Revista Científica do ISCED-Huíla  
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Caracterização Socioecológica dos Corredores de  
Transumância no Município dos Gambos, província da Huíla  
Socioecological Characterization of the Transhumance Corridors in the  
Municipality of Gambos, Huíla province  
Caracterización Socioecológica de los Corredores de Transhumancia en el  
Municipio de los Gambos, provincia de Huíla  
Magnilson Joaquim Barata Feio1  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Joaquim Américo Pinto da Rocha2  
Instituto Superior Sinodal e Centro de Investigação e Desenvolvimento Local de  
ISPS, Lubango-Angola  
Resumo  
Este estudo teve como objectivo caracterizar os corredores de transumância no município dos  
Gambos, com ênfase nas condições socioeconómicas das comunidades locais, na organização  
social e na vegetação predominante. A investigação adoptou uma abordagem mista, com cunho  
exploratório-descritivo baseada em entrevistas realizadas a 30 chefes de família,  
complementadas por observação directa e mapeamento de rotas. Os resultados revelaram que  
as comunidades pastoris mantêm um modo de vida simples, estruturado hierarquicamente em  
torno da autoridade do soba, tendo como principais actividades económicas a criação de gado  
bovino e caprino, associada à agricultura de subsistência. Verificou-se que, na localidade da  
Taca, o gado permanece nos vales e montanhas circundantes, enquanto no Pocolo os  
movimentos sazonais se direccionam ao vale do Tchimbolelo, tradicionalmente rico em  
pastagens. A vegetação predominante é constituída por Colophospermum mopane e  
formações de Miombo, que gradualmente vão dando lugar as formações características de  
Brachystegia plurijuga distribuídos de forma esparsa e arbustos dominados por Baphia  
massaiensis ssp. obovata, considerada uma importante forrageira. Conclui-se que a  
caracterização dos corredores de transumância contribui para a compreensão das estratégias  
de mobilidade agro-pastoris, permitindo apoiar políticas de gestão sustentável e de  
preservação ambiental no sul de Angola.  
Palavras-Chave: caracterização socioecológica, transumância, comunidades pastoris.  
1Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da  
Huíla  
2Doutor em Educação pela Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal.  
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Abstract  
This study aimed to characterize transhumance corridors in the municipality of Gambos, with  
an emphasis on the socioeconomic conditions of local communities, social organization, and  
predominant vegetation. The research adopted a mixed-methods approach, with an  
exploratory-descriptive approach, based on interviews with 30 heads of households,  
supplemented by direct observation and route mapping. The results revealed that pastoral  
communities maintain a simple way of life, hierarchically structured around the authority of  
the soba, with cattle and goat rising, associated with subsistence farming, as their main  
economic activities. It was found that in the Taca area, livestock remain in the surrounding  
valleys and mountains, while in Pocolo, seasonal movements are directed to the Tchimbolelo  
valley, traditionally rich in pastureland. The predominant vegetation consists of  
Colophospermum mopane and Miombo formations, which gradually give way to characteristic  
formations of sparsely distributed Brachystegia plurijuga and shrubs dominated by Baphia  
massaiensis ssp. obovata, considered an important forage species. The conclusion is that  
characterizing transhumance corridors contributes to understanding agropastoral mobility  
strategies, supporting sustainable management and environmental preservation policies in  
southern Angola.  
Keywords: socioecological characterization, transhumance, pastoral communities  
Resumen  
Este estudio tuvo como objetivo caracterizar los corredores de trashumancia en el municipio  
de Gambos, con énfasis en las condiciones socioeconómicas de las comunidades locales, la  
organización social y la vegetación predominante. La investigación adoptó un enfoque  
exploratorio-descriptivo de método mixto basado en entrevistas a 30 jefes de familia,  
complementadas con observación directa y mapeo de rutas. Los resultados revelaron que las  
comunidades pastoriles mantienen un estilo de vida sencillo, jerárquicamente estructurado en  
torno a la autoridad de la soba, con la cría de ganado vacuno y caprino, combinada con la  
agricultura de subsistencia, como sus principales actividades económicas. Se encontró que, en  
la zona de Taca, el ganado permanece en los valles y montañas circundantes, mientras que en  
Pocolo, los desplazamientos estacionales se dirigen al valle de Tchimbolelo, tradicionalmente  
rico en pastizales. La vegetación predominante consiste en formaciones de Colophospermum  
mopane y Miombo, que gradualmente dan paso a formaciones características de Brachystegia  
plurijuga, escasamente distribuidas, y arbustos dominados por Baphia massaiensis ssp.  
obovata, considerada una importante especie forrajera. Se concluye que la caracterización de  
los corredores de trashumancia contribuye a la comprensión de las estrategias de movilidad  
agropastoril, lo que permite respaldar políticas de gestión sostenible y preservación ambiental  
en el sur de Angola.  
