith & Allen, 2004;  
Mannheimer & Curtis, 2009; Alison & Heath, 2010), e em caso de desconhecida a  
identidade de espécie foi feita a colheita de material botânico para posterior  
identificação no Herbário do Lubango (LUBA) e Herbário Royal de Edimburgo (E).  
Das quinze (15) parcelas permanentes de 1 hectare, estabelecidas no PNB, para este  
estudo foram utilizados apenas três (3) parcelas, correspondentes a 3 hectares, por  
apresentarem maior número de indivíduos medidos. Os dados recolhidos nas três  
parcelas de 1 ha, foram introduzidos numa planilha do MS Excel, e usadas para  
comparação, em termos de composição e diversidade florística com outras trinta (30)  
parcelas de 0,1 hectare totalizando, igualmente três hectares para este método de  
amostragem.  
Figura 1: Forma e tamanho das parcelas de amostragem da vegetação usadas no Parque Nacional do  
Bicuar no âmbito do projecto SEOSAW (www.seosaw.github.io/manuals).  
Para análise da florística e composição de espécies recorreu-se ao cálculo dos  
principais parâmetros fitossociológicos, nomeadamente: Frequência (FR), Densidade  
(DR), Dominância (DoR), bem como do Índice de Valor de Importância (IVI), bem  
como recorreu-se também a três principais índices para avaliar a diversidade,  
dominância e riqueza específica da região, nomeadamente: Shannon, Simpson e  
Margalef, adicionalmente recorreu-se ao cálculo da equitabilidade para averiguar a  
homogeneidade de espécies nas diferentes comunidades, considerado o grau de  
uniformidade na abundância de espécies (Magurran, 2004; Semensatto, 2009;  
Martini & Prado, 2010). Neste contexto, cada índice busca o modo mais simples e  
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preciso para expressar o real estado da diversidade de uma composição florística  
(Semensatto, 2009; Amaral & Ferreira, 2013).  
Resultados e Discussão  
A suficiência amostral, ou esforço amostral e também conhecido por curva espécie-  
área, é um conceito qualitativo que permite informar se a amostra utilizada é ou não  
representativa da comunidade vegetal estudada (Mueller-Dumbois, 1974; Freitas &  
Magalhães, 2012a) e tem sido muito usada em estudos florísticos, para verificar a  
abrangência da amostragem, sendo muito influenciada pela amostragem (Felfili et  
al., 2005). Representa em geral, a área mínima necessária para um estudo da  
vegetação, podendo ser determinada tendo em conta a homogeneidade e o estado de  
fragmentação da cobertura vegetal (Porto, 2008).  
A figura abaixo representa o esforço amostral tomando como base o número de  
unidades amostrais e a quantidade de indivíduos amostrados nos dois métodos.  
Pode-se concluir pela análise da curva de espécie/área que o método de amostragem  
por parcelas de 1000 m2 apresenta uma posição quase vertical nas cinco primeiras  
parcelas o que denota um aumento significativo do número de indivíduos nestas  
parcelas, este comportamento vai se tornando mais suave, a medida que aumenta o  
número de unidades amostrais (esforço amostral), até atingir a estabilidade na  
parcela 20. Porém se aumenta o esforço amostral (número de parcelas), continuam a  
surgir elementos novos (espécies novas), que não tinham sido inicialmente  
amostradas até atingir uma nova estabilização na parcela 30. O que mostra que  
provavelmente o número de unidades amostrais utilizadas para este método sejam  
suficientes para descrever a composição de espécies do PNB. Uma das características  
das comunidades ecológicas é que o número de espécies se acumula com o aumento  
da área amostrada. No entanto, é importante distinguir a diferença entre a relação  
espécie-área e as curvas de acumulação de espécies.  
A relação espécie-área se preocupa mais com o número de espécies em áreas de  
diferentes tamanhos, independentemente da identidade das espécies dentro destas  
áreas, enquanto a curva de acumulação de espécies se preocupa com as taxas de  
acumulação de novas espécies na área amostrada e depende muito da identidade das  
espécies (Ugland, et. al., 2003).  
