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Caracterização florística da Reserva Ambiental Nativa  
“Preciosa”, no município da Humpata, Angola  
Floristic characterization of the “Preciosa” Native Environmental Reserve, in the  
municipality of Humpata, Angola  
Caracterización florística de la Reserva Ambiental Nativa “Preciosa”, en el  
municipio de Humpata, Angola  
*
Tadeu Vasco Lucas1  
*Centre for Functional Ecology - University of Coimbra, Portugal  
Ruth Francisco2  
Instituto Superior Politécnico Tundavala, Angola  
Fernanda Lages3  
Instituto Superior Politécnico Tundavala, Angola  
Resumo  
O presente estudo realizou um levantamento florístico na Reserva Ambiental Nativa  
“Preciosa”, situada no Planalto da Humpata, muncípio da Palanca, à latitude de  
14,947082º e longitude de 13,423773º, ocupando uma área de 235 hectares, a uma  
altitude de 2 100m acima do nível do mar. A área compreende três habitats: pastagens  
dominadas por gramíneas e herbáceas, miombo anão e afloramentos rochosos com  
arbustos e subarbustos. O objectivo do estudo foi conhecer a diversidade florística da  
Reserva, para sugerir medidas adequadas de conservação e contribuir para a sua gestão  
sustentável. A amostragem foi realizada utilizando o método de parcelas (20 × 50 m),  
tendo-se registado 149 espécies, distribuídas por 112 géneros e 49 famílias. As famílias  
mais representativas foram Poaceae (24 espécies), Asteraceae (18), Rubiaceae (17),  
Fabaceae (15) e Lamiaceae (7). Do total, 90,6% das espécies foram identificadas até ao  
nível de género, 70,8% até à espécie, e 2,7% permaneceram indeterminadas.  
Registaram-se 15 espécies endémicas que foram avaliadas segundo os critérios  
estabelecidos pela IUCN, considerando dados provenientes de levantamentos  
históricos e recentes, informações sobre a distribuição das espécies e a condição dos  
habitats onde ocorrem. Entre as 15 espécies endémicas, nove foram classificadas como  
1Mestre em Ecologia e Gestão dos Recursos Naturais pelo ISCED-Huíla, Lubango-Angola  
2Bióloga, Licenciada em Biologia pela Universidade Agostinho Neto, Lubango-Angola  
3Bióloga, Doutorada em Biologia pela Universidade do Minho, Portugal  
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Vulneráveis (VU), quatro como Em Perigo (EN) e duas como Pouco Preocupantes (LC).  
Estes resultados contribuem para ampliar o conhecimento botânico da região e  
constituem uma base científica para o desenvolvimento de estratégias de gestão,  
monitorização e conservação da biodiversidade.  
Palavras-Chave: biodiversidade, flora, conservação.  
Abstract  
This study presents a floristic survey conducted in the “Preciosa” Native  
Environmental Reserve, located on the Humpata Plateau, Palanca Municipality  
(14.947082° S; 13.423773° E). The reserve covers 235 hectares at an elevation of  
approximately 2 100 m above sea level, encompassing three habitat types: grasslands  
dominated by grasses and herbaceous species, patches of dwarf miombo woodland,  
and rocky outcrops with shrub and subshrub vegetation. The main objective was to  
assess the floristic diversity of the reserve in order to support the development of  
appropriate conservation measures and contribute to its sustainable management.  
Sampling was carried out using the plot method (20 × 50 m), resulting in the  
documentation of 149 species distributed across 112 genera and 49 families. The most  
representative families were Poaceae (24 species), Asteraceae (18), Rubiaceae (17),  
Fabaceae (15), and Lamiaceae (7). Of the species recorded, 90.6% were identified to  
genus level, 70.8% to species level, while 2.7% remained undetermined. A total of 15  
endemic species were identified and assessed according to the IUCN Red List criteria,  
based on historical and recent survey data, species distribution, and habitat condition.  
Among these, nine were classified as Vulnerable (VU), four as Endangered (EN), and  
two as Least Concern (LC). These findings contribute to expanding the botanical  
knowledge of the region and provide a scientific basis for the development of  
biodiversity management, monitoring, and conservation strategies  
Keywords: biodiversity, flora, conservation.  
Resumen  
Este estudio presenta un levantamiento florístico realizado en la Reserva Ambiental  
Nativa “Preciosa”, situada en el Planalto de Humpata, municipio de Palanca  
(14.947082° S; 13.423773° E). La reserva abarca 235 hectáreas a una altitud  
aproximada de 2 100 m sobre el nivel del mar y comprende tres tipos de hábitat:  
pastizales dominados por gramíneas y especies herbaceas, fragmentos de miombo  
enano y afloramientos rocosos con vegetación arbustiva y subarbustiva. El objetivo  
principal fue evaluar la diversidad florística de la reserva con el fin de apoyar el  
desarrollo de medidas de conservación adecuadas y contribuir a su gestión sostenible.  
El muestreo se realizó mediante el método de parcelas (20 × 50 m), lo que permitió  
documentar 149 especies distribuidas en 112 géneros y 49 familias. Las familias más  
representativas fueron Poaceae (24 especies), Asteraceae (18), Rubiaceae (17),  
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Fabaceae (15) y Lamiaceae (7). Del total de especies registradas, el 90,6% fueron  
identificadas a nivel de género, el 70,8% a nivel de especie, mientras que el 2,7%  
permanecieron sin determinar. Se identificaron un total de 15 especies endémicas,  
evaluadas según los criterios de la Lista Roja de la UICN, considerando datos de  
estudios históricos y recientes, información sobre la distribución de las especies y el  
estado de los hábitats en los que ocurren. Entre estas especies, nueve fueron  
clasificadas como Vulnerables (VU), cuatro como En Peligro (EN) y dos como de  
Preocupación Menor (LC). Estos resultados amplían el conocimiento botánico de la  
región y proporcionan una base científica para el monitoreo, la gestión y las estrategias  
de conservación de la biodiversidad.  
