Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Impactos Ambientais da Companhia Siderúrgica do Cuchi:  
uma avaliação para a sustentabilidade socioambiental  
Environmental Impactsofthe Cuchi Steel Company: anassessmentfor socio-  
environmental sustainability.  
Impactos Ambientales de la Compañía Siderúrgica del Cuchi: una evaluación para  
la sostenibilidad socioambiental.  
Joaquim Tchingalule1  
Gabinete Provincial da Educação do Cubango, Angola  
Agostinho Francisco Cachapa2  
Faculdade de Engenharias e Tecnologias, Universidade do Namibe, Angola  
Luís Manuel Miapia3  
Faculdade de Ciências agrárias, Universidade José Eduardo dos Santos, Angola  
Resumo  
A Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC), situada na província do Cubango, Angola, exerce  
uma influência significativa na economia regional, mas as suas operações também acarretam  
impactos ambientais relevantes. Este estudo analisa minuciosamente os efeitos  
socioambientais gerados pela CSC, levando em consideração tanto os aspectos negativos  
quanto os positivos de suas actividades, com ênfase nos indicadores de qualidade do ar, solo,  
água, biodiversidade e no bem-estar das comunidades circunvizinhas. A pesquisa utilizou uma  
metodologia abrangente, que incluiu abordagens qualitativas e quantitativas, além de um  
levantamento bibliográfico, entrevistas e questionários aplicados à população local, para  
compreender as percepções sobre os impactos ambientais associados à siderúrgica. A aplicação  
da matriz de Leopold revelou um total de 477 impactos negativos e 110 impactos positivos. Das  
respostas obtidas dos questionários, 54% relataram percepções em relação aos impactos  
negativos consideráveis, e apenas 26% deram destaque a aspectos positivos. Esses resultados  
evidenciam a urgência de desenvolver estratégias eficazes de mitigação que assegurem a  
sustentabilidade socioambiental da região. Assim, torna-se imprescindível a adopção de  
medidas rigorosas de controlo ambiental, visando não apenas a minimização dos danos, mas  
também a promoção de um equilíbrio saudável entre o desenvolvimento económico e a  
preservação ambiental.  
Palavras-chave: Impactos ambientais, Sustentabilidade, Mitigação ambiental  
1
Mestre em Ecologia e Gestão de Recursos Naturais, pelo Instituto Superior de Ciências Educação da Huila,  
Ciências  
2Doutor em Ciências Química, pela Univesidade de la Longuna, Espanha  
3Doutror em Gestão Sustentável de Recursos Naturais, pela Universidade de Córdoba, Espanha  
69  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
     
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Abstract  
The Cuchi Steel Company (CSC), located in the province of Cubango, Angola, plays a significant  
role in the regional economy, but its operations also generate notable environmental impacts.  
This study provides a detailed analysis of the socio-environmental effects caused by CSC,  
considering bothnegative and positive aspects of its activities, with emphasis on indicators  
such as air, soil, water quality, biodiversity, and the well-being of surrounding communities.  
The research adopted a comprehensive methodology that combined qualitative and  
quantitative approaches, as well as a bibliographic review, interviews, and questionnaires  
applied to the local population to assess perceptions regarding the environmental impacts of  
the steel industry. The application of the Leopold Matrix revealed a total of 477 negative  
impacts and 110 positive ones. Survey results showed that 54% of respondents perceived  
considerable negative effects, while only 26% highlighted positive aspects. These findings  
demonstrate the urgency of implementing effective mitigation strategies to ensure socio-  
environmental sustainability in the region. Therefore, it is essential to adopt rigorous  
environmental control measures, aiming not only to minimize damages but also to promote a  
healthy balance between economic development and environmental preservation.  
Keywords: Environmental impacts, Sustainability, Environmental mitigation.  
Resumen  
La Compañía Siderúrgica de Cuchi (CSC), situada en la provincia de Cubango, Angola, ejerce  
una influencia significativa en la economía regional, pero sus operaciones también generan  
impactos ambientales relevantes. Este estudio analiza detalladamente los efectos  
socioambientales provocados por la CSC, considerando tanto los aspectos negativos como los  
positivos de sus actividades, con énfasis en indicadores de calidad del aire, suelo, agua,  
biodiversidad y en el bienestar de las comunidades vecinas. La investigación adoptó una  
metodología integral que combinó enfoques cualitativos y cuantitativos, además de una  
revisión bibliográfica, entrevistas y cuestionarios aplicados a la población local para  
comprender sus percepciones sobre los impactos ambientales asociados a la siderurgia. La  
aplicación de la Matriz de Leopold reveló un total de 477 impactos negativos y 110 positivos.  
Los cuestionarios mostraron que el 54% de los encuestados percibieron efectos negativos  
significativos, mientras que solo el 26% destacaron aspectos positivos. Estos resultados  
evidencian la urgencia de implementar estrategias eficaces de mitigación que garanticen la  
sostenibilidad socioambiental de la región. Por ello, se hace imprescindible la adopción de  
medidas estrictas de control ambiental, orientadas no solo a reducir los daños, sino también a  
promover un equilibrio saludable entre el desarrollo económico y la preservación ambiental.  
Palabras clave: Impactos ambientales, Sostenibilidad, Mitigación ambiental.  
