Revista Científica do ISCED-Huíla  
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Análise da regeneração natural da vegetação nas áreas  
afectadas pela exploração mineira na Serra do Cristo-Rei,  
Lubango-Angola  
Analysis of natural regeneration of vegetation in areas affected by mining  
activities in Serra do Cristo-Rei, Lubango-Angola  
Análisis de la regeneración natural de la vegetación en las áreas afectadas por  
la explotación minera en la Serra do Cristo-Rei, Lubango-Angola  
Francisco Maiato1  
Universidade Mandume Ya Ndemufayo, Angola  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Bernardino do Rosário Bambi2  
Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Angola  
Henrique Jacinto Dunde3  
Instituto Politécnico da Huíla, Angola  
Resumo  
A actividade mineira é fundamental para a economia angolana, representando cerca  
de 14% das exportações em 2024, mas gera impactos ambientais significativos,  
principalmente relacionados com o desmatamento. A província da Huíla concentra  
aproximadamente 96% da exploração de rochas ornamentais do país, resultando na  
redução das formações vegetais nativas devido às atividades antrópicas. Para mitigar  
esses efeitos, são necessárias técnicas de replantio e recuperação ambiental, conforme  
previsto na norma reguladora das atividades mineiras, que enfatiza a análise dos  
impactos sobre os meios físicos, bióticos e antrópicos, bem como a revegetação de áreas  
degradadas. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a regeneração da  
vegetação em áreas de exploração de rochas ornamentais na Serra do Cristo Rei,  
município do Lubango, província da Huíla. A avaliação baseou-se na avaliação dos  
índices de diversidade e riqueza florística, na estimativa da regeneração natural. Para  
maior robustez, foram calculados índices espectrais-índice composto de biomassa,  
índice de vegetação aprimorada e índice de vegetação ajustada ao solo, o que permitiu  
ter um panorama geral da cobertura vegetal da região. Os resultados indicaram baixa  
riqueza e diversidade de espécies, refletindo valores reduzidos de SAVI e altitude, com  
cobertura vegetal limitada e predominância de espécies pioneiras. No entanto, as  
parcelas 4, 8 e 9 apresentaram maior diversidade, associada às condições ambientais  
específicas desses locais. O estudo evidencia a necessidade de estratégias de gestão e  
restauração para promover a regeneração natural e reduzir os impactos da exploração  
1Doutor em Biologia pela Faculdade de Matemática, Informática e Ciências Naturais da Universidade de  
Hamburgo, Alemanha  
2Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da  
Huíla  
3Licenciado em Engenharia de Minas pelo Instituto Politécnico da Huíla da Universidade Mandume Ya  
Ndemufayo  
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mineira na vegetação nativa da região.  
Palavras-chave: actividade mineira, regeneração natural e índices de diversidade  
vegetal  
Abstract  
Mining activity is fundamental to the Angolan economy, accounting for approximately  
14% of exports in 2024; however, it generates significant environmental impacts,  
particularly related to deforestation. Huíla Province concentrates around 96% of the  
country’s ornamental stone extraction, resulting in the reduction of native vegetation  
formations due to anthropogenic activities. To mitigate these effects, replanting and  
environmental recovery techniques are required, as stipulated in the regulatory  
framework for mining activities, which emphasizes the assessment of impacts on  
physical, biotic, and anthropic environments, as well as the revegetation of degraded  
areas. In this context, the present study aimed to analyze vegetation regeneration in  
ornamental stone quarrying areas in Serra do Cristo Rei, Lubango municipality, Huíla  
Province. The assessment was based on the evaluation of floristic diversity and richness  
indices, estimation of natural regeneration. To ensure greater robustness, spectral  
indices were also calculated - namely, the Composite Biomass Index, Enhanced  
Vegetation Index (EVI), and Soil-Adjusted Vegetation Index (SAVI) - which provided  
an overall perspective of the region’s vegetation cover. The results indicated low species  
richness and diversity, reflected in reduced SAVI values and altitude, with limited  
vegetation cover and a predominance of pioneer species. However, plots 4, 8, and 9  
exhibited higher diversity, associated with the specific environmental conditions of  
those sites. The study highlights the need for management and restoration strategies  
to foster natural regeneration and mitigate the impacts of mining activities on the  
region’s native vegetation.  