Palabras clave: biodiversidad, flora, conservación.  
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Introdução  
A região do Planalto da Humpata, no Sudoeste de Angola, constitui um importante  
centro de diversidade vegetal e endemismo, ainda insuficientemente estudado (Goyder  
& Gonçalves, 2019; Huntley, 2019). Administrativamente, o Planalto integra os  
municípios da Humpata, Palanca e parte da Chibia e do Lubango, inserindo-se na  
Ecorregião 82, Savanas Montanas de Gramíneas e Arbustos. Faz parte da Biorregião  
Montana de Angola, um dos principais centros de endemismo da África tropical. Esta  
unidade ecológica distingue-se pelas condições ambientais específicas das áreas de  
altitude, incluindo clima mais fresco, solos diferenciados e vegetação adaptada às  
encostas e planaltos (Droissart et al., 2018). Tais características conferem ao Planalto  
o papel de refúgio de biodiversidade, abrigando espécies endémicas e comunidades  
ecológicas únicas que não ocorrem em zonas de baixa altitude.  
O objecto deste estudo foi a flora vascular da Reserva Ambiental Nativa 'Preciosa',  
analisada em termos de composição, riqueza, diversidade e conservação. A Reserva,  
localizada no Planalto da Humpata, é uma iniciativa privada, criada com o propósito  
de assegurar a florestação da área envolvente e proteger o aquífero que abastece a  
fábrica de águas Preciosa, conforme informação disponibilizada pela própria empresa.  
Para o efeito, a estratégia implementada, inclui o aumento da cobertura arbórea  
mediante a plantação em zonas originalmente dominadas por gramíneas e a adopção  
de um regime de exclusão de fogo.  
Neste contexto, o presente estudo teve como objectivo geral caracterizar a composição,  
a riqueza e a diversidade florística da Reserva. Especificamente, pretendeu-se: (i)  
elaborar um inventário florístico da área de estudo; (ii) caracterizar a composição  
taxonómica da flora; (iii) identificar as espécies endémicas e avaliar o seu estado de  
conservação segundo os critérios da IUCN; e (iv) fornecer contributos científicos para  
definir prioridades de conservação e desenvolver estratégias de gestão e monitorização  
dos habitats naturais da Reserva.  
Referencial teórico  
1. Diversidade florística de Angola  
Angola possui uma flora vascular particularmente rica, estimada em cerca de 7 000  
espécies nativas, das quais aproximadamente 15% são endémicas. Esta elevada riqueza  
florística e o significativo nível de endemismo reflectem a diversidade de ecossistemas  
e condições ambientais do país, reforçando a necessidade de implementar medidas  
eficazes para a conservação da biodiversidade nacional (Figueiredo & Smith, 2008;  
Goyder & Gonçalves, 2019; Catarino et al., 2022; Lautenschläger et al., 2022). O país  
destaca-se por ser o que apresenta o maior número de biomas em África (7) e o segundo  
com maior número de ecorregiões (15) depois da África do Sul com 17 (Huntley, 2019;  
Huntley, 2023). Contudo, persistem grandes lacunas no conhecimento taxonómico e  
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ecológico das plantas do país e, consequentemente, as avaliações de risco de extinção  
ainda são muito limitadas (Frazão, 2018).  
O Planalto da Humpata destaca-se pela riqueza de espécies endémicas, estimando-se  
que cerca de 200 espécies endémicas podem ser encontradas nesta área Goyder &  
Gonçalves, 2019. Apesar de ser uma das regiões mais bem estudadas em termos  
botânicos, nos anos mais recentes foram identificadas duas novas espécies para a  
ciência nesta região, Barleria crabbeoides e Barleria rupicola (Darbyshire et al.,  
2019). Contudo, as avaliações da Lista Vermelha da IUCN referentes às plantas  
vasculares angolanas permanecem escassas, constituindo uma lacuna para a avaliação  
do risco de extinção e para o planeamento de acções de conservação (Goyder &  
Gonçalves, 2019).  
Reconhecido como centro de especiação e endemismo para diversos grupos  
taxonómicos, o Planalto da Humpata tem relevância estratégica para a conservação da  
flora angolana e para a compreensão dos processos evolutivos na África Austral  
(Huntley, 2023). Além de espécies vegetais únicas, alberga importantes remanescentes  
de avifauna e herpetofauna endémica ameaçada (Baptista et al., 2018; Dean et al.,  
2019). Contudo, as pressões crescentes da transformação das terras para a agricultura  
colocam a rica avifauna dos habitats florestais e de pastagens em risco de extinção local  
(Huntley, 2023).  
2. Principais ameaças à biodiversidade  
A perda de biodiversidade resulta de vários factores, incluindo a destruição e  
fragmentação de habitats, as alterações climáticas, a poluição, a exploração excessiva  
dos recursos naturais e a introdução de espécies exóticas invasoras. Entre estas  
ameaças, as invasões biológicas têm recebido crescente atenção devido à sua  
capacidade de alterar profundamente a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.  