Palabras-clave: caracterización socioecológica, trashumancia, comunidades pastoriles  
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Introdução  
O homem tem transformado o meio ambiente desde a sua origem, procurando garantir  
a satisfação das necessidades básicas por meio da agricultura, da criação de animais e  
da exploração dos recursos florestais (Temudo, 2008). Em Angola, a degradação  
ambiental resultante da desflorestação, da erosão dos solos e da perda de  
biodiversidade tem afectado de modo particular as comunidades rurais que dependem  
directamente dos recursos naturais para a sua sobrevivência. Com o intuito de mitigar  
esses impactos, o Governo angolano, através do Ministério do Ambiente, estabeleceu  
políticas de protecção ambiental e de criação de áreas de conservação, visando  
salvaguardar populações vulneráveis, como os criadores de gado do sul do país (Lei nº  
5/98, de 19 de Junho). A região sul de Angola caracteriza-se por condições ambientais  
específicas, influenciadas pela corrente fria de Benguela e por factores latitudinais, que  
resultam em clima tropical seco a semiáridos e desértico, com pluviosidade cada vez  
mais escassa e irregular (Ribeiro, Satiaca & António, 2021).  
Essa realidade obriga os criadores de gado a deslocarem-se sazonalmente em busca de  
pasto e água, num processo tradicionalmente conhecido como transumância, através  
dos corredores de transumância. Tal prática representa uma adaptação socioecológica  
que assegura a continuidade da pastorícia, actividade central para o modo de vida das  
comunidades agro-pastoris da região (Acha, 2018; Oliveira & Silva, 1999). Metzger  
(2021) define corredor como uma estrutura linear da paisagem que conecta fragmentos  
outrora contínuos. Nesse sentido, os corredores de transumância constituem não  
apenas vias de mobilidade do gado, mas também espaços de interacção ecológica e  
social, fundamentais para a sustentabilidade dos ecossistemas e das comunidades  
pastoris.  
A caracterização desses corredores, portanto, é crucial para compreender a dinâmica  
de uso do território, a distribuição da vegetação predominante e os mecanismos de  
sobrevivência das populações locais. Este estudo tem como objectivo caracterizar os  
corredores de transumância no município dos Gambos, considerando as dimensões  
socioeconómicas, a organização social e contribuir para o mapeamento e descrição  
desses corredores, o estudo, busca fornecer subsídios científicos para estratégias de  
gestão sustentável, de modo a equilibrar a conservação ambiental e a manutenção das  
práticas culturais das comunidades agro-pastoris do sul de Angola.  
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Referencial teórico  
A actividade pastoril no sul de Angola  
As características climáticas do sul de Angola obrigam as populações a deslocarem-se  
sazonalmente em busca de melhores pastagens, processo intimamente ligado à prática  
da transumância. Esta constitui uma estratégia de utilização racional dos recursos  
essenciais, permitindo a redução dos impactos da seca e garantindo a continuidade das  
comunidades pastoris (Oliveira, 2018; Solazzo et al., 2024). Do ponto de vista  
histórico, os Khoisan foram os primeiros habitantes do actual território angolano,  
antes da chegada dos portugueses. Posteriormente, as migrações Bantu, provenientes  
do norte de África em consequência da desertificação do Saara, introduziram novas  
formas de agropastorícia, que foram sendo adaptadas em contacto com populações de  
regiões como Quénia, Uganda e Tanzânia (Pacheco, Costa & Tavares, 2018; Ogundiran,  
de Almeida & Klussmann, 2024). A expansão destes grupos para a Namíbia, Botswana,  
Angola e África do Sul resultou na marginalização de parte das comunidades San,  
deslocadas dos seus territórios originais (Matos, 2005; Tulilapi, 2022).  
Actualmente, as províncias da Huíla, Namibe e Cunene são habitadas por diversos  
grupos etnolinguísticos, como Khoisan,  
Hereros, Nyanekas, Ovangambwes,  
Ovandimbas, Muhakahonas e Mucubais. Todos possuem forte ligação à pastorícia,  
prática que os obriga a deslocações sazonais com o gado devido às variações climáticas,  
à escassez de água e à irregularidade das chuvas (Tulilapi, 2022). O gado foi  
introduzido gradualmente no sul de Angola por sucessivas migrações de povos  
pastores, com origens semelhantes aos bois de cornos longos que atravessaram o rio  
Zambeze, fixando-se em territórios vizinhos como Zâmbia, Zimbábue e Botswana  
(Matos, 2005; Jorge, 2013; Oliveira, 2018). Os povos Nyaneka, Hereros e Kuvales,  
conhecidos como exímios criadores de gado, foram duramente afectados pelas políticas  
coloniais de ocupação de terras a partir da década de 1950, que expropriaram  
territórios indígenas, causando tensões sociais (Castelo, 2022). Com o fim do conflito  
armado em 2002, a nova Lei de Terras impulsionou a expansão da pecuária comercial,  
muitas vezes em detrimento das áreas comunitárias utilizadas para a transumância.  