Keywords: mining activity, natural regeneration, and plant diversity indices  
Resumen  
La actividad minera es fundamental para la economía angoleña, representando  
alrededor del 14% de las exportaciones en 2024, pero genera impactos ambientales  
significativos, principalmente relacionados con la deforestación. La provincia de Huíla  
concentra aproximadamente el 96% de la explotación de rocas ornamentales del país,  
lo que resulta en la reducción de las formaciones vegetales nativas debido a las  
actividades antrópicas. Para mitigar estos efectos, se requieren técnicas de  
replantación y recuperación ambiental, conforme se establece en la normativa  
reguladora de las actividades mineras, que enfatiza el análisis de los impactos sobre los  
medios físicos, bióticos y antrópicos, así como la revegetación de áreas degradadas. En  
este contexto, el estudio tuvo como objetivo analizar la regeneración de la vegetación  
en áreas de explotación de rocas ornamentales en la Serra do Cristo Rei, municipio de  
Lubango, provincia de Huíla. La evaluación se basó en la valoración de los índices de  
diversidad y riqueza florística, en la estimación de la regeneración natural. Para mayor  
robustez, se calcularon índices espectrales: índice compuesto de biomasa, índice de  
vegetación mejorado e índice de vegetación ajustado al suelo, lo que permitió tener una  
visión general de la cobertura vegetal de la región. Los resultados indicaron baja  
riqueza y diversidad de especies, reflejando valores reducidos de SAVI y altitud, con  
cobertura vegetal limitada y predominio de especies pioneras. Sin embargo, las  
parcelas 4, 8 y 9 presentaron mayor diversidad, asociada a las condiciones ambientales  
específicas de esos lugares. El estudio evidencia la necesidad de estrategias de gestión  
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y restauración para promover la regeneración natural y reducir los impactos de la  
explotación minera en la vegetación nativa de la región.  
Palabras-clave: actividad minera, regeneración natural y índices de diversidad  
vegetal  
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Introdução  
A exploração mineira é uma das actividades mais antiga praticada pelo homem e  
consiste em um conjunto de actividades socioecónomicas, levadas a cabo para obter e  
aproveitar os recursos existentes no solo e subsolo (Maçal et al. 2007). Razão pela qual,  
é considerada como uma das actividades promotoras do desenvolvimento social e  
económico de uma região, contribuindo de forma decisiva, para o bem-estar e melhoria  
da qualidade de vida das gerações presentes e futuras (Guimarães, 2012).  
A actividade mineira quase sempre acarreta impactos socioambientais e mesmo  
culturais negativos durante as fases de implantação, operação e fechamento. Contudo,  
tais impactos podem ser minimizados se a exploração for planeada e executada de  
acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável (Villas Boâs & Barreto,  
2000). Por outro lado, a necessidade de consciencialização ambiental, motivada em  
grande parte pelos inúmeros desastres ambientais associados ao sector mineiro nas  
últimas décadas, tem incentivado governos, empresas exploradoras e demais entidades  
envolvidas a desenvolver estratégias e técnicas de exploração mais limpas, sustentadas  
por um enquadramento legal e institucional e alinhadas com os principais marcos das  
políticas ambientais nacionais e internacionais.  
Na maior parte dos casos, uma vez terminada a fase de exploração, verifica-se a  
movimentação dos meios materiais e humanos para novas áreas de exploração,  
abandonando um passivo ambiental, a ser suportado em geral pela sociedade,  
danificando o uso posterior do solo, propiciando as ocupações humanas desordenadas,  
como também a utilização do local como depósito de resíduos sólidos aumentando  
ainda mais as consequências do abandono da mina (Santos, 2018).  
Silva et al. (2021) afirmam que a ausência de um plano concreto de exploração, torna  
a actividade insustentável do ponto de vista ambiental, uma vez que a sua realização  
requer obrigatoriamente a retirada de toda a vegetação existente na área. Porém, nem  
sempre a reposição da vegetação retirada no início do processo é reposta no final. Uma  
situação que pode impactar directamente nos serviços ecossistémicos da região (Lei,  
Pan, & Lin, 2016).  
A restauração florestal constitui assim, uma resposta à necessidade de devolver à terra  
a sua capacidade produtiva, mediante a recomposição de ecossistemas com espécies  
nativas, capazes de proporcionar uma diversidade de valores económicos e ecológicos  
(Grant & Koch, 2017). Esta restauração pode ocorrer naturalmente, por via da  
regeneração da vegetação, corresponde ao processo de sucessão natural que se  
estabelece no meio após a supressão total ou parcial da vegetação primária. Tal  
processo se configura num desafio significativo, sobretudo em áreas afetadas pela  
exploração mineira, em virtude da exigência de recriar a complexidade estrutural do  
terreno, a qual está directamente condicionada a variação na estrutura, composição e  
funcionamento do ecossistema (Macdonald et al., 2015).  
A província da Huíla ocupa a primeira posição na exploração de rochas ornamentais  
em Angola, detendo cerca de 96% da produção nacional. Grande parte do material  
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explorado é exportado para mercado internacional sendo a China o principal destino  
(51%), seguida da Espanha (30%), Itália (7%), Polónia (5%), Portugal (3%) e por último  
o Vietname (1%) (HF/Angop, 2022).  