Espécies introduzidas podem adaptar-se e dominar os ecossistemas, substituindo as  
espécies nativas e alterando os ciclos de nutrientes, a produtividade vegetal, as cadeias  
tróficas e o ciclo hidrológico (Pyšek et al., 2020)  
Em Angola, embora o conhecimento sobre a distribuição e os impactos das espécies  
exóticas invasoras ainda seja limitado, várias espécies introduzidas encontram-se  
disseminadas e constituem motivo de preocupação para a conservação da  
biodiversidade. Algumas dessas espécies são reconhecidas como invasoras noutros  
países africanos, onde têm causado diversos efeitos negativos significativos, tanto  
ecológicos quanto económicos (Rejmánek et al., 2017). A ausência de inventários  
sistemáticos e de programas de monitorização dificulta a avaliação da magnitude do  
problema, o que mostra a necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre as  
invasões biológicas e os seus impactos nos ecossistemas angolanos.  
A destruição e a fragmentação dos habitats constituem uma das maiores ameaças à  
biodiversidade de Angola. Entre os principais factores destacam-se a expansão agrícola  
e pecuária, o crescimento urbano e infraestruturas, a exploração ilegal de madeira, a  
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produção de carvão vegetal e lenha, as queimadas frequentes e alteração dos regimes  
de fogo e as actividades mineiras.  
Há ainda a considerar os efeitos das alterações climáticas. A região da África Austral, é  
reconhecida como um hotspot global de alterações climáticas, devido apresentar taxas  
de aquecimento superiores à média mundial, ao aumento da frequência e intensidade  
das secas e à elevada vulnerabilidade socioecológica dos seus sistemas naturais e  
humanos (IPCC, 2021). Estudos recentes indicam que a temperatura média anual em  
Angola aumentou cerca de 1,4 °C desde 1951, sendo o sul do país particularmente  
vulnerável ao aumento da aridez e à ocorrência de eventos climáticos extremos (Pinto  
et al., 2023; Rodrigues et al., 2025).  
3. O papel das áreas de conservação na protecção de espécies e habitats  
As plantas são componentes vitais da biodiversidade global, fornecendo alimento,  
medicamentos, combustível, fibras, abrigo para animais e desempenhando funções  
essenciais nos ecossistemas. Embora ainda não exista um inventário taxonómico  
completo, estima-se que a flora vascular mundial compreenda aproximadamente 300  
000 a 400 000 espécies (Qian et al., 2022). Muitas encontram-se ameaçadas de  
extinção devido à transformação de habitats, exploração excessiva, invasão de espécies  
exóticas, poluição e alterações climáticas.  
A acção humana tem provocado perda e fragmentação de habitats, sobrexploração de  
recursos e degradação ambiental em grande escala, levando à actual crise de extinção  
global (IPBS, 2019). O aumento contínuo da lista de espécies ameaçadas reflecte a  
destruição de ecossistemas e práticas insustentáveis (Gray, 2016). Neste contexto, o  
estabelecimento de áreas protegidas é uma ferramenta essencial para mitigar os  
impactos da ocupação antrópica e conservar ecossistemas e espécies.  
A IUCN reconhece seis categorias de áreas protegidas, desde as Reservas Naturais  
Estritas (Categoria I), destinadas principalmente à investigação científica e proteção  
integral da natureza, até às Áreas Protegidas com Uso Sustentável dos Recursos  
Naturais (Categoria VI), (IUCN, 2022). Nos últimos anos, surgiram outros  
mecanismos de conservação, como as OECMs (Other Effective Area-Based  
Conservation Measures), definidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica como  
áreas geograficamente delimitadas que, embora não tenham a conservação como  
objectivo principal, alcançam resultados positivos e duradouros para a biodiversidade  
(CBD, 2018). A IUCN adoptou esta definição e publicou um documento com  
orientações sobre identificação, reconhecimento e registo de OECMs, explicando os  
critérios que as diferenciam das áreas protegidas convencionais. Estas áreas podem ser  
geridas por comunidades locais, povos indígenas, entidades privadas ou outras  
instituições, complementando a rede tradicional de áreas protegidas e contribuindo  
para a conservação da biodiversidade (Jonas et al., 2023).  
4. Importância dos estudos florísticos  
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O conhecimento da composição florística, da estrutura da vegetação e dos padrões de  
organização das comunidades vegetais constitui uma base fundamental para a  
definição de estratégias eficazes de conservação da biodiversidade (Felker, 2018). Os  
estudos florísticos fornecem informações essenciais sobre a composição taxonómica  
das comunidades vegetais, permitindo identificar e caracterizar famílias, géneros e  
espécies presentes numa determinada área. Além disso, contribuem para o  
conhecimento de atributos ecológicos das espécies, incluindo formas de vida,  
fenologia, distribuição geográfica, diversidade e mecanismos de dispersão (Hosokawa  
et al., 2008). Os estudos florísticos possibilitam a identificação de espécies raras,  
endémicas ou ameaçadas e a definição de medidas adequadas para a conservação e  
gestão sustentável dos recursos naturais (Garcia et al., 2011).  
Frequentemente, os gestores ambientais enfrentam limitações decorrentes da escassez  
de dados sobre a composição e o estado de conservação da vegetação (Takahashi,  
1994). Estes dados são um suporte indispensável para o desenvolvimento de  
programas de conservação, monitorização ambiental e gestão sustentável dos recursos  
naturais, contribuindo para a protecção do património biológico e para a formulação  
de políticas de conservação (Figueiredo et al., 2009).  
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Materiais e Métodos  
Caracterização da área de estudo  
A Reserva Ambiental Natural “Preciosa”, localizada na Fazenda Sangri-lá, situa-se no  
Planalto da Humpata. A área abrange aproximadamente 235 hectares, posicionando-  
se nas coordenadas 14,947082º S e 13,423773º E, a uma altitude média de 2 100  
metros acima do nível do mar (Figura 1).  