Para o método de amostragem por parcelas de 10.000 m2, a curva é quase vertical da  
primeira até a terceira parcela o que denota um aumento do número de indivíduos,  
sem no entanto implicar um aumento no número de unidades amostrais. Embora o  
método de amostragem com parcelas de 100 m × 100 m, a curva tenha evidenciado  
menor esforço amostral, mais com maior número de indivíduos (1422) amostrados,  
as parcelas menores em geral são mais representativas da comunidade, a julgar pelo  
número de espécies que podem albergar (Tabela 1), ou seja maior número de parcelas,  
mais espécies podem ser abarcadas no estudo.  
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Parcelas  
100m x…  
Unidades amostrais  
Figura 4: Esforço (suficiência) amostral entre número de unidade amostrais em relação ao número  
de indivíduos amostradas nos dois métodos utilizados neste estudo.  
Resumidamente, na tabela abaixo (Tabela 1) são apresentados os dados gerais obtidos  
mediante a utilização dos dois métodos de amostragem, sendo que, o número de  
indivíduos amostrados nas parcelas de 1000 m2 representa cerca de 99,5% do número  
de indivíduos encontrado pelo segundo método. O número de espécies obtido  
representa cerca de 60,86% nas parcelas de 10.000 m2, comparativamente ao número  
de espécies encontradas nas parcelas de 1000 m2.  
Tabela 1: Resultados obtidos com a aplicação dos dois métodos de amostragem no Parque Nacional  
do Bicuar.  
1000  
m2  
10.000  
m2  
Critérios  
Nº unidades amostrais  
30  
3
Unidades  
(hectare)  
amostrais  
0.1 ha  
1415  
15  
1 ha  
1422  
9
Nº indivíduos amostrados  
Nº famílias  
Nº espécies  
46  
28  
Em termos percentuais as dez espécies que mais contribuíram para a composição de  
espécies nas parcelas de 1000 m2 foram: Bakiaea plurijuga (28%), Julbernardia  
paniculata (13,8%), Brachystegia spiciformis (13,6%), Baphia massaiensis (7,6%),  
Burkea africana (6,6%), Combretum collinum (5,7%), Combretum molle e  
Terminalia sericea (3%), Combretum zeyheri (2,2%) e Pericopsis angolensis (2%),  
enquanto para o método de amostragem de parcelas de 10.000 m2 foram  
respectivamente: Julbernardia paniculata (18,6%), Burkea africana (12,7%),  
Baphia massaiensis, Brachystegia longifolia e Pterocarpus angolensis (7%), a  
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Terminalia brachystemma (6,6%), Bakiaea plurijuga (5,3%), Combretum collinum  
e Diplorhynchus condylocarpon (4%) e Baphia bequaerti (3,5%). Para este estudo  
utilizamos o IVI – Índice de Valor de Importância para descrever as comunidades  
vegetais resultantes dos dois métodos de amostragem.  
Assim, as dez (10) espécies mais abundantes em ordem crescente nas parcelas de  
1000 m2 foram: Baikiaea plurijuga (43,64), Baphia massaiensis ssp. obovata var.  
obovata (23,26), Brachystegia spiciformis (25,67), Burkea africana (22,20),  
Combretum collinum (20,08), Julbernardia paniculata (23,41), Combretum zeyheri  
(14,21), Lonchocarpus nelsii (12,51), Pericopsis angolensis (10,32), Terminalia  
sericea (9,62), enquanto nas parcelas de 10.000 m2 foram respectivamente:  
Julbernardia paniculata (52,52), Burkea africana (29,49), Baikiaea plurijuga  
(23,81), Brachystegia longifolia (21,80), Pterocarpus angolensis (20,11), Baphia  
massaiensis ssp. obovata (12,43), Combretum collinum (12,40), Lonchocarpus nelsii  
(13,20), Diplorhynchus condylocarpon (10,64), Terminalia brachystemma (9,85).  