Nos últimos anos, o sector registou um crescimento significativo na produção,  
passando de 47 000 m3 em 2017 para 70 000 m3 em 2021, o que representa um  
aumento de na ordem dos 82% (Chambassuco, 2023). Esse crescimento resultou, em  
grande medida, do surgimento de diversas empresas impulsionadas pela política de  
diversificação da economia, que procuram reduzir a dependência do país pelos setores  
petrolífero e diamantífero, os quais ainda representam a maior percentagem das  
exportações nacionais (MRMPG, 2023).  
A exploração de inertes como acontece na área do Cristo-rei na cidade do Lubango,  
representa uma real ameaça a conservação e a preservação da vegetação, o que pode  
reduzir a qualidade de vida das populações locais. Importa lembrar que as  
modificações causadas ao meio muitas vezes acarretam consequências negativas para  
a litosfera, e a única forma de mitigar estas consequências, passa necessariamente pela  
adopção de métodos e mecanismos de gestão do território, de formas a que os recursos  
naturais e simultaneamente a preservação da natureza estejam garantidos (Abílio,  
2017).  
Estes mecanismos passam pelo conhecimento profundo das características do espaço,  
de modo que seja realizado um correcto planeamento das acções humanas, mediante  
o que o ambiente oferece. Assim, pretende-se com esta pesquisa, produzir informações  
que permitam identificar os principais tipos de rochas exploradas na área de estudo e  
sua finalidade, verificar nas áreas de exploração, o estado da regeneração natural da  
vegetação decorrente da exploração mineira.  
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Referencial teórico  
A actividade de mineração é reconhecida como atividade impulsionadora do  
desenvolvimento, contribuindo de forma decisiva, para o bem estar e para a melhoria  
da qualidade de vida da presente e das futuras gerações (Guimarães, 2012). Entretanto,  
dela decorrem impactos sociais e ambientais negativos nas diferentes fases do projecto  
até a cessação da actividade.  
De acordo com (Hartman, 2002), uma mineração sustentável apresenta várias etapas  
que incluem a fase do planeamento, da implantação, de operação e o fechamento -  
etapa em que não mais ocorre mais a extração do minério, devido à exaustão das  
reservas ou devido a inviabilidade técnico-econômica. Esperando-se que haja apenas a  
continuidade dos trabalhos de recuperação ambiental ou regeneração sobre o meio  
físico, biótico e abiótico das áreas de influência do empreendimento. Isto pode  
acontecer naturalmente ou pela acção e responsabilidade humana.  
Estudos sobre a regeneração natural, revegetação, técnicas de recuperação e grupos  
taxonómicos mais nas áreas de exploração mineira são relativamente (Mendes et al.  
2021; Navarro-Ramos et al. 2022). No que se refere à regeneração natural pós-  
perturbação em África, existem alguns estudos voltados sobretudo à recuperação das  
áreas pós-perturbação, devido a agricultura, a exploração de madeira e a produção de  
carvão (Jew et al. 2016; Gonçalves, et al. 2017; Lisboa et al. 2025). Mas, poucos estudos  
tem dedicado especial atenção a regeneração natural nas áreas sujeitas a exploração  
mineira (ex: Syampungani at al. 2015).  
Para a província da Huíla, podemos destacar a proposta de um modelo técnico para  
exploração de inertes na área da Serra do Cristo-rei (Alfredo, 2019), bem como da  
proposta para reflorestação de uma área degradada pela mineração de rochas calcárias  
na pedreira da Empresa PROCAL no Município da Humpata (Mussungo, 2019).  
Nos arredores da cidade do Lubango, tem-se verificado a exploração de inertes de  
forma insustentável há várias décadas, estas acções, permitiram ao Governo da  
Província da Huíla, definir como prioridade nas suas acções o combate a exploração de  
inertes nesta região em particular, por formas a preservar o equilíbrio ecológico  
(Abílio, 2017). Porém este equilíbrio está longe de acontecer a julgar pela crescente  
demanda, impulsionada pelo crescimento urbano, sem as devidas acções de  
planificação, regulamentação e ordenamento do território.  
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Materiais e Métodos  
Caracterização da área de estudo  
Lubango é o município sede da província da Huíla, o mais desenvolvido e também o  
mais populoso, com um total estimado de 876.339 habitantes (INE, 2014). Tem uma  
extensão territorial de 1 486 km2. Está limitado a norte pelo município da Bibala  
(Namibe), a sul pelo município da Chibia, a este pelos municípios do Hoque e Capunda  
Cavilongo e a Oeste pelos municípios da Palanca e Humpata.  
A zona do Cristo-rei, dista cerca de 12 km do centro da cidade do Lubango. O seu acesso  
é feito a partir da estrada nacional EN 280 que liga o município do Lubango a província  
do Namibe. É uma zona onde está localizada a estátua do Cristo Rei “a mascote da  
cidade”, um monumento de cariz religioso erguido na cordilheira da Chela que oferece  
um panorama geral de toda cidade (DPCHDPHC, 2015).  