Figura 1. Localização geográfica da Reserva Preciosa, mostrando as parcelas de  
amostragem.  
Apesar de ser uma área pequena, compreende diferentes habitats que diferem nos tipos  
de vegetação: (1) a Sudoeste, predominam as pastagens, com espécies graminosas,  
herbáceas e arbustos isolados; (2) na parte Norte ocorre uma mancha de miombo  
dominada por Brachystegia spp., que se vai tornando mais densa para Sudoeste; e (3)  
dispersos pela reserva ocorrem afloramentos rochosos dominados por arbustos e  
subarbustos.  
A área de pastagens corresponde ao que Barbosa (1970) designou como Anharas do  
Alto, formações de savana herbácea onde as gramíneas são dominantes, ocorrendo  
espécies arbustivas e subarbustivas características das zonas de montanha dos géneros  
Protea, Erica, Searsia, Fadogia, entre outros. A mancha de miombo corresponde tipo  
de vegetação 16. A.1, Miombo anão, em que predominam a espécies Brachystegia  
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spiciformis e Julbernadia paniculata, com alturas de 2 a 5 m. Os afloramentos  
rochosos dispõem-se como faixas ao longo do eixo NorteSul e apresentam uma  
vegetação particular constituída por principalmente por arbustos e subarbustos, com  
destaque para os géneros Landophia, Parinari, Selago e Xerophyta e gramíneas do  
género Loudetia.  
Marcação das parcelas  
Foi utilizado o método de parcelas que consistiu no estabelecimento de pequenas  
unidades amostrais de tamanho conhecido, demarcadas nos habitats previamente  
identificados. Neste estudo, optou-se por parcelas retangulares de 1 000 m² (20 × 50  
m), incluindo uma subparcela central de 100 m² (10 × 10 m) (Jürgens et al., 2012).  
Considerando que a parte Sul da Reserva se encontrava fortemente alterada pela  
plantação de espécies exóticas e pela construção de reservatórios de água, o estudo foi  
realizado na porção Norte, onde os habitats permaneciam relativamente intactos.  
Marcaram-se 5 parcelas (P), como se segue: P1, P2 e P4 (miombo), P3 (pastagens), P5  
(área rochosa), como se mostra na figura 1.  
Levantamento florístico  
Depois do estabelecimento das parcelas, fez-se o levantamento das espécies que foram  
individualmente identificadas e contadas. Cada espécie foi classificada quanto às  
formas de crescimento, (i) graminosas (inclui as ciperaceas); herbáceas, ou seja,  
plantas não graminoides sem caule lenhoso persistente; (2) subarbustos, plantas  
lenhosas com menos de 75 cm de altura quando adultas; (3) arbustos, plantas até 5 m  
de altura e (4) árvore, plantas com mais de 5 m de altura (Abreu et al., 2017; Jennings  
et al., 2004). Quanto à duração do ciclo de vida foram classificadas em perenes, anuais  
e bianuais.  
O levantamento foi realizado nos meses de Junho e Julho de 2023 e consistiu no registo  
das espécies presentes nas subparcelas de 100 m2 e 1 000 m2.  
Identificação das espécies  
A identificação das espécies, assim como a confirmação da nomenclatura, foi feita por  
consulta a bibliografia especializada e comparação com exemplares existentes no  
Herbário e nos repositórios digitais do GBIF (Global Biodiversity Information Facility  
e
do  
Jardim  
Botânico  
Real  
de  
Kew  
(http://powo.science.kew.org/), seguindo-se a nomenclatura da African Plant  
Database. As amostras das espécies foram herborizadas para depósito no Herbário do  
Lubango (LUBA). A confirmação do estatuto de endemismo das espécies consideradas  
endémicas em Figueiredo & Smith (2008), foi realizada através de consulta em POWO,  
Word Plants (WP) e Catalogue of Life (COL). Os locais de ocorrência de cada espécie  
endémica foram obtidos por consulta no Global Biodiversity Information Facility  
(GBIF).  
Análise e tratamento de dados  
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A aplicação Microsoft Excel foi usada para introdução e organização das informações  
de cada espécie, como nome, nome local, formas de crescimento e duração do ciclo de  
vida e número da parcela onde ocorre.  
O software PAST (PAleontological STatistics), versão 4.0, foi usado para calcular:  
(1) A riqueza de espécies, que representa o número de espécies registadas na Reserva.  
Para comparar a riqueza de espécies nas parcelas, efectuou-se a análise de  
variância de uma via (ANOVA One-way) utilizando-se uma matriz com o total de  
espécies observadas por parcela (sub-parcelas de 1000 m²). O Teste de Tukey foi  
usado para verificar que médias diferem entre si e a significância dessas diferenças.  
(2) Os índices de diversidade: índice de Shannon-Wiener (H’), através da fórmula H’=-  
Σpi ln.pi, em que pi é a proporção de uma espécie relativamente ao total de espécies  
na amostra e ln é o logarítmo neperiano. Quanto maior o valor de H’, maior a  
diversidade de espécies e menor a probabilidade de, numa selecção aleatória  
dentro das parcelas, ser encontrada sempre a mesma espécie. O índice de Pielou,  
foi calculado pela fórmula J=H´/Hmax, em que Hmax=ln.S e permitiu determinar  
a dominância de uma ou poucas espécies na comunidade de plantas. Este índice  
varia de 0 a 1, em que os valores próximos de zero indicam menor uniformidade  
na distribuição das espécies (Scolforo et al. 2008).  