70  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Introdução  
A Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), originada nos EUA em 1969, é um  
instrumento essencial de gestão ambiental.Em Angola, a sua implementação é  
obrigatória para actividades que possam afectar o equilíbrio socioambiental, nos  
termosda Lei de Bases do Ambiente n.º 5/98, de 19, de Junho e do Decreto n.º 117/20,  
de 22 de Abril, que visam avaliar as repercussões de empreendimentos públicos e  
privados através de Estudos de Impacto Ambiental (EIA). A indústria siderúrgica,  
sector estratégico da economia mundial, tem impactos significativos, positivos e  
adversos no ambiente (Figueiredo, 2016), e no contexto angolano, a Companhia  
Siderúrgica do Cuchi (CSC), no município do Cuchi, província do Cubango, é decisivo  
para o desenvolvimento económico regional.No entanto, as operações da CSC geram  
consequências socioambientais prejudiciais, como a contaminação do solo e recursos  
hídricos, bem como a emissão de gases de efeito estufa, ameaçando a saúde das  
comunidades e a biodiversidade. Os impactos negativos incluem a exploração laboral,  
a diminuição da biodiversidade, a poluição atmosférica, a erosão, a degradação do solo,  
o desmatamento, a contaminação hídrica, a poluição sonora e a alteração da paisagem.  
Este estudo propõe-se a analisar esses impactos e a desenvolver estratégias para a  
sustentabilidade socioambiental na área de influência da CSC.  
A questão central da pesquisa é: "em que medida os impactos ambientais gerados pela  
produção de ferro-gusa podem ser adequadamente avaliados?". Para respondê-la, a  
Matriz de Leopold mostrou-se eficaz na identificação e quantificação dos impactos.  
Apesar da existência de diversas metodologias de AIA, optou-se por construir uma  
ferramenta que integrasse elementos e promovesse a participação activa de todos  
envolvidos nas actividades da CSC, buscando uma abordagem que reflectisse a  
realidade do projecto. Esta investigação é relevante por destacar aspectos da  
degradação ambiental, suas causas e efeitos nos sistemas ecológicos e sociais. O estudo  
visa avaliar os impactos socioambientais da CSC e propor medidas de mitigação para  
maximizar benefícios e minimizar danos, assegurando a sustentabilidade a longo  
prazo. No contexto do desenvolvimento sustentável de projectos industriais como o da  
CSC, é fundamental um acompanhamento abrangente da cadeia produtiva, baseado  
em EIAs que apoiem uma avaliação eficaz das causas e efeitos das actividades no  
ambiente natural e social.  
De alguma forma, esta pesquisa contribui para um conhecimento mais abrangente dos  
impactos que estas actividades causam ao ambiente. Por outro lado, servirá de  
conscientização da população e fornece subsídios práticos para funcionários e gestores  
na tomada de decisões ambientalmente responsáveis. Assim, o estudo se esforça para  
promover uma cultura de responsabilidade socioambiental nas práticas diárias da CSC  
e no envolvimento de todos os actores interessados no processo de sustentabilidade.A  
escolha deste tema para a pesquisa decorre do facto de que este empreendimento  
representa o primeiro no país a produzir ferro-gusa utilizando carvão vegetal como  
71  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
agente redutor, através de um processo produtivo que adopta tecnologias sustentáveis.  
Adicionalmente, merece destaque a relevância da Companhia Siderúrgica do Cuchi  
para o desenvolvimento socioeconómico da região, especialmente em virtude dos  
potenciais impactos ambientais que sua operação pode ocasionar no ecossistema local  
e nas comunidades vizinhas. A área é rica em recursos naturais, que incluem corpos  
hídricos, como os rios Cuchi, Cutato e Cuelei, além de recursos florestais e a presença  
de minério de ferro, considerado a matéria-prima fundamental para a produção de  
ferro-gusa. Para responder a problemática identificada, propõe-se alcançar os  
seguintes objectivos: (1) diagnosticar o estado ambiental na zona de influência da  
Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC) no Cubango; (2) avaliar os impactos  
socioambientais das actividades da CSC na comunidade local e a percepção dos  
moradores e outras entidades sobre esses impactos e (3) propor medidas de mitigação  
e recomendações para promover a sustentabilidade socioambiental das operações da  
CSC na região.  
Referencial teórico  
A produção global de aço, que serviu como pilar da Revolução Industrial, tem  
demonstrado um crescimento contínuo desde 1870, com o aço consolidando-se como  
o material mais utilizado na indústria devido à sua versatilidade (WorldSteel  
Association, 2022).  
A indústria siderúrgica é um importante fornecedor de insumos para diversos sectores  
da indústria de transformação e para a construção civil, caracterizada por grandes  
empresas verticalizadas, ela abrange desde a conversão do minério em ferro-gusa até  
à produção de bobinas laminadas, usadas em indústrias como a automotiva, de bens  
de capital e naval (Song, L., & Liu, H., 2021).  
Globalmente, a indústria siderúrgica possui uma importância considerável. Em 2022,  
a produção mundial de aço bruto atingiu 1,89 bilhões de toneladas, representando uma  
queda de 3,9% em relação a 2021, mas uma média de crescimento anual de 0,8% nos  
últimos cinco anos. A produção está fortemente concentrada na Ásia, a qual foi  
responsável por 73,6% da produção global em 2022. A China destaca-se como o maior  
produtor, com 54,0% da produção de aço bruto em 2022, enquanto o Brasil ocupa a  
9.ª posição, com 1,8% da produção mundial (Viana, 2023).  