Figura 1: Localização da área de estudo na zona do Cristo-Rei, com a área de exploração delimitada a  
vermelho  
Fonte: Os autores  
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Clima  
Estrategicamente posicionada e dispondo de um clima variado entre o tropical e o  
semiárido; verifica-se a existência de duas estações em toda a sua extensão: estação das  
chuvas, de Outubro a Abril, caracterizando-se por temperaturas médias entre 19º C e  
21º C e precipitações entre os 600 mm e os 1200 mm; Estação seca (cacimbo), nos  
restantes meses do ano, com temperaturas médias oscilando entre os 15,5º C e os 19º  
C,  
acentuadas  
amplitudes  
térmicas  
diárias,  
ausência  
de  
pluviosidade  
e,  
consequentemente, humidade relativa do ar bastante baixa (Fio, 2016) sendo a  
agricultura, a pastorícia e a exploração mineira as principais fontes de subsistência das  
famíias.  
Geologia  
Enquanto objecto geológico, com valor patrimonial, representa um registo singular de  
episódios remotos da história da Terra, datados do Arcaico, materializados na  
expressão do registo estratigráfico do Grupo Chela, e apresenta no seu topo, o  
designado planalto da Humpata, a que corresponde uma estrutura em mesa, cujos  
contornos ocidentais são escarpas de grande altura. O planalto da Humpata, situado  
no sudoeste de Angola, entre os paralelos 14º30´S e 15º30´S e os meridianos 13º15´E  
e 13º45´E, constitui o sector mais central e elevado com cerca de 2230 m que se estende  
desde o Tchongoroi, Província de Benguela, ao norte, até Onconcua, Província do  
Cunene, a sul (Silva, 2005). Do ponto de vista litológico, o bordo do planalto é  
maioritariamente constituído pelos quartzitos (Figura 4), onde se intercalam os  
calcários dolomíticos ambos de idade pan-africana. Segundo Chisingui, (2017) os  
quartzitos e rochas associadas, unidade petrográfica bem representada na Formação  
da Humpata constituída pela área do Cristo Rei, pertencente ao Grupo Chela, muito  
embora seja possível encontrar-se rochas quartzíticas noutras regiões. Na Humpata  
essa unidade assenta sobre rochas metamórficas antigas, do Arcaico, mas também  
sobre rochas magmáticas do Proterozóico, associados aos quartzitos estão os  
conglomerados, os grés quartzosos, argilitos e siltitos (Araújo, 1992).  
Solos  
O solo é um componente inerente ao ecossistema terrestre permitindo a absorção de  
água nos seus poros e constitui o principal substrato utilizado pelas plantas para o seu  
crescimento e regeneração. No entanto, no município do Lubango distinguem em solos  
Ferralíticos, com ou sem laterite, formados em dois subconjuntos (solos fracamente  
ferralíticos amarelos ou alaranjados e solos fracamente ferralíticos vermelhos) e  
Psamiticos (Costa, et al., 1959). Assim sendo, na área em estudo os solos demostram  
possuir evidentemente uma correlação com a rocha-mãe dependendo assim de factores  
climáticas bem como das distintas acções antrópicas levadas a cabo, como é o caso  
particular da exploração de inertes. Porém possuem uma maior representatividade os  
solos fracamente ferralíticos (vermelhos), principalmente em correspondência com os  
calcários dolomíticos e os doleritos, quando originário destas rochas, os solos de  
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texturas argilosas tomam uma coloração vermelha intensa e pardo avermelhado no  
caso dos doleritos e relativamente às rochas xistosas são quase sempre de coloração  
pardo-amarelado ou mesmo pardacenta (Diniz, 1973).  
Vegetação  
A região é ocupada por espécies arbórea-arbustiva que compõem a cortina de vento da  
cidade do Lubango. As formações vegetais locais, é essencialmente do tipo mMiombo,  
caracterizado pela dominância de espécies do género Brachystegia spiciformis,  
Julbernardia globiflora paniculata, e Combretum collinum, este tipo de vegetação  
local,  
está  
essencialmente  
associada  
pelas  
famílias  
de  
Combretaceae,  
e
maioritariamente composta pela família de Fabaceae e outras espécies herbáceo-  
arbustivas todas elas descritas na Carta Fitogeográfica de Angola (Barbosa, 1970).  