Avaliação do estado de conservação das espécies  
Para avaliar o grau de conservação das espécies endémicas, utilizou-se a ferramenta  
GeoCAT (Geospatial Conservation Assessment Tool), que permite calcular a Extensão  
da Ocorrência (EOO) e a Área de Ocupação (AOO), conforme os critérios da Lista  
Vermelha da IUCN (Bachmann et al., 2011). Os dados de distribuição das espécies  
foram obtidos a partir da base de dados do Herbário do Lubango e da plataforma GBIF.  
A avaliação foi realizada com base no Critério B da IUCN, considerando os subcritérios  
B1 (EOO) e B2 (AOO), relacionados à distribuição geográfica das espécies, para definir  
suas categorias de ameaça (Tabela 1).  
Tabela 1. Subcritérios do Critério B para avaliação do estado de ameaças das espécies (IUCN,  
2022)  
B. Distribuição geográfica restrita e com fragmentação, declínios ou  
flutuações  
Subcritério  
CR  
EN  
VU  
B1 Extensão de ocorrência (EOO)  
< 100 km2  
< 10 km2  
< 5 000 km2 < 20 000  
< 500 km2 < 2 000 km2  
B2 Área de ocupação (AOO)  
100  
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Resultados e Discussão  
1. Composição Florística  
Registaram-se 149 espécies, distribuídas em 112 géneros e 49 famílias (Apêndices,  
Tabela 11). As famílias Poaceae (24 espécies,17 géneros), Asteraceae (18 espécies, 13  
géneros), Rubiaceae (17 espécies,13 géneros), Fabaceae (15 espécies, 11 géneros e  
Lamiaceae (7 espécies, 7 géneros), são as mais representadas (Figura 4). 90,6% estão  
identificadas até ao género, 70,8%, até à espécie e 2,7% das espécies permanece ainda  
por identificar. Na Tabela 2 é apresentada a lista das espécies registadas.  
30  
25  
20  
15  
10  
Espécies  
5
Géneros  
0
Famílias  
Figura 2. Número de espécies e géneros, distribuídas pelas principais famílias  
Quanto às formas de crescimento predominam as herbáceas, constituindo cerca de  
40% do total das espécies registadas. Relativamente à duração do ciclo de vida,  
predominam as perenes com uma representação de 82% do total de espécies  
registadas.  
Tabela 2. Lista total das espécies distribuídas pelas Famílias. As espécies endémicas estão  
destacadas a verde. NI: Não Identificada  
ACANTHACEAE  
Hypoestes forskaolii (Vahl) R.Br.  
AMARANTHACEAE  
Celosia trigyna L.  
Hibiscus sp. L.  
AMARYLLIDACEAE  
Boophone disticha (L.f.) Herb.  
ANACARDIACEAE  
Rhus kirkii Oliv.  
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Rhus longipes Engl.  
APOCYNACEAE  
Cryptolepis oblongifolia (Meisn.) Schltr. (aff. Chamaeclitandra)  
Landolphia parvifolia K.Schum.  
Strophanthus welwitschii (Baill.) K.Schum.  
ASPARAGACEAE  
Asparagus laricinus Burch.  
ASPHODELACEAE  
Aloe littoralis Baker  
Aloe palmiformis Baker  
ASPLENIACEAE  
Asplenium aethiopicum (Burm.f.) Becherer  
ASTERACEAE  
Arbusto tipo Tarchonanthus  
Aspilia angolensis Muschl.  
Bidens sp. L. (igual Plot 2)  
Anisoppapus anemonifolius subsp. anemonifolius Hook. & Arn.  
Crassocephalum sp. Moench  
Dicoma cf. tomentosa Cass.  
Dicoma elegans Welw. ex O.Hoffm.  
Felicia welwitschii (Hiern) Grau  
Geigeria acicularis O.Hoffm.  
Helichrysum candolleanum H.Buek  
Helichrysum kraussii Sch.Bip.  
Herbácea tipo Crassocephalum, flores amarelas  
Herbácea tipo Polydora  
Hirpicium sp. Cass.  
Pleiotaxis sp. Steetz  
Polydora poskeana (Vatke & Hildebrandt) H.Rob.  
Psednotrichia xyridopsis (O.Hoffm.) Anderb. & P.O.Karis  
Senecio brittenianus Hiern  
CAMPANULACEAE  
Wahlenbergia arcta Thulin  
CARYOPHYLLACEAE  
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Polycarpaea eriantha Hochst. ex A.Rich.  
CELASTRACEAE  
Maytenus acuminata (L.f.) Loes.  
CHRYSOBALANACEAE  
Parinari curatellifolia Planch. ex Benth.  
Parinari excelsa Sabine  
CLUSIACEAE  
Garcinia buchneri Engl.  
Garcinia sp. L. (arbustiva)  
COMBRETACEAE  
Combretum platypetalum Welw. ex M.A.Lawson  
Pteleopsis anisoptera (Welw. ex M.A.Lawson) Engl. & Diels  
COMMELINACEAE  
Commelina africana L.  
Commelina huillensis Welw. ex C.B.Clarke  
Cyanotis longifolia Benth.  
CONVOLVULACEAE  
Evolvulus alsinoides (L.) L.  
CRASSULACEAE  
Crassula lanceolata (Eckl. & Zeyh.) Endl.  
Herbácea tipo Kalanchoe  
CYPERACEAE  
Bulbostylis sp. Kunth  
Cyperus cf. tenax Boeck. (tipo fogo de artificios)  
DIPTEROCARPACEAE  
Monotes africanus A.DC.  
EBENACEAE  
Euclea crispa (Thunb.) Gürke  
EUPHORBIACEAE  
Euphorbia sp. L. (trepadeira)  
Oldfieldia dactylophylla (Welw. ex Oliv.) J.Léonard  
Phyllanthus sp. L.  