Essa realidade tem limitado cada vez mais o acesso das populações autóctones a  
territórios de pastagem, comprometendo a continuidade do seu modo de vida pastoril  
(Pain, 2007).  
Transumância como prática socioecológica  
A domesticação dos animais marcou o início da pastorícia organizada, baseada na  
criação e reprodução do gado em pastos ao ar livre. Esse sistema, além de fornecer  
alimentos e derivados, constituiu uma forma de gestão eficiente dos recursos  
disponíveis, transformando-se numa verdadeira cultura (Oliveira & Silva, 1999; Acha,  
2021; FAO, 2016). A pastorícia, definida como produção pecuária extensiva, é  
praticada em todo o mundo e adaptada a diferentes contextos ecológicos. Estima-se  
que cerca de 500 milhões de pastores vivam dessa actividade, desde países pobres até  
os mais industrializados (FAO, 2016). Em África, a transumância é uma prática  
ancestral em países como Mali, Nigéria, Níger, Quénia, Ruanda, Namíbia, África do Sul  
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e Angola, desempenhando um papel central na sustentabilidade das comunidades  
(Brottem, 2021; Cunha, 2023). A necessidade de água e pasto levou diferentes grupos  
pastoris a adoptar deslocações sazonais, estabelecendo circuitos regulares que  
permitem o uso racional dos recursos, evitando a sobrecarga e degradação ambiental  
(Catotala, 2023; Cunha, 2023). Assim, a transumância deve ser entendida como uma  
dinâmica social e ecológica que garante a adaptação das comunidades e do gado às  
condições ambientais, configurando-se como um sistema de ocupação temporária e de  
gestão territorial (Acha, 2018).  
O termo transumância deriva do latim trans (além de) e humus (terra), significando o  
deslocamento sazonal de rebanhos ou populações para áreas com melhores condições  
em determinados períodos do ano (Bonga, 2016; Oliveira, 2018; Ndulumba, 2018;  
Acha, 2021; Castelo, 2022). Em Angola, essa prática é especialmente enraizada no  
sudoeste, onde as limitações climáticas restringem a agricultura e fazem da pastorícia  
a principal actividade económica (Catotala, 2023; Ribeiro, Satiaca & António, 2021).  
Diferente de processos migratórios convencionais, a transumância caracteriza-se pelo  
deslocamento temporário e cíclico de pequenos grupos, que retornam às suas áreas de  
origem após os períodos de estiagem ou cheias. Essa mobilidade reflecte a incerteza e  
a heterogeneidade dos recursos naturais, funcionando como uma resposta adaptativa  
das sociedades agro-pastoris (Ndulumba, 2018; FAO, 2016).  
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Materiais e Métodos  
Caracterização da área de estudo  
O município dos Gambos, dista a cerca de 150 Km da cidade do Lubango, corresponde  
a um dos 23 municípios que compõem a província da Huíla, localizado a sudoeste desta  
entre os paralelos 15°17´ e 16°20´ de latitude sul e os meridianos 13°30´ e 14°52´de  
longitude este, e uma altitude estimada em cerca de 1296 m. De acordo à Nova Divisão  
Administrativa, o município possui duas comunas, a comuna sede (Chiange-Gambos)  
e a comuna da Chibemba, limitado a norte pelo município da Chibia e Capunda-  
cavilongo e Chicungo, a este pelo município da Capelongo, a sul pelos municípios da  
Cahama e Curoca e a oeste pelo município do Virei, este último pertencente à província  
do Namibe (Figura 1).  