Segundo (Diniz A. C., 2006) esta floresta é tida como floresta aberta ou “Mata de  
Panda” e está associada aos climas tropicais de alternância de estações chuvosas  
definidas, bem como estações secas prolongadas. Num entanto, este tipo de vegetação  
apresenta um elevado potencial de regeneração após perturbação que é favorecido por  
meio das raízes e restos de plantas que são deixadas no solo após o corte no acto da  
exploração de inertes e não só, por se constituírem uma zona com indicador de solos  
pobres, secos ou mal drenados, nos quais é geralmente dominante (Barbosa, 1970)  
Colheita dos dados  
A colheita dos dados de campo, fez-se recurso ao método de amostragem por parcelas  
de 100 m2 (10 m × 10 m) (Figura 1), sendo um dos métodos mais utilizados para  
amostrar comunidades de plantas e baseia-se na fixação de vários pontos ao longo da  
comunidade florestal, onde um quadrado define a área em que a cobertura da  
vegetação pode ser estimada, as plantas contadas ou espécies registadas, cujas áreas  
podem ser estabelecidas aleatoriamente, regularmente ou subjetivamente na área de  
estudo (Fidelibus, 1993). Cada parcela foi georreferenciada e registou-se a família de  
cada espécie, nome científico das espécies em regeneração, diâmetro e altura das  
espécies. Para a marcação das parcelas utilizaram-se Fitas métricas (50-100 m),  
estacas de de aço, um martelo (5 kg). Os dados foram registados em fichas de  
observação específicas para o efeito, usou-se uma máquina fotográfica, sacos de papel  
de amostra de rocha, e um (1) paquímetro electrónico para medição do diâmetro das  
espécies (Figura 2).  
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Figura 2: A) Área amostral, caracterizada por uma parcela de 10 m × 10 m para amostragem da  
regeneração; B) Medição do diâmetro médio das espécies com auxílio de um paquímetro digital  
A
B
Fonte: Os autores  
Tratamento dos dados de terreno  
Os dados recolhidos no campo foram introduzidos numa planilha de cálculos do MS  
Excel, que permitiu o seu armazenamento e para a obtenção do índice de diversidade  
de Shannon, foi utilizado o Software Análise Estatística RStudio (Version 4.4.3).  
Índices de diversidade  
O índice de Shannon é um dos índices de diversidade mais aplicado nos estudos  
ecológicos e consiste na obtenção da diversidade específica (alfa) considerando a  
riqueza das espécies e suas abundâncias relativas (Melo, 2008). Sua concepção admite  
que os indivíduos sejam colhidos aleatoriamente de uma grande e infinita população,  
assumindo, também, que todas as espécies estão representadas na amostra (Dias,  
2004). Segundo (NAPPO, 1999) usualmente o índice de Shannon varia entre 1,5 - 3,5  
e, em casos excepcionais, excedem 4,5 com base na relação entre o número de  
indivíduos por espécie e o número total de indivíduos amostrados, expressando um  
valor que combina com as componentes de riqueza e equitabilidade, sua fórmula é  
expressa no seguinte:  
푛
푖 ln 푛  
푖
∑
H = -  
ꢀ
푛
푛
Onde:  
H = Índice de diversidade de Shannon  
ni = é o número de indivíduos da espécie i  
N = é o número total de indivíduos amostrados  
ln = é o logaritmo neperiano  
Parâmetros Fitossociológicos  
A Fitossociologia, como ciência, busca conhecer a comunidade vegetal do ponto de  
vista florístico e estrutural e apoia- se no conhecimento das espécies que compõem a  
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flora, como elas estão arranjadas, sua interdependência, como funcionam e como se  
comportam no fenômeno de sucessão (Finol, 1971). Para descrever a estrutura das  
espécies regenerativas e dos indivíduos das espécies neste presente estudo foram  
utilizadas as seguintes fórmulas com significados relacionados abaixo: A densidade  
(D): refere-se a participação das espécies dentro da comunidade vegetal, possibilitando  
a análise do comportamento de cada espécie e mudanças na distribuição espacial que  
possam ocorrer (Souza, 2000). A densidade absoluta (DA): corresponde ao número  
total de indivíduos de uma determinada espécie por unidade de área (Souza, 2000).  
DA = 푛ꢀ  
퐴
Onde:  
DA = Densidade Absoluta  
ni = Número de indivíduos da espécie i  
A = Área  
A Densidade Relativa (DR): refere-se ao número de indivíduos de uma determinada  
espécie em relação ao total de indivíduos de todas as espécies amostradas na área. Estes  
parâmetros podem ser estimados pelas expressões (Souza, 2000), sendo expressa em  
percentagem.  
DR = 푛ꢀ × 100%  
푁
Onde:  
DR = Densidade Relativa  
ni = Número de indivíduos da espécie i  
N = Número total de indivíduos amostrados  
A Frequência (F): representa como os indivíduos de dada espécie estão distribuídos  
sobre a área amostrada e é dada em percentagem das unidades amostrais que contém  
a espécie e este parâmetro é estimado nas formas absoluta e relativa (Franczak, 2006).  
As expressões utilizadas para sua estimativa são as seguintes:  
Frequência absoluta: é a relação entre o número de parcelas em que uma espécie ocorre  
e o número total de parcelas amostradas (Franczak, 2006).  
FA = 푃ꢀ  
푃
Onde:  
FA = Frequência Absoluta.  
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Pi = Número de parcelas com ocorrência da espécie i  
P = Número total de parcelas  
Frequência Relativa: é a relação entre frequência absoluta de uma espécie com a  
somatória das frequências absolutas de todas as espécies (Franczak, 2006).  