72  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Figura 1: Os dezpaíses maiores produtores de aço no mundo  
60%  
50%  
54%  
40%  
30%  
20%  
10%  
15,80%  
6,60%4,70%4,30%3,80%3,50%1,90%2,00%1,80%1,60%  
0%  
Fonte: Adaptado de World Steel Association (2023)  
A indústria do aço demonstra um rápido desenvolvimento impulsionado pela  
digitalização, automação, iniciativas de infra-estrutura, reorganização urbana e  
transformação energética. A sustentabilidade tem-se tornado uma prioridade  
crescente para o sector, especialmente no contexto das mudanças climáticas (Viana,  
2023).  
Diversas empresas do sector estão implementando acções para promover a  
sustentabilidade e a descarbonização. A Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC), por  
exemplo, está empenhada em alcançar a neutralidade de emissões de carbono durante  
sua vida útil. Para isso, a CSC tem aprimorado seu processo produtivo com a  
implementação de tecnologias "carbon free", importadas do Brasil. A empresa  
estabeleceu uma meta intermediária de redução de 10% nas emissões de gases de efeito  
estufa (GEE) até 2030. Uma das estratégias adoptadas para cumprir esse desiderato é  
o uso de carvão vegetal sustentável, produzido a partir de florestas cultivadas em Cuchi  
na província Cubango, visando neutralizar as emissões de carbono geradas no processo  
produtivo.  
Sustentabilidade na Indústria Siderúrgica  
Gomes (2016) define sustentabilidade como a utilização dos recursos naturais para  
atender às necessidades actuais da sociedade sem comprometer as gerações futuras. A  
Organização das Nações Unidas (ONU), no relatório Brundtland de 1987, estabeleceu  
o conceito de desenvolvimento sustentável como "o desenvolvimento que vai de  
encontro às necessidades sentidas no presente, sem comprometer as necessidades das  
gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades" (ONU, 1987). Desde  
então, a sustentabilidade tornou-se um tema central para a população, academia,  
organizações e a sociedade em geral.  
73  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Em 2015, a ONU estabeleceu 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)  
agrupados em cinco categorias essenciais: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e  
Parceria. Esses objectivos compõem a Agenda 2030, exigindo o esforço colaborativo  
de todos os países e interessados para serem alcançados (ONU, 2015).  
O crescimento demográfico global, a injustiça socioeconómica, as variações climáticas,  
a deterioração ambiental, a urbanização, a poluição e a crescente escassez de recursos  
naturais tornam a sustentabilidade uma preocupação global e, em particular, para a  
indústria (Braccini e Margherita, 2018). As organizações são consideradas sustentáveis  
quando suas acções alinham-se aos três pilares do Triple BottomLine (TBL):  
económico, social e ecológico, os quais são interdependentes (Gomes, 2016).  
A dimensão económica de uma empresa reflecte-se no lucro e na liquidez, indicadores  
da  
sua  
capacidade  
de  
gerar  
recursos  
e
manter  
equilíbrio  
financeiro  
(Brigham&Ehrhardt,2022). A Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC) destaca-se pela  
estrutura diversificada em mineração, indústria e florestas, actuando de forma  
estratégica ao exportar sua produção, o que fortalece a balança comercial nacional  
(Silva, 2023). Seus investimentos contribuem ainda para o desenvolvimento  
socioeconómico de Angola, com impacto positivo nas comunidades locais  
(Chimbili, 2022).  
A dimensão ecológica exige que as instituições utilizem recursos renováveis, reduzam  
desperdícios e minimizem emissões. A Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC) adopta  
a técnica carbon free, neutralizando o carbono gerado pela combustão por meio da  
absorção em florestas renováveis. O uso do carvão vegetal substitui insumos fósseis  
altamente poluentes, tornando a produção de gusa mais sustentável e contribuindo  
para a redução dos gases de efeito estufa (GEE) (Kurtz, 2020). Essa prática está  
alinhada ao Acordo de Paris (2015), cujointuito é limitar o aquecimento global a menos  
de 2 ºC. Inicialmente, a CSC utiliza vegetação nativa, mas já implantou mais  
de 1.000 hectares de eucalipto, com meta de atingir 60 mil hectares na fase final do  
projecto, fortalecendo sua contribuição para a sustentabilidade ambiental e para a  
responsabilidade socioambiental da indústria siderúrgica.  
Por sua vez, a dimensão social engloba actividades económicas que respeitam os  
recursos humanos, a satisfação e qualidade de vida dos empregados, a inclusão social  
nas comunidades, a solidariedade, a imparcialidade e a justiça na distribuição de bens,  
serviços e oportunidades educacionais iguais (Braccini e Margherita, 2018; Birkeet al.,  
2019). Neste âmbito, a CSC planeia várias acções sociais. Actualmente, o projecto já  
gerou mais de 1200 empregos directos, com previsão de alcançar 3500 empregos até à  
fase final, o que resultará em uma melhoria significativa da qualidade de vida das  
comunidades locais e da região.  
74  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Avaliação de Impactos Ambientais (AIA)  
Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) é um instrumento essencial da política  
ambiental, visando garantir que as alterações, favoráveis ou desfavoráveis, causadas  
por um projecto sejam avaliadas e consideradas nas decisões. Sua origem remonta a  
1969, nos Estados Unidos da América, com a aprovação da National Environmental  
PolicyAct (NEPA), a qual tornou a AIA obrigatória para as agências federais em planos  
e projectos com impacto ambiental. Nos países em desenvolvimento, a AIA começou a  
ser implementada na década de 1970, após eventos como a Conferência de Estocolmo.  
Em Angola, a AIA é uma prática relativamente recente, implementada após a guerra.  