Figura 1: Localização e limites geográficos do município dos Gambos na província da Huíla (Fonte:  
Própria)  
Tipo de Pesquisa  
Quanto a sua abordagem o estudo é misto, quantitativo e qualitativo, e exploratório-  
descritivo quanto ao objectivo e de campo quanto aos procedimentos. As pesquisas  
com abordagem mista apresentam um sentido de intercomplementaridade entre os  
dados numéricos fornecidos pela pesquisa quantitativa e as análises e reflexões obtidas  
por meio de uma pesquisa qualitativa (Robaina et. al., 2021). As pesquisas do tipo  
exploratórias têm por objectivo compreender e explorar fenómenos pouco estudados,  
enquanto, as pesquisas descritivas são junto com as de caracter exploratorio aquelas  
que habitualmente são realizadas pelos pesquisadores sociais devido a sua  
preocupação com os resultados práticos de um trabalho (Robaina et. al. 2021; Losch,  
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2023). Procurou-se diagnosticar junto das comunidades seleccionadas, questões  
relacionadas com o seu modo de vida, meios de subsistência e principais actividades  
socioeconómicas. Para tal identificou-se alguns dos principais quimbos e respectivos  
chefes entre sobas e seculos, junto destas comunidades, nomeadamente da Taca e do  
Pocolo.  
População e Amostra  
População da área de estudo é estimada em cerca de 6.982 habitantes no Pocolo e cerca  
de 10.880 habitantes na Taca, na sua maioria camponeses e criadores de gado,  
distribuídos de forma dispersa (INE, 2014). A amostra foi selecionada de forma  
aleatória, e consistiu de um total de 60 famílias, tendo obedecido como critérios de  
inclusão como, número de agregado familiar, número de esposas, número de filhos e  
outros membros da família, quantidade e tipo de gado, principais culturas agrícolas, as  
actividades culturais e de lazer.  
Procedimentos metodológicos  
Recolha de dados  
A identificação dos corredores de transumância das áreas de estudo foi feita por meio  
de intensas campanhas de campo, com auxílio dos responsáveis das comunidades  
estudadas e as vezes auxiliadas por pastores encontrados nos locais, que forneceram  
informações valiosas sobre as rotas usadas na transumância, informações sobre a  
ocorrência de espécies de plantas, sobretudo, aquelas usadas na alimentação do gado  
e outros usos atribuídos a eles mesmos (medicinais, alimentares e cosméticos).  
As visitas de campo permitiram ainda a recolha de informação e georreferenciação  
destes locais com recurso ao GPS (Garmin 60s), que permitiu a elaboração de mapas  
com as principais rotas usadas na transumância, tendo como referência as  
coordenadas geográficas e pontos amostrais. Para a recolha de dados, recorreu-se a  
entrevistas semi-estruturadas, dada as características das áreas e da população em si,  
onde a entrevista acabou por ser o instrumento mais adequado, tendo o questionário,  
servido apenas como guião. A entrevista tem a vantagem de serem os próprios actores  
sociais, quem proporcionam as informações, emitem opiniões, expressam os seus  
desejos e anseios, suas atitudes e expectativas, os quais pela sua natureza é quase  
impossível observar de fora (Vilelas, 2017).  
Tratamento de dados  
Os dados recolhidos junto das comunidades da Taca e Pocolo, foram tratados em  
análise de conteúdo de Bardin, que é o conjunto de técnicas de análise de  
comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do  
conteúdo das mensagens, transformando-as em informações mais profundas (Bardin,  
2016). Todavia, foram igualmente inseridos os dados numa base do Excel para o seu  
tratamento e elaboração dos gráficos, as informações sobre a ocorrência de espécies de  
plantas e sua utilização foram igualmente tratadas com recurso à bibliografia  
disponível para aquelas cuja informação sobre a sua identidade, apenas foi fornecida o  
seu nome local (Figueiredo e Smith, 2012). A elaboração dos mapas de ocorrência e  
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delimitação das áreas de transumância das duas comunidades estudadas foi feita com  
recurso ao QGIS (versão 3.4) tendo como base de fundo imagens de satélite do Google  
Earth.  
Resultados e discussão  
Caracterização socioeconómica dos agregados familiares  
A amostra do estudo foi composta por 30 chefes de família. A maioria dos entrevistados  
concentra-se na faixa etária entre os 38 e 42 anos, enquanto a participação de jovens  
adultos é pouco expressiva. As informações recolhidas ilustram que os mais jovens  
migram para os centros urbanos em busca de melhores oportunidades, realidade que  
fragiliza a sucessão geracional da actividade pastoril e todos eles foram unânimes ao  
responderem essas questões, ‘’ os jovens estão a ir embora para as cidades’’ (E1 a E30).  
Estudos semelhantes apontam que a migração juvenil em comunidades rurais  
angolanas está frequentemente associada à busca por emprego e educação (Ndulumba,  
2018).  