FAi  
FR = ΣFA × 100%  
Onde:  
FR = Frequência Relativa  
FAi = Frequência Absoluta da espécie i  
ΣFA = Somatória das frequências absolutas de todas as espécies  
Estimativa da regeneração natural  
Para calcular a estimativa da regeneração natural foi utilizado a metodologia descrita  
por (Finol, 1971) modificada por (Volpato, 2009) através da seguinte fórmula:  
RNCi = DRi + FRi  
2
Onde:  
RNCi = Estimativa da regeneração natural da espécie i  
DRi = Densidade Relativa para a espécie i de regeneração natural  
FRi = Frequência Relativa da espécie i de regeneração natural  
Índices espectrais  
O uso de índices espectrais derivados de imagens de satélite constitui uma ferramenta  
fundamental para compreender os processos de regeneração natural em áreas afetadas  
pela mineração (Forson & Amponsah, 2023). Esses índices permitem avaliar, de forma  
indireta e não destrutiva, variáveis estruturais e funcionais da vegetação, oferecendo  
informações que complementam os dados obtidos em campo, como diversidade de  
espécies e índices de heterogeneidade. Assim, com base numa rigorosa revisão  
bibliográfica feita em livros e artigos, foram calculados o NDVI, SAVI, EVI, NDMI e  
BCI para cada parcela. As equações e as bandas utilizadas se encontram na Tabela 1.  
Tabela 1: Índices espectrais utilizados nesta pesquisa e suas respectivas equações  
Bandas  
Índice  
Equação  
Referências  
Sentinel 2  
B8 e B4  
(Wang, et al., 2022)  
NDVI  
SAVI  
(B8 – B4) / (B8 + B4)  
B8 B4 e B2  
B5 e B6  
(Da Silva, et al., 2020)  
(B8 - B4) / (B8 + B4 + 0.5) × 2.5  
퐵8 − 퐵4  
2.5 ×  
(Shu, et al., 2024)  
(Shu, et al., 2024)  
EVI  
(퐵8 + 6 × 퐵4 − 7.5 × 퐵2 + 1)  
B8 e B6  
NDMI  
(B8 – B6) / (B8 + B6)  
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(Silva, et al., 2021)  
(EVI + NDMI) / (EVI - NDMI)  
BCI  
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Resultados e discussão  
Foram amostradas 10 parcelas, em duas principais áreas de exploração (Cristo-rei  
sede e Calumue). Dá análise feita, a região é dominada pelo tipo de formação rochosa  
rocha sedimentar da classe dos arenitos. Os exploradores definem os nomes das  
rochas mediante as características físicas sobretudo pela sua coloração, dos quais  
destacam-se a lage vermelha e branca, calçada grossa, calçado alicerce, alicerce bruto.  
Figura 3: Nomes locais dos principais tipos de rochas explorados na região do Cristo-rei no  
Lubango  
Lage fina  
Lage vermelha  
Lage branca  
Lage grossa  
Calçada alicerce  
Calçada grossa  
0
0,5  
1
1,5  
2
2,5  
3
3,5  
Frequência  
Diversidade biológica  
A riqueza específica nas parcelas variou entre 4 e 19 espécies, com uma média de 8,4  
espécies por parcela, evidenciando uma comunidade relativamente pobre em  
diversidade. Observa-se que apenas três parcelas concentram a maior parte das  
espécies registadas-parcela 8 (22,61%), parcela 4 e parcela 17 (17,85%) — que, juntas,  
representam 55,93% da diversidade total do local (Tabela 1). Essa distribuição desigual  
sugere que a regeneração da vegetação ocorre de forma heterogénea no espaço,  
refletindo possivelmente diferenças na disponibilidade de recursos, nas condições  
edáficas e no histórico de perturbação. Assim, o cenário aponta para um processo de  
regeneração ainda incipiente e limitado, que requer tempo e condições favoráveis para  
que a diversidade específica possa se estabilizar e expandir.  
O índice de Shannon variou entre 1,92 e 2,53, com uma média de 2,21, o que revela não  
apenas um número reduzido de espécies, mas também uma distribuição desigual entre  
elas. Esse padrão sugere um estágio inicial do processo de regeneração, caracterizado  
por comunidades pouco diversas bem como pela dominância de algumas espécies  
pioneiras. Tal cenário é típico de áreas fortemente perturbadas e que se encontram em  
recuperação, nas quais espécies de rápido crescimento tendem a ocupar o espaço de  
forma preferencial, enquanto espécies mais tardias ou de maior exigência ecológica  
ainda não se estabeleceram plenamente.  