Actualmente, qualquer empreendimento ou projecto deve ser aprovado e licenciado  
pelo Ministério do Ambiente. A Lei de Bases do Ambiente (Lei n.º 5/98 de 19 de Junho  
de 1998) estabelece a AIA como um dos principais instrumentos de Gestão Ambiental,  
sendo obrigatória para acções que afectem o equilíbrio ambiental e social.  
O Decreto n.º 117/20 de 22 de Abril reforça essa obrigatoriedade, definindo a AIA como  
um instrumento para avaliar o impacto de empreendimentos públicos e privados no  
ambiente, com base em Estudos de Impactos Ambientais (EIAs) previamente  
elaborados. Esses estudos devem focar em projectos que, por sua natureza, dimensão  
ou localização, possam ter implicações no equilíbrio ambiental e social, garantindo que  
a AIA seja eficaz na protecção ambiental e na tomada de decisões justas.  
De acordo com o Artigo 10.º do Decreto n.º 117/20 de 22 de Abril, a AIA deve incluir  
as seguintes actividades técnicas como critérios de avaliação:  
•
Resultados da avaliação da actividade proposta: determinados com base em  
factores como o número de pessoas e comunidades abrangidas; ecossistemas,  
plantas e animais afectados; localização e extensão da área afectada;  
probabilidades, natureza, duração, intensidade e significância dos impactos;  
efeitos directos, indirectos, potenciais, globais e cumulativos do impacto; e  
reversibilidade e irreversibilidade do impacto.  
•
Padrões de qualidade ambiental e social:no processo de identificação, a  
avaliação dos impactos ambientais e a descrição das medidas de mitigação  
devem seguir padrões de qualidade ambiental e sociais adaptados em Angola,  
visando uma hierarquia de mitigação adequada.  
Esses pontos correspondem ao diagnóstico ambiental da área de influência do  
projecto, incluindo a descrição e análise dos recursos ambientais e suas interacções,  
para caracterizar a situação ambiental antes da implantação do projecto.  
A Lei de Bases do Ambiente (Lei n.º 5/98 de 19 de Junho) é o quadro básico da  
legislação ambiental em Angola, baseando-se no artigo 39.º da Lei Constitucional. Ela  
define conceitos como protecção, preservação e conservação do ambiente, promoção  
da qualidade de vida e uso sustentável dos recursos naturais. A lei também incorpora  
75  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
declarações e agendas internacionais de desenvolvimento, como a Agenda 21, e define  
os direitos e responsabilidades dos cidadãos.  
O artigo 14.º estabelece a criação de áreas de protecção ambiental e medidas para essas  
áreas. Por outro lado, oartigo 16.º prevê a obrigatoriedade das AIAs para todas as  
acções com implicações no equilíbrio ambiental e social, indicando que o Governo  
desenvolverá legislação mais específica sobre o tema. Por sua vez, osartigos 17.º e  
18.ºversam  
sobre  
o
licenciamento  
ambiental  
e
as  
auditorias  
ambientais,  
respectivamente.  
Materiais e Métodos  
O estudo foi realizado no município do Cuchi, situado na região Sul de Angola, na  
província do Cubango e teve o seu campo de acção na Companhia Siderúrgica do Cuchi  
(CSC). Esta empresa, criada em 2016, destaca-se por ser uma unidade dedicada à  
produção de ferro-gusa, abrangendo uma área de 62.500 hectares, conforme ilustrado  
na Figura 2.  
Figura 2. Mapa de localização do município do Cuchi, na província do Cubango.  
Fonte: Autores (2024)  
76  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Clima  
O Cuchi possui um clima tropical de alternância entre estações húmidas e secas, com  
temperatura média anual de 25 °C e precipitação de 1.297 mm (Köppen&  
Geiger, 1930). O verão, quente e chuvoso, dura cerca de nove meses, alcançando  
índices pluviométricos de até 1.400 mm, sendo Dezembro e Janeiro os meses mais  
húmidos, com temperaturas médias de 23 – 24 °C. O inverno, conhecido como  
“Cacimbo”, é um período seco que ocorre entre Junho e Agosto, com temperaturas  
entre 9 °C e 24 °C. Já os meses de Setembro e Outubro correspondem ao período mais  
quente  
do  
ano,  
com  
temperaturas  
que  
podem  
atingir  
30  
°C  
Figura 6. Gráfico de temperatura do Município do Cuchi  
35  
30  
25  
20  
15  
10  
5
18  
16  
14  
12  
10  
8
16  
29  
16  
25  
30  
15  
15  
24  
15  
24  
15  
24  
15  
23  
28  
12  
14  
24  
25  
11  
25  
10  
24  
9
6
4
2
0
0
Jan Fev Mar Abr Maio Jun  
Máxima  
Jul Agost Set  
Mínima  
Out Nov Dez  
Figura 7. Gráfico de precipitações do Município do Cuchi.  
35  
30  
25  
20  
15  
10  
5
300  
250  
200  
150  
100  
50  
0
0
Jan Fev Mar Abr Maio Jun  
Precip  
Jul Agost Set  
dias de chuva  
Out Nov Dez  
77  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Metodologia de estudo  
O estudo faz uma pesquisa aplicada a natureza e classifica-se como descritiva,  
incorporando abordagens qualitativas e quantitativas.A questão central da pesquisa é:  
"em que medida os impactos ambientais gerados pela produção de ferro-gusa podem  
ser adequadamente avaliados?". Para respondê-la, a Matriz de Leopold mostrou-se  
eficaz na identificação e quantificação dos impactos. Apesar da existência de diversas  
metodologias de AIA, optou-se por construir uma ferramenta que integrasse elementos  
e promovesse a participação activa de todos envolvidos nas actividades da CSC,  
buscando uma abordagem que reflectisse a realidade do projecto.  