FABACEAE  
Aeschynomene sp. L. (grande)  
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Albizia antunesiana Harms  
Bobgunnia madagascariensis (Desv.) J.H.Kirkbr. & Wiersema  
Brachystegia spiciformis Benth.  
Burkea africana Hook.  
Chamaecrista huillensis (Welw. ex Mendonça & Torre) Lock  
Chamaecrista newtonii (Mendonça & Torre) Lock  
Crotalaria sp. L.  
Eriosema albogriseum subsp. huillense Torre  
Eriosema chrysadenium Taub.  
Indigofera sp. 1 L. ( folhas pequenas)  
Indigofera sp. 2 L.  
Indigofera sutherlandioides Welw. ex Baker  
Julbernardia paniculata (Benth.) Troupin  
Tephrosia sp. (flores brancas)  
LAMIACEAE  
Alvesia rosmarinifolia Welw.  
Coleus insolitus (C.H.Wright) Robyns & Lebrun  
Herbácea Tipo Plectranthus  
Leonotis ocymifolia (Burm.f.) Iwarsson  
Leucas martinicensis (Jacq.) R.Br.  
Tinnea eriocalyx Welw.  
Vitex sp. L.  
LOGANIACEAE  
Strychnos spinosa Lam  
MALVACEAE  
Triumfetta geoides Welw. ex Mast.  
MELASTOMATACEAE  
Antherotoma debilis (Sond.) Jacq.-Fél.  
MELIACEAE  
Ekebergia benguelensis Welw. ex C.DC.  
MYRSINACEAE  
Myrsine africana L.  
MYRTACEAE  
Syzygium guineense (Willd.) DC.  
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OCHNACEAE  
Ochna cf. pulchra Hook.  
Ochna pygmaea Hiern  
OLINIACEAE  
Olinia huillensis Welw. ex A.Fern. & R.Fern.  
ORCHIDACEAE  
Habenaria sp. Willd.  
Orchidaceae sp.  
Orchidaceae sp. (folhas longas)  
OROBANCHACEAE  
Alectra sessiliflora (Vahl) Kuntze  
PHYLLANTHACEAE  
Uapaca kirkiana Müll.Arg.  
POACEAE  
Andropogon schirensis Hochst. ex A.Rich.  
Anthephora elongata De Wild.  
Aristida junciformis Trin. & Rupr.  
Brachiaria serrata (Thunb.) Stapf  
Cf. Digitaria monodactyla (Nees) Stapf  
Diheteropogon filifolius (Nees) Clayton  
Elionurus muticus (Spreng.) Kuntze  
Eragrostis biflora Hack.  
Eragrostis nindensis Ficalho & Hiern  
Eragrostis sp. 1 Wolf (Espigueta longa)  
Eragrostis sp. 2 Wolf (peluda na base)  
Eragrostis sp. 3 Wolf (pequena)  
Gramínea rabicho de gato  
Hyparrhenia newtonii (Hack.) Stapf  
Loudetia simplex (Nees) C.E.Hubb.  
Melinis repens (Willd.) Zizka  
Monocymbium ceresiiforme (Nees) Stapf  
Poaceae sp. (tipo Loudetia)  
Poaceae tipo Pogonarthria  
Pogonarthria squarrosa (Roem. & Schult.) Pilg.  
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Schizachyrium sanguineum (Retz.) Alston  
Sporobolus ioclados (Trin.) Nees  
Tristachya leucothrix Nees  
Urelytrum agropyroides (Hack.) Hack  
POLYGALACEAE  
Polygala welwitschii Chodat  
PROTEACEAE  
Faurea rochetiana (A.Rich.) Chiov. ex Pic.Serm.  
Protea welwitschii Engl.  
PTERIDACEAE  
Hemionites inaequalis (Kunze) Christenh.  
Pteris vittata L.  
RANUNCULACEAE  
Clematis villosa DC.  
RUBIACEAE  
Afrocanthium lactescens (Hiern) Lantz  
Ancylanthus rubiginosus Desf.  
Fadogia homblei De Wild.  
Fadogia stenophylla Welw. ex Hiern subsp. stenophylla  
Hymenodictyon floribundum (Hochst. & Steud.) Rob.  
Manostachya staelioides (K.Schum.) Bremek.  
Oldenlandia sp. (L.) Roxb.  
Otiophora scabra Zucc. (Rubiaceae sp. flores peq igual ISPT)  
Pavetta cf. radicans Hiern  
Pavetta cf. schumanniana F.Hoffm. ex K.Schum.  
Pavetta lasiopeplus K.Schum.  
Psydrax livida (Hiern) Bridson  
Pygmaeothamnus zeyheri (Sond.) Robyns  
Spermacoce sp. 1 L. (diferente dos plots 1,2)  
Spermacoce sp. 2 L.  
Tricalysia griseiflora var. benguellensis (Welw. ex Hiern) Robbr.  
Vangueriopsis lanciflora (Hiern) Robyns  
SANTALACEAE  
Osyris lanceolata Hochst. & Steud.  
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Thesium sp. L.  
SAPINDACEAE  
Dodonaea viscosa Jacq.  
SAPOTACEAE  
Englerophytum magalismontanum (Sond.) T.D.Penn.  
SCROPHULARIACEAE  
Hebenstretia angolensis Rolfe  
THYMELAEACEAE  
Gnidia chrysantha Gilg  
TILIACEAE  
Tiliaceae sp.  
VELLOZIACEAE  
Xerophyta capillaris Baker  
XYRIDACEAE  
Xyris sp. L.  