Tabela 1: Caracterização dos entrevistados quanto as idades e as áreas de estudo da Taca e Pocolo  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(idade)  
n
4
%
13  
n
0
%
0
28-32  
33-37  
38-42  
43-47  
48-52  
> 52  
0
0
2
7
14  
9
47  
30  
0
10  
12  
2
33  
40  
7
0
3
10  
100  
4
13  
100  
Total  
30  
30  
Quanto ao nível de instrução, verificou-se que mais de metade dos chefes de família  
não possui escolaridade formal, e apenas uma pequena fracção concluiu o primeiro  
ciclo do ensino básico (Tabela 2). Esses resultados corroboram Silva (2011), que  
identificou baixos índices de escolarização em comunidades pastoris do sul de Angola,  
evidenciando as dificuldades de acesso à educação em áreas rurais isoladas.  
Tabela 2: Nível de instrução dos chefes de família entrevistados nas áreas de estudo da Taca e Pocolo  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
n
%
n
%
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Sem Instrução  
Ensino primário  
Primeiro Ciclo  
Total  
18  
8
60  
17  
10  
3
56,6  
33,3  
10  
26,6  
13,3  
100  
4
30  
30  
100  
A análise da renda familiar revelou que a maioria dos habitantes sobrevive com menos  
de um salário mínimo mensal (Tabela 3). Esta realidade reforça a dependência das  
famílias em relação à criação de gado e à agricultura de subsistência, actividades que  
constituem o eixo central da economia local. Como afirmam Bagnol e Verhoesel  
(2009), o gado representa simultaneamente capital económico e simbólico,  
assegurando a subsistência material e o estatuto social.  
Tabela 3: Renda familiar dos principais chefes de família nas áreas de estudo da Taca e do Pocolo  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
Frequência Percentagem Frequência Percentagem  
Menos de um  
salário mínimo  
26  
86,6  
22  
73,3  
Aprox. um salário  
mínimo  
4
13,3  
8
26,6  
Total  
30  
100  
30  
100  
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Figura 2: Principais fontes de renda entre os agregados familiares nas áreas de estudo da Taca e do  
Pocolo  
Taka  
Pocolo  
30  
30  
30  
30  
7
5
5
0
Agricultura  
Criação de gado Emprego formal  
Outro  
As principais actividades socioeconómicas e principais fontes de renda familiar  
resume-se principalmente na criação de gado, sobretudo bovino, sendo também a  
principal riqueza das comunidades, sobretudo sul do país (Figura 1) estando essa  
actividade incorporada no modo de vida das populações locais influenciando os hábitos  
e costumes, como afirma Oliveira, (2018).  
Estrutura familiar e organização social  
A organização social mantém-se estruturada em torno dos quimbos, onde cada chefe  
de família exerce autoridade sobre a sua unidade doméstica, geralmente composta por  
múltiplas esposas e numerosos filhos (Tabela 4). Esse padrão de organização confirma  
observações anteriores de Tulilapi (2022), segundo as quais a hierarquia tradicional  
sustenta a coesão comunitária e regula a partilha de recursos. Além disso, a posse de  
animais está distribuída de forma desigual. Os habitantes do Pocolo apresentam  
maiores rebanhos bovinos, em contraste com os da Taca, que possuem rebanhos  
menores (Tabela 5). Mendelsohn e Mendelsohn (2018) destacam que tais  
desigualdades influenciam directamente as estratégias de mobilidade, já que famílias  
com maiores efectivos necessitam de deslocações mais amplas em busca de pasto.  
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Tabela 4: Proporção do número de mulheres (esposas) e de filhos por chefe de família n da Taca e no  
Pocolo  
Número de esposas por chefe de família  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(No. de mulheres)  
n
%
n
%
0-1  
1-2  
5
16,66  
6
20  
19  
63,33  
17  
56,66  
2-4  
6
20  
7
23,33  
Total  
30  
100  
30  
100  
Número de filhos por chefe de família  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(No. de filhos)  
n
4
%
%
3
%
10  
1-2  
3-5  
13,3  
20  
6
4
13,3  
10  
6-8  
4
13,3  
30  
3
8-10  
≥ 10  
Total  
9
11  
9
36,6  
30  
7
23,3  
100  
30  
30  
100  
Outros membros do agregado na responsabilidade do chefe de família  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(No. do agregado)  
n
%
%
%
1-2  
13  
43,3  
12  
40  
3-5  
6-8  
9-11  
9
4
4
30  
14  
4
46,6  
13,3  
6,6  
13,3  
13,3  
2
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Total  
30  
100  
30  
100  
Os habitantes do Pocolo possuem maior número de gado em relação aos habitantes da  
Taca (Tabela 5), tendo eles dito que possuem mais de 80 cabeças de gado bovino e mais  
de 80 cabeças de gado caprino, como responderam a maioria dos entrevistados, que na  
nossa percepção deve-se o facto de recearem a perda do apoio governamental, o que  
confirma nos seus dizeres: ‘’não podemos revelar a quantidade real de animais e currais  
porque senão perdemos a apoio do governo’’(E1 a E30). Ao passo que na Taca,  
reportaram um número inferior, geralmente aproximadamente 80 cabeças de gado  
bovino, 30 a 40 caprinos e entre 15-30 aves. Mendelsohn e Mendelsohn (2018) e  
Bagnol, (2009) confirmam que as aves representando cerca de 63% da posse de  
animais, já os bovinos e caprinos representam cerca de 53% e 46% respectivamente. A  
posse de aves domésticas é mais uniforme, comparativamente a outros animais  
domesticados, com uma estimativa de 1-20 aves (galinhas) por casa ou agregado  
familiar. Possuir, cuidar deles e controlar e beneficiar directamente do resultado da sua  
criação.  