A pesquisa contou com uma população de 312 moradores do entorno da siderúrgica,  
incluindo o gestor do ambiente da CSC, um membro da ONG ACADIR, o responsável  
do departamento de Geologia e Minas do Gabinete Provincial do Desenvolvimento  
Económico Integrado da Província do Cubango. Deste, participaram 53 indivíduos  
como amostra da pesquisa.  
Procedimentos  
Inicialmente, foi realizado o diagnóstico da área de influência da Companhia  
Siderúrgica do Cuchi (CSC) contemplando a análise de diversos factores ambientais,  
tal como vem discriminado a posterior: qualidade do ar, contaminação do solo e da  
água, além da percepção da comunidade a respeito dos impactos ambientais gerados  
pela companhia.O primeiro passo na condução da investigação consistiu em um  
levantamento minucioso da literatura existente, incluindo pesquisas documentais  
substanciais, com atenção especial ao Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da CSC,  
e a obras que abordam as problemáticas pertinentes ao tema em questão.  
Foram realizadas observações no campo em diferentes locais estratégicos, escolhidos  
sistematicamente com base na sua localização e nas actividades que realizam. Para a  
colecta de dados, foram empregues técnicas de observação e entrevistas, utilizando  
questionários que foram aplicados aos moradores do entorno da siderúrgica, a gestora  
do meio ambiente da CSC, e a agentes sociais. Dentro desse contexto, foi adaptada a  
matriz de Leopold, sendo que o modelo utilizado na pesquisa fundamentou-se na  
estrutura e nos valores atribuídos por Leopold para quantificar os impactos  
ambientais.  
A construção da métrica que define a magnitude, a importância e a severidade, bem  
como os benefícios do projecto, foi elaborada levando em consideração aspectos  
específicos identificados pelos pesquisadores, a fim de atender aos objectivos  
delineados na pesquisa.  
A elaboração da matriz ocorreu em duas etapas. Na primeira etapa, foram listados os  
intervalos de valor que definem a importância, acompanhados da qualificação dos  
efeitos ambientais, tanto negativos quanto positivos, conforme ilustrado na Tabela 1.  
78  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Tabela 1. Intervalo de valor de importância e qualificação dos efeitos adoptado na matriz de Leopold  
(1971).  
Valor de  
Qualificação do Efeito  
Importância  
Negativo  
Positivo  
5 – 6  
Compatível  
Moderado  
Severo  
Benéfico  
7 – 9  
Medianamente benéfico  
10 – 11  
Muito benéfico  
12 – 16  
Crítico  
Altamente benéfico  
Fonte: Autores (2024).  
Num segundo momento, conforme apresentado na tabela 2, adaptada a partir da  
matriz de Leopold, figuram os componentes ambientais, os impactos ambientais e o  
somatório de resultados de importância dos prejuízos e dos benefícios resultantes das  
operações da Companhia Siderúrgica do Cuchi.  
Tabela 2. Valorização de impactos ambientais por factores, adaptada da matriz de Leopold  
Componente  
ambiental  
Impactos  
Somatório de resultados de Tota  
ambientais  
importância  
l
In  
Ex  
M
o
Pe  
Re  
Imp  
Impactos negativos  
Ar  
Geração  
de 15  
13  
13  
12  
12  
12  
12  
10  
12  
8
13  
13  
16  
63  
64  
61  
atmosférico  
partículas de pó  
Geração de gases 14  
por combustão  
Geração de ruído e 13  
vibração  
79  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Geração de odores 13  
11  
8
11  
11  
11  
57  
61  
prejudiciais  
Afectação  
explosões  
incêndios  
por 13  
e
8
16  
16  
Água  
Solo  
Afectações sobre os 8  
Recursos Hídricos e  
Qualidade da Água  
10  
10  
10  
11  
49  
Afectação  
ao 15  
8
13  
12  
90  
13  
11  
15  
64  
Recurso solo  
Factores  
Bióticos  
Impactos ao meio 12  
biótico  
8
15  
58  
Somatório  
dos 103  
83  
91  
110  
477  
impactos negativos  
Impactos positivos  
Socioeconómi Impactos  
sobre  
o 11  
11  
11  
11  
11  
11  
55  
55  
co meio socioeconómico  
Arqueologia e Impactos  
sobre  
e
a 11  
o
11  
11  
11  
Património  
Cultural  
Arqueologia  
Património Cultural.  
Somatório  
dos 22  
22  
22  
22  
22  
110  
impactos positivos  
Fonte: Autores (2024)  
80  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
A valorização dos impactos ambientais é um dos factores de grande importância para  
a sua ponderação, sendo expressa pela sua qualificação e pelo efeito de uma acção  
sobre um factor ambiental, cuja equação é definida da seguinte forma: Importância =  
Imp = In + Ex + Mo + Pe + Re. O significado de cada uma das abreviaturas  
componentes da fórmula acima citada é o seguinte:In: intensidade do grau de  
afectação;Ex: extensão da área de influência em relação ao entorno;Mo: momento em  
que se manifesta desde o início da acção;P: persistência do efeito desde início da  
acção;Re: recuperação das condições iniciais logo depois de produzido o efeito.  