A avaliação fitossociológica das comunidades vegetais do parque, revelou a  
importância ecológica de algumas espécies típicas do miombo (Brachystegia  
longifolia, B. spiciformis e Julbernardia paniculata), bem como de espécies típicas  
das formações áridas (Baikiaea plurijuga, Baphia massaiensis ssp. obovata e  
Lonchocarpus nelsii), apontando efectivamente para espécies arbóreas mais  
tipicamente resistentes as queimadas (Burkea africana) e/ou pioneiras nos estágios  
iniciais da sucessão ecológica (Combretum spp., Terminalia brachystemma e T.  
sericea) (Goncalves et al. 2017).  
Relativamente a abundância das principais famílias botânicas foram encontradas  
apenas nove (9) famílias suando o método de amostragem com parcelas de 1 hectare,  
o que representa cerca de 60% do número total de parcelas encontradas com o outro  
método, que usou parcelas de 0,1 ha, onde a família Fabaceae destacou-se com 43%  
de espécies amostrados, seguida da família Combretaceae (25%), Strychnaceae  
(18%), enquanto as famílias Euphorbiaceae, Phyllanthaceae e Rubiaceae foram as  
menos representativas nas parcelas de 1000 m2. Com a utilização do método de  
amostragem com parcelas de 10.000 m2, segue-se praticamente a mesma tendência,  
com a família Fabaceae se destacando com cerca de 39% de espécies, seguida da  
família Combretaceae (22%), Strychnaceae (20%) e as famílias Euphorbiaceae,  
Phyllanthaceae e Rubiaceae foram as menos representativas (Figura 8). A abundância  
da família Fabaceae nos levantamentos e inventários florísticos é bastante comum  
nos ecossistemas tropicais, incluindo o miombo como é o caso do Bicuar (da Silva et  
al. 2020).  
Estudos recentes levados a cabo na região, que inclui o PNB ressaltou este mesmo  
facto, evidenciando a abundância de espécies arbóreas da família Fabaceae,  
nomeadamente: Julbernardia paniculata, Brachystegia spiciformis, B. longifolia e  
B. bakeriana (Chisingui et al. 2018). Algumas espécies como Diplorhynchus  
condylocarpon, pertencente a família Apocynaceae foram identificadas em parcelas  
usando os dois métodos de amostragem, enquanto a espécie Boscia sp., pertencente  
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à família Capparaceae foi exclusiva às parcelas de 1000 m2. As parcelas de área fixa,  
também chamadas permanentes, são assim recomendáveis, pois permitem ainda a  
compreensão da dinâmica florestal em áreas preservadas e/ou parques, permitindo  
realizar estudos mais realista da composição florística, que possam auxiliar a  
avaliação dos fenômenos e processos ecológicos, reacções dos sistemas ecológicos,  
visando melhor, conservar e monitorar as espécies, embora existir limitações na sua  
aplicação devido ao factor tempo e custos financeiros e de recursos humanos como os  
estudos realizados no PN do Bicuar, (Tchamba, 2017; Chisingui et al. 2018;  
Sanquetto, 2008).  
De uma maneira geral o padrão de distribuição das árvores nos dois métodos  
estudados, obedece ao esperado para este tipo de ecossistemas, com um elevado  
número de indivíduos nas classes diamétricas iniciais, o que evidencia um padrão de  
distribuição em J-invertido, indicando um possível tendência de regeneração natural  
das espécies arbóreas (Figuras 5 e 6).  
20 m x 50 m  
y = 1757e-0,846x  
R² = 0,9992  
DAP (cm)  
Figura 5: Padrão de distribuição das classes de diâmetro dos indivíduos amostrados nas parcelas de  
20 m × 50 m.  
100 m x 100 m  
y = 1435,5e-0,901x  
R² = 0,9521  
DAP (cm)  
Figura 6: Padrão de distribuição das classes de diâmetro dos indivíduos amostrados nas parcelas de  
100 m × 100 m.  