Tabela 5: Proporção do número de efectivo bovino, caprino e de aves por agregado familiar nas áreas  
de estudo da Taca e do Pocolo  
Número de gado bovino por família  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(No. de bovinos)  
n
5
%
n
3
%
10  
10-20  
30-50  
60-80  
≥ 80  
16,6  
56,6  
26,6  
0
17  
8
5
16,6  
30  
9
0
13  
30  
43,3  
100  
Total  
30  
100  
Número de gado caprino por família  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(No. de caprinos)  
n
30  
0
%
100  
0
n
3
2
9
%
10  
10-20  
30-50  
60-80  
6,6  
30  
0
0
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≥ 80  
0
0
16  
53,33  
Total  
30  
100  
30  
100  
Número de aves (galinhas) por família  
Categoria  
Taca  
Pocolo  
(No. de  
aves/galinhas)  
n
%
n
%
10-15  
16-20  
21-25  
25-30  
31-35  
Total  
6
9
20  
30  
3
5
10  
16,66  
13,33  
26,66  
33,33  
100  
7
23,33  
26,66  
0
4
8
8
0
10  
30  
30  
100  
Tabela 6: Proporção de parcelas de terra para a agricultura de subsistência em hectares por família nas  
áreas da Taca e do Pocolo  
Taca  
Pocolo  
Categoria  
(em hectares)  
n
25  
5
%
n
27  
3
%
90  
1-2  
3-4  
83,3  
16,6  
100  
10  
Total  
30  
30  
100  
Os dados demonstram que a agricultura se limita a pequenas parcelas (1–4 hectares),  
cultivadas com espécies adaptadas à seca, como massango (Pennisetum glaucum),  
massambala (Sorghum bicolor), milho (Zea mays) e, por vezes, o feijão (Phaseolus  
vulgaris), quando a chuva é suficiente (Gráfico 2) o que acontece raras vezes, por esta  
razão afirmaram: ‘’não cultivamos porque não chove’’ (E1 a E30). Essa prática agrícola,  
de carácter secundário, confirma o que Catotala (2023) destaca como “estratégia de  
sobrevivência” diante da irregularidade climática.  
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Figura 3: Proporção dos principais tipos de culturas nas áreas de estudo da Taca e do Pocolo  
35  
30  
30  
30  
25  
20  
15  
10  
5
25  
Taka  
Pocolo  
12  
0
0
Milho  
Massango Massambala Hortaliças  
Feijão  
Identificação dos principais corredores de transumância  
Os resultados mostram diferenças claras entre Pocolo e Taca. Enquanto na Taca os  
rebanhos permanecem nos vales e montanhas da região, em Pocolo observa-se o  
deslocamento sazonal para o Vale do Tchimbolelo, reconhecido pela abundância de  
pasto e água (Figura 5 e Figura 6). Essa dinâmica reforça a definição de Metzger (2021),  
que entende os corredores como estruturas lineares de ligação entre fragmentos da  
paisagem. Foi possível identificar as principais rotas do gado, denominados corredores  
de transumância do Pocolo apenas, uma vez que a transumância na localidade da Taca  
é feita de maneira diferente, ou seja os pastores não levam os bois para áreas distantes  
da sua jurisdição, como acontece com os pastores do Pocolo. Estes mantêm-se ao redor  
das montanhas que circundam a área ou nas suas proximidades, enquanto no Pocolo  
movem o gado para o vale do Tchimbolelo (Figura 5). As deslocações do gado  
circunscrevem-se a áreas de extensão variável, ao redor do local de residência (Silva,  
2003).  