Resultados e discussão  
A partir das pesquisas de campo e dos resultados obtidos com a aplicação da entrevista,  
associados à análise de documentos internos da CSC, foi criada a matriz adaptada de  
Leopold, Tabela 2. Assim, a pesquisa revela que os aspectos ambientais mais  
prejudiciais resultam principalmente da geração de gases por combustão e da  
degradação dos recursos do solo, ambos registando 64 impactos negativos cada. Em  
seguida, está a geração de ruído e vibração, juntamente com os impactos resultantes  
de explosões e incêndios, totalizando 61 impactos negativos cada. Posteriormente,  
observa-se que os impactos sobre o meio biótico alcançam 58, seguidos pela geração  
de odores prejudiciais com 57 impactos negativos. Por fim, os efeitos sobre os recursos  
hídricos apresentam um total de 49 impactos negativos, perfazendo um somatório de  
477 impactos negativos, conforme ilustrado na Figura 3.  
81  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Figura 3. Gráfico de impactos ambientais negativos  
600  
500  
400  
300  
200  
100  
0
477  
64  
61  
57  
61  
49  
64  
58  
Impactos ambientais  
Fonte: Autores (2024)  
Quanto aos impactos positivos, foram identificados 55 impactos no âmbito  
socioeconómico, destacando-se a criação de postos de trabalho pela empresa. Outros  
pontos relevantes são os impactos positivos sobre a arqueologia e o património  
cultural, correspondendo a 55 impactos, Figura 4, perfazendo, no geral, um total de 110  
impactos positivos.  
Figura 4. Gráfico de impactos ambientais positivos  
120  
100  
110  
80  
60  
55  
55  
40  
20  
0
Série1  
Impactos sobre o meio  
socioeconómico  
Impactos sobre a  
Arqueologia e Património  
Cultural.  
total  
Impactos ambientais  
Fonte: Autores (2024).  
82  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Visando compreender a percepção dos moradores acerca dos impactos negativos  
resultantes das actividades da Companhia Siderúrgica do Cuchi, constatou-se que 46%  
dos respondentes afirmaram não ter conhecimento sobre os impactos negativos  
decorrentes do projecto, enquanto 54% reconhecem que o projecto causa impactos  
negativos significativos. Nenhum dos moradores negou a existência desses impactos,  
correspondendo a 0% das respostas (Figura 5).  
Figura 5. A actividade siderúrgica na região em que reside causa impactos negativos ao meio  
ambiente  
Sim  
46%  
54%  
não  
não Sabe  
Figura 6. A actividade siderúrgica na região em que reside causa impactos positivos ao meio  
ambiente?  
6%  
26%  
Sim  
Não  
68%  
Não sabe  
Nesta questão, observa-se que 68% dos inquiridos afirmam não perceber impactos  
positivos, enquanto 26% reconhecem sua existência e 6% mostram incerteza (Figura  
6). A análise das entrevistas com responsáveis ligados à Companhia Siderúrgica do  
Cuchi (CSC) evidencia aspectos positivos e desafios relevantes em seu funcionamento.  
No campo social, sobressai a criação de mais de 1200 empregos directos e indirectos,  
além do apoio comunitário com medicamentos, alimentos e diálogo com líderes locais  
e a Administração Municipal, demonstrando responsabilidade social.  
83  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Do ponto de vista ambiental, a CSC implementa medidas de mitigação, como  
impermeabilização de áreas, gestão de resíduos, reflorestamento e uso da tecnologia,  
como “carbon free”, sinalizando preocupação com a sustentabilidade. Entretanto, a  
eficácia dessas acções depende de monitoramento contínuo e maior transparência,  
sobretudo quanto à tecnologia. Estudos, como o de Silva (2019), reforçam a  
necessidade de avaliação permanente dos riscos decorrentes da siderurgia. Quanto ao  
processo produtivo, verificou-se conformidade da extracção do minério de ferro em  
Cutato com a legislação, bem como correcções de anomalias em visitas técnicas.  
Destaca-se a supervisão do Ministério da Agricultura, por meio do IDF, no processo de  
integração do carvão, consolidando a credibilidade do projecto.  
A entrevista com a responsável da ONG AGADIR trouxe uma visão crítica ao evidenciar  
impactos ambientais, sociais e económicos da siderúrgica. Essa análise amplia a  
compreensão do projecto, indicando a necessidade de estratégias que minimizem  
constrangimentos  
ambientais  
e
conciliem  
desenvolvimento  
industrial  
com  
conservação ecológica. Nos impactos ambientais, a utilização da madeira nos fornos  
foi apontada como prejudicial, provocando desmatamento e emissão de fumos que  
afectam a qualidade do ar. A falta de informações sobre planos de reflorestamento e  
gestão sustentável levanta preocupações sobre a responsabilidade da empresa. As  
emissões foram associadas à poluição atmosférica e aos gases de efeito estufa. A  
ausência de medidas claras de monitoramento e mitigação reforça lacunas na gestão  
ambiental.  
Na gestão de resíduos, a carência de informações sobre tratamento e descarte dos  
resíduos siderúrgicos levanta dúvidas sobre a transparência. Não se identificaram  
iniciativas de reciclagem ou reaproveitamento de subprodutos, evidenciando  
fragilidade.Quanto ao impacto social, embora se reconheça a geração de empregos,  
faltam dados sobre condições de trabalho. Projectos comunitários são percebidos como  
limitados, sugerindo insuficiência de responsabilidade social corporativa. No impacto  
económico, observa-se contribuição para a economia local, embora não haja  
informações que identifiquem diversificação para além da indústria siderúrgica.O  
monitoramento ambiental é citado positivamente, com a actuação da ONG ACADIR  
em acções de sensibilização e treinamento comunitário. Todavia, a eficácia das  
medidas da siderúrgica permanece incerta.  