NI  
Arbusto tipo Hymenocardia  
Herbácea caule peludo  
Herbácea folhas roxas  
Herbácea tipo Amaranthaceae (peluda)  
2. Riqueza  
A análise da riqueza taxonómica (Figura 3) mostrou uma maior diversidade nas  
parcelas de miombo, uma menor riqueza das pastagens e uma contribuição intermédia  
dos afloramentos rochosos, evidenciando uma distribuição heterogénea da riqueza  
florística na área de estudo.  
A parcela P4 apresentou os valores mais elevados em todas as categorias (famílias,  
géneros e espécies), indicando ser a área de maior diversidade florística. A parcela P3  
registou os valores mais baixos, reflectindo menor riqueza taxonómica, o que mostra  
que mesmo habitats dominados por gramíneas podem conter diversidade relevante.  
As  
restantes  
parcelas  
apresentaram  
valores  
intermédios,  
mas  
com  
boa  
representatividade de espécies e géneros, reforçando a heterogeneidade da vegetação.  
A ANOVA mostrou diferenças significativas entre as médias de espécies das parcelas  
(F=12, P<0,5). Para avaliar a significância das diferenças observadas realizou-se o teste  
de Tukey. Verificaram-se diferenças significativas entre as parcelas (1 e 4), (2, 3 e 5), (3  
e 4), (4 e 5), como se apresenta na Tabela 3.  
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100  
90  
80  
70  
60  
50  
40  
30  
20  
10  
0
Família  
Género  
Espécies  
P1  
P2  
P3  
P4  
P5  
Parcelas  
Figura 3. Riqueza taxonómica das parcelas amostradas  
Tabela 3. Comparações múltiplas de Tukey para a riqueza  
específica. ns, não significativo, *significativo, *** altamente  
significativo.  
Comparação  
P1 × P2  
p-valor  
0,2347  
Significância  
Ns  
Ns  
***  
Ns  
***  
Ns  
*
P1 × P3  
0,1843  
P1 × P4  
0,000621  
0,9494  
P1 × P5  
P2 × P3  
P2 × P4  
P2 × P5  
P3 × P4  
P3 × P5  
P4 × P5  
0,000224  
0,2933  
0,04181  
3,95 × 10⁻⁹  
0,5886  
***  
Ns  
***  
2,45 × 10⁻⁵  
Apesar de haver alguma heteregeneidade nas riqueza específica das parcelas de  
Miombo (P1, P2, P4), foram estas parcelas que mostraram maior riqueza específica e  
podemos apenas sugerir que isso está relacionado com as características do habitat,  
especialmente o tipo de solo. Devido ao reduzido número de parcelas analisadas, não  
podemos fazer generalizações sobre todo o miombo, nem sobre as pastagens ou áreas  
rochosas do planalto da Humpata.  
3. Diversidade  
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O índice de Shannon-Wiener (H´) foi calculado a partir do número de espécies por  
parcela, tendo-se encontrado os seguintes valores: P1= 3,989; P2= 4,263; P3= 3,584;  
P4= 4,466; P5= 3,871. Estes valores correspondem a uma diversidade elevada e  
mostram haver maior diversidade nas parcelas 2 e 4 de miombo. A parcela 3, de  
pastagens, apesar de ser dominada por gramíneas, ainda assim tem uma diversidade  
elevada, devido à diversidade de herbáceas que ocorrem nesse habitat. O índice de  
Pielou (J) foi próximo de 1, o que indica uma comunidade florística estruturalmente  
equilibrada, na qual as espécies contribuem de forma relativamente semelhante para a  
composição da vegetação.  
4. Endemismo  
Registaram-se 15 espécies endémicas, distribuídas por 8 famílias, com destaque para  
Asteraceae (4 espécies) e Fabaceae (3) (Tabela 2). A predominância de endemismos  
em famílias como Asteraceae e Fabaceae acompanha padrões já descritos para a flora  
angolana, onde esses grupos apresentam alta taxa de diversificação e forte  
especialização ecológica (Catarino at al., 2022).  
A avaliação do estado de conservação resultou na classificação de nove espécies como  
Vulneráveis (VU), devido à distribuição geográfica restrita e da ocorrência em áreas de  
intensa pressão antrópica, como expansão urbana, actividade agrícola e projectos de  
florestação. Embora estas espécies apresentem maior risco de declínio populacional,  
as acções de conservação devem adoptar uma abordagem integrada, contemplando  
não apenas as espécies raras e de distribuição limitada, mas também as actualmente  
consideradas estáveis, cuja existência poderá ser comprometida por pressões  
ambientais futuras. A situação mais preocupante foi observada em quatro espécies  
classificadas como Em Perigo (EN), cuja distribuição conhecida se restringe ao  
Planalto da Humpata. Estas espécies encontram-se associadas a ecossistemas de  
pastagens naturais, actualmente sujeitos à conversão para áreas agrícolas, o que  
representa uma ameaça significativa à sua sobrevivência a longo prazo. Apenas duas  
espécies foram classificadas como Pouco Preocupantes (LC), indicando um risco  
relativamente baixo de extinção nas condições actuais. Foi encontrado um género  
endémico de Angola, Psednotrichia,  
género este que tem apenas 3 espécies, P.  
perennis, P. xyridopsis e P. newtonii, registadas apenas no Planalto da Humpata e qo  
longo da escarpa do Lubango (Bergh & Nordenstan, 2010).  
Tabela 4: Estado de conservação das espécies endémicas registadas na Reserva.  