Estudos comparativos envolvendo o diâmetro das árvores, usando parcelas de igual  
tamanho (20 m × 50 m) revelaram que em qualquer parcela, os indivíduos com DAPs  
compreendidos entre 5-15 cm são em geral a maioria. Ou seja, os indivíduos com estes  
diâmetros de encontram-se quase sempre em maior quantidade em qualquer  
composição florística (Aguiar, 2003). Outro estudo utilizando duas parcelas de 100  
m × 100 m, com o objectivo de comparar os DAPs das espécies, verificou que  
independentemente de se registar alguma diferença no número de indivíduos, os  
resultados demonstraram que em ambas as parcelas a maioria da composição está  
fixada entre os indivíduos situados nas classes de diâmetro iniciais (Gomes et al.  
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2011). Por outro lado, a distribuição diamétrica apresentada pelos dois métodos de  
amostragem, denota-se claramente que os indivíduos com DAP entre 36 cm em  
diante encontram-se em menor quantidade, ou estão mesmo ausentes.  
O que pode estar relacionado com alguma perturbação, que caracterizou a história  
recente do parque, sobretudo para algumas espécies como o caso de Brachystegia  
spiciformis, que tem sido extensivamente explorada para a produção de carvão, mas  
não na área de estudo. Ou mais provavelmente a exploração selectiva de algumas  
espécies para a produção de madeira, como é o caso de Baikiaea plurijuga,  
Pterocarpus angolensis e Guibourtia coleosperma, como sugerem alguns estudos  
levados acabo do sudeste de Angola (Gonçalves et. al. 2018).  
Por outro lado, com o aumento da densidade populacional de elefantes, foi também  
comum observar os efeitos de herbivoria sobre algumas espécies arbóreas, com  
destaque G. coleosperma que em geral é uma árvore grande, o que impede o seu  
crescimento, daí ser comum no parque, encontrar registos de indivíduos destas  
espécies nas classes de diâmetro iniciais (da Silva et. al. 2020). Calculou-se a  
diversidade de espécies a partir do Índice de Shannon onde denotou-se que as  
parcelas de 1000 m2 (20 m × 50 m) a diversidade variou em torno de 1.02 ± 0.57,  
sendo o valor mais elevado o encontrado nas parcelas 2 e 20, respectivamente.  
Enquanto nas parcelas de 10.000 m2 (100 m × 100 m) a média da diversidade de  
espécies foi de 2.03 ± 0.27. A dominância, calculada pelo índice de dominância de  
Simpson nas parcelas de 20 m × 50 m foi em média de 0.49 ± 0.06.  
Enquanto nas parcelas de 100 m × 100 m foi à volta de 0,81 ± 0,06 e o valor elevado  
do Índice de Simpson encontrado nas parcelas de 10.000 m2 em comparação às  
parcelas de 1000 m2 pode ser resultado da elevada frequência de uma dada espécies,  
lembrar que o índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais alto for este valor, maior  
é a probabilidade de os indivíduos pertencerem a mesma espécie, ou seja maior  
dominância por uma ou poucas espécies (Uramoto et al. 2005; Santos 2009). Usamos  
também o índice de riqueza de Margalef que variou de 1.19 ± 0.87 nas parcelas de  
1000 m2, enquanto nas parcelas de 10.000 m2 variou em média entre 2.18 ± 0.18.  
Denotando mais uma vez a riqueza florística para o caso em referência, se tivermos  
em conta os valores encontrados nas parcelas menores, que são em geral inferiores a  
2.0, sendo por isso considerados como denotando áreas de baixa diversidade, que  
pode em geral ser resultado de efeitos antropogénicos, como acontece no PNB.  
Adicionalmente aos índices utilizados, calculamos a equitabilidade, sendo um índice  
que permite representar a uniformidade na distribuição dos indivíduos entre todas as  
espécies existentes (Magurran, 1988).  
Nas parcelas em estudo variou em média à volta de 0,62 ± 0,24 (1000 m2) e 0,75 ±  
0,09 nas parcelas de 10.000 m2. Para verificar se existe diferença estatisticamente  
significativas, entre as variáveis nos dois métodos foi realizado o teste de Mann-  
Whitney, que comprovou que as mesmas não foram significativas (U: 86.5; p-value:  
0,095), não havendo distinção em termos de riqueza de espécies entre elas quando  
consideramos as duas dimensões de parcelas utilizadas no presente estudo.  