No âmbito da transparência e participação pública, a ausência de divulgação de  
relatórios de impacto ambiental e de envolvimento da comunidade nas decisões  
levanta preocupações quanto à legitimidade da gestão socioambiental. Assim, as  
entrevistas revelaram fragilidades relacionadas à transparência e às práticas  
ambientais e sociais. Conclui-se pela necessidade de gestão mais clara, envolvimento  
comunitário e medidas concretas para mitigar impactos negativos, de modo a  
assegurar uma maior sustentabilidade da CSC no Cuchi, província do Cubango.  
84  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
As análises realizadas apontam que as operações da CSC geraram 477 impactos  
ambientais negativos e 110 positivos, conforme apresentado nas Figuras 3 e 4. Esses  
dados coincidem com os questionários aplicados, nos quais 54% dos entrevistados  
relataram impactos negativos significativos e apenas 26% reconheceram positivos  
(Figuras 5 e 6). Depoimentos de instituições sociais reforçam essa percepção,  
apontando efeitos adversos da produção de ferro-gusa sobre a qualidade de vida e  
ecossistemas.  
Entre os impactos negativos mais citados estão a deterioração da qualidade do ar,  
poluição sonora, erosão do solo, destruição da cobertura vegetal, bem como  
contaminação de águas superficiais e subterrâneas. Há relatos de riscos de doenças  
ocupacionais e acidentes de trabalho (Bonvicini; Resca; Bignozzi, 2018). De modo  
geral, confirma-se que os impactos negativos superam amplamente os positivos. A  
percepção dos moradores destaca especialmente o ruído industrial, que compromete a  
qualidade de vida. Recomendam-se medições sistemáticas dos níveis de ruído diurnos  
e noturnos, respeitando limites de 55 dB durante o dia e 45 dB à noite em áreas  
residenciais e 70 dB em áreas industriais e comerciais (Santos, 2010). Estratégias de  
monitoramento e controle são essenciais. Outro ponto crítico é a poeira resultante da  
queima de combustíveis e movimentação de caminhões, que invade residências.  
Segundo Reis e Sousa (2014), essa poeira cobre árvores, casas e roupas, além de  
provocar problemas respiratórios. Oliveira (2013) descreve impactos semelhantes em  
outras regiões siderúrgicas, como rachaduras em paredes e desconforto generalizado.  
Silva (2019) confirma que o modelo actual de produção traz riscos à saúde humana e  
ambiental. Melo e Mitkiewicz (2002) destacam a contribuição da siderurgia para a  
poluição atmosférica, enquanto Milanez e Porto (2009) identificam poluentes como o  
dióxido de carbono (CO₂), ligado às mudanças climáticas. Outro problema é a perda  
de terras agrícolas e o desmatamento, agravados pela expansão industrial e pelo uso  
de carvão. Esse processo ameaça a subsistência local e altera a paisagem natural. A  
produção de ferro-gusa acarreta poluição atmosférica, emissão de gases e dispersão de  
poeira, ampliando os impactos comunitários e ambientais. Adicionalmente, os  
resíduos industriais da CSC contaminam águas superficiais e subterrâneas, poluem o  
solo e intensificam a poluição sonora (Reis; Sousa, 2014). Esse cenário evidencia a  
dificuldade da empresa em equilibrar crescimento económico com sustentabilidade,  
dado o número elevado de impactos negativos. A literatura reforça essa constatação:  
Sanches (2015) observa que siderúrgicas em regiões sensíveis, como o Cubango,  
tendem a causar danos ambientais graves sem práticas sustentáveis. Kurtz (2020)  
sugere tecnologias limpas, como o carvão vegetal em substituição a insumos fósseis,  
reduzindo gases de efeito estufa e aumentando a sustentabilidade.  
O avanço industrial na região também gerou alterações na paisagem. A análise de  
imagens de satélite (Figuras 7 e 8) mostra que, em 2016, a área da CSC e Cutato era  
pouco impactada. Após a implementação do projecto, surgiram mudanças  
significativas devido à construção de estradas e à instalação da planta siderúrgica,  
85  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
intensificando a degradação ambiental. Diante desse quadro, conclui-se que os  
impactos negativos superam expressivamente os positivos, afectando a qualidade de  
vida da população e a integridade dos ecossistemas locais. Para enfrentar tais desafios,  
é fundamental que a CSC adopte medidas efectivas de mitigação, como monitoramento  
contínuo, investimentos em tecnologias limpas e políticas de responsabilidade  
socioambiental que reduzam danos e promovam um modelo industrial sustentável  
para Cuchi.  
Figura 7. Demonstração das alterações na paisagem dos pontos Cutato e CSC até ao ano de 2016,  
adaptada do Google Earth.  
Coordenadas  
Cutato -14.368305, 16.500603  
CSC -14.654609, 16.920670  
Fonte: Autores (2024).  
86  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Figura 8. Demonstração das alterações na paisagem nos pontos Cutato e CSC até ao ano de 2023,  
adaptada do Google Earth.  
Coordenadas  
Cutato -14.368305, 16.500603  
Fonte: Autores (2024).  
87  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Conclusões  
A pesquisa sobre a Companhia Siderúrgica do Cuchi (CSC) revelou a coexistência de  
impactos ambientais positivos e negativos. Entre os efeitos adversos mais  
preocupantes estão a degradação da qualidade do ar, o excesso de ruído, a emissão de  
poeiras, a erosão e degradação do solo, a redução da cobertura vegetal, a perda de  
biodiversidade, a contaminação de fontes hídricas. Acrescem ainda os danos à  
agricultura, bem como os riscos de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho,  
comprometendo a saúde pública e o equilíbrio ecológico.  