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Tabela 2: Valores do Índice de Shannon (H’) e Riqueza específica por parcela  
Parcelas  
Riqueza (%)  
Shannon  
1,52  
1
2
5,95  
9,52  
4,76  
17,85  
5,95  
4,76  
5,95  
22,61  
15,47  
7,14  
1,95  
3
1,89  
2,45  
1,52  
4
5
6
7
1,21  
1,30  
2,67  
2,44  
1,10  
8
9
10  
O Índice de Composição Biofísica (BCI) variou entre 0,76 e 7,18, com uma média de  
2,59, o que revela existir grande variação entre as parcelas, sendo algumas com um  
estado melhor enquanto outras em estado de extrema degradação, situação que pode  
afectar significativamente no processo de regeneração da vegetação. Já o índice de  
vegetação melhorada variou entre 0.057 e 0.268, com uma média de 0.17, estes valores  
denotam que existe vegetação menos densa (>0,3) resultante de possíveis perturbações  
antrópicas. Esta realidade foi confirmada pelo SAVI que tem como função a  
compensação do efeito do solo exposto, onde revelou existir uma regeneração ainda  
incipiente influenciada pelo efeito do solo nu resultante da exploração mineira na  
região.  
Figura 3: Valor do índice das variáveis ambientais por parcela estudada  
B
C
A
Apesar de existir pouca variação nas variáveis altitude e temperatura (Figura 3), é  
evidente que elas afectam significativa no processo de regeneração, uma vez que, locais  
mais quentes tendem a ser susceptíveis a degradação do solo. Este cenário pode ser  
observado na Tabela 2, onde as parcelas localizadas em locais com temperatura elevada  
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apresentaram valores inferiores de SAVI e EVI.  
Figura 4: Distribuição espacial da A) Altitude; B) Declive e C) Temperatura  
A
B
C
Tabela 3: Valor do índice das variáveis ambientais por parcela  
Plots  
1
BCI  
DEM  
2069  
EVI  
LST  
SAVI  
1,1295541  
0,14901366  
28,37013  
27,52933  
28,47666  
26,75926  
27,1049  
0,14526627  
2
3
1,8170155  
4,1175224  
0,7638336  
1,8664495  
7,1802871  
2,6428937  
1,6955554  
2,5880609  
2,0747991  
2088  
2085  
2085  
2137  
2106  
2070  
2111  
0,20363174  
0,05774244  
0,16515341  
0,26809178  
0,17164552  
0,22437614  
0,08742404  
0,20325977  
0,16909509  
0,20081061  
0,05852048  
0,15960666  
0,26998025  
0,17613706  
0,22044897  
0,07982051  
0,20998035  
0,1733945  
4
5
6
27,75423  
26,98429  
28,22751  
28,07626  
27,81506  
7
8
9
2048  
2080  
10  
Análise dos componentes principais entre as parcelas  
O resultado da análise dos componentes principais mostrou que as parcelas 5, 8, 3 e 6  
são as mais influenciadas pelas variáveis ambientais. A parcela 5 por exemplo, é  
influenciada pelas variáveis SAVI e DEM. Isto pode indicar um cenário de menos  
impacto ou perturbação, uma vez que combina vegetação densa com altitude elevada,  
o que muitas vezes corresponde a locais mais isolados ou menos explorados (Figura  
5).  
A parcela 6 por sua vez é influenciada também pela altitude e pelo BCI, o que pode  
indicar também um cenário de pouca perturbação antrópica devido o factor altitude,  
bem como condições adequadas do solo, uma vez que se encontra mais próxima da  
variável  
BCI.  
Estes  
dois  
factores  
contribuem  
significativamente  
para  
o
desenvolvimento das espécies presentes na parcela, podendo ser um local com  
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potencialidade para a aplicação de políticas de conservação.  
As parcelas 8 e 3 encontram-se entre as variáveis BCI e temperatura, este cenário pode  
indicar condições ambientais específicas relacionadas com a altitude, onde as  
temperaturas tendem a influenciar significativamente no desenvolvimento da  
vegetação da região.  
Figura 5: PCA das variáveis ambientais por parcela  
.
Análise da correlação entre as variáveis ambientais  
Importante salientar que, durante o processo de teste, foi detectado colinearidade  
entre as variáveis NDVI e SAVI, o que obrigou a sua retirada na análise de correlação.  
Os resultados da correlação entre as variáveis ambientais mostraram comportamentos  
diversos. Começando pela BCI, este apresentou uma correlação positiva com a altitude,  
indicando mais uma vez que as áreas elevadas apresentam solos mais conservados  
corroborando com os resultados da análise anterior (Figura 6). A altitude e a  
temperatura apresentam correlação negativa, indicando que as parcelas que se  
localizam em pontos mais elevados têm temperaturas mais baixas em relação as que se  
localizam em pontos mais baixos. Este é um cenário próprio da troposfera, onde as  
altitudes a temperatura comportam-se de modo inversamente proporcional. Situação  
semelhante acontece com as variáveis, temperaturas e SAVI, o que pode indicar que as  
vegetações das parcelas localizadas em regiões mais elevadas tendem a apresentar  
sinais de menos perturbação.  