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Figura 4: Principais rotas de transumância do Pocolo e da Taca no município dos Gambos  
No entanto, o acesso aos corredores encontra-se progressivamente limitado pela  
expansão de fazendas privadas, que restringem o trânsito do gado e geram conflitos  
entre pastores e proprietários (Bagnol & Verhoesel, 2009). Essa situação confirma as  
análises de Pain (2007), segundo as quais a disputa pelo uso da terra no pós-guerra  
agravou a vulnerabilidade das populações autóctones. No entender destas pessoas, as  
montanhas têm bom pasto, o suficiente para manter o gado em épocas de escassez, e  
as mulolas que retêm a água no tempo chuvoso, aliada aos furos de água e algumas  
chimpakas (pequeno lago artificial para abeberar o gado), são igualmente suficientes  
para suportar os animais em tempo de seca.  
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Figura 5: Local de abeberamento do gado na localidade do Pocolo, abastecido com água de poço (Foto:  
Francisco Maiato)  
Caracterização dos corredores de transumância  
Com base nos trabalhos de campo realizados, foi igualmente possível mapear os  
corredores de transumância nestas localidades, para tal, seleccionaram-se as rotas, que  
vão desde o Pocolo até ao Vale do Tchimbolelo na Tunda dos Gambos. Postos no Vale  
do Tchimbolelo onde é o destino final, o chamado paraíso do gado, é notável a presença  
de muitos pastores de várias regiões, de várias províncias, inclusive da República da  
Namíbia. A disponibilidade de pasto e água é suficiente para a criação tradicional,  
embora coexistam com muitas fazendas comerciais delimitadas no tempo colonial e  
outras que foram sendo ocupadas e cercadas nos espaços considerados comunitários  
pelos pastores. O que vai de encontro a afirmação de Acha (2018), segundo a qual, essas  
comunidades possuem vínculos parentais, espaciais e, principalmente uma actividade  
pastoril que cria uma rede de reciprocidade. Mas ao mesmo tempo, nos seus locais de  
origem, já tem pasto pelo que eles fazem a viagem de regresso aos seus quimbos por  
volta dos meses de Fevereiro e Março. Por definição estamos a falar de um sistema  
agro-pastoril organizado de transumância tradicional de Oste para Este organizado, na  
qual consideram-se as áreas de pastagens bem como o acesso a água como locais de  
uso colectivo (Bagnol, 2009).  
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Figura 6: Corredor de transumância do Pocolo com destino ao Vale do Tchimbolelo na Tunda dos  
Gambos  
Nesta figura estão ilustrados no mapa os pontos ao longo do corredor de transumância  
estudado, na qual o movimento é sempre do Oeste para Este, neste caso em particular  
do Pocolo onde os vários grupos de pastores e seu gado vão apascentando até aos  
terrenos arenosos ricos em pasto no Vale do Tchimbolelo isso na comuna da Chibemba  
(Figura 6). Solazzo et al. (2024) afirmam que os factores ambientais, económicos e  
sociais são os principais problemas que afectam a disponibilidade de recursos na  
região, incluindo a destruição do habitat devido à colheita de madeira para produção  
de carvão e ao sobrepastoreio da pecuária.  
Na Taca também existe estes corredores de transumância para outras áreas, pelas  
razões já mencionadas acima. Entretanto, o clima pode ter uma grande influência na  
preferência pelos pastos locais, diferente das possíveis áreas e rotas de transumância  
que podem colocar em perigo o gado, como estes mesmo referiram. Assim, estes  
preferem mante-los naquela zona onde o gado está habituado ao pasto e climas locais,  
o que favorece as taxas de sobrevivência dos animais em tempos difíceis. Importa  
referir que vários factores têm contribuído para as mudanças de hábitos das  
comunidades rurais, incluindo a prática da transumância. Solazzo et al. (2024)  
afirmam que os factores ambientais, económicos e sociais são os principais problemas  
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que afectam a disponibilidade de recursos na região, incluindo a destruição do habitat  
devido à colheita de madeira para produção de carvão e ao sobrepastoreio da pecuária.  
Caracterização da vegetação nos corredores de trasumância  
A vegetação predominante inclui Colophospermum mopane (mutiati) e formações de  
Miombo, que gradualmente dão lugar a áreas mais secas, dominadas por Baikiaea  
plurijuga e Baphia massaiensis ssp. obovata (Tabela 7). Esta última espécie é  
amplamente reconhecida como uma importante forrageira, sobretudo durante a  
estação seca, quando os recursos herbáceos escasseiam (Gomes, 2012). A diversidade  
vegetal é mais acentuada em Taca, o que se traduz em maior disponibilidade de  
espécies forrageiras, enquanto em Pocolo há predominância quase exclusiva de  
mopane. A redução das áreas de pastagem e a pressão crescente sobre os recursos  
naturais têm potencializado conflitos socioecológicos, em linha com o que Solazzo et  
al. (2024) identificaram em estudos sobre medicina etnoveterinária e práticas pastoris  
no sudoeste de Angola. Em suma, os resultados permitem afirmar que a transumância  
nos Gambos não é apenas uma prática de mobilidade pastoril, mas sim uma estratégia  
complexa que envolve dimensões socioeconómicas, culturais e ecológicas. Onde o gado  
assume-se como elemento central da vida das populações, a baixa escolarização é um  
entrave ao desenvolvimento e a vegetação é um recurso vital em permanente disputa.  