Espécies Endémicas  
Aloe palmiformis  
Categoria  
Vulnerável (VU)  
Vulnerável (VU)  
Vulnerável (VU)  
Vulnerável (VU)  
Chamaecrista huillensis  
Chamaecrista newtonii  
Coleus insolitus  
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Commelina huillensis  
Dicoma elegans  
Em perigo (EN)  
Vulnerável (VU)  
Eriosema albogriseum  
Pouco Preocupante (LC)  
Fadogia stenophylla subsp. stenophylla Pouco Preocupante (LC)  
Geigeria acicularis  
Kalanchoe salazarii  
Polygala welwitschii  
Psednotrichia xyridopsis  
Rhus arenaria  
Vulnerável (VU)  
Em perigo (EN)  
Vulnerável (VU)  
Em perigo (EN)  
Vulnerável (VU)  
Vulnerável (VU)  
Vulnerável (VU)  
Em perigo (EN)  
Senecio brittenianus  
Tricalysia griseiflora  
Wahlenbergia arcta  
Estes resultados estão de acordo com a opinião de vários autores que consideram esta  
região um hotspot de biodiversidade, ou seja, apresenta um número muito elevado de  
espécies endémicas (Goyder & Gonçalves, 2019; Huntley, 2019; Baptista et al., 2018).  
5. Intervenções realizadas na Reserva  
As principais intervenções na Reserva Nativa Ambiental Nativa Preciosa são as  
seguintes:  
•
Plantações de espécies exóticas no habitat de pastagens, nomeadamente  
Eucalyptus sp., Jacaranda mimosifolia e Morus sp., carvalhos americanos  
(Quercus rubra), pinheiros mansos (Pinus pinea), castanheiros australianos  
(Castanospermum australe). Na altura da realização deste estudo, estava  
plantado um total de cerca de 8 000 plantas;  
•
•
•
Vedação de todo o perímetro da Reserva com muros altos;  
Exclusão de fogo na área de pastagens;  
Construção de reservatórios de água na parte sudoeste da Reserva, onde se  
realizou a plantação da maior parte das árvores.  
Estas intervenções estão de acordo com uma estratégia focada na florestação com  
espécies exóticas e na construção de uma barreira de isolamento das regiões vizinhas,  
mas levantam preocupações quanto aos efeitos sobre a biodiversidade nativa e sobre  
os sistemas ecológicos.  
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Conclusão  
A Reserva apresenta elevada riqueza florística, diversidade elevada e um número  
considerável de espécies endémicas. Conforme os objectivos estabelecidos, realizou-se  
o inventário florístico, identificaram-se e avaliaram-se as espécies endémicas quanto  
ao seu estado de conservação, constatando-se que a maioria está em situação  
Vulnerável ou em Perigo. A avaliação foi efectuada com base em registos históricos de  
ocorrência e por dados recentes obtidos em áreas ecologicamente semelhantes, como  
o Monte Moco, na província do Huambo, e a Serra da Namba, no Cuanza Sul. Contudo,  
tendo em conta as lacunas que ainda existem no conhecimento sobre a distribuição,  
abundância e ecologia de várias espécies endémicas de Angola, devemos considerar  
que as categorias de conservação são ainda preliminares, podendo ser revistas à  
medida que novos estudos e levantamentos de campo se realizem.  
Tal como acontece em várias áreas do Planalto da Humpata, a Reserva está a sofrer  
várias pressões antrópicas que comprometem sua integridade. Apesar de ter sido  
criada com o propósito de assegurar a protecção do aquífero que abastece a fábrica  
Preciosa, a estratégia implementada, que inclui a plantação de diversas espécies  
arbóreas em zonas graminosas e a adopção de um regime de exclusão de fogo, levanta  
preocupações do ponto de vista ecológico. Estas práticas, justificadas como medidas de  
protecção ambiental, descaracterizam ecossistemas abertos de elevado valor ecológico  
e comprometem processos naturais fundamentais, entre eles a dinâmica dos sistemas  
hidrológicos e a manutenção da biodiversidade biológica (Veldman et al., 2015)  
A exclusão de fogo nas áreas de pastagem é um assunto muito discutido pela  
comunidade científica, porque em geral há uma ideia errada sobre o efeito do fogo nas  
savanas e ecossistemas dominados por gramíneas em África (Zaloumis e Bonde, 2016;  
Bond, 2016). Segundo Huntley (2023), o fogo é um dos principais impulsionadores em  
moldar os ecossistemas de savana e limitar a distribuição de florestas fechadas. Mais  
do que suprimir o fogo, o que se recomenda em ecossistemas de pastagens naturais e  
nas savanas é a gestão do fogo, ou seja, a maneira como o fogo é utilizado, controlado.  
Como os efeitos das alterações realizadas na Reserva não são visíveis a curto prazo,  
será importante realizar um programa de monitoramento a longo prazo, para  
identificar possíveis mudanças na composição florística, na dinâmica dos ecossistemas  
e na disponibilidade de recursos hídricos. Apenas dessa forma será possível avaliar se  
as medidas implementadas contribuem para a conservação ou, pelo contrário, se  
geram impactos negativos que comprometam os objectivos de sustentabilidade da  
Reserva e da região do Planalto da Humpata. A Reserva poderia servir de laboratório  
para conduzir estudos que avaliem os efeitos das intervenções actualmente em curso  
sobre a abundância, riqueza e diversidade de espécies, e sobre os aquíferos de que a  
fábrica de água depende.  
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Recebido:21/05/2026  
Aceite:26/06/2026  
submeter o manuscrito o autor está ciente de que os direitos de autor passam  
para a REVISTA CIENTÍFICA DO ISCED - Huíla e para o Instituto  
Superior de Ciências de Educação da Huíla, que mantém com fundos próprios  
a Revista.  
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Revista Científica do ISCED - Huíla, Lubango |v. 3, n.1 |pp 91-114| Janeiro-Junho|2022