Em contraste, os impactos positivos concentram-se na geração de empregos, com mais  
de 1.200 postos já criados e projecção de ultrapassar 3.000, além do potencial de  
valorização do património arqueológico e cultural, que pode fortalecer a identidade  
regional.A Matriz de Leopold quantificou 477 impactos negativos e 110 positivos,  
confirmando a percepção comunitária: 54% dos moradores relataram prejuízos  
significativos, contra 26% que reconheceram benefícios.  
A análise demonstra que, apesar dos avanços económicos, predominam os efeitos  
deletérios, o que reforça a urgência da adopção de tecnologias limpas, práticas de  
gestão ambiental eficazes e monitoramento constante. Medidas de mitigação incluem  
reflorestamento, barreiras contra poeira, limitação de ruídos, recuperação de áreas  
degradadas e campanhas de sensibilização ambiental. Os resultados apresentam  
relevância académica e social, ao fornecerem subsídios para o debate em torno do  
desenvolvimento económico sustentável.  
88  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Referências bibliográficas  
Bonvicini, G.; Resca, R.; Bignozzi, M. C. (2018) Impatto Ambientale, Ceramica a  
Livellidi Eccellenza. Ecoscienza, v. 49, n. 2, p. 40-48.  
Brigham, E. F., & Ehrhardt, M. C. (2022). Financial management: Theory & practice.  
Boston: Cengage Learning.  
Constituição da República de Angola (2010). Lei base do Ambiente (Lei n.º 5/98 de 19  
de Junho de 1998).  
Chimbili, M. K. (2022). Impactos socioeconómicos da indústria siderúrgica em  
Angola:  
O
caso  
da  
CSC.  
Revista  
Angolana  
de  
Desenvolvimento  
e
Sustentabilidade, 8(1), 77–94  
Decreto Presidencial n.º 117/20 de 22 de Abril, Diário da República de Angola, I série  
n.º 54.  
Figueiredo, I. P. (2016). Avaliação de Emissões Atmosféricas na Indústria  
Siderúrgica sob a Óptica do Controle e monitoramento: o caso da  
CSN/UFRJ/Escola Politécnica, 2008 – Rio de Janeiro.  
Kurtz, Mariana Reyna, (2020). A indústria siderúrgica no Brasil: avanços para o  
desenvolvimento sustentável: UFRJ/EQ, 2020. xiii, 106 p.; (Monografia) –  
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Química.Rio de Janeiro.  
Leopold, L. B. (1971). A procedure for evaluating environmental impact.Washington,  
U. S.: Geological Survey.  
Melo, G. C. B. de; Mitkiewicz, G. F. M. (2002) Dispersão atmosférica de poluentes em  
um  
complexo  
industrial  
siderúrgico.  
AIDIS.  
Disponível  
em:  
Milanez, B.; PORTO, M. F.de S. (2009) Gestão ambiental e siderurgia: limites e  
desafios no contexto da globalização. Revista de Gestão Social e Ambiental, v.3,  
n. 1, p. 4-21. Disponível em: file:///D:/Users/Downloads/113-1-PB%20(1).pdf .  
Acesso em 13 Setembro. 2024.  
Oliveira, J. G. I. de. (2013) Responsabilidade Social da Companhia Siderúrgica  
Nacional (CSN) e suas externalidades negativas na saúde da população do  
município de Volta Redonda. 73 fls. Monografia (Graduação em Administração  
Pública) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal  
Fluminense, Volta Redonda  
Reis, W. S. ; SOUSA, J. de M. (2014) Revista GeoAmazônia, Belém, n. 2, v. 01, p. 01 -  
Acesso em 11 jun. 2024.  
Sánchez, L. E. (2015) Avaliação de impacto ambiental. 2.2ª Edição Oficina de Textos,  
São Paulo.  
Santos, A. L. (2010). Inventário dos rejeitos, efluentes e subprodutos das Indústrias  
Siderúrgicas Integradas na Fabricação do aço líquido. 79 fls. Dissertação  
(Projecto de graduação em Engenharia Metalúrgica) – Escola Politécnica,  
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.  
89  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022  
Revista Científica do ISCED-Huíla  
Copyright©2026.  
Silva, G. da C. (2019). As relações entre a saúde e a exposição aos resíduos  
siderúrgicos: O conflito socioambiental no Volta Grande IV a partir dos seus  
moradores. 2019. 139 fls. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Rio de  
Acesso em 13 Junho. 2024.  
Silva, J. A. (2023). A indústria siderúrgica angolana e os desafios da exportação.  
Revista de Estudos Económicos Africanos, 15(2), 45–62.  
Song, L., &Liu, H. (2021). The Chinese steel industry’s transformation. Cheltenham:  
Edward Elgar Publishing.  
Souza, C. R. (2013). Análise dos Impactos de Emissões Atmosféricas Locais da  
Indústria Siderúrgica: Um Estudo de Caso no Rio de Janeiro. Instituto Alberto  
Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal  
do Rio de Janeiro.  
Recebido:04/10/2025  
Aceite:04/12/2025  
manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam para a REVISTA  
CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto Superior de Ciências de Educação da  
Huíla, que mantém com fundos próprios a Revista.  
90  
Revista Científica do ISCED-Huíla, Lubango |v.3,n.1 |pp 69-90|Janeiro-Junho|2022