Assim, a discussão corrobora a literatura existente e amplia a compreensão sobre os  
desafios e potencialidades da gestão sustentável dos corredores de transumância no sul  
de Angola.  
Tabela 7: Principais famílias botânicas e espécies de plantas e pela população param várias finalidades  
Família  
Nome  
científico  
Nome local  
Taca  
X
Pocolo  
Uso  
Poaceae  
Panicum  
Ocululungumbe  
Forrageira  
numidianum  
Not matched  
Delonix cinérea  
Ximenia caffra  
Not matched  
Fabaceae  
Mandombo  
Munkondo  
Onompheke  
Omuhetyi  
X
X
Medicinal  
Forragem  
Medicinal  
Forragem  
Olacaceae  
Fabaceae  
X
X
Kotschya  
strobilantha  
Sapotaceae  
Burseraceae  
Rhamnaceae  
Manilkara  
obovata  
Omuhila  
Omukanje  
Mukekete  
X
X
X
Alimentar e  
forrageira  
Commiphora  
glaucescens  
Forrageira e  
medicinal  
Ziziphus  
Forragem  
abyssinica  
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Fabaceae  
Fabaceae  
Peltophorum  
africanum  
Mupalala  
X
Medicinal e  
alimentar  
Colophospermum  
mopane  
Mutiati  
Omutunda  
X
X
Forragem e  
madeira  
Capparaceae  
Annonaceae  
Celastraceae  
Fabaceae  
Boscia  
microphylla  
Alimentar e  
medicinal  
Hexalobus  
monopetalus  
Omutundu  
X
X
X
X
Alimentar e  
forrageira  
Elachyptera  
parvifolia  
Omundumbilo  
Otchenha  
Forrageira  
Forrageira  
Forrageira  
Acacia  
amythethophylla  
Solanaceae  
Nicotiana rustica  
Otyitabakamboma  
As árvores e arbustos forrageiros têm um importante papel porque servem de alimento  
e medicamentos para o gado e às populações, muito por causa da sua composição,  
como afirma Gomes (2012), quando diz que, o teor de matéria azotada e outros  
elementos minerais é elevado, fazendo com sirvam de suplemento alimentar em auxilio  
das gramíneas, mas também são utilizadas para a vedação dos currais e para  
construção de cercas, casas, móveis e ferramentas domésticas (FAO, 2009)  
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Conclusão  
O presente estudo permitiu caracterizar os corredores de transumância no município  
dos Gambos, destacando os aspectos socioeconómicos, a organização social das  
comunidades e a vegetação predominante. Os resultados evidenciam que as  
comunidades da Taca e do Pocolo possuem uma estrutura social simples, organizada  
em torno dos quimbos e sob a liderança tradicional do soba, com a economia centrada  
na criação de gado bovino e caprino, complementada pela agricultura de subsistência.  
Verificou-se que no Pocolo é onde os deslocamentos sazonais em direcção ao Vale do  
Tchimbolelo constituem uma estratégia fundamental para garantir pasto e água  
durante a estação seca. Em contrapartida, na Taca o gado tende a permanecer nos vales  
e montanhas circundantes, demonstrando que as condições locais influenciam de  
forma distinta a mobilidade pastoril. A análise da vegetação revelou a predominância  
de Colophospermum mopane e formações de Miombo, que, em determinados  
períodos, cedem espaço a espécies mais adaptadas à seca, como Brachystegia  
plurijuga e Baphia massaiensis ssp. obovata, esta última considerada importante  
forrageira. Essa composição vegetal confirma o papel crucial dos recursos naturais na  
sustentabilidade dos sistemas agro-pastoris. Conclui-se que a caracterização  
socioecológica dos corredores de transumância oferece contributos relevantes para a  
compreensão das estratégias de sobrevivência e adaptação das comunidades pastoris  
do sul de Angola. Além de fortalecer o conhecimento científico, os resultados apontam  
para a necessidade de políticas públicas que conciliem a conservação ambiental com a  
valorização dos modos de vida tradicionais, assegurando a resiliência das populações  
locais diante das mudanças climáticas e da pressão sobre os recursos naturais.  
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Recebido:06/10/2025  
Aceite:04/12/2025  
submeter o manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a  
REVISTA CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências  
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