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Figura 6: Correlação entre as variáveis ambientais  
Regressão linear do índice de Shannon com as variáveis ambientais  
Observando as linhas de tendências do cenário A, percebe-se que as parcelas com  
vegetação densa, tende a apresentar maior riqueza específicas, isto acontece devido a  
reduzida perturbação antrópica, sendo que as plantas nesses lugares tendem a crescer  
de forma segura (Figura 7). O cenário B) indica que a riqueza tende a diminuir com a  
altitude, ou seja, as parcelas localizadas em altitudes baixas, apresentam menor  
diversidade de espécies em relação as localizadas nos pontos mais altos. Já o cenário  
C), indica que nas parcelas estudadas, a diversidade aumenta com a temperatura, ou  
seja, as parcelas com temperaturas médias de 28.5ºC tendem a apresentar índices de  
diversidade superiores a 2.1. Por último o cenário D) ao contrário dos demais, mostrou  
uma regressão linear nula, o que pode indicar a não existência ou baixa relação entre  
as duas variáveis.  
Figura 7: Correlação entre as variáveis ambientais  
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Análise da regeneração natural  
A estimativa da regeneração natural na área de estudo permitiu acompanhar a  
evolução dos fragmentos e avaliar o estado de conservação dos indivíduos registados.  
Esses dados podem orientar respostas imediatas a alterações naturais ou antrópicas,  
já que os indivíduos disponíveis podem ser recrutados para os estágios iniciais da  
regeneração. Em termos de regeneração natural, a Brachystegia spiciformes destaca-  
se com o maior índice (49,41%), seguida por Julbernardia paniculata (8,77%),  
Julbernardia globiflora (8,25%) e Parinari curatellifolia (5,61%). Estes valores  
indicam a proporção de espécies que compõem o estoque disponível para a distribuição  
na comunidade vegetal, de acordo com as suas dimensões.  
Tabela 4: Estimativa da regeneração natural na área de estudo  
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Conclusões  
Da análise feita, a região é dominada por rochas sedimentares da classe dos arenitos  
com modalidades de exploração artesanal na superfície fina da terra feitas a céu aberto.  
A recuperação natural das espécies arbóreo-arbustivas nas áreas degradadas pela  
exploração mineira constitui, no entanto, a última etapa de uma mineração e potencia  
no conhecimento e gestão da biodiversidade de modo a salvaguardar o meio e o bem-  
estar das populações ao redor e da sociedade no geral; Foram identificadas 10 famílias,  
19 espécies regeneradoras com maior predominância da Brachystegia spiciformis e  
culminou com um total de 707 indivíduos distribuídos em 10 parcelas amostrais. As  
famílias mais representativas com relação ao número de indivíduos foram  
Chrysobalanaceae (10 indivíduos), Combretaceae (12 indivíduos), Dipterocarpaceae  
(20 indivíduos), Proteaceae (21 indivíduos) e Fabaceae (638 indivíduos). A diversidade  
florística, avaliada pelo índice de diversidade de Shannon apresentou uma média de  
2,21 de biodiversidade, indicando uma boa tendência de crescimento das espécies  
arbóreas arbustivas, dotadas de uma capacidade regenerativa e resiliência às  
perturbações garantindo assim o desenvolvimento das comunidades de uma forma  
mais equilibrada. Os modelos estatísticos tais como PCA e de regressão, identificaram  
fortes indícios de relação entre a diversidade e os factores ambientais. Sendo que as  
diferenças entre a temperatura e a altitude podem ser factores secundários, modulando  
microclima e influenciando os índices de vegetação. As estimativas da regeneração  
natural por espécie constituem uma estratégia para a organização e controlo da  
informação sobre os seres vivos, existe após a exploração de maneira segura e  
duradoura no qual permitiu perceber que a Brachystegia spiciformis, Julbernardia  
paniculata e da Parinari curatellifolia são as espécies que se destaca com maior índice  
de regeneração. Dada a escassez de estudos ligados a regeneração natural do miombo  
em áreas sujeitas à exploração mineira, aliada com a complexidade da estabilização das  
alterações causadas à paisagem, vários aspectos ficaram por analisar, assim, sugerem-  
se várias ideias que podem ser aplicadas no contexto local.  
o Implementação de uma exploração sustentável no sentido de haver maior  
cumprimento efectivo da legislação mineira salvaguardando o meio ambiental;  
o Intervir com um plano de gestão em reflorestamento natural de modo a ter o  
controlo do desenvolvimento das espécies em regeneração;  
o Envolver as comunidades ao redor num processo de sensibilização com  
informações de esclarecimento sobre os cuidados a ter em conta com as espécies  
em regeneração natural de modo a salvaguardar a diversidade florística local.  
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Recebido:04/10/2025  
Aceite:28/05/2026  
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