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Os resultados da diversidade aqui encontrados, com a utilização de parcelas maiores,  
estão de acordo com um outro estudo, realizado no PN do Bicuar com a utilização de  
cinco parcelas de amostragem, onde a diversidade de Shannon foi considerado  
elevado (H’ = 2,24). O que pode ser resultado da ocorrência de um conjunto de  
espécies, tais como: Combretum apiculatum spp. apiculatum, C. psidioides, Ochna  
pulchra spp. pulchra, Pterocarpus angolensis e Securidaca longpedunculata, entre  
outras), que ocorreram apenas em uma das parcelas, sendo que este índice e  
fortemente influenciado pela ocorrência de espécies raras e/ou únicas na comunidade  
(da Silva et al. 2020).  
Analisando os resultados dos dois métodos, pode-se concluir que apesar do método  
de amostragem de parcelas de 1000 m2 contar com 30 parcelas, os valores  
apresentados foram relativamente baixos, o que revela diversidade e riqueza de  
espécie baixa, registando um ligeiro equilíbrio na dominância de apenas algumas  
espécies, de acordo aos indicadores apresentados pelos índices de dominância de  
Simpson e de Equitabilidade de Jaccard. Com resultados satisfatórios destacou o  
método de amostragem de parcelas de 10.000 m2, com apenas 3 parcelas, os valores  
apresentados foram relativamente altos, o que demonstra a diversidade, riqueza,  
dominância e maior uniformidade de espécies, contrariando todas as espectativas  
relativamente à maior abrangência em termos de área amostrada pelo método de  
amostragem de parcelas de 1000 m2.  
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Conclusões  
O estudo realizado com recurso a dois métodos de amostragem da vegetação, que  
objectivou comparar a performance destes métodos que permita descrever os  
principais parâmetros fitossociológicos usados como descritores das comunidades  
florísticas do parque, com concluiu-se que as 30 parcelas de 1000 m2 usadas neste  
estudo, podem ser suficientes para caracterizar a estrutura e composição de espécies  
no Bicuar, pelo facto de albergar em geral um maior número de espécies  
representativas das comunidades vegetais estudadas, em comparação as parcelas de  
10.000 m2, embora em geral albergassem maior número de indivíduos.  
Quanto à contribuição de espécies nos dois métodos de amostragem, verificou-se um  
equilíbrio na dominâncias das espécies típicas do miombo, ressalta o facto das  
parcelas de 1000 m2, terem apresentado uma dominância maior da espécie Baikiaea  
plurijuga, talvez pelo facto de a maior parte destas parcelas terem sido estabelecidas  
em áreas intactas no interior do parque, portanto longe da acção humana,  
considerando o facto de esta espécie estar sujeita ao corte selectivo para exploração  
de madeira nas regiões do leste e sudeste do país. O mesmo se pode dizer em relação  
à posição sociológica das espécies, avaliadas pelo Índice de Valor de Importância  
(IVI).  
Apesar destas conclusões, algumas espécies apresentaram parâmetros bastante  
preocupantes, o que levanta questões para a realização de estudos mais  
aprofundados, visando a proposta de medidas específicas voltadas a conservação e  
protecção destas espécies.  
Em resumo, apesar dos constrangimentos humanos, financeiros e de tempo que em  
geral são levantados na alocação de parcelas maiores, ainda assim estas descrevem  
melhor a composição e diversidade de espécies, e podem ser as mais adequadas para  
descrever as comunidades vegetais, principalmente pela possibilidade que estas  
oferecem em termos de avaliação de importantes parâmetros da dinâmica da  
vegetação, como são as taxas de mortalidade e recrutamento de espécies arbóreas.  
Estas parcelas, quando concebidas com o carácter permanente, permitem ainda a  
conservação de espécies, através do processo de monitoramento das principais  
espécies que caracterizam a região, face as diversas perturbações de origem natural e  
também antropogénica que podem afectar a biodiversidade do PNB.  
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Recebido:07/10/2025  
Aceite:04/12/2025  
manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a REVISTA  
CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências de Educação da  
Huíla, que mantém com fundos próprios a Revista.  
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